Há meses eles não voltavam a Mystic Falls. Muitas coisas foram deixadas lá desde aquela noite, a noite mais pesarosa e dolorosa para alguns deles.

Alaric estava com eles de volta, isso aliviaria um pouco a dor de Elena e Jeremy. Eles não tinham mais quem os protegesse, quem os acalmasse ou quem o apaziguasse o confortando num abraço.

Ela se fora, deixou-o sem refúgio, sem nada. Bonnie era a razão da restituição da vida de Jeremy e da sua salvação. Ela era a motivação dele ser quem era agora. Jeremy preferiu não voltar a Mystic Falls e acabou por acompanhar Matt em seus estudos avançados em outra cidade. Ao contrario de todos Matt estava feliz, tinha seus motivos. Apesar de tudo ele merecia paz.

Mas Elena... Ah. A mesma só parecia vagar pela terra, era um objeto que falava e se movia, respirando. Quem era ela? Ninguém mais a reconhecia. Stefan andava com um buraco no peito que aumentava cada vez que seus olhos viam o comportamento de Elena quando se falava em “Damon”. Ela não era mais a mesma.

Damon se fora. Mas se fora roubando a cor do mundo de Elena e a vida que havia na moça.

Por que ele fez isso com ela? Ela o odiava, odiava pensar nele, odiava lembrar-se dele, do seu toque, do seu abraço, do seu cheiro, do seu jeito de agir e se comportar. Odiava sua fúria causada pelo amor que ele sentia por ela. Odiava lembrar-se do seu jeito de se vestir, de andar como um cafajeste, e até mesmo de respirar tentando-a quando oscilava olhar para os olhos dela e então para os lábios. Ela odiava porque amava, amava tudo isso. Ela respirava o aroma da saudade que cortava seu peito e mantinha o corte, sangrava. Elena chorava.

Caroline, Stefan e Enzo saíram da Mansão.

–Elena, vem com a gente. Precisamos fazer algo, você não faz nada e precisa pensar em algo que... – Disse Caroline preocupada acompanhada por Stefan. No mesmo instante foi interrompida.

–Vou ficar bem, Caroline! Pode ir. – Disse Elena secamente com um sorriso estampado que não convenceu Caroline. Eles saíram porta a fora.

Ao soar do som da porta se fechando, Elena assumiu sua verdadeira expressão. Ela apertou as pálpebras tentando apartar o sentimento que invadia seu peito. Elena se levantou do sofá, como querendo expulsar uma nuvem negra que se aproximava sobre sua cabeça. Não funcionou. Elena caiu de joelhos tremendo e cobriu a face com as mãos. Quando as retirou, respirou fundo. Estava tomada.

“Só mais um degrau, Elena. Só mais um.” Ela pensava com as mãos sobre o corrimão de madeira da escada que levava aos quartos da mansão. Elena parecia que estava dando apenas mais um passo para sua morte. Ela deu mais um passo. Faltava pouco.

Sua mão trêmula tocou a maçaneta. Abriu. Elena empurrou a porta abrindo-a completamente. No mesmo instante uma brisa doce tocou suas vestes e seu rosto, levando todo o seu cabelo para trás. Ela aproveitou a brisa de olhos fechados. Tinha o cheiro dele. “Ah, Meu Deus! Não...” Ela pensava, mas de onde veio aquela brisa se o quarto estava completamente fechado?

Ela entrou deixando a porta aberta. Começou tocando as paredes com os olhos arregalados que estavam se enchendo de água. Suas mãos chegaram ao closet acariciando, então Elena fechou os olhos e uma lágrima seguiu sua jornada.

Elena abriu o closet, agora ela já chorava verdadeiramente. O que vira eram as únicas lembranças vivas. Suas roupas, camisas, as famosas jaquetas formosas e charmosas de couro que eram sua marca registrada. Elena tocou os cabides em pleno sofrimento, retirou uma das jaquetas. Ao tocar outro, retirou uma Blusa social preta e por último um blazer acompanhado por uma gravata que era um terno.

