Part Of Me
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Por um bom tempo deixei-me ser aconchegada pela noite fria, encolhendo-me em meu blazer enquanto observava atentamente as luzes da imensa cidade. Os prédios e fachadas brilhantes me encantavam de tal forma que não pude resistir a me aproximar deles. Fui até a grade do prédio e apoiei meus braços nela para olhar melhor tudo.
Minhas mãos formigaram quando entraram em contato com o metal frio, causando um terrível aperto no peito e fazendo instintivamente meus olhos secarem e meu corpo tremer de aflição. Fechei os olhos imaginando Damon ali, andando sorrateiramente até mim e tocando minha cintura.
Por dois segundos pude sentir o toque de sua mão, fazendo com que meu coração afundasse em profunda satisfação e conforto, eu podia sentir minha cintura começar a formigar, desde o ponto em que eu imaginara o toque de seus dedos até a minha intimidade e meu peito, que pulsava como uma capa, revestindo meu coração que batia acelerado.
E então a sensação se foi, fazendo com que eu abrisse os olhos e encarasse a brilhante cidade a minha frente. Respirei fundo, deixando que lágrimas solitárias escorressem e caíssem do grande terraço.
Suspirei dolorida, sentindo meu peito arder em agonia por meu cérebro dizer não ao instinto de correr para o apartamento de Damon e abraça-lo com toda a força que meus braços tinham e lhe implorar perdão. Ao invés disso, continuei ali, encarando as luzes intensas da cidade, que apesar de encantarem-me deixavam-me pequena e insignificante.
— Eu preciso de você... – Sussurrei.
— Precisa de quem? – Perguntou alguém pelas minhas costas – De mim?
No mesmo momento me virei para a voz conhecida e deixei que mais lágrimas fáceis escorressem por meus olhos.
Ele estava ali, encarando-me com seus profundos olhos azuis.
Eu nem podia acreditar, ele estava mesmo ali!
Tive vontade de ajoelhar-me no chão e dar graças a Deus por ele ter posto Damon em minha frente novamente, mas me contive, limitando-me apenas a encara-lo e nutrir seu olhar intrigado.
— Eu lhe fiz uma pergunta Elena – Falou duro – Precisa de quem?
Respirei fundo, vasculhando minha mente em busca de algo bom o suficiente para convencê-lo.
— Eu estava apenas conversando comigo mesma... – Balbuciei aflita – Um trabalho que Alaric pediu, eu preciso da ajuda de Rebekah... Mas ela não pode me ajudar... Está na casa de Matt...
Ele não me deixou terminar e assim que colou seu corpo ao meu prensou-me na grade.
— Está mentindo – murmurou convicto – Você estava falando de mim... Vejo isso em seus olhos... Não negue...
Respirei fundo, amaldiçoando-me por não conseguir controlar as idiotas e ridículas lágrimas que escorriam com facilidade por minha face.
— Não estou mentindo... Damon – tive dificuldade em pronunciar seu nome, porque mesmo pensando nele o tempo todo eu não ousava tocar em seu nome, receosa de me machucar. Isso fizera com que minhas reações ficassem sensíveis a seu nome, fazendo-me vacilar, hora em alegria, hora em desespero, ao pronuncia-lo – Estou lhe dizendo a verdade, acredite.
— Não está não... – Sussurrou tocando minha cintura e descendo sua mão até onde ela alcançava, parando em minha coxa, logo a deixando pender ao lado de sua perna esquerda. – Não minta Elena, nós dois sabemos disso, você só está negando, não para si mesma, você já sabe disso, está negando para mim... Da boca para fora, para ver se suas palavras se consolidam...
Respirei fundo enquanto ele ofegou baixinho, aproximando seu nariz do meu e sussurrando:
— Você sabe que não pode viver sem mim, como eu sei que não posso viver sem você... Mais dia, menos dia sua força vai se esgotando, você vai se cansando dessa mentira... Eu sei disso, eu sinto isso...
Respirei fundo, mordendo fortemente a língua para que nenhuma palavra arriscasse escapar de minha boca, no entanto, para piorar com a minha vontade de dizer tudo, ele continuou:
— Você pode até mentir, mas mente com a boca, de fora para dentro... Seu corpo não, ele sim me diz a verdade, ele expulsa tudo que você sente para mim... – Sua mão então tocou novamente minha cintura e ele colou ainda mais nossos corpos, colocando sua perna direita no meio das minhas e passando seu braço direito por minha cintura. – Seu corpo me mostra o tanto que você me deseja, o tanto que você me ama... E o tanto de esforço que está fazendo para não correr até mim...
