Part Of Me
31 Capítulo 31
Notas iniciais
No dia seguinte recebi alta, entretanto permaneci no hospital por conta de Isobel. Meu pai havia voltado de sua viagem para conferir como estávamos, mas logo teve que retornar aos negócios, então assumi a responsabilidade de responder em nome de nossa família.
Em todos esses dias não havia visto Damon, sequer ouvido seu nome ou sua voz pelos corredores, algo que ao mesmo tempo era aliviador e agonizante.
Uma parte de mim desejava desesperadamente vê-lo, mas eu sabia que se tivesse essa oportunidade sentiria meu peito desmoronar no mesmo instante, então eu ficava apenas ao lado de Isobel, evitando a todo o custo transitar pelo hospital.
As noites eram horríveis lá, meu pescoço estava todo dolorido por conta da poltrona em que eu vinha dormido e as pilhas de questionários, livros e impressões da faculdade ao meu redor limitavam ainda mais o espaço.
Hoje era quinta, dia de tutorial, o que significava que eu deveria comparecer ao hospital universitário para acompanhar as aulas presenciais obrigatórias do módulo. Eu iria chegar atrasada, sem dúvidas, mas Bekah poderia me passar suas anotações depois, por hora eu precisaria esperar o médico de plantão vir conferir a medicação de minha mãe.
Peguei meu celular para chegar a agenda do dia e suspirei fortemente ao receber o lembrete de que no dia seguinte teria prova de embriologia, eu adiava embriologia, desde a época do cursinho.
Ajoelhei-me no chão e me lancei na pequena montanha de livros e papeis de estudos, procurando meus resumos e anotações da matéria, de alguma forma eu teria que engolir a mesma para dar conta da prova de amanhã. No mesmo instante pude ouvir a porta se abrir.
— Pode checar ela, não se incomode com a bagunça, tenho prova amanhã e preciso dar conta disso tudo. Ja estou saindo também, tenho módulo agorinha mesmo — Suspirei me levantando sem virar e colocando meus arquivos em minha bolsa.
Em um segundo fui invadida por um forte e distinto perfume que no mesmo instante paralisou todos os meus músculos. Damon. Ele estava na sala.
— Tudo certo com ela – Respondeu Damon assim que me virei – Boa prova, Elena.
Dito isso seus passos foram rápidos em direção a porta e o baque da mesma fez com que um balde de agua gelada caísse sobre mim.
Mal tive a chance de ver seu rosto... Ou de cumprimenta-lo e olha-lo nos olhos.
Segurei fortemente o choro em minha garganta e após respirar fundo algumas vezes aproximei-me de minha mãe e lhe dei um beijo na testa.
— Tchau mãe, volto depois...
Ao sair de seu quarto avistei Damon alguns passos a minha frente e por mais idiota que fosse a ideia que eu acabara de ter fui em frente com a mesma.
Peguei meus papeis de estudo na mão e comecei a andar rapidamente pelo corredor fingindo lê-los, minha respiração me denunciaria, então comecei a murmurar baixinho o que estava escrito nos papeis.
Quando estávamos a poucos centímetros de colidirmos apressei ainda mais o passo e deixei-me levar pelo baque de seu corpo, que fez com que eu fosse imediatamente para o chão.
— O que... — Começou ele sem entender, mas logo seus olhos focalizaram os papeis em minhas mãos e a compreensão atingiu seu rosto — Parece que alguém está com a matéria de prova toda atrasada, não é mesmo? – Sorriu ele sem graça enquanto estendia a mão para me ajudar a levantar.
— Esqueci completamente dessa prova – Suspirei sorrindo fraco – Vou ter que decorar tudo e deixar pra assimilar depois.
Ele riu constrangido e movimentou-se para soltar sua mão da minha. Em um pequeno reflexo puxei sua mão de volta e o encarei profundamente, sentido seu corpo se aproximar de mim.
— Oi Elena – Murmurou ele.
Respirei fundo e aproveitei da deliciosa sensação de tocá-lo enquanto respondia seu oi.
— Oi – sorri – Han, me desculpe, pelo esbarro, eu... Eu nem... Han, nem estava...
— Prestando atenção – cortou Damon rindo baixinho – Não tem problema,
Sorri abertamente em resposta enquanto ele respirava fundo e começou a soltar minha mão. Idiota e insolente como eu era a agarrei ainda mais e deixei que meu sorriso fosse embora enquanto seus olhos me encaravam fixamente.
