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4 Nada à vontade
Notas iniciais
Não havia visto Scorpius naquele dia. Ficou trancada em seu quarto, sem conseguir dormir completamente, incomodada e achando que estava atrapalhando sua intimidade.
Ouviu quando ele chegou, passava das onze. Gryffin, que até então não desgrudara dela, saiu do seu quarto correndo e abanando o rabo para receber o dono.
— Recebeu bem a Rose, garotão? – Scorpius deu atenção a seu cachorro e reparou no quarto dela, fechado.
Não notou nenhuma diferença no apartamento, nem mesmo um copo fora do lugar, só sabia que ela já estava lá porque havia lhe mandado uma mensagem de texto. Supôs que a nova companheira de apartamento já estivesse dormindo e decidiu não a incomodar.
Eram seis da manhã quando Rose arriscou sair do quarto para tomar água. A casa estava em absoluto silêncio e, pelo horário, nunca imaginou que o encontraria na cozinha. Levou um susto quando o viu no aposento completamente vestido para realizar uma atividade física.
Scorpius a encarou e Rose desviou o olhar. A única coisa que conseguia pensar é que deveria ter ouvido o conselho de sua mãe e comprado um robe em uma de suas idas ao shopping. Agora, enquanto ele a encarava vestindo um pijama do Mickey Mouse, Rose de repente percebeu que talvez não fosse desperdício de dinheiro. Poderia ao menos ter penteado o cabelo antes de se arriscar a andar na mesma casa que um homem.
— Bom dia, já acordou? – ele tentou quebrar o clima estranho que havia se instaurado no aposento.
— Bom dia, só vim pegar um copo de água. – Rose colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e ficou ruborizada.
Era a sensação mais estranha que já havia presenciado em toda sua vida. Acordar no mesmo lugar que um homem que não era seu namorado ou nada perto disso. Não era nada parecido com seus dias em Hogwarts em que esbarrava com outros estudantes na sala comunal. Sentia que estava invadindo o espaço dele.
Scorpius parecia notar que ela não estava nada à vontade.
— Fique à vontade, eu vou sair para correr com o Gryffin.
Rose abanou a cabeça concordando, incapaz de olhá-lo nos olhos. Scorpius prendeu uma coleira no seu Golden Retriever e saiu porta afora. Só então ela conseguiu respirar mais aliviada.
Reparou na cozinha e só agora percebera que ele não tinha uma geladeira. Resolveu fazer um café, mas não encontrou pó nem coador. Ficou só com seu copo de água. Foi para a sala pensando em algo para se distrair já que ela não conseguiria dormir novamente tão cedo — entrar naquele quarto de novo antes que ele chegasse estava fora de cogitação; havia perdido completamente o sono. A sala se resumia a um sofá de dois lugares e uma lareira. Sentiu falta de sua TV e internet. Apesar de morar em um bairro com energia elétrica dos trouxas, Scorpius não tinha nada de trouxa em sua casa. Sem opções, resolveu pegar um dos livros da estante para ler.
Duas horas depois retornaram: Scorpius suado da cabeça aos pés e Gryffin sorridente e ofegante. O rapaz a observava sorrindo enquanto Rose lia absorta um de seus livros, deitada à vontade no sofá.
— Que bom que está à vontade. – Scorpius reparou que ela não havia tirado seu pijama infantil ainda.
Rose automaticamente sentou-se, não queria parecer espaçosa.
— Como foi a corrida? – resolveu tentar um diálogo, estava se achando muito no automático só respondendo perguntas dele.
— É sempre bom correr com esse garoto aqui. – Scorpius acariciou a cabeça de seu cachorro, o desprendeu da coleira e Gryffin foi até seu bebedouro se refrescar. – A gente corre num parque aqui perto, depois só sentamos na grama e observamos um açude lotado de patos. Devia ir com a gente um dia.
— Eu? – Rose apontou a si mesma quase rindo. – Não levo jeito para correr.
— Mesmo assim, devia ir. Íamos gostar da sua companhia...
Scorpius era educado demais. Rose lembrava-se dele em Hogwarts como um adolescente inteligente, introspectivo e bom em quadribol, não como uma pessoa o tempo todo educada. Era sempre ela que o puxava para uma conversa, não o contrário.
