Paredes Finas

7 De Beyoncé ao Silêncio [Gilbert]


Notas iniciais
Nooooossa eu fiquei tão abofada pra postar o capítulo anterior que eu acabei esquecendo algumas explicações. Segue no final de capítulo~ E pra quem quer saber: eles não almoçam juntos porque fazem isso na faculdade e/ou na rua... (a não ser os sábados e domingos. E nos domingos sempre tem torta)

Cara, as vezes a vida parece que assume uma vontade enorme de te sacanear, como estava fazendo no exato momento. Porque por mais que eu tentasse me distrair nada nesse mundo conseguia tirar a imagem de Roderich bêbado em cima do meu colo, se debatendo e se esfregando bem em cima do meu...

E pior, eu sabia que tudo havia sido acidental. Porque nunca que o jovem mestre iria se jogar em cima de mim dessa forma. Qualquer outra pessoa tudo bem, mas ele não. Apesar de que havia sido também bem esquisito a forma que ele pegava nos meus braços como se estivesse gostando. Nah, não era como se eu fosse a opção sexual dele.

Porém! O problema aqui justamente era que o jovem mestre era a minha opção sexual. Digo, a minha opção na maioria das vezes é caiu na rede é peixe, se é que me entende, kesesese. Mas Roderich estava sendo demais e isso já estava começando a me incomodar. Bem, não é como se ele estivesse se esforçando em me seduzir ou algo parecido, eu posso dizer que eu não o culpo essa vez pela sua bruxaria. O problema, cara, era eu. Porque desde que eu comecei com essa história de jantar na casa do Rod – o que foi a melhor ideia que ele poderia já ter tido, cara a comida dele era realmente um delícia – eu não conseguia parar de pensar em como o Rod era atraente. Arg, como eu queria poder negar isso, dizer “Nah, é só o jovem mestre! O almofadinha enjoado que só sabia reclamar de tudo e agir como um maldito riquinho!” mas eu simplesmente não conseguia quando ele me lançava aqueles pequenos sorrisos destruidores, quando afastava a franja do cabelo dos olhos naquele tom surreal de violeta, ou mesmo quando ele estava mais descontraído e usava uma camisa preta que delineava o seu corpo magro e pequeno. Isso era revoltante! Que palhaçada, por que o Rod tinha que ser tão bonito e tão tão o meu tipo? Não fosse por tudo que já tinha se passado entre a gente eu não teria poupado os esforços em arrastar ele pra cama, já digo logo.

Mas felizmente a minha mente não estava tão insana à tal ponto. Para a nossa boa saúde, eu sempre me lembrava o quanto o jovem mestre poderia ser um chato de galocha e mesmo se ele gostasse de caras – o que não era o caso – eu dificilmente seria o tipo dele. Ok eu posso ser incrível mas eu sei muito bem quando eu sou inadequado, ok? E além disso, o jovem mestre já mostrou muito bem que ele não é do tipo que curte casos de uma noite. O que ele precisava era de um relacionamento bom, saudável e duradouro. E por mais que eu também queira isso eu ainda não sabia se eu conseguiria me manter num relacionamento e...

Cara, que louco! O que eu to pensando? Digo, em um momento eu to pensando em como o jovem mestre apesar de tudo é até bem sexy e no outro estou pensando em um relacionamento com ele? Desde quando eu fantasio que nem uma garotinha do ensino médio? Fala sério.

Ok, Gilbert, chega dessa historinha de pensar em como seria namorar o jovem mestre. Ou até mesmo como seria dar uns pegas nele. Roderich Edelstein era bola fora, ele era um chato cheio de manias, que tinha olhos lindos, era muito cheiroso e por acaso sabia cozinhar muito bem.

Arggg!

Por exemplo, neste momento ele estava me chateando com as compras no mercado.

— Macarrão integral, jovem mestre? Você ta falando sério? — eu perguntei censurando-o quando o vi se dirigindo à sessão de comida light.

