Notas iniciais
Bonjour, meus amores! 🇫🇷✨ Se no capítulo anterior Bella conseguiu apagar parte de Paris com um vibrador americano, neste capítulo ela decide fazer algo muito mais perigoso: desafiar a cultura francesa em plena internet. 🤭 Entre croissants, amizades cada vez mais especiais, chefes insuportáveis, debates linguísticos improváveis e uma quantidade preocupante de tensão com um certo vizinho francês, nossa americana favorita está prestes a descobrir que algumas palavras têm muito mais poder do que parecem. E talvez o maior perigo em Paris não seja a rede elétrica... mas sim um homem chamado Edward Mansen. 😏❤️ Preparem seus cafés, seus croissants e sua capacidade de passar vergonha alheia junto com a Bella. Boa leitura! 🥐✨

Capítulo 2: Le Vagin

A manhã seguinte despertou Paris com uma névoa densa e esbranquiçada que flutuava preguiçosamente sobre o rio Sena, envolvendo as torres de pedra da catedral de Notre-Dame em um abraço fantasmagórico. O frio havia se intensificado, daquele tipo que penetra nos ossos e exige casacos pesados e passos apressados. No quinto andar do edifício da Place de l’Estrapade, a luz elétrica havia sido restabelecida no meio da madrugada, mas a tomada acima da cama de Bella permanecia como uma cicatriz negra de fuligem, uma lembrança literal e carbonizada do fiasco da noite anterior. Bella acordou com o som estridente do despertador do celular às seis e meia. Seus olhos pareciam pesados, o corpo ainda clamando pelo fuso horário de Seattle, mas a descarga de adrenalina que veio ao lembrar-se de que precisava encarar a agência Platt, e, pior, cruzar com Edward Mansen no corredor, fez com que ela saltasse da cama em um segundo.

Para aquela manhã de redenção, Bella escolheu um visual que equilibrava o desespero de causar uma boa impressão com a tentativa de parecer minimamente parisiense: uma saia xadrez em tons de amarelo e preto, uma blusa de gola alta preta e uma boina preta inclinada perfeitamente sobre os cabelos castanhos, que ela havia escovado até que ficassem brilhantes e ondulados. Antes de sair, ela encarou o espelho do banheiro minúsculo, aplicou uma camada generosa de batom vermelho e respirou fundo, repetindo para si mesma seu mantra de marketing de que qualquer crise poderia ser revertida com o posicionamento correto. Ao descer as escadas de madeira, ela pisou com a leveza de um gato ao passar pelo quarto andar, prendendo a respiração por medo de que a porta azul de Edward se abrisse e ela tivesse que encará-lo após a confissão mais humilhante de sua vida. Felizmente, o corredor permanecia em silêncio, exalando apenas o aroma distante de café fresco.

Dez minutos depois, Bella empurrava a porta de vidro de um pequeno e charmoso café de esquina no Quartier Latin, onde o calor do ambiente interno imediatamente embaçou suas pupilas. O local cheirava a manteiga assada, farinha e grãos de café torrados na hora. Sentada em uma mesa redonda de ferro perto da janela, Alice Brandon parecia um raio de sol em pleno outono europeu. Ela usava um casaco oversized azul-turquesa, óculos escuros com armação de gatinho branca e um cachecol de tricô rosa que dava três voltas em seu pescoço miúdo. Quando viu Bella entrar, Alice levantou-se de um salto, agitando as mãos de unhas pintadas de amarelo com tanto entusiasmo que quase derrubou a pequena xícara de porcelana à sua frente.

— Bonjour, minha americana favorita! — Alice exclamou em um tom de voz cantarolante que fez dois senhores franceses que liam o Le Monde no balcão erguerem as sobrancelhas em desaprovação. Alice ignorou-os completamente, puxando Bella para um abraço apertado que cheirava a perfume de baunilha. — Sente-se, sente-se! Eu já pedi croissants e um café au lait para você, porque você parecia alguém que precisava de glicose pura na veia hoje.

