Part Of Me
25 Capítulo 25
Notas iniciais
2 Semanas Depois...
— Elena, por favor corra o mais rápido que puder até o hospital – Pediu tia Jenna desesperada.
— O que aconteceu? – Perguntei alarmada.
— Sua mãe. O carro dela capotou, ela está em uma cirurgia... –Sua voz aos poucos foi mudando até chegar ao choro completo e a voz de Alaric tomar o vocal.
— Elena venha para o hospital da cidade – Disse ele firme – O mais rápido possível.
Ele não esperou resposta, apenas desligou me deixando desnorteada. Peguei minha bolsa, vesti o casaco e sai apressada de casa, avançando vários sinais vermelhos e costurando por entre as ruas da cidade.
Em algum lugar dentro de mim, eu torcia para que Damon não estivesse de plantão e em outro eu torcia para que ele estivesse; pois em suas mãos nada aconteceria com minha mãe, mas e eu?
A mim, o que aconteceria? Isso eu definitivamente não saberia responder.
Resolvi não pensar muito nisso, Isobel corria perigo e eu não podia fazer outra coisa senão estar ao seu lado. Minhas mãos tremiam, escorregando pelo volante por causa do frio suor de ansiedade e tensão. Respirar fundo não adiantava mais e a certa altura o pânico e o medo me tomaram completamente. Se Isobel morresse tudo se acabaria, não haveria mais sentindo.
Eu já perdera uma razão para lutar e viver, não poderia perder mais uma...
Minha visão aos poucos se embaçava e para não me atrapalhar ou perder a direção com o olhar embaçado deixei que as lágrimas escorressem soltas, não me importando em secá-las, pois eu tinha absoluta certeza que assim que passasse pelo portão do hospital um choro absurdo romperia de meu peito.
E assim foi quando entrei, meu soluços romperam de minha boca aumentando a medida que saia do carro e me aproximava da porta de entrada.
Ao entrar Alaric, que consolava a Jenna, levantou a cabeça a fazendo olhar para mim e correr na mesmo hora em minha direção.
— Elena! – Exclamou Jenna – Sua mãe, querida, o carro... capotou na rodovia. Ah meu Deus!
Ela se jogou em meus braços e me abraçou forte, mas não consegui retribuir, meus braços estavam rígidos e tudo que pude fazer foi fechar os olhos e libertar as lagrimas que estavam em meus olhos.
— Se acalme Jenna – Pediu Alaric – Elena, vem, precisamos de alguém que assine a ficha de sua mãe e Jenna não serve.
— Mas e meu pai? – Perguntei depois de algum tempo.
— Seu pai está do outro lado do mundo, em Xangai acho, o celular dele não pega onde ele está, não há como localiza-lo – Ele me tirou dos braços de Jenna e me puxou para a recepção.
— O que você faz aqui? – Perguntou a enfermeira quando chegamos a recepção.
Por alguns segundos a analisei e então lembrei de quem se tratava, Bárbara – a enfermeira cujo tive vontade de bater da última vez que estive no hospital – me atendia, e me olhava enojada e totalmente vitoriosa.
— Soube que você e Damon terminaram – Sorriu satisfeita – Sabe ele anda tão carente...
Respirei fundo e tomei a ficha que estava no balcão e enquanto assinava deixei que minhas lágrimas escorressem com ofegos baixinhos que só Alaric conseguia ouvir.
O desespero de perder minha mãe para algo tão forte como a morte me invadiu no exato momento que terminei de preencher a ficha, aquilo era terrível de mais para que eu pudesse lidar.
E foi nesse momento em que desejei que meu pai estivesse ali, pois assim eu não notaria tão fortemente a ausência de Damon e não desejaria tão intensamente sua presença. Mesmo estando consciente de que eu que tinha acabado com tudo, senti raiva dele, raiva por não poder tê-lo ou vê-lo, por sua tia maldita, por tudo que eu perdera em um piscar de olhos.
— Espere um pouco – Cortou Bárbara quando lhe entreguei a ficha para ela e virei-me com o intuito de ir para longe – Aquela mulher que acabou de entrar na sala de cirurgia é sua mãe?
— Algum problema? – Perguntei impassível.
— Não. Eu não sabia.
Alaric olhou raivoso para ela e me arrastou para as cadeiras ali perto, me puxando desengonçado para si e me confortando com leves caricias em meus cabelos
— Por isso você anda desatenta – Constatou me olhando.
— Não quero falar sobre isso – Neguei – Como está minha mãe? Quero detalhes.
— Tudo bem, é sua vida – Afirmou ele acolhendo Jenna que se aproximava de nós – Quanto a sua mãe: ela está mal. Estava voltando do trabalho, parece que a rodovia estava molhada então ela derrapou e bateu em um caminhão. Alguns órgãos estão em risco por conta de perfuramentos.
Assenti me encolhendo e deixando que ele e Jenna me abraçassem, depois de alguns minutos Allan apareceu segurando um prontuário e chamado:
— Os parentes de Isobel Flemming Gilbert.
— Aqui — Disse Alaric forçando Jenna e eu a levantar.
