Depois daquele dia, meus sonhos sem graças se tornaram quentes e molhados.

Toda noite eu acordava suada, ofegante e com o corpo pegando fogo.

Tudo por causa de uma voz de soprano, rouca no timbre certo, olhos azuis intensos e um sorriso de tirar o fôlego.

Às vezes eu me pegava suspirando em frustração comigo mesma, por pensar o motivo de sonhar com ele. No começo pensei que fosse porque ele tinha me tratado bem, mas depois eu percebi que sentia uma forte atração por tudo nele, até seus sentimentos expostos em uma única frase:

”Não sou tão idiota ao ponto de apostar que vou ficar com uma garota”.

Ou algo parecido, nunca tive uma boa memória.

Mas o fato era, eu estava desejando encontrar Damon Salvatore novamente.

O meu desejo se tornou realidade na segunda semana de aulas, quando ia embora da faculdade, ele estava parado em frente à secretaria, assinando algo. Quando ele olhou para cima nossos olhares se encontraram por um nano segundo.

— Hey – Disse largando a caneta – Elena não?

“A louca que te tratou mal? Uh sim, ela mesma gostosão”. Sacudi a cabeça.

— Como você sabe?

— Sua amiga, Caroline, me disse – Respondeu meio confuso.

Eu mataria Caroline hoje, mas por enquanto guardaria toda a minha raiva.

— Ah sim.

—Sou Damon – Estendeu a mão – Salvatore.

— Elena Gilbert, mas você já sabe disso –Ri apertando sua mão – Então, o que faz aqui?

— Vim resolver algumas coisas do meu diploma – Voltou para o balcão e pegou a caneta – Me espera? Quero conversar com você.

Acenei e olhei em volta enquanto ele preenchia, infelizmente reparei que a secretaria o comia com o olhar, só faltava agarra-lo de tanto desejo que transbordava de seus olhos e tive vontade de arrancar a sua cabeça e pisar em cima, mas apenas suspirei.

Ela me olhou e quando percebeu que eu sabia o que estava fazendo corou. Ela tinha no mínimo uns quarenta e cinco, deveria ir em um desses bailes para solteirões, para ver se alguém queria ela, porque eu duvido que Damon quisesse, bom, pelo menos eu desejava que não.

Ok, ok, sou oficialmente uma louca. Por que diabos eu estava desejando que ela não quisesse ele?

Talvez porque você queira. Olhe para ele! Que gato! Disse uma vozinha no fundo de minha mente fazendo meu corpo gelar.

— Vamos – Estendeu a mão.

Olhei para a sua mão e sorri sarcástica, ele me olhou confuso e balancei a cabeça em negativa, o mesmo desviou o olhar constrangido e enfiou as duas mãos no bolso da calça.

— Bom... Não sei como posso dizer isso, nunca tive que dizer isso para ninguém, sabe...Deus...– Passou a mão pelo rosto –Desde aquele dia em que eu falei com você... eu não consigo parar de... pensar... em ...te ver. E agora não posso desperdiçar essa chance.

Meu coração se afundou em profunda satisfação e depois voltou a bater, lutei contra todos os meus instintos que queriam sorrir, e permaneci com a mesma expressão, exceto por meus olhos, que eu podia sentir brilhar mais e mais a cada segundo.

OHHHH o bonitão me quer....

— O que quer dizer? – Perguntei.

Claro que eu sabia o que ele falaria, apenas queria que isso saísse de sua boca e confirmasse todas as minhas expectativas. Afinal dois poderiam jogar esse jogo, não é? Bem, pelo menos era o que Caroline sempre dizia.

— Eu queria saber se você está disponível para sair qualquer dia desse, sei lá, um jantar talvez –Sugeriu esfregando a mão esquerda na nuca.

— Claro – Sorri fraquinho.

Ele olhou-me nos olhos surpreso e depois de um instante sorriu, me deslumbrando pela primeira vez.

Algumas pessoas nos olhavam discretamente, mas não liguei, já tínhamos chegado ao estacionamento e Caroline não estava lá. Como sempre.

— Ouvi o sinal do fim de aulas, já está indo? – Perguntou.

— Sim, isso mesmo – Respondi nervosa.

Você deveria marcar uma data, não é? Por que ainda não marcou?

Algo dentro de mim dizia que isso era minha parte da conversa, mas não que eu tivesse muita experiência. Deixei de lado e deixei meus olhos se perderem em seu maxilar.

— Como vai voltar para casa?

— Ah, eu vou com Caroline – Respondi fitando o portão.