Ele então colou nossos narizes, encarando-me intensamente, me rendendo completamente e me fazendo ceder. Deixei-me relaxar e joguei meus braços a seu redor, abraçando seus ombros, enterrando minha cabeça do lado esquerdo de seu pescoço e deixando-me ser confortada por seus braços, que instintivamente relaxaram e me envolveram calorosa e aliviadamente.
Sem mais pestanejaro apertei com força respirando fundo em seu pescoço e sentindo seu perfume entrar por minhas narinas e correr direto para meu peito, trazendo alívio e conforto.
Por um minuto pensei que fosse ceder ao chão, mas quando meus joelhos vacilaram Damon me segurou novamente e me levantou, suportando todo o meu peso enquanto me encarava.
Depois de alguns segundos me encarando ele suspirou e levantou meu queixo com dois dedos. No mesmo momento desviei o olhar, sentindo-me completamente envergonhada , ele suspirou mais uma vez e disse em voz autoritária:
— Olhe para mim Elena.
Respirei fundo assim como ele e o encarei sentindo meu estomago cair.
— Me diga, sem mentir ou desviar, porque terminou comigo – Isso não era uma pergunta, era uma ordem, que meu interior se debatia para responder em bom som.
Todavia eu não poderia pensar só em mim e em nossa felicidade, eu deveria pensar nos danos que causaria àquela família.
Supondo que ele acreditasse em mim e me defendesse, o que eu seria?
Uma destruidora de família?
Eu o afastaria de sua família, que provavelmente defenderia sua tia.
Eu o tiraria de perto de seus pais, de sua prima, de seus parentes.
De tudo que ele mais amava e mais era próximo.
Não, eu não poderia fazer isso, então apenas neguei e lhe sussurrei:
— Não posso Damon... Contar o motivo de ter terminado com você destruiria algo importante e eu não vou fazer isso.
Seu rosto então desmoronou, seu olhar agora era de profunda tristeza, marcada de sombras de dor e desapontamento.
— O que é mais importante para você do que ser feliz? Do que nós? – Perguntou tristemente sem fôlego – Todo o tempo que passamos juntos, pensei que tivesse significado algo.
Funguei entristecida. Ele havia entendido tudo errado, tudo, tudo errado.
Eu não podia culpá-lo porém, eu não lhe dera nada, nenhum detalhe, nenhuma palavra boa o suficiente para explicar minha decisão. Mas de alguma forma eu me senti atingida e derrepente minha meta era fazer com que ele visse que não existia nada no mundo mais importante que ele para mim.
— Damon, não falo isso por mim, não estou ligando a mínima para os outros, apenas estou tentando proteger uma pessoa amada do sofrimento.
Infelizmente minhas palavras só pioraram tudo, seus olhos se tornaram mais e mais tristes, sua expressão caindo na mais profunda tristeza.
— Escute bem Damon – Disse segurando firme seu rosto com as duas mãos – Eu sou completa e incondicionalmente apaixonada por você, não há pessoa no mundo que eu ame igual, exceto minha mãe talvez, mais isso é um amor diferente. Eu seria capaz de dar a minha vida por você, de fazer os maiores sacrifícios, então não pense, em hipótese alguma, que existe pessoa mais importante que você para mim.
— Por que não pode me contar então? – Perguntou como uma criança.
Sorri sôfrega, negando com a cabeça e lhe dizendo com a voz alteradamente triste:
— Porque você não precisa saber, não foi culpa sua, foi minha, eu não soube lidar com tudo, fui fraca... Me perdoe... – Ele então fechou os olhos, segurando minhas mãos ainda em seu rosto e colando nossas testas, aproximando gradualmente seus lábios dos meus e me dando um longo e demorado selinho.
— Não me deixe então – Pediu ele segurando meu rosto e encarando-me em desespero – Eu sei que você não quer também ... – Sussurrou – Sei que sente falta... Que grita meu nome todas as noites e que me deseja... Sinto isso... Você sente muito mais que amor por mim... Não negue... Seu corpo, alma e coração me pertencem...