— Bom... –Ele olhou cada um de nós, seu olhar por último parando em mim – Elena?
— Isobel é minha mãe – Respondi limpando os olhos – Como ela está?
Ele respirou entristecido e umedeceu os lábios antes de falar.
— Ela está mal, conseguimos retirar todos os cacos de vidro e o fragmento que perfurou seu corpo, mas ela terá que ficar na UTI, apesar de bem-sucedida; a cirurgia não trouxe o resultado que esperávamos, o estado dela é de muito perigo ainda. Sinto muito.
Virei-me para Ric e desatei a chorar em seu peito, ele me abraçou e puxou Jenna para junto de nós em uma desesperada tentativa de conforto.
Meus soluços eram altos e ecoavam por toda a sala de espera atraindo a atenção de todos, mas não importei, apenas tive consciência de que estava perdendo tudo, tudo que me amou, tudo que me restou.
— Se você quiser vê-la Elena, tudo bem – Murmurou Allan – Posso abrir uma exceção para você.
Assenti me libertando de Ric e Jenna e o segui de cabeça baixa pelos longos corredores, chorando baixinho e implorando silenciosamente para alguém me abraçar.
No final do mais escuro e mais frio corredor ele me deu passagem e abriu a grande porta branca; a segurando para mim e me deixando entrar.
Pude ver Isobel no primeiro passo que dei e ao chegar mais perto, senti minha visão se embaçar mais, ela estava toda ralada e machucada, com vários cortes e arranhões, principalmente no rosto, seus braços estavam totalmente enfaixados e suas pernas completamente roxas.
— Ah mãe –Choraminguei me aproximando de seu corpo.
Tentei toca-la, mas Allan segurou minha mão e a afastou, olhando em meus olhos e negando com a cabeça.
— Não...– Sussurrou.
— Tudo bem – Respondi rouca.
Olhei para o rosto de minha mãe e mesmo estando todo machucado e ralado, eu ainda a achava a mulher mais bonita que havia no mundo, seus cabelos pretos corriam lisos por seu rosto e grudavam-se ao seu pescoço, seus finos lábios agora estavam secos, com pequenas rachaduras e suas bochechas estavam avermelhadas mostrando um leve ralado.
— Mesmo assim você continua bonita mamãe — Sussurrei me encostando-me na grade de sua maca e apoiando meu rosto na mesma.
Deixei que um longo e profundo soluço escapasse, fazendo com que as lágrimas pingassem no lençol da cama o molhando e atraindo a atenção de Allan.
Derrepente o que era para ser um choro baixinho acabou se tornando um choro desesperando, em que eu apertava cada vez mais o lençol da cama e implorava para ela abrir os olhos.
— Vamos Elena. Não podemos prejudicar os outros pacientes – Puxou-me Allan.
Deixei que ele me arrastasse e me joguei em cima de Jenna assim que a vi, ela me abraçou apertado e sussurrou em meu ouvido:
— Jeremy já está chegando.
Anui e estreitei ainda mais meus braços ao seu redor.
.
— Elena! – Gritou Jeremy assim que passou pela porta – Como ela está?
— Toda quebrada Jer – Disse me jogando em seus braços –Toda quebrada.
Ele me abraçou assim como Jenna e acariciou meu cabelo do mesmo jeito protetor que ele fazia sempre que me defendia na escola. Aquela foi a primeira vez que me senti segura em dias, ele me trazia conforto e familiaridade, tudo que eu mais necessitava nesse momento.
— Calma, eu tenho certeza que vai ficar tudo bem. Nossa mãe é forte – Sussurrou.
Ele me soltou devagar e me sentou na cadeira, indo até Alaric e pedindo informações.
— Elena? Como está Isobel fisicamente? – Perguntou tia Jenna se aproximando.
— Está toda ralada – Murmurei –Os braços estão enfaixados, as pernas totalmente roxas e o rosto todo maltratado.
Ela se jogou no sofá de couro e desatou a chorar, chamando a atenção de todos, até da enfermeira vadia que logo ofereceu um copo de água com açúcar para ela.
— Vem Jenna, vamos sair daqui – Chamou Alaric – Esse lugar não está lhe fazendo bem.
Ele puxou Jenna para fora e a abraçou forte e então tudo que eu mais queria era Damon do meu lado. Para me abraçar assim como Alaric abraçava Jenna e me confortar assim como Alaric estava fazendo nesse exato momento lá fora.
Como Damon teria feito se soubesse.
Nunca pensei que sentiria isso, mas senti.
Senti inveja de minha tia e quis estar no seu lugar, me tornar uma mulher amada e poder abraçar alguém que me amasse também.
Novamente.
Mas isso nunca mais aconteceria, tivera uma chance antes e a jogara fora e mesmo tentada a ir correndo para o apartamento de Damon me contive.
Se eu fosse, Esther cumpriria suas promessas e a vida de Bonn, Carol e Bekah se tornariam um inferno sem fim.
Andei até o canto mais isolado e encostei minha cabeça na parede, fechando os olhos e me conformando a chorar baixinho com medo de alguém escutar.
Também chamando Damon baixinho e imaginando seu abraço.
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