Vendo que ela não lhe respondia, resolveu ir ao seu quarto tomar um banho. Gryffin pulou no sofá ao seu lado pedindo carinho.
— Aí Gryffin, está tudo tão estranho... – conversava com o cão ao mesmo tempo que o acariciava na barriga. Ele olhou para ela virando a cabeça. – Sim, eu sei que a culpa é minha! Eu sei... Mas é que...
Passou o banho todo de Scorpius conversando com Gryffin como se ele fosse um confidente experiente. Podia parecer bobo, mas o cão de certa forma parecia compreender.
— Já tomou seu café? – ele perguntou quando saiu do seu quarto já trocado com os cabelos molhados.
— Na verdade, passo todos os domingos na casa dos meus avós paternos. Estava te esperando para dizer isso... Algum problema eu passar o dia lá?
— Claro que não...
Apesar de dizer que não havia problema, Rose sentiu uma pontada de decepção na voz do amigo, como se houvesse ficado chateado. Entretanto, quando fez a pergunta, Rose imaginou que ele quisesse — e até preferisse — ficar sozinho em casa. Afinal, a casa era dele, certo? Ele não teria porque ter planos de passar o domingo na companhia de ninguém — muito menos na dela.
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— E aí, futura senhora Malfoy? — Kat falou assim que viu Rose na segunda-feira. — Como anda a lua de mel? – Era óbvio que a primeira coisa que ela iria fazer era perguntar como havia sido seu fim de semana. Ela simplesmente não conseguia se conter.
— Muito estranha... – Rose contou tudo a ela: sobre ficar sozinha o dia todo no sábado com o cachorro dele, que era grande demais para um apartamento daquele tamanho, e de como sentiu que estava invadindo a casa e a vida dele. – Por fim, fiquei o domingo todo ajudando minha avó a cozinhar e tricotar alguns casacos de lã. Pedi para ela me ensinar a fazer um para o Gryffin.
— Espera aí! Você tricotou um casaco? Um casaco para o cachorro? – Kat perguntou já rindo. – Nossa, isso porque você tava achando o cachorro imenso cinco minutos atrás.
— Não tenho nada contra o Gryffin... Na verdade, ele é um amor. É impossível não gostar dele. Além disso, queria enrolar até a noite para voltar para o apartamento.
Voltou a se defender para a amiga. Katherine abanou negativamente a cabeça para ela.
— Então, minha amiga, você só pode estar tentando sabotar seu próprio plano! – Rose revirou os olhos para ela. – Ou pior, sabotar sua felicidade!
— Me senti um peixe fora d’água... Kat, não tinha nada naquele apartamento! NADA. Ele não tinha sequer coador de café! Um coador de café, Kat! Você sabe como eu fico sem café...
— Entendi! – ela apontou o dedo no rosto da melhor amiga. – Realmente, você sem café se transforma em outra pessoa.
— Não sou sequer uma pessoa sem café de manhã... E ele não tem geladeira, televisão e muito menos internet! Fui obrigada a ler para passar o tempo.
A essa altura do surto da amiga, Kat começou a rir em alto e bom som.
— Ah! Eu já entendi tudo: você precisa mobiliar o apartamento dele. — ela continuou rindo. — Ai, Rose, por favor, não esquece de me convidar para o chá de panela! Não se preocupa que levo um presente até para o cachorro! — Rose estava prestes a lhe dar uma resposta quando ouviu seu nome ser chamado.
— Senhorita Weasley. – Seu chefe, senhor Pfeiffer, parou em frente a sua mesa. Rose não havia notado sua presença no ambiente, senão teria mandado Kat calar a boca imediatamente. – Quero conversar com você na minha sala.
Seus olhos estavam esbugalhados ao concordar com a cabeça, seu coração saltava pela boca ao vê-lo se encaminhar a sala dele esperando que ela o seguisse.
Olhou de esguio para a melhor amiga que dava socos no ar indicando que ela havia vencido alguma batalha que não havia se dado conta ainda.
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— Não se concentrou direito no treino hoje!
— Eu sei, desculpe técnico, prometo que amanhã vou estar 100%.
— É bom estar mesmo! Temos jogo na quarta e conto com você já que é o mais bem pago do time.
