Notas iniciais
Oi gente!Muito obrigado pelos reviews, fico muito contente em saber que vocês gostam da minha fic. Como prometido, ta ai, mais um cap. Espero que vocês gostem.

O garçom anotou nossos pedidos e rapidamente se foi deixando Damon e eu a sós, em um silencio constrangedor.

— Então, Elena, você me disse que vai se especializar em pediatria. Algum motivo para isso?–Perguntou.

— Quando eu tinha uns doze, treze anos, minha irmã teve câncer, o tratamento não deu certo e... – Esfreguei os dedos repetidamente em minha testa – O tratamento não adiantou, ela morreu e eu me senti muito impotente por isso. Com o passar dos anos sempre a culpa me consumia por não ter feito nada para ela, mesmo sabendo que eu não poderia ter feito nada. N adolescência vieram as escolhas para a faculdade. Por que não tentar evitar o destino que minha irmã teve? Foi minha escolha e não me arrependo.

—Eu sinto muito – Lamentou tomando minha mão esquerda e depositando um beijo nela.–Isso é muito bonito.

— Eu só quero que crianças que tem uma vida toda pela frente deixem de aproveita-la, foi tão doloroso quando ela morreu, ela estava brincando comigo, então começou a passar mal...

— Posso imaginar –Tranquilizou.

Tirei minha mão da sua e esfreguei novamente em minha testa.

— Então – Mudei de assunto – Porque escolheu ser clinico geral?

— Bom, primeiro porque eu não queria trabalhar com uma coisa só, como já disse, eu me sentiria preso se o fizesse e segundo porque eu amo poder ajudar todos os tipos de pessoas, de poder dizer para ela que o remédio que eu estou receitando vai cura-las e ver um sorriso iluminar seu rosto –Sorriu bobamente. – São coisas tão simples que a maioria tem, mas elas me tratam como se eu realmente tivesse salvado o dia.

— Você está trabalhando há quanto tempo?

— Acho que há uns seis meses, faço residência no hospital da cidade – Riu pelo nariz.

O garçom trouxe o vinho que Damon pediu e nos serviu, logo se retirando.

— O que mais gosta de fazer Elena? – Indagou deixando a taça de lado.

— Ah bem, adoro passar fins de semanas ou datas comemorativas em lugares abertos, como chácaras ou fazendas, adoro musica, teatro e um pouquinho de leitura – Ri.

— Estudar para as provas deve ser um sacrifício para você então – Concluiu rindo.

—É – Sorri para ele – Mas é o que eu quero ser, ou eu estudo ou eu estudo.

— E que tipo de músicas ouve?

— Acho que de tudo, menos Bob Marley – Gargalhei.

— Eu também o odeio – Confidenciou.

Novamente o garçom voltou, trazendo nossos pratos, comemos em meio a brincadeiras, piadinhas e gargalhadas.

— Um brinde a nossas profissões, historias e ódio a Bob Marley – Propôs ele.

Levantei a taça e bati levemente na sua.

Quando ele foi pagar, a loira vadia fez questão de atende-lo e discretamente quando entregou a nota fiscal a ele, deu um papelzinho com seu nome e telefone, quando ele viu, pegou e amassou em sua frente a deixando horrorizada e completamente envergonhada.

Não pude evitar e soltei uma risada abafada, Damon pegou novamente em minha cintura e fomos para o estacionamento, o manobrista já nos aguardava e quando nos viu abriu a porta do carona para mim, quando ia entrando ele piscou e sorriu se achando sedutor, me deixando totalmente enojada, Damon deve ter visto, porque o encarou por vários segundos com um olhar mortal, o fazendo sair rapidamente dali, ele veio até minha porta e a fechou, depois deu a volta no carro e entrou.

— As vezes eu coloco para fora o meu péssimo defeito, o de subestimar as pessoas – Murmurei o fitando.

— E você me subestimou? – Ergueu uma sobrancelha.

— Sim –Sussurrei – E como sempre eu estava totalmente errada.

— Que bom que estava errada – Sorriu torto.

Retribui o sorriso e olhei para a janela.

— Quer caminhar no parque? – Perguntou após alguns segundos.

— Não, preciso estudar – Menti.

Ele suspirou e virou a esquina.

— Tudo bem-Disse num murmúrio, mais para ele do que para mim.

Ele estava a cem por hora e nem se incomodava, pensei em pedir para ele diminuir, mas fiquei quieta, seria pedir demais.

Durante todo o tempo em que estive perto dele, meu coração bateu aceleradamente, mas agora, do seu lado, quase encostando em seu braço e podendo sentir o calor de seu corpo sem nenhuma distração, podia sentir meu coração palpitar, como assas de um colibri.

Era bom ao mesmo tempo que ruim, bom no sentido de proximidade, ruim no sentido de o querer ainda mais perto.

Senti um frio no peito no momento em que ele estacionou em frente ao meu prédio, uma decepção ou algo semelhante, não saberia definir.

— Entregue – Disse se virando.

Assenti e lhe sussurrei baixinho:

—Boa noite.

Me aproximei e beijei de leve a sua bochecha, sentindo total satisfação ao sentir a textura de sua pele.

—Boa noite Lena – Tentou virar o rosto.

Me afastei antes que pudesse e sai do carro.

Tive um breve vislumbre dele tocando sua bochecha antes de entrar e sorri abertamente ao sair de seu campo de visão.

Quando cheguei ao meu apartamento mesmo estando consciente de já ter tomado banho, corri para o banheira para tomar outro, meu corpo parecia discordar totalmente de minha mente, visto por suas reações.

Quando terminei vesti uma camisola qualquer e deite-me de bruços na cama.Estava quase pegando no sono, quando meu celular apita.Uma nova mensagem.

Espero que essa noite tenha sido tão boa para você como foi para mim.

Damon.

Sorri por alguns minutos olhando a tela e salvei seu número, logo lhe respondendo.

Pode ter certeza que foi...

Elena.

Sorri mais ainda ao apertar o enviar e me deitei na cama, segurando o celular e olhando para sua mensagem.