— Foi bom te ver Damon... – Esperei sua resposta por alguns segundos, mas como ela não veio decidi deixa-lo para trás – Eu já vou, bom plantão para você.
Nossas mãos se soltaram e após segundos de tensão virei-me aflita em direção a saída.
Burra. Burra, burra. Por que diabos eu havia feito aquilo? Ele devia estar morrendo de ódio de mim após minha ceninha patética.
Respirei profundamente assim que cheguei ao estacionamento e encostei meu corpo em meu carro.
— Sua idiota, não acredito que fez isso – Repeti a mim mesma enquanto entrava no automóvel – O.k, se concentra, você tem que estudar muito agora, ok?
Completamente furiosa comigo mesma dei ré e dirigi-me a faculdade, onde uma sessão de tortura seria começada por professores cruéis e destruidores de média.
O prédio do hospital universitário da faculdade estava comumente cheio, mas isso não me deu nenhuma perspectiva ruim, o que realmente me apavorou foi a visão de Caroline, Bonnie e Rebekah juntas me encarando furiosas.
— Onde é que você se meteu ontem? Nós tinhamos combinado que seria noite das garotas Elena! – Guinchou Caroline – Eu sei que sua mãe precisa de você, mas nós também temos que ter prioridade.
— Se até o Damon deixou de ser prioridade pra ela – Riu amargamente Bonnie – Imagina a gente!
— Ei! Não toque nesse assunto – rebati – Eu esqueci, tenho perdido muita matéria nesses últimos dias, preciso por tudo em dia, fiquei até tarde lendo os arquivos dos módulos, nem me toquei que devia dar satisfação a vocês. Me desculpem.
— Eu não vou falar mais nada, fiquei aqui esperando só pra te dar uma bronca mesmo, mas suas olheiras me dão pena – Disse Caroline negando com a cabeça – Vou pro meu bloco, tenho aula daqui a pouco e odeio ficar nesse prédio, cheira a álcool com sangue. Arh! – Ralhou ela – Se cuida Lena, vamos remarcar ok?
Após um beijo em minha bochecha a loira saiu apressada pela porta que eu havia entrado e deixou-me sob os olhares questionadores de Bonnie e Rebekah.
— Prometo recompensar vocês quando eu puder, ok? – Barganhei no mesmo instante.
— Quero só ver como – Suspirou Bonnie. – E Damon? Já tentou falar com ele?
— É Lena, eu acho que seria bom para vocês dois. Seja honesta com ele, vocês podem achar um jeito para aquela mulher estúpida – Apoiou Rebekah.
— Já disse que não quero que toquem nesse assunto! – Ralhei – Não estou pronta pra isso, não agora, preciso muito deixar a faculdade em dia e ficar com a minha mãe.
— Mas você nem pode fazer nada quanto a ela Elena...
— Eu vou pro laboratório já, preciso tirar umas dúvidas com o professor de infectologia – Cortei – Temos prova toda a semana Rebekah, esqueceu? Pois eu não, vou indo.
Assim que suas mentes assimilaram minhas palavras eu já estava longe delas, entrei apressada no laboratório e sentei na primeira fila onde todos os outros lugares já haviam sido preenchidos.
Alguns minutos depois Rebekah entrou no laboratório e após notar que eu estava decidida a evitá-la fuzilou-me com os olhos e se resignou no último balcão.
— Bom senhores – Começou o professor de infectologia – Como vocês puderam conferir deixei no edital a data de nossa prova ontem, qualquer dúvida que tenham para tirar aproveitem que a hora é essa.
Suspirei cansada e peguei meu computador para tirar algumas dúvidas de meus pdf’s.
As aulas seguiram-se a manhã e a tarde toda, sendo exaustivamente preenchidas por cafés e salgados assados que eram comidos apressadamente na cantina. A final do dia meu corpo se encontrava duro e desajustado sob os efeitos enervantes da cafeína em excesso.
— Vai ter um tutorial extra de embriologia mais tarde Lena – Comentou Rebekah – Lá pelas seis, quer ficar? Eu sei que você odeia embriologia porque tem dificuldade na parte decoreba, podemos ficar e depois sei lá, tomarmos um café, o que acha?
— É uma boa ideia, apesar de que estou morrendo de cansaço. Vamos comprar o café agora e mais tarde nós sei lá, compramos besteiras pra nos entupirmos.