— Alice, você é oficialmente o meu anjo da guarda — Bella disse, desabando na cadeira de palha e retirando as luvas de couro, sentindo o calor do café aquecer suas mãos instantaneamente. Ela pegou o croissant dourado e perfeitamente folhado, dando uma mordida que desfez a massa em mil pedaços crocantes. — Ontem foi o pior e o melhor dia da minha vida. Mas, principalmente, o pior.

— Ah, por favor, me conte tudo! — os olhos grandes e expressivos de Alice brilharam com uma curiosidade genuína. Ela se inclinou sobre a mesa de mármore, apoiando o queixo nas mãos, parecendo uma fada ávida por fofocas. — Como foi o primeiro dia com os monstros da Platt? E o vizinho gato? Você sobreviveu?

Bella engoliu o pedaço de croissant, sentindo as bochechas esquentarem em um tom carmesim que denunciava sua vergonha antes mesmo de abrir a boca. Ela olhou para os lados, certificando-se de que ninguém ali entendia inglês o suficiente para prestar atenção no seu relato.

— Eu sobrevivi à Esme, embora ela tenha deixado claro que me considera uma intrusa analfabeta — Bella começou, baixando a voz para um sussurro dramático. — Mas o problema real aconteceu à noite. Sabe o Riley? Meu namorado em Seattle... Bem, nós estávamos em uma chamada de vídeo e as coisas ficaram... um pouco íntimas por causa da distância. Eu peguei um... um brinquedo eletrônico. Um vibrador, Alice. Um vibrador americano de última geração.

Alice abriu a boca em um "O" perfeito, os olhos quase saltando da órbita enquanto absorvia a informação com um deleite indisfarçável.

— Não... você não fez isso — Alice sussurrou, batendo palmas silenciosas.

— Eu fiz. E como a bateria estava fraca, eu liguei o cabo diretamente na tomada da parede usando um daqueles adaptadores de tomada baratos — Bella continuou, cobrindo os olhos com uma das mãos, o horror da lembrança fazendo seu estômago revirar. — Houve uma explosão. Uma faísca azul gigante saiu da parede. O aparelho derreteu na minha mão e, Alice... toda a luz do meu apartamento, do prédio inteiro e de três quarteirões ao redor apagou na hora. Eu causei um blecaute na Place de l’Estrapade com um vibrador defeituoso!

Alice permaneceu em silêncio por exatamente dois segundos antes de soltar uma gargalhada tão alta e cristalina que o garçom do café parou com a bandeja no ar. Ela bateu a mão na mesa, as lágrimas de riso começando a brotar nos cantos de seus olhos enquanto se dobrava para a frente.

— Ai, meu Deus, Bella! Isso é... isso é a coisa mais maravilhosa que eu já ouvi na minha vida inteira! — Alice conseguiu dizer, recuperando o fôlego aos poucos e limpando uma lágrima do rosto. — Você não é apenas uma americana em Paris, você é uma força de destruição em massa do prazer! Você apagou a Cidade Luz!

— Não ria, Alice, por favor! — Bella implorou, embora um sorriso involuntário começasse a surgir em seus próprios lábios diante do humor contagiante da amiga. — O pior não foi o blecaute. O pior foi que o Edward... o vizinho de baixo... subiu correndo com uma lanterna para ver se eu estava bem. E ele entrou no meu quarto. E ele viu. Ele viu o objeto rosa-choque queimado na minha mão, exalando fumaça de plástico frito.

— Ele viu? — Alice quase gritou, inclinando-se ainda mais para a frente, o rosto iluminado por um entusiasmo absoluto. — E o que o chef de cozinha gostoso fez?

— Ele riu. Ele riu até quase chorar — Bella escondeu o rosto nas mãos novamente, sentindo o calor da vergonha. — Mas depois... ele sentou na beirada da minha cama, na escuridão. Ele segurou as minhas mãos para eu parar de me esconder e disse que Paris era difícil mesmo, mas que as coisas iam melhorar. A voz dele, Alice... e o toque dele... Foi a coisa mais intensa que eu já senti. Eu queria que a terra me engolisse, mas ao mesmo tempo eu não queria que ele saísse daquele quarto nunca mais.

Alice recostou-se na cadeira, cruzando os braços e exibindo um sorriso de quem sabia exatamente como aquela história iria terminar. Ela esticou o braço e apertou a mão de Bella com carinho, um gesto que consolidou ainda mais a amizade recente que crescia entre as duas de forma tão natural.