— Eu posso levar você – Sugeriu. –Tenho certeza que sua amiga não irá se opor.

— Mas eu não quero ir com você – Murmurei.

— É só uma carona – Persuadiu com a voz fina.

Suspirei audivelmente e parei de andar.

— Não vou incomoda-lo? – Ele sorriu e negou com a cabeça – Então tá.

Caminhamos até um ponto deserto do estacionamento, onde só havia um carro– provavelmente o seu– estacionado. Ao chegarmos perto, ele o destravou e abriu a porta para mim, assim que entrei ele fechou-a e contornou o carro, logo entrando no banco do motorista.

—Então Elena? Que curso você faz? – Deu partida.

— Medicina – Respondi fria vendo seu rosto ficar surpreso.

— Serio? – Assenti – E que área você pretende seguir?

— Pediatria. Gosto da simplicidade das crianças – Ele sorriu bobo e me fitou por um segundo. Ué—O que?

— Acabei de me formar em medicina.

Isso me amoleceu completamente, ele descobrira meu ponto fraco e com certeza o usaria contra mim, mas mesmo assim não liguei, a pergunta estava tão pensada que sem ponderar acabei soltando em uma voz empolgada:

—Qual área?

—Clinico Geral. Quero trabalhar com tudo. – Olhou para o semáforo – Então qual o endereço?

Dei o endereço do meu apartamento e ele assentiu.

— Você sempre morou aqui? – Perguntou.

— Não. Nasci e cresci em uma cidadezinha chamada Mistic Falls, quando passei no vestibular me mudei para cá. E você?

— Também não. Nasci em Fell’s Church. Quando disse que queria fazer faculdade aqui minha mãe pirou e disse que iria se mudar para cá também – Ele riu um pouco e balançou a cabeça em negativa.

— Minha mãe também surtou, mas no fim deixou – Consolei.

Ele me olhou por uma fração de segundo e sorriu antes de olhar novamente para a estrada.

— Meu pai consegui reduzir um pouco minha mãe, mas depois de alguns meses morando sozinho, eles compraram uma casa aqui e se mudaram, tenho sorte de não ser perto do meu apartamento, caso contrário minha mãe me visitaria todos os dias – Ri com sua gargalhada.

Depois disso ele não disse nada, de vez em quando sorria ou olhava para mim, mas isso durava apenas poucos segundos para meu deleite total. Tive vontade de tocar seu rosto, sentir a textura de sua pele, de poder ter algo mais que sonhos para pensar nele enquanto me masturbava, mas me contive com o pouco de sanidade que me restava.

O constante pensamento de tocar seu rosto em um impulso me atormentava e me levava a loucura, mas finalmente ele parou em frente ao meu prédio.

— Está entregue – Murmurou.

— Obrigado – Disse abrindo a porta do carro.

Quando ia impulsionar meu corpo para levantar ele me chamou.

— Elena? – O olhei – Será que você... podia me dar o seu número? Sabe... para eu te ligar... E....A gente... Marcar de…sair?

Gargalhei pelo nariz e lhe passei meu número, logo depois saindo do carro. Ele sorriu e deu partida no carro.

Passei pelo porteiro tentando conter meu enorme sorriso, de alguma maneira ouvir meu nome saindo de sua boca me fez ficar tonta, me fazendo viajar em sua imagem. Entrei em meu apartamento eu estava gargalhando baixinho e pulando de excitação por dentro.

Quando terminava de jantar, fui interrompida por meu celular, que tocava incessantemente.

— Alô?

— Por que a faculdade inteira está falando que você e Damon Salvatore estão juntos e eu não sei de nada? – Perguntou Caroline com a voz ameaçadora.

— Nós não estamos juntos – Defendi-me.

— Ah é? Então me dê um motivo para você ter sumido do estacionamento quando cheguei lá e estar falando com ele, sim me contaram, sendo que há duas semanas não se sentiu atraída, por nada nele e até me deixou falando sozinha – Falou irônica

— Venha até meu apartamento e eu explico tudo a você.

— Ah pode ter certeza que eu irei – Ameaçou.

Ela não esperou que eu dissesse nada, apenas desligou na minha cara e me deixou com cara de taxo, suspirei e levantei do sofá, logo, logo eu teria uma inquisição para enfrentar.

Depois de alguns minutos encarando a pia, liguei para a portaria e pedi para que deixassem Caroline entrar sem interfonar, alguns minutos mais tarde a Barbie tocava minha campainha, junto com Bonnie e Rebekah.