Scorpius concordou com a cabeça cansado depois da manhã exaustiva de segunda-feira. Não conseguira se concentrar em nenhum dos movimentos, seus pensamentos estavam longe dali, em uma ruiva melhor amiga que apesar de ter concordado com sua ideia de fingir um relacionamento, não parecia nada feliz.
Scorpius não tinha amigos entre os jogadores do time, no máximo conversava educadamente com todos. Sentia, no entanto, que precisava falar com alguém. Resolveu mandar um bilhete a Albus para almoçarem juntos naquele dia.
— Desde quando o flerte adolescente virou namoro e não notei?
Albus havia concordado em ir num restaurante italiano que Scorpius era acostumado a frequentar na Londres trouxa. Após contar que estava namorando sua prima e morando com ela, logo vieram os questionamentos.
— Apesar de que sempre achei que vocês dois namorariam a certa altura.
Albus continuava a falar enquanto comia. Sabia que o horário do almoço do amigo era curto, decidiu ser sincero e ir direto ao ponto com ele. Contou toda verdade, que não estavam namorando de verdade, que haviam feito um acordo para se ajudarem em suas profissões e que agora tudo estava estranho.
— Ela não parecia nada à vontade lá em casa, Al… Eu deixei tudo pronto: o quarto, o guarda-roupa, enfim… E eu tenho certeza que o Gryffin a recebeu bem, mas ainda assim, ela ficou o domingo todo na casa da avó de vocês.
— Estranho, não sabia que Rose passava os domingos na casa dos meus avós...
— Está vendo? Eu tenho certeza que ela tava fugindo de mim.
Scorpius parecia desesperado.
— Acha que esse plano foi uma furada?
— Bom... – Albus parou de comer e olhou nos olhos do melhor amigo que parecia prestes a chorar para obter uma resposta. – Você nunca morou com uma mulher, no máximo acordava com uma na mesma cama que você... E isso não é nada em comparação a morar com uma. Quer dizer, vocês vão ter que conviver todos os dias, cara. É diferente. Mulheres precisam de espaço, privacidade e que o ambiente tenha a cara delas.
— E...
— E aí que o apartamento é seu, Scorpius. Lá você tem as suas coisas, os seus móveis, tudo tem a sua cara... Mesmo com todo o espaço que deu a ela, Rose não vai se sentir à vontade no seu apartamento da noite para o dia. Ela deve ter achado que estava invadindo seu espaço ou algo assim. Tenho certeza que foi por isso que ela fugiu de você.
Scorpius coçou sua cabeça pensando na análise que seu amigo havia lhe mostrado.
— Acha que ela vai desistir da ideia? Do nosso acordo?
— Rose não é de desistir fácil... Mas acredito que você pode ajudá-la a se sentir menos intrusa na sua vida.
— Me diga como! – implorou desesperado. Não sabia o porquê, mas não queria perder Rose tão rapidamente.
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— Percebi que a senhorita está namorando Scorpius Malfoy. – ok, a fofoca havia atingido seu alvo, só restava saber se havia tido o efeito que queria.
— Na verdade, estamos juntos há um tempo, só decidimos assumir agora.
— De fato é uma desculpa bastante usada pelos jovens hoje em dia...
— Perdão?
— Para retardarem assumir relacionamentos...
Era difícil para ela entender aonde ele queria chegar. Decidiu não questionar nada e deixar que falasse de uma vez o que queria.
— Quero que escreva sobre isso. Relacionamentos dos jovens atualmente para nossa seção de opiniões.
Era aquilo mesmo que ela tinha acabado de ouvir? Iria mesmo escrever para a coluna que sempre quis?
— Eu vou escrever para a coluna de opiniões? – não conseguiu deixar de vibrar de alegria na frente dele.
— Não sei ainda se irei aprovar, mas por hora é uma oportunidade que espero que não deixe passar.
— Não irei, não irei!
Sua vontade era abraçá-lo e agradecer a oportunidade. Mas se conteve em apenas concordar com a cabeça com o maior sorriso do mundo estampado em seu rosto.
— Rose, você definitivamente já está colhendo os frutos desse relacionamento de vocês. – Kat começou sua análise da oportunidade que o senhor Pfeiffer havia lhe dado. – Tem que fazer dar certo.
De repente se lembrou do seu desconforto de morar na mesma casa que ele e seus lamentos com a amiga.