— Escute bem a sua nova melhor amiga, Bella Swan — Alice disse em um tom caloroso e sábio. — Esse namorado de Seattle, o tal do Riley? Ele já era. Um homem que aceita fazer sexo virtual enquanto você está na cidade mais romântica do mundo não merece você. E o Edward? O Edward entrou na sua vida com um feixe de luz no meio do seu apagão. Isso é destino, minha querida. Agora, termine esse café e vá para a Platt. Se você conseguiu sobreviver a um blecaute erótico, você consegue sobreviver a qualquer coisa que aquela agência esnobe jogar em você hoje.

Bella sorriu, sentindo uma onda de coragem genuína preencher seu peito. A presença de Alice era como um escudo de energia positiva que desarmava qualquer rastro de insegurança. Elas se despediram com a promessa de se encontrarem no final de semana, e Bella caminhou em direção ao 8º arrondissement com o queixo erguido e os passos firmes sobre as calçadas úmidas.

O ambiente na agência Platt, contudo, continuava a testar a resiliência de Bella. Quando ela entrou no escritório, Paul e Benjamin estavam reunidos perto da máquina de espresso, cochichando em francês. Ao verem Bella passar, Paul soltou um pigarro audível e murmurou algo que soou como "La Plouc électrique", seguido por um risinho abafado de Benjamin. Bella respirou fundo, ignorando a provocação, e caminhou direto para a sua mesa de trabalho no canto da sala.

Antes que pudesse ligar o notebook, a porta do gabinete de Esme abriu-se com um estrondo suave. A chefe francesa apareceu no vão da porta, vestindo um blazer de veludo cotelê vinho que parecia esculpido em seu corpo, os cabelos presos em um coque banana impecável e uma expressão que irradiava uma tensão glacial.

— Todos na sala de reuniões. Agora — a voz de Esme cortou o ar como uma lâmina de guilhotina.

Bella, Paul e Benjamin levantaram-se imediatamente e seguiram para a imensa sala de conferências com painéis de madeira e uma mesa de vidro maciço. Sobre a mesa, havia várias caixas de veludo azul-marinho com a insígnia dourada da Maison de Parfum Cullen, uma das contas mais antigas, ricas e tradicionais da agência.

— Nós temos um problema grave de diplomacia e negócios — Esme começou, caminhando ao redor da mesa com passos lentos, os braços cruzados sobre o peito. — O senhor Carlisle Cullen, nosso cliente mais vital e o homem que dita os rumos da perfumaria de luxo na Europa, está vindo à agência hoje à noite para uma recepção exclusiva de lançamento de sua nova fragrância, L'Heure Bleue. Tudo precisa estar perfeito. No entanto, a Gilbert Group, em sua infinita sabedoria americana, decidiu que nós precisamos modernizar a linguagem dos nossos produtos paralelos para atrair o mercado jovem.

Esme parou bem atrás da cadeira de Bella, apoiando as mãos no encosto com uma pressão que fez Bella enrijecer os músculos das costas. O perfume de Esme, uma mistura sofisticada de tabaco e rosas, invadiu os sentidos de Bella.

— Como punição pela audácia de seus superiores em Seattle, Mademoiselle Swan — Esme sussurrou perto do ouvido de Bella, a voz carregada de uma ironia venenosa —, eu estou encarregando você da promoção digital do novo produto de saúde íntima da linha de bem-estar da Maison Cullen. Um lubrificante hidratante feminino premium, voltado especificamente para mulheres na menopausa. É um produto elegante, mas que exige uma discrição absoluta.

Paul cobriu a boca com a mão para disfarçar um sorriso de escárnio, enquanto Benjamin fingia analisar um relatório em seu tablet. Bella sentiu o sangue subir para o rosto, mas manteve o olhar fixo em Esme.

— Eu posso fazer isso, Esme — Bella respondeu, forçando a voz a soar firme e profissional. — O mercado de bem-estar íntimo feminino está explodindo nos Estados Unidos, é uma questão de empoderamento e...