— Ora, e qual é o problema? É saudável. — ele me respondeu com o ar mesquinho que eu sempre odiei. Bufei.

— Pode levar o quanto você quiser desses, mas eu não vou pagar. Comida integral não é nada incrível. — resmunguei, ao que ele revirou os olhos e deixou o macarrão com frescura na prateleira.

— Ta certo, tá certo. Mas eu não quero ouvir resmungo de quem se alimentou só de pizza e macarrão instantâneo por quatro semanas. — ele respondeu, voltando a andar com o carrinho.

— Kesesese, e mesmo assim estou melhor que você, não é? — provoquei.

— C-como é? — ele virou-se para mim com o rosto já vermelho e eu me deleitei com a sua expressão.

— Estou me referindo à sua falta de músculos, jovem mestre. — apontei para os seus braços finos e ele deu um passo para trás, franzindo as sobrancelhas em irritação.

— Eu... — ele ajeitou o óculos na ponte do nariz num gesto que eu estava começando a achar um tanto charmoso — Eu não gosto muito de exercícios físicos, por isso eu compenso consumindo baixas calorias.

Eu comecei a rir e ele pareceu ficar ainda mais vermelho. Enquanto pegava um pote de iogurte da geladeira eu reparei que ele tentava se encolher nas suas roupas de frio.

— Logo se vê que você não gosta de exercício físico, aristocrata. Mas não sei como alguém que cozinha tão bem consegue não engordar.

Opa, aquilo saiu totalmente sem querer! Não que eu quisesse elogiar a cozinha dele e tal, apesar de eu não estar falando nenhuma mentira. Senti meu rosto esquentar, mas ao me virar para o Rod vi que ele estava muito mais vermelho do que eu. Pior que eu nem consegui tirar sarro da situação, visto que eu estava constrangido com meu comentário acidental. Prossegui com as compras, fazendo ele me acompanhar pelos corredores. Mas ao passarmos na sessão de frutos do mar, Roderich ficou agitado e passou direto, apressando o caminho direto para a próxima sessão.

— Ei, jovem mestre! O que foi?

— Nada de peixes. — ele disse somente e eu dei de ombros, também foi fazendo muita questão.

Tivemos outra breve discussão pois o jovem mestre não queria dividir a cerveja comigo, então eu decidi boicotar o bolo de café que ele tanto queria. Afinal entramos num consenso e teria tanto a cerveja quanto o bolo de café.

Trouxemos as compras num táxi e eu ajudei a subir as sacolas mais pesadas pelas escadas. Francamente, aquele prédio podia ser histórico mas um elevador ajudaria tanto. Rod disse para deixar as compras em conjunto no apartamento dele, mas ao surgir no corredor o que eu encontro?

Os melhores e mais pilantras amigos do mundo!

— Hey, Toni! Francis! — cumprimentei o francês e o espanhol, que estavam ne esperando do meu apartamento. Havíamos marcado hoje mais cedo mas acho que acabei me enrolando um pouco no supermercado com o Rod.

— Oh, finalmente você chegou, Gil! Eu já estava desistindo de esperar! — disse Francis de modo teatral como sempre.

— Nah, ele nem demorou tanto assim, Fran. — respondeu Antonio com seu habitual sorriso — E aí, Gil? Fazendo compras responsavelmente, você?

— Ah, na verdade eu to com o Rod, kese. Faz parte de um acordo nosso. Rod, lembra-se do...?

Me virei a procura do jovem mestre e eu o encontrei pálido, parado no começo do corredor encarando a nós três como se estivesse vendo um fantasma. Estreitei as sobrancelhas em estranhamento, não entendendo porque de repente o jovem mestre parecia tão nervoso. Mas antes que eu pudesse lhe perguntar o que houve, Antonio o cumprimentou:

— Roderich, quanto tempo! Como vai? — o meu amigo abriu um sorriso simpático habitual, mas um estranho rubor espalhou-se pelo rosto do jovem mestre e eu me senti incomodado por não ter sido eu o responsável pelo seu rubor.