— Como? – implorou uma resposta. Precisava de ajuda. Tinha que fazer aquela ideia maluca dar certo no final das contas.
— Sugira mudar algumas coisas no ambiente, para se sentir mais à vontade. Pelo que contou dele, sei que Scorpius não se negará.
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Já era noite quando ela voltou para a casa depois do dia de trabalho, havia treinado com Kat o resto da tarde como falaria para ele que precisava de um coador para fazer café. Ela ainda podia ouvir as palavras de Kat em sua cabeça: “É muito simples, Rose, é só agradecer, elogiar e pedir. Anda, repete comigo: Obrigada pelo quarto, Scorpius, é realmente incrível. Também adorei seu cachorro, será que você não me arranja um coador de café?”
Quando entrou e viu seu companheiro de apartamento sentado no sofá, parecendo culpado e desolado, esqueceu tudo o que havia treinado para lhe falar.
— Não está se sentindo à vontade aqui.
Não era uma pergunta vindo de sua boca, ele havia notado afinal. De fato parecia preocupado sobre como ela reagiria a seguir. Rose deixou todo seu ensaio de lado e desatou a falar.
— Não me leve a mal, tudo é muito confortável no meu quarto, tenho minha privacidade, mas essa casa grita que precisa de algumas coisas para mim. – Scorpius concordou com a cabeça e pegou um bloco de anotações no aparador ao lado. – A primeira coisa que deve ter é um coador de café, não consigo respirar sem meu café de manhã, aliás uma geladeira também não seria nada mal... É ótimo ter refrigeração quando precisa cozinhar e guardar restos de comida. Uma TV! Definitivamente uma TV! Bem ali. – Ela apontou para a parede acima da lareira. – Não tenho como passar o tempo assistindo minhas novelas aqui.
— Novelas? – ele parou suas anotações e olhou confuso para ela.
— E internet! Definitivamente um pacote de internet, não dá pra ser feliz sem internet hoje em dia.
Ele concordou com a cabeça anotando a palavra na sua lista de coisas para providenciar.
— Só isso?
Rose olhou em volta analisando o lugar.
— Bom, acho que uns quadros mais alegres na parede cairiam bem... E as cores são muito monocromáticas. Sem querer ser chata, mas é tudo muito cinza ou branco. Uma cor na parede não faz mal a ninguém.
Ele terminou de escrever a frase “nova cor para as paredes” e se levantou do sofá.
— Então, vamos?
— Para onde?
— Fazer nosso check-list. — Ele disse abanando o bloquinho de papel. — Aposto que deve ter tudo isso numa dessas lojas 24 horas.
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Scorpius ficou maravilhado. Sabia da existência das lojas de departamento 24 horas dos trouxas, mas nunca havia entrado em nenhuma: era uma casa diferente em cada setor. Várias salas de estar, cozinhas, quartos, escritórios, tudo para todos os gostos. Rose reparou nos olhos brilhantes dele. O puxou para se sentar num sofá roxo berrante de frente a uma TV de 70 polegadas.
Ela pegou o controle e apontou para o aparelho que exibia paisagens mostrando a definição da tela.
— Querido, nossa TV não está mudando de canal. – ela fingiu estar brava com o controle remoto. Vendo o esforço de Scorpius em tentar deixá-la à vontade, Rose resolveu brincar um pouco.
Scorpius parou um momento a analisando e pensando no “querido” que ela havia acabado de soltar se referindo a ele. Não conseguiu responder nada e Rose continuou sua encenação:
— Oh! Está sem pilhas. – abriu a caixinha do controle e mostrou a ele o compartimento vazio.
Scorpius, ainda sem palavras, foi puxado para se sentar em outro sofá, azul marinho desta vez.
— Vou te contar um segredo. – ela falou puxando a almofada do sofá fazendo ele virar um sofá cama. – A melhor parte das lojas de departamentos é poder correr e testar todas as coisas sem ninguém atrás para te encher o saco.
Scorpius concordou com a cabeça abrindo a sua parte do sofá deitando-se com ela.
— Mas nós não precisamos de um sofá... – ele disse enquanto ela testava a espuma mudando de posição ao deitar.
— Tem razão! Mas, eles não sabem disso...
