Part Of Me

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Olá lindonas!!!!! Como vão? Espero q bem, vamos lá?

Depois de algumas horas tive que levantar daquele chão e ir embora. Não me importei se atravessava sinais vermelhos ou se andava na contramão, apenas chorei por tudo e mantive meu olhar reto. Quando cheguei em casa me deixei cair no sofá e por lá mesmo fiquei.

Tudo que eu mais queria era ele ali, saber que ele cuidaria de minha mãe e que não deixaria que nada acontecesse a ela. Eu queria que ele me abraçasse e me dissesse que tudo ficaria bem. Que ele estaria do meu lado.

E então mediante a tal situação fiz algo que não fazia a muito tempo.

Fui até meu quarto e peguei meu rosário de crisma logo voltando para a sala, me ajoelhando e rezando.

Há certa altura minhas lágrimas secaram mas meus soluços continuaram, a dor que transpassava meu peito era sem tamanho.

Ela não podia morrer, ela era tudo que me restava, a que me abraçava, que me amava incondicionalmente apesar de qualquer coisa que eu tenha feito.

Doía tão lá no fundo que por vezes me peguei desejando trocar de lugar com ela e suportar tudo, de sentir toda a dor dela, de poupar o sofrimento, porque dentro de mim algo sussurrava que ela não aguentaria e se fosse possível eu aguentaria tudo no lugar dela se fosse garantia de tudo ficar bem. Mas infelizmente não havia como fazer isso e tal pensamento me apavorava ainda mais.

Meus joelhos doíam muito, entretanto eu não tinha força para levantar.

Era como se algo me puxasse para baixo, me jogando em uma profundeza densa e escura da qual eu não sabia se teria força para sair. Ali deixe-me ficar, chorar e lutar contra tudo até não poder mais.

* * * * * * * * *

Jeremy estava sentado assim como eu aos pés de Isobel. Ela ressonava com dificuldade e seus batimentos por várias vezes caiam.

— Você acha que ela sai dessa Lena? – Perguntou ele.

— Não sei Jer. Não tenho acesso a ficha dela – Suspirei – Eu bem que tentei, mas não deixaram.

“Sinto muito, mas não” Imitei fazendo a mesma voz nojenta de Bárbara.

Ele assentiu desconsolado e acariciou fraquinho a mão de Isobel. A porta então se abriu; fazendo com que uma leve brisa entrasse e batesse em minhas costas.

Imediatamente eu pude sentir sua presença, seu cheiro, sua energia.

Ele estava lá, a alguns metros de mim.

Respirei fundo, conseguindo uma pequena parcela de alívio ao sentir seu cheiro.

Meu coração parecia em paz, mas ele apenas estava o reconhecendo, pois no momento que senti seus olhos me queimando pelas costas, meus batimentos se aceleraram, chegando a um ritmo desenfreado, onde eu podia sentir meu corpo todo pulsando a cada batida rápida.

Meus olhos então se encheram de lágrimas, me fazendo ver embaçado e sentir o desespero e o afobamento de querer correr para seus braços.

Ele então suspirou e com os olhos fechados pude sentir sua aproximação, quando abri os olhos, voltei a encarar minha mãe e deixei que minhas lágrimas escorressem com a boca aberta, molhando meus lábios e escorrendo para a fina manta que cobria suas pernas.

Ele então parou em frente à tela de monitoração da cama de minha mãe e começou a escrever o mais rápido que podia.

Apertei mais forte os lençóis presos em meus dedos e respirei baixinho.

A vontade que eu tinha de me levantar dali e abraça-lo era imensurável, tão tamanha que me apertava o peito e me deixava sem ar.

Ele então parou de anotar a ficha de Isobel subitamente, olhando o monitor novamente e então olhando para mim e para Jeremy.

E nesse momento eu soube que havia algo errado, Damon quase nunca fazia aquela cara e quando fazia, coisa boa não podia ser.

— Allan – Chamou ele desesperado em seu bipe – Venha até aqui. Agora!

Damon suspirou e começou a voltar às páginas do prontuário de Isobel, negando com a cabeça e a encarando novamente.

Desesperada levantei da maca parando em sua frente e o encarando.

Ele me olhou neutro, sem saber o que dizer e no momento em que consegui achar minha voz para perguntar o que estava acontecendo Allan abriu a porta.

— O que está acontecendo Damon? – Perguntou.

Damon então trocou a visualização do monitor, mostrando a Allan o imenso problema.

Ofeguei me aproximando mais e checando se era mesmo verdade.

Ao constatar que sim, ofeguei, colocando a mão por cima de meu estomago e dando um passo para traz.

— Lena o que está acontecendo? – Perguntou Jeremy vindo até mim e me abraçando.

— O coração dela não está conseguindo manter o ritmo cardíaco – Solucei – Está muito fraco...

Com todas as minhas forças puxei o máximo de ar que podia pela boca, sentindo meus olhos marejarem e minha cabeça girar.

— Elena, fica calma! – Pediu ele – Ela vai superar, até parece que você não a conhece! Ela é forte.

— Não! Ela não é! – Gritei – E você sabe disso! Você sabe, só nega para si mesmo.

Afastei-me dele e solucei alto, dando um murro em seu ombro.

Ele negou com a cabeça e me pegou pelo braço, me arrastando com aspereza para fora da UTI e me jogando em uma das cadeiras do corredor.

— O que você acha que está fazendo? – Gritou ele – Para quem se diz católica, você parece uma ateia!