— Aqui não estamos nos Estados Unidos, Mademoiselle Swan — Esme interrompeu rudemente, caminhando de volta para a cabeceira da mesa. — Aqui nós tratamos o assunto com a elegância francesa. O texto de apresentação que a equipe de tradução nos enviou para aprovação do cliente é este. Paul, por favor, leia.

Paul pigarreou, pegando uma folha de papel timbrado com um sorriso malicioso.

— “Le Vagin: un sanctuaire de douceur qui mérite le plus grand respect e le soin le plus délicat do Dr. Cullen” — Paul leu em um tom solene e teatral.

Bella franziu a testa, processando as palavras em francês que havia começado a estudar. Ela juntou os pedaços do vocabulário em sua mente e, de repente, algo estalou em seu cérebro de profissional de marketing. Ela piscou, olhando para a folha de papel e depois para Esme.

— Esperem um minuto... — Bella disse, inclinando-se para a frente, a testa franzida em legítima confusão. — Vocês usaram o artigo masculino? Le vagin? Le é para palavras masculinas. A palavra vagina em francês é... masculina?

— Oui, Mademoiselle Swan — Benjamin respondeu com um de seus sorrisos intelectuais condescendentes. — Na gramática francesa, a palavra vagin é um substantivo masculino. É uma regra linguística elementar.

Bella soltou uma risada curta, uma mistura de incredulidade e indignação que escapou antes que ela pudesse conter. Ela olhou para Esme, cujos olhos cinzentos se estreitaram imediatamente diante da reação da americana.

— Mas isso é... isso é insano! — Bella exclamou, gesticulando com as mãos de forma enfática. — Como a palavra que define o órgão reprodutor feminino mais íntimo de uma mulher pode pertencer ao gênero masculino? É a anatomia de uma mulher! Isso é a própria definição de propriedade patriarcal na linguagem! Uma mulher francesa não é dona nem do gênero da sua própria biologia?

— É a nossa língua, Mademoiselle Swan. Nós não questionamos a estrutura do nosso idioma por caprichos de ativismo americano — Esme respondeu, a voz fria como gelo, embora uma veia sutil começasse a pulsar em sua têmpora. — O texto está aprovado. A sua única função é garantir que a campanha digital de lançamento seja enviada para os veículos de luxo sem erros de digitação. A reunião está encerrada.

Bella voltou para a sua mesa com o estômago fervendo de uma indignação que misturava marketing com justiça social. Ela encarou a tela do computador, onde a frase “Le Vagin: un sanctuaire do Dr. Cullen” parecia zombar de sua inteligência. Ela sabia que, se lançassem a campanha daquela forma nos mercados globais, os jovens consumidores iriam achar a abordagem antiquada, fria e desprovida de qualquer conexão real com o público feminino moderno.

Tomada por um impulso audacioso e sabendo que seu emprego já estava na corda bamba de qualquer forma, Bella pegou o seu celular pessoal. Ela abriu o aplicativo do Twitter e da conta do Instagram @Bellainparis, que agora contava com apenas três seguidores (incluindo Alice e uma conta de spam de criptomoedas). Ela tirou uma foto da folha de papel com o texto da campanha e, na legenda, digitou em inglês e em um francês traduzido pelo aplicativo:

“Eu acabei de descobrir que na França, a palavra vagina é MASCULINA (Le Vagin). Sério, Paris? O órgão que pertence inteiramente às mulheres é propriedade da gramática masculina? Uma mulher não pode ser dona nem da própria palavra que a define? Isso é sexy, científico ou apenas um erro de marketing estrutural? #LeVaginÉFeminin #BellaInParis #CullenWellness”.

Ela pressionou o botão de publicar, soltando um suspiro longo. Era um desabafo. Uma provocação que ela achava que morreria no limbo da internet, vista apenas por Alice em sua pausa de babá no parque. Bella guardou o celular na bolsa e focou em organizar as planilhas burocráticas que Paul havia jogado em sua mesa, tentando esquecer a sensação de impotência que o escritório lhe causava.

