Part Of Me
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Na manhã seguinte Damon saiu cedo. Acordei com um terrível o pressentimento de algo ruim na garganta, tentei esquivar-me dele, mas de alguma forma ele sempre estava ali no fundo.
Estava quase terminando de me arrumar quando a campainha tocou. Logo que abri a porta me arrependi de não ter olhado no olho mágico.
— O que quer aqui Esther? – Perguntei dura.
— Acha que o tapa de ontem vai ficar por isso mesmo? – Disse ríspida empurrando a porta – Ahhh não, nada é de graça.
Ela entrou com passos pesados na sala e então se virou para mim tirando minha mão da porta e a fechando.
— O que pensa que está fazendo?
Tentei empurra-la, mas ela me empurrou mais forte derrubando-me no chão e virando novamente para a porta para trancá-la com o trinco.
— Não vou deixar barato Elena – Anunciou caminhando até mim e me puxando pelo braço para que ficássemos na mesma altura – Quando disse que não a queria em minha família não brinquei. E quando se trata de vingança, eu também não brinco.
— Saia da minha casa agora! – Gritei ruidosa tentando em vão me livrar de seu aperto.
Ela negou com a cabeça e me sacudiu com força, olhando em meus olhos com um misto de ódio e deleite, sussurrando lentamente:
— Agora você vai aprender a me ouvir.
Sem esperar minha reação ela me deu um tapa tanta força que me lançou novamente ao chão. Coloquei a mão no local o massageando e fazendo a circulação voltar, torcendo fielmente para conseguir criar alguma força maior e expulsa-la. Antes que eu sequer conseguisse levantar Esther pegou-me pelos cabelos e me lançou em direção a parede.
— Espero que você fique longe de minha família – Ameaçou – Caso contrário...
Ela caminhou em passos lentos e bateu minha cabeça contra a mesinha de centro, cortando minha testa no vidro. Sua mão batia incessantemente em minha face, me marcando, me maltratando e a certa altura os machucados em minha gengiva e em toda minha boca se agravaram de tal modo que eu tinha que cuspir o sangue para não me engasgar.
— Fique longe de minha família – Gritou – Não a quero ver perto de Damon, não quero nem que pense nele... Que o toque ou qualquer coisa do tipo.
Ela chutou minha barriga pisando em minhas costelas com os saltos de suas botas e cuspindo em meu rosto. Pisando mais uma vez em mim só que dessa vez em meu estômago, ela gargalhou intensamente ao me ver gemendo de dor.
Ela me forçou a levantar de novo e me jogou na parede como uma boneca de pano. Minhas costas doeram muito, me fazendo soltar um silvo de dor, a deixando risonha, com um misto de satisfação e ódio nos olhos.
— Damon veio falar comigo mais cedo – Sibilou –Não gostei de saber o que você fez.
— Eu... Não fiz... Nada — Engasguei-me para ela.
— Ah, então joga-lo contra a própria família não é fazer nada? – Acusou –Temos alguns problemas de interpretação aqui.
Ela se levantou então e se afastou um passo, por um segundo pude respirar aliviada, mas então ela pegou meu cabelo e me arrastou pela sala.
— Se você está achando que vou deixar você controlar meu sobrinho e estragar todos os planos que temos você está enganada
Quando ela soltou meu cabelo vários fios ficaram enroscados em sua mão, ela os jogou no chão e veio até mim se agachando lentamente e dizendo enojada:
— Você tem duas semanas para deixar meu sobrinho em paz, invente algo, vá se afastando aos poucos, mas termine tudo o que começou o quanto antes.
Ela pegou minha cabeça e bateu bruscamente no chão, saindo a passos lentos de meu apartamento com a expressão prazerosa estampada no rosto. Cuspi um pouco de sangue que saia de minha boca e me arrastei lentamente para o telefone.
— Car – Disse falha quando ela atendeu – Venha até minha casa, traga Bekah e Bonnie.
— O que aconteceu Lena? – Perguntou desesperada, tentei responder, mas nada saiu de minha garganta e então por fim ela desistiu – Já estou chegando, fique calma.
Um longo tempo se passou até que ela abrisse a porta em um rompante sendo seguida por Bekah – as duas desesperadas.
— Ah meu Deus! – Exclamaram.
