Part Of Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Vamos Lena, é só um almoço–Persuadiu Caroline.
— Você sabe que eu odeio esse tipo de almoço, e os veteranos estarão lá – Pude ouvir ela bufando do outro lado da linha.
— Por isso mesmo que chamam de almoço de confraternização. Nós vamos comemorar –Disse enfatizando o comemorar.
— Comemorar o que? – Perguntei me sentando no sofá.
— Bom nós vamos comemorar o que pudermos, porque quando nossas aulas começarem, não teremos tempo para quase nada e os veteranos porque vão se formar ou já se formaram.
—Tudo bem – Suspirei – Você passa aqui para me pegar? –Afastei um pouco o celular da orelha e fechei os olhos ao ouvir seus estridentes gritos.
—Claro. Você é demais. Agora eu vou desligar porque estou vendo um gatinho passar bem em frente à minha casa. Te amo, beijo.
Ela não esperou minha resposta, apenas desligou e me deixou ouvindo o ritmado bipe. Alguns segundos depois de ter colocado o celular em cima da mesinha ele toca novamente.
—Alo?
— Oi filha. Como você está? Já sinto saudades – Disse mamãe.
— Mãe eu estou bem. E não fazem nem dois dias que eu voltei.
Ela soltou um “eu sei” por baixo do suspiro e voltou a falar:
—É que seu irmão acabou de chegar e quer conversar com você.
—Passe para ele então.
**************
— Eu sei que você não queria vir, mas eu não podia vir sozinha, pelo menos sorria –Disse Caroline quando entrei no carro.
— Você não me disse que era o dia todo! – Acusei-a fitando intensamente.
— Se eu dissesse você desistiria – Retorquiu ela dando partida no carro.
Durante todo o caminho permaneci quieta e Caroline com um sorriso no rosto e depois de uma eternidade ela estacionou em frente a uma chácara isolada e me olhou interrogativa como quem diz: ”ainda queria ficar em casa?”.
Tentei negar, mas não pude, chácaras lembravam-me de minha infância, principalmente a época natalina, em que todo mundo se reunia e comemorava o natal e o ano novo junto, família, amigos e vizinhos.
— Vamos logo.
Ela bateu palminhas e fez um gesto para que eu a seguisse.
Apesar de ter vários estudantes conversando e fazendo bagunça, aquele lugar ainda parecia calmo, nada do que Caroline me fez pensar quando me levou a uma chácara que mais parecia uma fazenda invertida – onde as pessoas eram os animais e os animais eram as pessoas.
Logo a nossa frente havia uma enorme casa, uma piscina cheia de vadias assanhadas e pegadores excitados e uma grande churrasqueira que parecia estar pegando fogo a julgar pelo tanto de fumaça que saia.
Caroline se dirigiu para a casa e ao abrir a porta da mesma Bonnie e Rebekah nos sufocaram com fortes abraços.
— Achamos que ficaríamos sozinhas aqui. Vocês não têm ideia do tanto de gatos que já encontramos – Disse Rebekah empolgada.
— É verdade, dá até vontade de lavar minhas roupas naqueles tanquinhos – Gritou Bonnie toda empolgada.
— Bom dia para vocês – Disse irônica.
— É bom dia para vocês – Remedou Caroline com a voz aguda e acusadora.
Bonnie e Rebekah riram e nos arrastaram para o sofá.
— Então? Já viram os veteranos? – Perguntou Caroline esquecendo-se de mim.
Bonnie e Rebekah começaram a se abanar e a soltar suspiros em resposta, enquanto Caroline olhava para as duas com expectativa.
— São de morrer, um mais lindo que o outro – Disse Rebekah.
— E uns mais gostosos que os outros também – Completou Bonn rindo.
Os olhos de Caroline brilharam no mesmo instante e ela correu para a porta que levava para a piscina.
— Onde? Onde? Cadê? Eu não estou vendo – Gritou.
Bonnie rolou os olhos e foi atrás dela apontando discretamente enquanto ria das expressões desejosas de Caroline.
— Então Lena, como vão as coisas? – Indagou Bekah vindo para meu lado.
— Bem, o final de ano foi ótimo, e você?
— Ah eu passei o rodo geral, discretamente é claro, meus pais nem perceberam, eles acharam mesmo que eu ia fazer aulas de surf –Riu-se.
— Você é uma cachorra – Acusei indignada.
—Au-au – Fez sinal com mão – Late que eu estou passando.
Ela se levantou e me puxou pelo braço até o jardim – onde várias garotas se agarravam a animais, opa, garotos – ela riu quando encarei demais duas meninas se beijando e me fez olhar para o campo de futebol.
— Aquele ali – Apontou –É Matt Donavan, um gato não? Meu novo alvo.
Gargalhei perante a sua frase e analisei o garoto, o corpo bem definido, cabelos escuros e lisos com um sorriso espetacular.
— Aquele ali não Elena! – Esbravejou pegando meu queixo e o apontando novamente – Aquele lá.
Sacudi a cabeça e examinei o tal do garoto, ele também era bonito, chegando mais perto do campo pude ver que seus olhos era azuis claros, seu corpo era musculoso e seus cabelos loiros lisos estavam todos grudentos por causa do suor.
— É bonitinho – Falei com a voz fina de sempre que eu tentava esconder minha desaprovação.