A noite chegou trazendo consigo a sofisticação e o glamour das elites parisienses. O saguão principal da agência Platt foi transformado em um salão de festas minimalista e luxuoso para a recepção da Maison de Parfum Cullen. Velas perfumadas com notas de sândalo e âmbar iluminavam os cantos da sala, e garçons vestidos com ternos impecáveis circulavam entre os convidados oferecendo taças de champanhe Dom Pérignon e canapés de caviar. As mulheres usavam vestidos de alta costura em tons de preto e cinza, e os homens ostentavam relógios caríssimos e conversavam em sussurros polidos.

Bella permanecia em um canto perto da mesa de doces, sentindo-se visivelmente deslocada em sua saia xadrez amarela, segurando sua taça de champanhe como se fosse um bote salva-vidas. De longe, ela observou a entrada de Carlisle Cullen.

Carlisle era um homem extraordinariamente atraente, de uma forma madura e imponente. Ele aparentava estar no início dos seus quarenta anos, com cabelos loiros perfeitamente penteados para trás, olhos de um azul-claro brilhante que exalavam magnetismo e uma postura que misturava a precisão de um cientista com a elegância de um aristocrata. Ele usava um terno de três peças azul-da-prússia que parecia desenhado em seu corpo. Quando Carlisle entrou no salão, Esme Cullen imediatamente se aproximou dele. Bella notou, com sua percepção aguçada para detalhes, um sutil e quase imperceptível milímetro de mudança na postura de Esme: seus ombros relaxaram, os olhos cinzentos ganharam um brilho suave e caloroso que Bella nunca vira antes, e a mão de Esme tocou o antebraço de Carlisle por um segundo a mais do que a etiqueta profissional exigia. Havia uma eletricidade silenciosa, um segredo compartilhado entre os dois que flutuava no ar. Carlisle era o amante secreto de Esme.

Enquanto Bella analisava a dinâmica do casal, o celular em sua bolsa começou a vibrar de forma frenética. O aparelho vibrava uma, duas, três, dez vezes seguidas, emitindo uma série de bipes que começou a chamar a atenção das pessoas ao seu redor. Franzindo a testa, Bella retirou o celular da bolsa e olhou para a tela. Suas pupilas se dilataram e seu coração parou por um segundo inteiro.

O tuíte e a postagem no Instagram sobre o #LeVagin haviam explodido. O número de notificações subia em uma velocidade geométrica na tela: 500 curtidas, 2.000 compartilhamentos, 10.000 visualizações... E o número não parava de crescer. A hashtag que ela criara estava nos Trending Topics da França. Com os dedos trêmulos, Bella clicou na notificação principal que havia causado o efeito cascata e leu o comentário que havia sido deixado no topo de sua postagem.

A conta oficial de Brigitte Macron, a primeira-dama da França, havia compartilhado o tuíte de Bella com a seguinte mensagem em francês e inglês: “Uma reflexão linguística fascinante e necessária trazida pela nossa nova visitante americana. A linguagem molda a sociedade. Talvez seja hora de repensarmos o gênero do respeito. #LeVaginÉFeminin”.

— — Meu Deus... — Bella sussurrou, a voz sumindo de sua garganta enquanto sentia o chão sumir sob suas botas de salto alto.

Antes que ela pudesse processar o tamanho do desastre ou do triunfo, uma movimentação tensa começou no centro do salão. Paul e Benjamin correram em direção a Esme, mostrando a tela de seus respectivos celulares com expressões de absoluto pânico. Esme olhou para o visor, o rosto perdendo a cor rosada instantaneamente e assumindo uma palidez cadavérica. Ela ergueu os olhos cinzentos e localizou Bella no canto da sala, fixando nela um olhar de puro ódio corporativo.

Esme caminhou a passos largos e firmes em direção a Bella, rompendo a barreira de convidados como um trator de alta costura, seguida de perto por Carlisle Cullen, que mantinha uma expressão de profunda curiosidade em seu rosto aristocrático.

— Mademoiselle Swan! — Esme sibilou, a voz saindo baixa mas carregada de uma fúria que fez os pelos do braço de Bella se arrepiarem. — O que significa isso? Você quebrou o protocolo de confidencialidade da agência! Você expôs um produto de um cliente de forma vulgar nas redes sociais e envolveu a primeira-dama da França em um debate anatômico! Você tem noção de que acabou de destruir a reputação de décadas da Platt e da Maison Cullen em um único post?