— Cala a boca! – Gritei me levantando – Você sabe que ela não vai aguentar! Ou não lembra da vez que ela teve um enfarto?! Ela não morreu por pouco! O que te faz pensar que dessa vez ela vai aguentar? O sangue dela está se esgotando aos poucos Jeremy!

— Você não sabe de nada Elena! – Retorquiu mais alto colocando as mãos sobre os ouvidos – Não é só de ciência que o mundo é feito! Você mais do que ninguém devia saber disso!

— Deixe de ser imbecil – Gritei esmurrando seu ombro – Eu sei o que estou dizendo!

Ele respirou furioso e levantou a mão, me encarando sombrio e não hesitando em seus pensamentos.

Fechei os olhos esperando seu tapa, mas ele não veio. Abri os olhos depois de alguns segundos para conferir o que havia acontecido.

Damon segurava seu pulso com o olhar desafiador e o queixo trincado, com seus lábios em linha reta e os olhos frios.

— Se afasta – Sibilou.

Jeremy o encarou nervoso e o olhou desafiador com a expressão superior em sua típica cara de divertimento.

— Se afasta, agora – Sibilou Damon novamente.

Jeremy não se moveu um segundo e então guinchou de dor quando Damon empurrou seu pulso para trás o forçando contra a parede.

— O que está acontecendo aqui? – Perguntou Alaric de longe – Damon? Slte ele agora! O que pensa que está fazendo?

— Esse covarde queria bater em Elena – Apontou Allan enojado com o queixo.

Alaric ofegou surpreso de olhos arregalados e tirou Jeremy da parede e das mãos de Damon, o jogando na cadeira próxima a que ele havia me jogado antes.

— Você ficou louco?! – Gritou pegando na gola de sua camisa – Bater na sua irmã? Ah mais eu devia deixar você apanhar e ajudar ainda! Como você faz isso Jeremy?! Hein?!

Alaric respirou fundo transtornado, puxando Jeremy e depois o soltando com força contra a parede, machucando suas costas e o fazendo escorregar para a cadeira novamente com gemidos de dor.

— Você está bem Elena? – Perguntou Ric me olhando.

Respirei fundo assentindo várias vezes e encarando Jeremy em desapontamento e tristeza.

Minhas mãos começaram a tremer involuntariamente e meus olhos se distanciaram em uma imperceptível queda de pressão.

Todos, exceto Jeremy, não perceberam e no momento que recuei um passo para trás com a mente em branco Jeremy levantou da cadeira e me segurou.

— Olha para mim – Pediu desesperado.

— Fica longe dela! – Gritou Alaric.

Tombei minha cabeça encarando desconexamente Jeremy e respirando falidamente.

— Não ouviu o que ele disse? – Perguntou acusativo Damon se aproximando.

— Lena, não os escute, se concentre apenas em minha voz – Pediu Jeremy – Olha para mim. Continue com os olhos abertos.

Com muito esforço encarei seus brilhantes olhos desesperados e deixei que minhas pernas cedessem.

Enquanto Jeremy se abaixava para segurar meus ombros pude ver Allan, Damon e Alaric nos encarando.

— Olha para mim – pediu novamente Jeremy – Vamos Lena. Me desculpe, eu fiquei tão nervoso, estou apavorado... Você sabe que religião é algo muito sério para mim... Me desculpe... Me desculpe...

Com muito esforço o encarei e senti minha cabeça rodar novamente. Meu estomago agora se tornava vazio, minha garganta estava apertada em um nó cego e o horrível frio na barriga me remexia totalmente por dentro.

— Vamos, respire comigo – Pediu Jeremy respirando fundo – Inspira, solta, inspira, solta.

Lentamente fiz o que ele pediu e senti o desespero me abater, eu não conseguia respirar, meus olhos se encheram de lágrimas e Jeremy prontamente soube o que fazer.

Ele me abraçou e me balançou como uma criança em pânico – o que realmente não estava longe. Eu poderia gritar a qualquer momento, mas de alguma forma eu tinha consciência de que fazer isso era errado.

Então apenas me calei e deixei que meu corpo tremesse involuntariamente, dando espasmos e tiques nervosos que regrediam de segundos em segundos.

— Respira comigo Lena – Pediu Jeremy novamente.

Neguei com a cabeça e me levantei um pouco tonta.

Olhei para tudo ao meu redor procurando uma saída em completo desespero. Eu não podia entrar em pânico ali.

Meus arquejos se tornavam cada vez mais altos e tanto Damon como Allan e Alaric, me encaravam sem entender nada.

Olhei novamente para o outro lado do corredor e tentei correr para a porta que ficava em seu final, mas Jeremy – que ainda estava agachado – segurou meu tornozelo.

Em um baque cai no chão, tentando de toda forma me soltar de sua mão, lhe dando chutes e pontapés, gemendo para sair dali.

Damon então arrancou a mão de Jeremy de meu calcanhar, o levantando e prensando o na parede.

Finalmente libertada corri dificultosa com os saltos pelo corredor e ao passar pela porta, pude ver de relance, Damon gritando com Jeremy – que se debatia para vir atrás de mim – ..

Ao chegar à rua pude respirar aliviada e sentir a calma se instalar em meus pulmões ao ter o vento batendo forte em meu rosto, trazendo-me a consciência novamente.

O tempo estava frio e com grandes sinais de chuva, mas mesmo assim tirei meus sapatos e comecei a caminhar pela gelada calçada, logo parando em frente a uma fábrica e me sentando no pequeno degrau que dava ao grande portão de entrada.

Notas finais
Então flores? O que acharam? Beijo lindonas........