Paredes de ar
22 O amor é uma maldição
O sangue era quente e seus dedos, frios.
Amar o homem que era a desgraça de um povo era trair a todos que um dia conhecera. Conhecidos que Nádia não amava. E por esses não amados ela matou um homem mau que no entanto a amara como ninguém jamais poderia.
Nádia sacrificou sua felicidade pela felicidade de tantos. Um altruísmo inigualável.
Nádia sabia.
Ante o corpo embebido em carmesim ela se lembrava dos anos gastos planejando o golpe, o ato heroico que libertaria tantos.
Então Nádia aprendeu:
A morte era fria, como seus dedos embebidos em sangue.
E a vitória como o quadro abstrato na parede: genial, mas sem significado.
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