— Esme, por favor, me escute — Bella gaguejou, dando um passo para trás até que suas costas batessem na parede de madeira. — Foi um insight... foi uma reação genuína sobre a linguagem. Eu não achei que...

— Você está demitida, Mademoiselle Swan! — Esme declarou, apontando o dedo indicador para o rosto de Bella, os lábios tremendo de raiva. — Pegue suas coisas e volte para Seattle no primeiro voo de amanhã. Eu não vou tolerar uma caipira americana destruindo o meu...

— Espere um momento, Esme — a voz rica, calma e profunda de Carlisle Cullen ecoou no espaço, interrompendo a chefe da agência de forma imediata.

Carlisle deu um passo à frente, colocando-se entre Esme e Bella. Ele retirou o próprio celular do bolso do teto, olhando para a tela com um meio-sorriso fascinado que iluminou seus olhos azuis. Ele olhou para Bella, avaliando-a com uma admiração genuína que pegou todos de surpresa.

— Dr. Cullen, por favor, eu peço desculpas pela incompetência dessa garota... — Esme tentou intervir, a voz subitamente suave e defensiva.

— Esme, olhe os números reais — Carlisle disse, virando a tela do celular para ela. — A menção à nossa marca de bem-estar íntimo subiu quatrocentos por cento na última hora. O nosso site de pré-venda do lubrificante acabou de sair do ar por excesso de tráfego de mulheres de toda a Europa querendo comprar o produto. O debate sobre o gênero da palavra gerou uma conexão emocional com o público feminino que nós nunca conseguiríamos com aquela frase fria e médica que vocês haviam criado. A primeira-dama validou o nosso produto como um símbolo de modernidade e respeito.

Carlisle guardou o celular e estendeu a mão direita para Bella, um sorriso caloroso surgindo em seus lábios perfeitamente desenhados.

— Você deve ser a Isabella Swan. Victoria me falou muito sobre a sua mente brilhante em Seattle. Você acabou de transformar um lançamento de nicho no maior evento digital da história da minha empresa, Mademoiselle Swan. Parabéns pela audácia. É exatamente dessa perspectiva americana que a Platt precisava para entrar no século vinte e um.

Bella apertou a mão de Carlisle, sentindo o coração voltar a bater em um ritmo normal, uma onda avassaladora de alívio e triunfo lavando sua alma.

— Obrigada, Dr. Cullen — Bella disse, sustentando o olhar dele com firmeza e dedicando a Esme um olhar discreto de vitória profissional. — O luxo também pode ser democrático e inteligente.

Esme permaneceu estática por alguns segundos, os punhos cerrados ao lado do corpo, o maxilar tenso enquanto processava que a americana não apenas havia sobrevivido ao seu ataque, mas havia se tornado a heroína do cliente mais importante da agência. Esme forçou um sorriso rígido, engolindo o próprio orgulho antes de falar.

— Bem... parece que o seu método vulgar teve... um resultado inesperado, Mademoiselle Swan — Esme disse, a voz saindo com a textura de vidro quebrado. — Você permanece na agência. Por enquanto. Volte ao trabalho amanhã. Nós temos muito o que planejar para gerenciar essa crise... ou esse triunfo.

A recepção terminou por volta da meia-noite. Bella saiu do edifício da Platt sentindo-se flutuar, a exaustão física completamente eclipsada pela sensação inebriante de ter salvado seu próprio emprego e provado seu valor diante daqueles que a desdenhavam. O Instagram @Bellainparis agora ostentava a impressionante marca de quinze mil seguidores em menos de vinte e quatro horas.

Ao chegar ao seu prédio na Place de l’Estrapade, ela subiu as escadas com passos lentos, o corpo finalmente relaxando. Quando alcançou o patamar do quarto andar, a porta azul-escuro abriu-se silenciosamente.

Edward Mansen estava parado no vão da porta. Ele não usava mais as roupas desleixadas de moletom da noite anterior; vestia uma calça preta justa e uma camisa de botões azul-escura com as mangas dobradas, exalando aquele aroma magnético de alecrim e especiarias. Seus olhos cor de topázio fixaram-se em Bella com uma intensidade que fez o estômago dela dar um nó imediato de expectativa.