— Carriedo, estou ótimo. Obrigado por perguntar. — ele respondeu educadamente, mas eu sabia que havia algo errado. — Bonnefoy. — ele acenou com a cabeça para o francês.

— Já disse que para você é Francis, chérie. Nos acompanha hoje? — o francês levantou uma sacola com cerveja em sinal de suas pretensões.

— Agradeço pelo convite mas não. Ahn.. Eu vou entrando. — eu vi pela forma que desviava o olhar que ele estava sentindo-se bastante constrangido. Mas constrangido pelo quê? Meus amigos?

Sem dizer mais nada ele correu para o apartamento e bateu a porta, me deixando com a mais perfeita expressão de tacho. Cara, entendi nada. Eu ouvi Antonio rindo e Francis deu de ombros. Estalei a língua e arremecei a chave da minha casa para o francês, dizendo:

— Vão entrando, eu tenho que levar essas sacolas aqui.

Peguei as sacolas de compra que ainda sobravam comigo e sem bater na porta nem nada entrei no apartamento do Rod, que estava colocando as compras na cozinha e ainda parecia estar estranhamente nervoso.

— Hey, Rod. Aconteceu alguma coisa? — perguntei tanto não soar tão preocupado.

— Nada! — ele respondeu rápido demais, o que caracterizava como uma mentira — Não foi nada. Ahn, Gilbert, se não se importa eu vou passar o restante do dia treinando.

— Tá beleza. — minha sobrancelha ainda estava arqueada com curiosidade, mas decidi não prolongar o assunto. Me despedi rapidamente e sai do apartamento dele, pensando no que podria ter chateado o jovem mestre.

.x.

— Vocês não valem o prato que comem, seus dois babacas. — disse distribuindo as latas de cerveja para os meus amigos, me referindo a conversa anterior em que os dois fofocavam sobre alguns antigos colegas de classe.

— Ah, mon bon amie Gil, pelo menos salve o Toni. Ele, na maior parte do tempo pelo menos, é um bom moço!

— É um lobo em forma de cordeiro isso sim. Kesesese. — dei um gole na minha cerveja e meu joguei no tapete da sala ao lado do meu amigo espanhol.

— Poxa, está sendo injusto comigo, Gil!

— Injusto? — eu ri — Então o que você fez com o Rod pra ele ter entrado em pânico e saído correndo como um coelho assustado quando o cumprimentou?

Antonio soltou uma risada mas demorou alguns segundo para responder, olhando com o ar pensativo para a sua garrafa.

— Engraçado que ele esteja morando ao seu lado depois desse tempo, não é? Bem, Roderich deve ter ficado incomodado quando me viu por causa de... Certas coisas do passado.

A minha garrafa parou no caminho para a boca e eu arqueei a sobrancelha, parando para olhá-lo sem saber se eu havia entendido mesmo o que ouvira ou não.

— Certas coisas do passado? Quê?

— Hum, não conheço essa história. — Francis largou o controle do video game e virou-se em nossa direção, não resistia a uma boa fofoca, o maldito — Racontez cette histoire, Toni!

— Ahn... Bem... Pouco tempo depois da formatura nós nos encontramos num bar à noite e nós... Bem... Transamos. — ele desviou o olhar disfarçando o constrangimento rindo — Heh. Mas garanto que na época eu mal conhecia o Lovi e...

— O QUÊ?

Eu praticamente cuspi minha cerveja completamente atônito. O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? Quer dizer que além da chocante notícia do jovem mestre, meu antigo desafeto, atual amigo e candidato a amigo além de ser bissexual — posso ser mais claro? Ele também se relacionava com caras! — também havia transado com o Toni. O TONI! E eu nunca fiquei sabendo disso? Cara o que ta acontecendo com o mundo!

— Que babado, Toni! E quando pretendia nos contar? — Francis também parecia bastante chocado.

— Bem, eu não pretendia. Foi um caso meio rápido e o Roderich pediu para não contar e tudo mais.