Rose o puxou para todas as salas montadas no ambiente, decidiram que o melhor sofá era um branco com almofadas firmes, mas ao mesmo tempo macias.
— Querido, acho que encontrei a TV do tamanho ideal aqui. O que acha dessa?
Apesar do “querido”, Scorpius achou que a pergunta era séria.
— Eu não faço ideia de como escolher uma TV.
— Não pode ser muito grande para o ambiente ao ponto de fazer doer nossos olhos, mas hoje em dia, ninguém tem uma TV pequena... – ela enquadrou seu dedo no ar, imaginando no ambiente da sala dele. – Essa parece perfeita.
Scorpius pegou seu bloquinho no bolso e anotou o nome da TV e as polegadas.
Rose logo o arrastou para as cozinhas do ambiente. Eram várias, das mais variadas cores e estilos. Nessa altura, Scorpius já estava mais à vontade com ela e começou a brincar também:
— Querida, algo no forno está queimando.
— Deve ser seu empadão, já que eu não cozinhei nada hoje.
Ela se sentou na mesa do cômodo e Scorpius fingiu que retirava um prato do forno.
— Parece apetitoso... – ela disse fingindo se servir.
— Só ignore a parte queimada.
— Espere! – Rose ergueu os braços no ar. – Precisamos de um refresco.
Ela se levantou e pegou uma jarra, fingiu ligar a torneira da pia.
— Querido, a torneira não está funcionando...
Scorpius se levantou e mexeu no objeto que ela tinha se referido.
— Não se preocupe, meu bem. Vou contratar o serviço de elfos encanadores...
Ficaram se distraindo em todos os outros cômodos. Por fim, conseguiram escolher uma geladeira, uma cafeteira, quadros de flores com cores vivas, algumas suculentas para colocar na bancada da cozinha, além de tinta azul petróleo para a parede que iriam colocar os quadros.
Na fila para o caixa, Rose se lembrou de repente de um detalhe importante no processo do que estavam fazendo.
— Scorpius, você tem cartão de crédito?
Ela não tinha dinheiro para pagar nada, suas economias se resumiam a roupas, seu notebook e celular.
— Fique tranquila, vou pagar tudo.
— Não! De jeito nenhum! Estou invadindo sua casa, seu espaço e mudando tudo por completo. O mínimo que posso fazer é te ajudar a pagar!
Ele a encarou balançando a cabeça a tranquilizando.
— Não se preocupe, eu faço questão. Afinal, é para o bem no nosso plano, não é? — ele disse piscando. — Além do mais, está me fazendo um favor maior do que eu estou fazendo a você.
Rose negou com a cabeça se lembrando de sua tarde no trabalho.
— Não te contei a melhor parte do dia. – Achou que ele merecia saber, já que, de certa forma, a ideia maluca deles já havia colhido frutos. – Meu chefe me deu a oportunidade de escrever para a seção de opiniões.
— Que bom Rose! Significa que não estamos tão errados assim. – ela concordou com a cabeça feliz. – Agora faço mesmo questão de pagar tudo.
Era loucura gastar tanto dinheiro com coisas supérfluas, mas ela não tinha dinheiro para pagar nem as mini suculentas.
— Podemos tirar a geladeira ou os quadros, a tinta...
— Eu tenho dinheiro, Rose... – a fez se calar com seu dedo indicador em seus lábios. — Vou comprar de qualquer jeito.
Ela suspirou tentando arranjar argumentos para lhe convencer, por fim, decidiu ser sincera.
— Me sinto mal te fazendo gastar tudo isso.
— Faremos assim... Você deixa a casa um pouco com sua cara, paga a internet, já que definitivamente vou querer usufruir das coisas dos trouxas, e me ensina a mexer com a cafeteira.
Ela sorriu ainda não acreditando que era a melhor solução e achando que estava abusando demais dele.
— O melhor café! Te ensinarei a fazer o melhor café! – ergueu seu dedo no ar um pouco mais convencida.
— Combinado! – estendeu sua mão para ela apertar. Rose atendeu seu pedido selando o acordo.
Não estava completamente em paz em fazê-lo gastar todo aquele dinheiro, mas ele estava se esforçando tanto para que ela se sentisse à vontade e ela estava tão contente com a chance de escrever para a seção de opiniões que não teve outra escolha a não ser ceder.
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