— Não seja estúpida, bonitinho era o cara que tirou minha virgindade – Negou com a cabeça e arregalou os olhos.
Eu sabia que Bekah não era mais virgem, mas ela nunca havia falado isso em alto e bom som, então resolvi deixar isso de lado e segui-la para a piscina.
— Aqui – Entregou-me um biquíni ao chegar lá.
— Não sei nadar esqueceu? – Ela abriu a boca em um “aaaahh” e assentiu.
— Elena! Rebekah! –Gritou Caroline.
Olhamos na direção de sua voz e encontramos ela e Bonnie perto da piscina, já de biquíni e bebidas na mão.
— Estou vendo que eu vou ter que dirigir – Disse quando cheguei perto de Caroline e senti o forte cheiro de vodka.
— É você vai sim –Respondeu ela risonha.
Bekah e eu gargalhamos um pouco e Bonnie logo se sentou na mesma espreguiçadeira que Caroline estava.
Depois do almoço Caroline pediu para mim e para Bonn com olhinhos de cachorrinho:
— Coloquem pelo menos um mini short jeans e um top ou blusa curta, por mim, vocês estão vestidas demais.
Revirei os olhos e fui até o banheiro vestir a roupa extra de Bekah, infelizmente ela usaria a mesma que estava úmida em seu corpo, mas acho que ela não ligaria muito para isso já que isso chamaria mais atenção para seu corpo.
Eu preferia ficar com a minha bata, mas Bonnie me fez vestir uma regata verde-piscina cheia de tachinhas. O mini short caiu perfeitamente em mim e chamou a atenção de muitos garotos que ali estavam. Quando já estava perto de Carol e Bekah um deles de cabelos loiros veio falar comigo.
— E aí gatinha? Tudo bem? Sou Stefan, é um prazer conhecer você – Saudou ele enquanto passeava com seus olhos verdes pelo meu busto.
— Não digo o mesmo para você, sai da frente – O empurrei desinteressada.
As garotas riram e me entregaram o protetor solar quando cheguei perto delas.
— Posso passar nas suas pernas – Falou o garoto novamente.
— E eu posso deixar a sua cara vermelha –Afinei a voz e levantei as sobrancelhas sentindo minhas bochechas corarem.
— Ou eu posso chutar as suas bolas, otário! –Ameaçou Carol.
Ele fez cara de dor e saiu apressado, enquanto seus amigos gargalharam. Depois de alguns segundos olhando umas para as outras e gargalhamos também.
— Que idiota –Disse Bonn – Com medo de uma garota.
— Era a Caroline – Argumentou Bekah entre risos –Todo mundo tem medo dela.
— É, ela é assustadora – Concordei.
— Vou nadar – Anunciou Carol – Antes que vocês digam algo que me dê motivos para mata-las.
Bonnie a seguiu e Rebekah se sentou à minha frente esperando o protetor.
— Então, não vai pegar ninguém? – Perguntou
—Me deixa em paz, eu só vim para me distrair mesmo – Levantei as mãos.
Ela riu e tomou o protetor de minha mão, quando ia argumentar ela me virou e passou em meu pescoço e na parte não coberta de minhas costas.
— Prontinho – Disse quando terminou – Passa em mim?
Assenti e passei durante toda a extensão de suas costas, ela sorriu e foi para a piscina, deixando-me a apreciar o vento forte em meu rosto.
Sentei-me em sua cadeira um tempo depois e fiquei olhando as meninas pensando em como seria uma boa experiência aprender a nadar.
— Obrigado – Disse alguém do meu lado.
Quando me virei vi o garoto que analisei pensando ser Matt. Garoto não, homem. Porque com aquele corpo, aquele rosto e aquele sorriso, ele podia ser tudo, menos um garoto.
— Por?
— Bom eu ganhei cem dólares quando você deu um fora no meu amigo ali –Explicou apontando para o nojento Stefan.
— Eu posso o fazer recuperar seu dinheiro dando um fora em você também –Disse enquanto espremia os olhos.
Sua expressão desmoronou um pouco, mas logo se recompôs.
— Eu não sou tão idiota ao ponto de apostar que vou ficar com uma garota – Disse ultrajado.
— Então me desculpe –Falei me levantando.
— Hey –Chamou ele segurando meu braço quando passei por ele – Olha para eles, não tem ninguém olhando.
Realmente não tinha, mas mesmo assim puxei meu braço e entrei para dentro. Eu deveria ter ficado ali, mas de alguma forma eu estava morrendo de vergonha e meu coração palpitava. Me senti extremamente idiota, provavelmente o garoto da conversa estaria me achando uma bela idiota!
De alguma forma eu estava afetada, o que fez com que eu me recriminasse ainda mais pelo modo como agi. Minhas mãos pegajosas por causa do protetor começavam a suar frio e meu fôlego dava indícios de desaparecer.
— Lena tudo bem? – Perguntou Carol.
— Tudo – Ela olhou-me com “o “ olhar e ergueu uma sobrancelha.
— O que Damon Salvatore queria? – Indagou com um sorrisinho safado.
— Me deixa Caroline! Não é nada do que imagina – Esbravejei saindo de perto dela.
— Ui... Ela ficou nervosinha – Gritou.
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