— O quê? Eu não acredito, vocês dormiram mais vezes? Você teve um caso com o Roderich? — eu não conseguia disfarçar o meu completo choque e também interesse por aquela história.

— Olha, na verdade não foi nada demais, sabe... Durou, sei lá, um mês. — começou o espanhol, dando de ombros — E até foi legal mas Roderich disse que não ia dar certo então resolvemos deixar por isso mesmo, só não sabia que ele ia tratar isso com tanta vergonha. Fusososo. Mas agora eu sou totalmente fiel ao meu Lovi.

— Eu não acredito que você teve um caso com o Roderich. — eu disse num tom que eu não queria que tivesse soado chateado.

— Gilbert, si vous plaît, não precisa ser tão exagerado. — Francis revirou os olhos.

— Eu pensei que ele nunca tinha gostado do Roderich, vivia infernizando o pobre coitado na escola.

— Ah, mon cher Toni. Nosso amigo Gilbert queria chamar atenção da sua paixonite Roderich, nunca percebeu? — o francês disse nada mais do que com pura malícia.

— Ahn? Eu sempre pensei que ele gostasse da Elizaveta. — já Antonio soava inocente.

— Era isso que ele também pensava. — Francis riu.

— Cale a boca, francês maldito. Eu só estou um pouco impressionado que o Rod faça esse tipo de coisa, só isso. — respondi ainda meio aborrecido.

— Olha eu tenho que dizer que o Roderich é até bastante bom de cama.

Em momentos como esse eu amaldiçoava a minha pele albina, pois eu acabada de ficar completamente ruborizado, não conseguindo nem disfarçar o tom de vermelho das minhas bochechas e pescoço. Mordi o canto inferior da bochecha e desviei o olhar. Não, eu não estava neste exato momento imaginando em como seria os atributos do jovem mestre na cama! Mas arg, a imagem mental agora não queria ir embora e o fato do Rod ser, bem, bonitinho — bonitinho? Bonitinho nada, ele era sexy mesmo — não ajudava muito.

Eu queria dar um tapa na minha cara.

— Meu Deus, Toni. Cale a boca.

Francis começou a gargalhar, não ajudando nada meu desconforto.

— Ahw, mas ele está com ciúmes de coisas do passado? Que adorável, Gilbert!

— Francis, cale a boca. — disse, irritado — Aliás, eu transei com o Mattew. — acrescentei para me vingar.

Os seus olhos azuis se estreitaram numa sombra ao me fitar, mas logo desapareceu. Aquele francês nunca fora adepto ao ciúmes.

— Perfeito, agora só falta eu arrastar o pequeno Romano para a minha cama e...

— O Lovi não vai para lugar nenhum, seu pervertido! — Antonio choramingou, bem, aquele sim era adepto ao ciumes, e aue ciúmes quando se tratava do pequeno italiano dele — Gilbert, me desculpa eu não sabia que você gostava dele!

— Eu não gosto dele, pela santa paciência! — revirei os olhos. — Agora chega desse papo, eu vou atirar tanto em vocês no Halo hoje que vocês ver só uma coisa. — tentei me afastar daquele assunto tomando o controle do vídeo game de Francis.

— Está certo, mas... — Toni sussurrou — Aquela coisa de ser bom de cama, eu não estava exagerando. Se eu fosse você pelo menos tentava experimentar antes de desdenhar.

— Oui, estou ouvindo. Se você não quiser Gilbert, eu quero!

Meu rosto voltou a ficar vermelho. Não devo imaginar o jovem mestre pelado na minha cama! Não devo imaginar o jovem mestre pelado na minha cama! Talvez se eu repetisse mais um pouco a imagem mental ia embora.

— Calem a boca!

Comecei a jogar contra Antonio, tentando tirar esse assunto da minha cabeça. Rod era bissexual? Legal, eu não tinha nada a ver com isso. Antonio havia transado com ele? Ótimo, bom pra ele. Eu não gostava e nunca gostei do jovem mestre, pelo amor da mãe Prússia! E não, eu não estava interessado em transar com ele. O que rolava entre a gente era um lance de amizade, até porque o Rod não parecia interessado em outra coisa e eu não tinha vocação para ser o namorado dele. Quero dizer, nós mal nos suportávamos!