Ao jogar as peças sobre a cama as observou. Elena colocou dois dedos sobre os lábios, fascinada, seus olhos brilhavam. Pegou a jaqueta como um bebê recém nascido, levou-o ao rosto lentamente, trêmula. Quanto a gola de couro preto tocou seu nariz, ela ajuntou ainda mais a jaqueta contra o corpo e apertou a gola nas maçãs do rosto, cheirando-a vagarosamente. Elena chorava de olhos fechados, soluçando. Não era uma jaqueta qualquer, era a jaqueta com a qual ela o viu pela primeira vez, quando o conheceu. A voz dele estava na sua mente, aquela voz valente, poderosa e ousada que Elena adorava. Ele falava as mesmas palavras em sua cabeça. “Você quer uma amor que a consuma, quer paixão e aventura, e até um pouco de perigo.

Por segundo ela pegou a Blusa social preta. Seus dedos deslizaram pela apertura do peitoral evolvida por um cordão. Ela então tirou sua camiseta e começou a vestir com muito cuidado a blusa de Damon.

Flash’s de lembranças passavam pela cabeça de Elena enquanto colocava a blusa. Flash’s de quando ele usou aquela blusa, foi na festa dos anos 60 quando ele a tirou para dançar a força sem que ela ao menos percebesse que ele e Bonnie tinham um plano para salvá-la do Klaus. Eles se divertiram, ele realmente a atormentava.

Elena sorriu em meio ao choro quando se lembrou de como ele a fez rir naquela noite quando a arremedou, mesmo quando ela o odiava por provocá-la, ele a fazia rir dos próprios medos e comportamentos. Do jeitinho chato, arrogante e sarcástico dele, mas fazia.

Elena observava a Blusa que ficava grande pra ela, o cheiro dele invadia suas narinas, seu corpo e sua alma. As roupas dele.

Por último o Blazer com uma gravata, era um terno. O terno ele usou na festa dos fundadores (*Miss Mystic Falls*), quando eles dançaram aquela valsa pela primeira vez. O que mais marcou não foi o fato de ele ter dançado com ela. Foi o fato de que não era para ELE ter dançado com ela, aquele papel era do irmão dele, mas marcou. As lembranças, os olhares, o toque e o fato de que teriam que levar aquilo até o fim. E que fim.

As lembranças daqueles eventos ainda latejavam na cabeça de Elena. Era como se ela respirasse a angústia, era sufocante. Os olhos inchados e molhados.

Ao se virar de costas para as peças sob a cama, encima do bidê estava um quadro que refletiu o sol em seus olhos, Elena caiu em desespero ao ver aquele retrato. Não podia ser. Não era possível. Um pequeno retrato numa moldura prateada estavam os dois abraçados na praia. Elena pegou o retrato chorando como uma criança se jogou no chão sentada, quase gritando e se arrastou engatinhando para a cama. Deitando em prantos abraçando o quadro contra o seu peito, ela se encolhia de profunda dor naquela cama enorme e fria, ela se abraçava junto ao quadro, parecia estar congelando de frio e chorava. O verão de suas vidas, as imagens, os sorrisos, as cócegas que ele fazia nela quando se consumiam... As, meu Deus... Por quê? Damon tinha pedido para um cara que estava na água para tirar a foto. Era doloroso demais.

Estava sozinha. Alaric observava tudo a porta, Elena chorando, não teve coragem de se aproximar, apenas deu um passo para trás e saiu.

Pois“Ela não podia imaginar universo, não importa quantas dimensões existissem, sem Damon nele. Não havia mundo para ela se não existisse Damon”

Notas finais
Bom, isso é a penas como eu imagino que será ou pelo menos como eu queria que fosse a reação de nossa amada Elena em luto por seu herói. Espero que vcs tenham gostado pois meu objetivo é alcançar os mais profundos sentimentos no coração de vcs. Logo postarei mais do tipo. Obrigada. XO. ~Larissa Polli