Part Of Me
22 Capítulo 22
Para meu azar o fim de semana se aproximava e a mãe de Damon decidiu fazer outro jantar, só que dessa vez ela o oferecia a Esther.
Damon havia se acertado com seu pai e colocado um ponto final em toda discussão, então para ele não havia nenhum motivo para não irmos.
Caroline, Rebekah e Bonnie suspeitaram que algo estivesse acontecendo, mas em momento algum abri minha boca, por alguma razão algo dentro de mim me dizia para não contar a ninguém. E foi o que eu fiz.
Durante toda a semana Esther me lançou olhares raivosos, mas para minha sorte Katherine estava junto então ela não fez ou disse coisa alguma.
Quando chegamos à casa dos pais de Damon Esther me olhou desgostosa e então sorriu falsamente percebendo que Damon a encarava.
— Como vão meus queridos? – Perguntou se levantando e nos abraçando.
— Bem – Disse ele.
Apenas assenti e peguei em sua mão, ele me olhou por um segundo e então sorriu. Meredith estava lá e ao ver Damon pulou para abraça-lo.
Eu daria uns bons tapas nela se estivesse em condições perfeitas, mas apenas meu olhar raivoso causou medo em Damon e o fez soltar Meredith tão bruscamente que a mesma tropeçou e cambaleou pela sala.
Katherine sorriu e ergueu suas sobrancelhas para Meredith que se recompôs novamente e veio até mim.
— Como vai Elena? – Perguntou.
— Bem.
Tentei não encará-la muito, mas meu controle estava se esgotando totalmente com o olhar de Esther e se Meredith se aproximasse de Damon novamente eu descontaria toda a minha tensão nela.
Katherine me puxou para uma conversa com Cristina e André e pelos poucos minutos que conversamos pude sentir minha tensão ir embora, mas assim que fomos para a mesa de jantar ela voltou com força total.
Esther se sentou de frente para mim e Meredith ao lado de Damon, Katherine me olhou por alguns segundos e então perguntou baixinho em meu ouvido:
— Você está bem Lena?
— Sim – Respondi em um fio de voz. Ela negou com a cabeça e me olhou interrogativa – O que?
— Suas mãos estão tremendo. Aconteceu algo?
Neguei com a cabeça, mas ela não pareceu acreditar pois me olhou longamente e então suspirou começando a comer. Com extrema dificuldade consegui engolir e para minha sorte ninguém – subtraindo Katherine – percebeu meu estado.
Damon foi para a sala – antes me dando um selinho – conversar com seu pai e eu fiquei com Katherine, Esther e Cristina.
— Então tia, eu trouxe o meu vestido. Quer ver? – Perguntou Katherine animada.
— Claro. Vamos.
— Você vem Elena? Meredith?
— Deixe-a aqui comigo quero conversar com ela – Interrompeu Esther.
Elas assentiram e se retiraram, o sorriso de Esther sumiu assim que elas se foram, seu olhar mortal passou a me fulminar novamente.
— Eu vou ser rápida e lhe dar uma boa oportunidade de sair bem disso tudo –Disse ela olhando suas unhas – Se afaste de meu sobrinho, se o fizer agora não irei atentar nada contra você.
— Não vou seguir ordens suas.
— Devia – Ela se levantou e então veio até mim como felino prestes a dar o bote – Posso ser pior do que imagina. Não vou deixar alguém como você fazer parte da minha família.
Levantei-me em um impulso e me virei para ela.
— Qual o motivo de tanto ódio? Você mal me conhec...
— Não tenho nenhum interesse em conhece-la, seu tipinho sujo... Fique longe de meu menino.
A raiva então me subiu e sem pensar virei à mão em sua cara em um tapa fino e agudo, que ecoou por toda a cozinha lavando toda minha alma e me deixando satisfeita comigo mesma.
— Vai se arrepender – Ameaçou.
Ela avançou um passo, mas então Katherine entrou na cozinha cheia de vida e alegria.
— Mamãe, tia Cristina aceitou me acompanhar na cerimônia – Anunciou entusiasmada.
Esther rapidamente se recompôs e sorriu para a filha indo até seu lado e a abraçando, sorri pequeno para Katherine e fui até a sala procurando Damon por cada centímetro cúbico que avistava.
E logo assim que entrei no cômodo o encontrei, glorioso como sempre. Damon sorriu ao me ver e abriu os braços para mim, sem pensar muito fui até ele e me aconcheguei em seu colo. Uma parte da tensão que circulava meu corpo se dissipou, mas não foi o suficiente para ele não perceber.
Ele me olhou preocupado e estreitou seus braços a minha volta em uma pergunta surda, que eu sabia que não seria esquecida, respirei fundo e tentei, falhamente, relaxar, mas de forma alguma ele acreditou.
— O que foi? – Perguntou baixinho.