Elas correram até mim e me levaram até o sofá tomando o máximo de cuidado para não me machucar mais.
— O que aconteceu Lena? –Perguntou Car.
— Esther... A tia de Damon. Ela... – Novamente o sangue que saia de minha boca me impediu de falar as deixando mais desesperadas ainda.
Virei-me para o chão e cuspi o máximo que podia, Bekah correu para o armário e pegou a caixa de primeiros socorros que Damon tinha deixado depois do dia em que me queimei e veio até mim.
Depois que ela tratou de todos os meus machucados e o sangramento de minha gengiva parou, contei tudo para elas.
— Meu Deus! – Exclamou Carol — Temos que denuncia-la.
— Não. Eu contei para Damon e ela fez isso, é capaz dela me matar se eu leva-la a uma delegacia.
— Eu devia dar uma surra nela –Disse Bekah –Vou ligar para Klaus agora! Tenho certeza que ele ainda tem aquele 38 do papai.
Por um segundo me deixei rir, mas logo então disse para ela:
— Não Bekah. Fique na sua.
— Isso não pode ficar assim! – Guinchou Caroline — Ela tem razão, devemos chamar Klaus no mínimo e depois contar para Damon, ele vai ficar do seu lado Lena, não do dela, ele te ama.
Neguei com a cabeça e as abracei soluçando audivelmente ao ouvir seu nome.
— Eu sei – Sussurrei – Preciso pensar no que vou fazer, a tia de Damon não parece ser sã, talvez se eu respondesse na mesma linguagem ela entenderia o recado. Ms preciso de tempo para pensar em algo.
Elas tentaram argumentar, mas neguei com a cabeça e pedi uma desculpa para inventar para Damon.
Durante muito tempo pensamos e a única que pareceu ter uma ideia boa foi Rebekah:
— Por hoje invente um trabalho comigo – Disse – Então você pode dizer que caiu da escada e disfarçar os hematomas com maquiagem, vai parecer que foram de um tombo com uma boa base e um bom corretivo.
Sorri-lhe um pouco fraca e a segui com o olhar agradecida. Alguns instantes depois ela voltou com um comprimido e um copo de água.
— Beba – Ordenou.
Assenti e tomei o comprimido com dificuldade sentindo o horripilante frio na barriga me tomar.
— Eu tenho uma base ótima que cobre até tatuagem, vou ligar pro Nik e pedir para ele trazer aqui – Falou Bekah pegando seu celular.
— Isso não está certo você devia contar para ele amiga – Lamentou-se Car quando Bonnie me abraçou e disse para eu deitar a cabeça em seu colo.
— A decisão é dela Caroline – Cortou Bonnie – O que você fizer nós iremos te apoiar Lena, estamos aqui viu?
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Mais tarde naquela noite liguei para Damon e avisei que hoje não poderia vê-lo por causa do trabalho, sem nenhum problema ele concordou e me deixou em paz.
Por algum tempo tive vontade de chorar, mas essa não era hora para chorar era hora para pensar.
Pensar no que eu faria e no que aconteceria.
O problema foi no dia seguinte, quando lhe disse a desculpa de Bekah, ele não viu nada de errado em fazer um trabalho com ela, mas depois que eu lhe contei que “havia” caído na escada da casa dela, ele passou a me mandar mensagens com mais frequência e a querer me ver, a sorte foi que seus plantões não batiam com meus horários e assim eu ainda não precisava me mascarar e omitir coisas dele.
* * * * * * * * * *
Mesmo com o passar dos dias nada melhorou, principalmente emocionalmente.
Por conta disso Rebekah me chamou para um café. Pensando que seria bom espairecer a segui pelas ruas da cidade até um pacato café indie em meu bairro. Rebekah como sempre arrancou gargalhadas enormes de mim e fez com que tudo passasse tão derrepente que após algum tempo tudo parecia em seus perfeitos conformes.
— Vou no banheiro – Disse ela pedindo licença.
Assim que Bekah sumiu pelo corredor uma vídeo chamada em meu telefone atraiu-me a atenção. Atendi não ligando a minha câmera e esperei algo aparecer em minha tela.