— Damon...
— Vim pega-los de volta – Continuou ele olhando-me convicto – A Rebekah me disse que estava aqui, preciso de você Elena, eu preciso desesperadamente de você.
Não havia decisões ali, o alívio tomando conta de meu corpo, me deixando mole em seus braços, ele sorrindo vitorioso, respirando fundo novamente e dando um passo para trás, suas mãos agora dos lados de minha cintura.
— Olha como seu corpo chama por mim... Consigo ver e sentir seu desejo e sua vontade... Você quer meu corpo também... Não quer? – Perguntou sedutor – E meu amor? Não sente falta de recebe-lo?
Suspirei entristecida, lembrando da boa sensação entalada em meu peito toda vez que ele se encontrava perto. Minhas pernas vacilaram, meus olhos se escorreram e a grande muralha que eu havia construído para me proteger de Damon ruiu. Ele percebeu, teve ainda mais certeza de tudo que havia dito e soube que as proteções estavam acabadas.
Suas mãos arrastaram-me junto a seu corpo, impactando sua boca na minha com choques elétricos e arrepios. Deixei-me cair em seus braços, tendo a sensação de perigo e amor em minhas veias. Eu não queria sair dali, queria que ele me beijasse a noite inteira, o ano, a vida inteira, não queria que tivesse um fim.
A ele eu me apegava e me grudava cada vez mais, agarrando seu corpo, colando meu peito no seu para sentir seu batimento acelerado e sua respiração tornar-se descompassada, assim como a minha já estava há muito.
— Diz... – Murmurou prolongando tudo em um selinho molhado.
— O quê? – Murmurei de volta.
— Diz... – Murmurou dura e teimosamente feliz.
— É verdade... – Solucei – Você sempre soube e teve certeza não é?
Ele me empurrou com força e disse assim que grudou-me na grade:
— Você me ama, me deseja e me quer, precisa de mim, tanto quanto eu de você.Não vai escapar tão fácil mais... Não enquanto me amar.
Meu coração se inflou de alegria e pulei em seu colo o atacando em um faminto beijo. Ele gargalhou em resposta e sorriu abertamente enquanto eu tentava beija-lo.
— Vem aqui – Resmunguei – Preciso muito te beijar.
Ele gargalhou ainda mais e após me apertar forte contra seu corpo me beijou intensamente.
— Então? – Perguntou ele depois de algum tempo – Como a gente fica?
Respirei fundo, desejando fortemente que ele dissesse o que eu esperava ouvir em resposta.
— Como você decidir... – Sussurrei colando minha testa em seu rosto e fechando os olhos – Como você quiser e decidir...
Ele respirou fundo, não movendo um centímetro de seu corpo ou de seu rosto, fazendo seus cílios baterem na linha de minhas olheiras ao fechar seus olhos também.
— Eu amo você mais que tudo... – Murmurou soltando sua mão direita da minha — que ainda continuava em seu rosto — e acariciando minha bochecha – Quero você do meu lado, quero você para mim novamente, quero poder dizer aos outros que você é minha de novo e mostrar que você só quer a mim, sentir você novamente, quero poder te chamar de princesa, te abraçar, beijar, mostrar a você o quanto a amo... De novo...
Respirei sôfrega, sentindo meu coração vacilar por um minuto antes de soltar um profundo suspiro.
—Eu também quero isso, mais do que tudo, com todas as minhas forças!
Ofeguei desesperada, deixando que minhas lágrimas escorressem, tombando minha cabeça e grudando minha bochecha a sua.
— Você não sabe como me fez falta... – Sussurrou ele em meu ouvido abraçando minha cintura. – É horrível tentar viver sem você, eu simplesmente não consigo... E é uma droga tentar sabendo disso.
Funguei, deixando que minhas lágrimas escorressem e molhassem sua camisa azul-marinho, soluçando baixinho, arrastando minha mão até seu peito e a pousando em cima de seu coração, o pegando novamente para mim.
Ele então me afastou de seu peito, colocando suas mãos também em cima de meu busto, sentindo meu coração bater e fechando os olhos, logo em seguida grudando novamente nossos corpos.
— Eu te amo – Sorriu para mim.
— Eu também te amo – Sorri de volta o beijando novamente.
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