— Nada – Respondi fina.
Ele me olhou desconfiado e negou com a cabeça, se levantando e me arrastando junto para a porta.
— Pai temos que ir, Elena está cansada e amanhã tenho plantão.
Seu pai acenou e então nos despedimos de todos em um gesto mecânico que passou despercebido por minha mente.
— O que está acontecendo Elena? – Perguntou ele já no carro.
— Nada.
— Há algo acontecendo – Insistiu –Você está estranha.
— Estranha?
— É estranha. Fiz-lhe algo? Disse alguma besteira? – Neguei com a cabeça – O que é então?
— Damon, não insista.
— Você está estranha sim, distante, nervosa, outro dia você me mandou uma mensagem dizendo que precisava ouvir minha voz – Argumentou –E tem andado preocupada faz algum tempo. Está nervosa com algo – Concluiu acusativo – Toda vez que eu te toco, sinto que há algo lhe fazendo mal, meus toques não parecem mais ter efeito em você. Você se cansou de mim?
—Não é isso...
— Não? Como vou saber? Você não me conta! Você tem que me dizer para eu poder consertar – Explodiu com a voz chorosa.
— Esquece isso amor, estou em semana de provas sempre fico tensa nessa época.
Ele suspirou como se não acreditasse, mas não disse nada. Quando ele abriu a porta do carro para mim tentou pegar minha mão, mas o abracei. Se ele percebesse que minha mão tremia nós discutiríamos e tudo que eu menos queria nesse momento era discutir.
Eu precisava dele do meu lado.
Quando fechei a porta de meu apartamento ele se sentou no sofá e me chamou, corri me sentar em seu colo e o abraçar.
—Tem que me dizer – Sussurrou em meu ouvido.
— São só as provas, só isso.
Ele encostou minhas costas em seu peito e me abraçou forte, suas mãos descendo para minha barriga e chegando em minha intimidade. Deus sabe como eu desejei ficar excitada, mas meu corpo não reagiu, ele apenas se tencionou mais.
Damon percebeu, mas coloquei a mão em sua perna, o incentivando a ignorar e tentando de alguma forma esquecer o que estava acontecendo.
Ele mordeu de leve minha orelha e sugou a ponta.
Me virei para ele e tentei beija-lo com paixão, mas não funcionou, minha boca parecia não querer se mexer.
— Elena para – Afastou-me Damon – Não sei o que está acontecendo, mas é muito mais que provas.
— Me desculpe Damon...
Ele suspirou e passou a mão pelos cabelos depois tampando o rosto com as mãos e logo me olhando.
— Me diga – Pediu.
Meu coração oscilou e eu o abracei em um impulso, mas no mesmo instante ele me afastou e segurou com força meus braços me encarando duro.
— Me diga o que está acontecendo – Falou lentamente – Tem a ver comigo? Minha família? O meu passado?
Suspirei baixinho antes de assentir, ele me olhou duro e então perguntou.
— O que é?
— Parece que sua tia não gosta de mim – Sussurrei.
Seu rosto por um momento ficou surpreso e então se tornou pesado, mostrando certo alivio em seus olhos, agora, um pouco mais claros que o normal.
— O que houve?
Fechei os olhos sentindo todo o nervosismo aflorar; minha garganta estava quase trancando e antes que pudesse surtar disse esganiçada:
— Ela quer que eu me afaste de você. Não sei porque, hoje enquanto estávamos conversando ela até me ameaçou.
Ele ofegou e me olhou neutro.
— Por que?
— Não sei – Solucei – Tem mais, ela me deixou muito nervosa... E... Eu dei um tapa na cara dela, ela me ofendeu, nem lembro mais do que me chamou, mas eu fiquei tão nervosa, tão fora de mim... Damon, eu...
— Hey, calma, tudo bem – Cortou-me ele – vou conversar com ela... Ela deve ter ouvido algo sobre você, talvez... Mas vou resolver, ok?
— Não! Não faça isso – O olhei alarmada.
Ele me avaliou por alguns instantes e então me abraçou.
— Fique calma, vou conversar com ela, eu quero minha garota alegre e feliz de volta – Disse me dando selinhos – Minha. Garota. Fogosa. E in-as-ci-a-vel.
Ri de seus beijos demorados em meu rosto e o abracei forte o puxando para mim. Em uma súbita ideia, o cutuquei em sua barriga e ele instintivamente se esquivou, me dando a prova de que tinha cosquinhas.
Imediatamente o ataquei e cutuquei-o por toda a extensão de seu abdome enquanto ele se contorcia e ria, me fazendo rir também e me levando para o chão onde nos completamos e amamos um ao outro entre beijos.
Mesmo sabendo que de nada adiantaria Damon falar com ela, torci para que tivesse algum resultado.
Um resultado positivo.
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