— Perfeito – Sorriu ela – Vamos lá então!
Após comprarmos café fomos em direção a sala do tutorial e ali ficamos esperando as outras pessoas chegarem.
— Acha que o Márcio vai exagerar na prova amanhã? – Perguntou Bekah.
— Ele sempre exagera, adora detalhes, ele é louco – Ri nervosamente.
— Ele só é empolgado Lena, ama tanto o que sabe que quer que nós saibamos também para amar – Defendeu ela virando o copo de uma vez só.
— Eu sei – Sorri – É que eu não gosto da matéria, sou totalmente empolgada em neurologia ou oncologia, por exemplo, não é algo com ele saca? É sobre a matéria dele e aqueles surtos de empolgação que ele tem com tantas palavras difíceis.
Caímos imediatamente em gargalhadas profundas ao lembrarmos de tal coisa e só fomos caladas quando outros alunos entraram acompanhados de Márcio e iniciaram o longo tutorial.
Saímos da faculdade por volta das nove e meia e nos dirigimos rápida e famintamente para o Burguer King.
— O que acha de levarmos ao invés de comer aqui? Podemos comer no terraço do hospital, assim você fica atenta a sua mãe e mais relaxada – Sugeriu Rebekah.
— Sim, pode ser, eu faço o pedido e espero enquanto você vai na loja de doces, pega bastante minhocas cítricas, elas são as melhores! Canudos ácidos também viu?
Rapidamente Bekah assentiu e foi a caça de nossos doces e assim que tínhamos nossos pacotes em mãos nos dirigimos para o hospital.
— Será que devíamos pedir permissão ou algo do tipo pra subir lá em cima? – Indagou Rebekah – Não vejo muitas pessoas indo lá.
— Vamos logo, estou morrendo de fome – Protestei – Se alguém aparecer lá nós damos um jeito.
Feito isso fomos em direção ao elevador, que estava no último andar e demoraria séculos para chegar ao térreo.
— Quem chegar por último paga o café de amanhã – Gritei ao mesmo instante que saia correndo em direção a porta das escadas.
Entre gargalhadas fechei-a rapidamente e desatei a subir os degraus em uma alegria extrema causadas pela energia do café e os protestos de Rebekah que gritava o quão injusta eu estava sendo por ter saído na frente.
No quarto andar sai para os corredores do hospital e sabidamente me esgueirei em meio a pessoas civilizadas ao elevador, apertando incessantemente o botão da cobertura. Nos últimos segundos em que vislumbrei o corredor pude ver Rebekah aparecer logo e me encarar mortalmente antes de voltar para as escadas para chegar antes de mim. Bati o pé nervosa com a lentidão do elevador e assim que o mesmo se abriu na cobertura sai correndo dele como uma bala e joguei-me na enorme cadeira de ferro que acompanhava a pequena mesa para duas pessoas.
Alguns minutos depois Rebekah abriu uma porta ao conto do local e desatou a gargalhar alto, arrastando-me consigo.
— Isso foi incrível – Disse maravilhada – Faz tanto tempo que não faço algo leve Bekah! Ahhh, tudo que preciso agora é comer muito e cair numa cama.
— Com o Damon de preferência!
Ao invés de assumir a postura dura e magoada deixei-me levar pelo tom leve de nossa conversa e assenti enquanto ela se dirigia até a mesa branca de ferro e ajudava-me a abrir as embalagens.
— Foi uma ótima ideia ter ficado para o tutorial, foi incrível ter uma válvula de escape – Sorri após terminarmos de comer os hamburguers.
— Sim, você precisa relaxar mais Lena – Comentou Rebekah – Fique um pouco aqui de vez em quando, saia um pouco daquele quarto quando não quiser ir para casa, você merece um tempo para si.
Assenti em total concordância e deixei que os maravilhosos minutos passassem enquanto desatávamos a comer freneticamente os doces.
— Eu preciso ir, mesmo – Disse Bekah assim que terminamos – Estou morta de cansaço, aquelas escadas me mataram!
Ri de sua expressão e assenti, indo até ela e lhe abraçando.
— Obrigada por hoje, vou ficar mais um pouco aqui, preciso mesmo de um tempo para mim. Durma bem Bekah.
Ela sorriu feliz e se encaminhou para a porta do elevador, deixando-me ao silêncio da noite e sua profunda escuridão.
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