Alguém andava atrás de Rebekah com um canivete na mão, por estar muito distraída e não ter nenhum espelho no maldito banheiro ela não notara a presença de seu perseguidor. Assim que Bekah entrou em uma das cabines o perseguidor virou a câmera para si, mostrando um sorriso brilhante no rosto de Esther.
“Não saia daí” apareceu em minha tela “Ou sua amiga ganha alguns furos”.
Inquieta permaneci em meu lugar enquanto digitava “o que você está fazendo? Por favor, não faça nada com ela!”. Esther sorriu e guardou o canivete em seu bolso, passando então a imagem para a câmera traseira e mostrando o vidro de sabão líquido na pia. Com uma mão só ela o desrosqueou e pingou várias gotas de um líquido marrom de um frasco pequeno.
“Você sabe o que eu quero” digitou ela para mim.
Sem que a mesma falasse nada a vídeo chamada acabou e alguns segundos após tal ato Esther saiu com um sorriso estonteante no rosto.
— Acho melhor ir ajudar sua amiga – Sussurrou ela abaixando-se quando parou em frente a mim – Fiquei sabendo que ela é alérgica a tudo que tem canela. Se contar a alguém receberá outra visita minha.
Em um estalo levantei-me de nossa mesa e fui até o banheiro, mas quando cheguei Rebekah já secava as mãos sem dar-se conta de coisa alguma.
— Elena? Está tudo bem? – Perguntou ela vindo até mim e colocando suas mãos em meus ombros – Nossa... Minhas mãos estão estranhas, será que esse sabonete tem algo derivado de canela.
Sem se lembrar de mim minha amiga virou-se para o frasco sem rótulo e o cheirou logo o soltando.
— Preciso ir a um hospital – Disse ela desesperada – Tem cheiro de canela, deve ter algo de canela aí, minha alergia não ataca há anos, ela vai vir com tudo.
Rapidamente puxei Rebekah para fora e a levei até meu carro assim que paguei nossa conta. No hospital tudo correu bem, Rebekah entretanto ficaria de atestado por alguns dias, pois a crise ainda insistiria antes de desaparecer. Não procurei Damon e evitei andar pelo hospital para que ele não visse meu rosto. Ao chegar em casa não pude deixar de me sentir apavorada, o que havia acontecido parecia surreal.
E eu nem havia feito nada para intimidar Esther. Após horas pensando em tudo cheguei a conclusão de que se fizesse a situação pioraria ainda mais.
Eu o amava não poderia viver sem ele, entretanto a cada segundo em que eu me lembrava da ameaça de Esther eu chorava. Meu medo por ela crescia em velocidade absurda; quase como anos-luz.
Esther me ameaçava cada vez mais, por vezes usando minha família ou perseguindo minhas amizades.
“– Sabe Elena – Começou ela ao me encontrar no elevador – Descobri uma coisa muito interessante. Sua amiga, Bonnie, não? Ela estuda com bolsa integral... E estive pensando, o diretor não se importaria em fazer um favor para uma amiga muito rica e importante né?
— Deixe Bonnie em paz Esther, seu problema é comigo, não faça nada com ela, ela se forma esse ano — Chorei desesperada.
— Não há problema, há também Caroline, fiquei sabendo que ela ainda não conseguiu passar na ordem dos advogados, o que seria dela se ela nunca conseguisse? – Perguntou cínica – Uma vergonha não? Tenho alguns conhecidos por lá, eles mexem com as credenciais... Não seria uma má ideia pedir um pequeno favor a eles...
— Não – Retorqui – Você não vai fazer isso. Isso é baixo de mais!
Dei um passo à frente e toquei seu braço, mas ela olhou impassível para mim e sorriu ao ver o medo em meu olhar.
— Rebekah ainda não passou na prova de aptidão também – Murmurou erguendo uma sobrancelha – E ainda tem estágio para começar, não é verdade?
— Me dê um tempo pelo menos – Pedi.
— Sou uma mulher muito boa e generosa, já te dei tempo o suficiente. Acabe logo com isso!
Afundei mais uma vez no sofá lembrando de tais conversas. Temendo ainda mais minha decisão cai em choros e soluços, me condenando e me culpando pelo que minha vida se tornaria.
Com um suspiro decidido apaguei as fotos ameaçadoras e conversas de Esther em meu celular (que eu nem sabia como ela arranjara) e tomei minha idiota decisão.
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