Partituras Avulsas
2 Capítulo 2: A garota dos olhos misteriosos.
Notas iniciais
Por favor comentem nesse cap também.
P.s: Me perguntaram qual era o par do Gray. Depois desse cap alguem ainda tem duvida? XP
Me lembrei.
Era nessas horas que eu me perguntava quantos anos de cadeia eu pegaria se matasse Natsu. A cadeia não era tão ruim, era? Provavelmente sim.
Hn... Isso era algo a ser considerado.
Natsu praticamente deixara o quarto de cabeça para baixo em menos de dez minutos! Eu tinha medo de descobri do que ele seria capaz de fazer em um ano.
Colocar fogo em tudo? Quebrar tudo? Fazer com que a cama, de algum jeito inexplicável para a física, acabasse no teto?
Provavelmente todas as opções e algo a mais.
Tudo bem que eu não era o cara mais organizado do planeta, mas pelo menos eu conseguia encontrar minhas coisas e não jogava tudo em vários montes pelo quarto. Respirei e inspirei fundo pela trigésima vez em uma hora.
- Bora, bafo de dragão! Foi você, em primeiro lugar, que sugeriu que agente fosse até a cantina! Eu não tenho o tempo todo do mundo!
- Calma ai, o cuecão! – Natsu remexia sua cama, praguejou alguma coisa – Eu não consigo sair sem o Igneel, você sabe disso! – Balançou a cabeça.
- Sinceramente Natsu, quem é que da nome a um cachecol? – Perguntei, balançando a cabeça.
- Não enche, cuecão – Vasculhou algumas coisas em um monte de roupas ao lado de sua cama – Você sabe que o Igneel tem valor sentimental e... – Pausou, encarou algo na pilha e fez uma expressão feliz – ACHEEEEI! – Deu alguns pulos com o punho para cima. Segurava um cachecol nas mãos.
- Legal – Abri a porta – Será que agora podemos ir a lanchonete? Estou ficando com fome.
- Claro que da! – Fez uma cara maliciosa – QUEM CHEGAR POR ULTIMO PAGA A CONTA – Saiu correndo.
- NATSU, SEU IDIOTA! EU NÃO SEI ONDE FICA A CANTINA! – Gritei e, com um suspiro, sai correndo atrás dele.
...
Não foi tão difícil achar a cantina, mas isso não impediu que eu me cansasse ao percorrer o caminho. Ou melhor, a correr pelo caminho.
Eu estava ofegante, parecia que meu pulmão sairia pela minha garganta a qualquer minuto.
A cantina estava praticamente deserta, de forma que eu rapidamente avistei Natsu esparramado em uma mesa. Provavelmente, assim como eu, ele estava acabado após a corrida exaustiva.
- Você paga a conta, Gray! – Meu amigo praticamente gritou assim que ia sentando na mesa.
- Tudo bem – Dei de ombros – Mas na próxima vez é você quem paga – Esboçei um meio sorriso.
- Feito – Ele disse, batemos as mãos.
- Você já fez os pedidos? – Perguntei.
- Já. Eu pedi cheseburgues, batatas fritas e coca-cola – Pausa – Mudando de assunto, me surpreendi quando te vi aqui. De todas as pessoas você é a que eu menos esperava encontrar em um lugar desses – Ele riu.
- Pois é – Dei de ombros – É que as coisas ficaram mais insuportáveis lá em casa – Suspirei – Odeio ficar reclamando, mas depois que o Lyon ganhou aquele concurso de piano as coisas pioraram e... Eu decidi vir para cá pra ficar longe de tudo e superar ele – Fiz uma careta, Natsu riu.
- Você e essa sua família de perfeccionistas – Soprou o ar pela boca – Cara, eu realmente não sei como você aguenta.
- A minha vida toda foi assim, eu meio que me acostumei. Acho. Mas vamo mudar de assunto – Fiz uma careta – Não quero perder o apetite.
Ironicamente nessa hora a comida chegou.
- Ok – Deu um meio sorriso – Então vamos falar sobre a pessoa mais legal e fodasticamente foda do mundo – Pausa dramática – EU.
Revirei os olhos.
- Você esqueceu de adicionar humilde – Risos.
- Gracinhas a parte – Ele me mostrou a língua – Eu realmente tava precisando falar com alguém.
Franzi o cenho.
Quando algum homem dizia que precisava conversar é porque a coisa tava seria.
Fato.
- Agora fiquei preocupado, desembucha criatura – Comi uma batata.
- Como começar? Isso é tão coisa de menina – Corou.
Perai! Natsu Dragneel corando?
De repente eu já sabia do que se tratava.
Reprimi a vontade de dar uma gargalhada.
- Já sei – Apontei o dedo para ele – Natsu Dragneel, você está apaixonado!
Meu amigo rosado arregalou os olhos.
E...
Bom, ele cuspiu metade de seu refrigerante em mim.
- Como você sabe? – Praticamente gritou, meio engasgado.
- E, deixe-me adivinhar, a garota não da bola pra você, correto?
Arregalou os olhos ainda mais.
- Gray, você é algum tipo de vidente por acaso?
- Não é isso... É que esta escrito na tua fuça, você corou! – Gargalhei ao ver que ele estava, agora, mais vermelho do que tomate.
- Para com isso, Fullbuster, se não eu acabo com essa tua cara feita – Deu uma mordida em seu sanduiche com mais força do que o necessario.
- Ok, parei – Fiz um sinal de rendimento – Mais qual é o nome da garota nem tão sortuda assim?
- Lucy – Brilho no olhar – Lucy Heartfilia.
- E eu que pensei que depois do lançe com a Lisanna você não iria se apaixonar mais.
- Lisanna é passado – Ele sorriu – Eu já esqueci ela faz tempo. E não, a Lucy não é uma substituta, o que eu sinto por ela é muito maior do que eu já senti por outra garota. O único problema...
- É que ela não te da bola – Completei, dando um gole em meu refrigerante.
- É meio estranho... Mas ela nunca sai de perto da melhor amiga dela, Juvia Loxar, é como se ela fosse a guarda costas da menina – Ele fez uma expressão pensativa enquanto comia uma batata – Sei la, desde o ano passado que a Lucy anda assim. Meio que ela se fechou pro mundo. Alguma coisa de serio deve ter acontecido com a amiga, Juvia.
- Hn... Que estranho.
- Pois é – Emitiu um murmúrio de insatisfação.
Foi então que o gatilho para que tudo mudasse foi atirado.
Eu ainda sorriu quando me lembro desse dia.
No meio daquela cantina praticamente fazia entrou a garota mais bonita que eu havia visto na vida.
Exagero? Nem um pouco.
Usava roupas simples, um jeans surrado e moletom azul, sua pele era pálida, tinha traços delicados e possuía longos cabelos azuis. Mas o que mais se destacava eram seus olhos.
Sua cor era uma mescla entre o castanho e o azul. Eram misteriosos, como se escondessem algum segredo.
Ao lado dela andava uma menina loira de expressão sorridente que facilmente poderia ofusca-la.
Eu não saberia dizer – e, sinceramente, tinha medo de descobri – o porque da garota azulada me chamar atenção. Ela usava roupas simples, pouco femininas, e tinha o olhar baixo, como se quisesse se esconder.
Era o tipo de garota que passava despercebida facilmente.
Já havia decidido.
Iria conhecer aquela garota.
Desvendaria o mistério de seus olhos.
A partir daquele dia minha vida nunca mais fora a mesma.
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