— Boa noite, Bella — ele disse, a voz baixa e aveludada ecoando no corredor silencioso. Um sorriso charmoso e ligeiramente irônico surgiu em seus lábios. — Eu vi as notícias nas redes sociais hoje à noite. O mundo inteiro está falando sobre o seu debate gramatical. Parece que a americana eletrizante do quinto andar decidiu iluminar Paris de uma forma totalmente diferente hoje.

Bella parou diante dele, a poucos centímetros de distância, sentindo o calor do corpo de Edward irradiar em sua direção no corredor frio.

— Boa noite, Edward... — ela respondeu em um sussurro, olhando para aqueles olhos claros que pareciam ler seus pensamentos mais íntimos. Ela soltou uma risada baixa. — Digamos que eu preferi focar a minha energia no marketing hoje. É bem menos perigoso para a rede elétrica do bairro.

— Uma pena... — Edward comentou, dando um meio-passo à frente, a proximidade fazendo com que Bella conseguisse ver as nuances douradas em suas pupilas. A voz dele caiu para um tom quase confidencial. — Eu confesso que achei a escuridão da noite passada incrivelmente interessante. Mas fico feliz que você tenha vencido a Esme. Ela pode ser... implacável.

— Eu tive uma boa motivação — Bella disse, sustentando o olhar dele, sentindo uma tensão romântica tão palpável entre os dois que parecia quase um elemento físico no corredor. — Alguém me disse ontem à noite que a cidade ia melhorar. E parece que essa pessoa estava certa.

Edward permaneceu em silêncio por alguns segundos, olhando para os lábios vermelhos de Bella com uma intensidade que fez a respiração dela falhar. Ele ergueu a mão lentamente, como se fosse tocar uma mecha de cabelo que caía sobre o ombro dela, mas hesitou por uma fração de segundo e recolheu os dedos, mantendo a postura de um perfeito cavalheiro francês.

— Descanse, Bella — ele disse suavemente, dando um passo para trás em direção ao interior de seu apartamento. — Amanhã o seu público na internet vai querer saber qual será o seu próximo passo para revolucionar a nossa cultura.

— Boa noite, Edward — Bella respondeu, sentindo um frio maravilhoso no estômago.

Ela subiu o último lance de escadas para o seu quarto, o coração batendo em um ritmo acelerado que não tinha nada a ver com o marketing ou com as redes sociais. Ao fechar a porta de sua chambre de bonne, ela deitou-se na cama olhou para a tomada queimada na parede e sorriu na escuridão, sabendo que, apesar de todos os desafios, ela estava exatamente onde deveria estar. Paris começava a render-se ao seu otimismo americano, e o misterioso chef do quarto andar estava se tornando um enigma que ela desejava desesperadamente decifrar.

Notas finais
E foi assim que Bella Swan conseguiu fazer o que ninguém na Platt imaginava ser possível: sobreviver à Esme, conquistar Carlisle Cullen e iniciar uma discussão nacional envolvendo gramática, feminismo e anatomia feminina. Tudo isso antes de completar uma semana em Paris. 😂🇫🇷 Confesso que existe algo poeticamente caótico no fato de Bella ter começado sua jornada apagando a Cidade Luz e terminado iluminando toda a internet francesa. Mas, entre hashtags virais, milhões de visualizações e uma carreira finalmente começando a decolar, eu acho que todos nós sabemos qual foi o verdadeiro destaque deste capítulo... 👀 Porque Edward apareceu por apenas alguns minutos e mesmo assim conseguiu deixar o coração da Bella, e provavelmente o de vocês também, completamente desregulado. E aquela quase carícia? Aquele olhar? Aquele "Boa noite, Bella"? Senhor amado... 😭❤️ Quero saber tudo nos comentários: vocês ficaram do lado da Bella no debate do #LeVagin? O que acharam da amizade dela com a Alice? E principalmente... vocês já estão apaixonadas pelo Edward ou ainda estão tentando resistir? 🤭 Nos vemos no próximo capítulo de Paris Is Always a Good Idea. Com amor, Giozpattz 🥐🗼💕