— Ok, ok, mas mudando de assunto mas nem tanto... O que você tava fazendo carregando as compras com ele, Gil? — perguntou o espanhol sem tirar os olhos do vídeo game.

— Ah... — de alguma forma eu me senti um tanto constrangido em falar sobre o assunto — A gente meio que tem... Um lance de dividir comida já que eu to meio sem poder cozinhar e tudo mais. — eu disse mordendo o interior da minha bochecha. Infelizmente eu não conseguia manter segredo dos meus bros.

— Você está vendo, mon amie Toni. O nosso amigo Gil aqui agora é casado! — o francês alfinetou lançando aquele sorriso pretensioso, e cara eu sabia que eu tava tendo aquele momento de ficar todo vermelho por causa da maldita pele branca. Oh, malditos genes albinos! (Porém incríveis porque eu sou incrível, kesesese).

— E você pode falar alguma coisa, Francis? Devo lembrar que você e o...

— Eu e meu querido companheiro de quarto temos um contrato, e você com o seu vizinho? — ele respondeu se saindo bem melhor da situação do que eu. Bufei em resposta. — Ou será que... Ohhh, Gil! Então você quer mesmo algo com o nosso encantador Roderich?

— Como se você não quisesse também. — eu dei careta, desistindo de tentar negar mais alguma coisa para aqueles idiotas.

— Você está absolutamente correto, meu amigo Gil.

.x.

— Isso é ridículo. Sério, Gilbert, como você consegue assistir uma coisa dessas? É nojento.

— Ei, qual é! Eu não falo essas coisas quando estamos vendo aquele seus filmes nada incríveis melo-dramáticos, urg.

Era uma sexta à noite e eu me vi novamente no apartamento do jovem mestre assistindo filme junto dele ao invés de estar enchendo a cara em algum bar com os meus amigos e arranjando alguém para arrastar para a minha cama. Não que eu estivesse reclamando, afinal ninguém me obrigou a escolher uma noite caseira com Roderich do que uma zoera entre amigos. Além disso ele nem parecia mais se importar com as minhas visitas e eu — infelizmente eu tinha que admitir — estava começando a me acostumar com estes momentos.

O filme desta noite era Pacific Rim, e fala sério o filme nem tinha nada demais e o Rod não parava de fazer comentários durante o filme o quanto tudo era grotesco, repugnante e sem sentido. Qual é, eu nem tinha posto algo como Alien ou Centopéia Humana para ele ficar com nojinho! E mesmo depois que o filme terminara ele não conseguia aceitar que ele tinha acabado de ver um bom filme de monstro. Arg, aristocratas.

— Porque os meus filmes são de bom gosto. — ele alfinetou, cruzando os braços e fez um bico.

— Diga por si mesmo. — eu imitei o gesto dele, no que o ele abriu a boca parecendo se lembrar.

— Oh, vai me fazer me desculpar de novo? Eu não sabia que você não gostava de filmes de guerra!

— Tá de boa, jovem mestre. — eu disse em tom de brincadeira ao ver que ele estava começando a se sentir culpado mais uma vez. — Maaas eu só vou esquecer completamente se você fizer aquela torta de floresta negra que você faz tão bem, hum?

Nos levantamos para lavar a louça. Até essa tarefa parecia estar se tornando cotidiana para nós. Eu lavava os pratos (pois já havia percebido como Rod odiava o fato de sujar suas preciosas mãos de pianista numa tarefa tão mundana quanto lavar a louça. E sério, eu já havia reparado que as vezes ele deixava montes de louça rolar por dias pois ele se recusava ou tinha muita preguiça em lavar) enquanto ele secava e guardava no armário. E era em momentos como esse que eu percebia que as provocações dos meus amigos sobre eu ser casado com o Rod até tinha alguma verdade. NÃO que eu me considerasse um homem casado. Eu, Gilbert Beilschmidt casado? Aham. E principalmente com o jovem mestre? Fala sério, até porque nunca rolou nada entre a gente.

E nem seria agora que iria rolar.

Não mesmo.

— Hein, Rod, eu estava pensando...

— Sim?

Eu havia pensando que esse ritmo doméstico das ultimas semanas realmente nos aproximou bastante, mas ainda me incomodava o fato de não sermos exatamente amigos ou pelo menos não propriamente dito. Eu queria tratá-lo daquela forma e também queria variar os ares daquela atmosfera doméstica desde que começamos a dividir as refeições. Por isso, sem saber direito como começar eu cocei a cabeça num ato um pouco inseguro.

— Na próxima sexta a gente podia, sei lá, sair um pouco para variar, se você não estiver ocupado.

Ele piscou os olhos violetas me encarando com desconfiança.

— Como assim?

Pigarreei para limpar a garganta.

— Bem, a gente podia ir no cinema assistir algo diferente e depois num restaurante ou um bar...

Ele ficou me encarando por vários segundos e logo eu pensei que tinha feito algo errado. Meu convite soou sugestivo ou algo assim? Eu já estava arrependendo do que tinha dito, quando ele finalmente deu a sua resposta:

— Acho que não tem problema, se eu estiver livre.

O sorriso que surgiu em meu rosto foi completamente espontâneo e inevitável. Logo pensamentos positivos invadiram a minha mente e eu acho que comecei a agir um pouco bobo. É claro que ele aceitaria um convite meu, afinal quem não aceitaria? Kesesese. Então eu deveria chamar o Fran e o Toni também para memorizar este dia? Ou eu deveria ir sozinho pro Rod não se sentir desconfortável? Como...

...como num encontro?

Mente, cale a boca agora! Não, não era um encontro! Por Bismarck da Prússia, é óbvio que não era um encontro!

— Heh, vai ser memorável, aristocrata! Você nunca irá sair com algum mais divertido do que eu!

— Por favor, poupe-me de sua massagem de ego.

Eu ri e percebi pela sua expressão que ele também se esforçava para não fazer o mesmo. Droga, ele também era adorável quando tentava não sorrir. Ele pediu licença e se dirigiu para o banheiro. Ainda com esses pensamentos sobre o não-encontro conturbando a minha mente eu voltei a me jogar no sofá, esquecendo completamente que já dera a minha hora.

— Não vai voltar para a sua casa, Gilbert? — ele perguntou ao surgir na sala já vestido com o seu pijama — um conjunto nada sexy de camisa e calça azul.

Eu balancei a minha cabeça sentindo preguiça demais para levantar daquele sofá agora.

— Nah, vou ficar por aqui.

Roderich franziu as sobrancelhas num misto de irritação e incompreensão.

— Como assim ficar aqui? Vá para a sua casa! — ele disse soando bastante irritado e eu só dei de ombros, me aninhando ainda mais no sofá.

— Que diferença faz, amanhã eu ia voltar aqui mesmo para fazer o café. Fala sério, jovem mestre, eu nem vou incomodar ficando nesse sofá. Ah não ser que... — abri o sorriso mais malicioso que consegui- Prefere que eu durma na sua cama?

Vi uma adorável vermelhidão se espalhar pelo seu rosto.

— Claro que não, idiota! — ele ajeitou o óculos, constrangido — Na verdade eu preferia que você dormisse em seu apartamento mas se prefere assim então ótimo! Mas eu não tenho culpa se você pegar um resfriado!

— Não precisa se preocupar, jovem aristocrata, eu tenho boa imunidade e não adoeceria de forma tão pífia!

Ele fez um bico irritado que era o meu favorito e eu já estava sorrindo com as expressões dele quando o austríaco bufou e me deu boa noite antes de apagar as luzes da sala e se dirigir para o seu quarto.

Me aninhei no sofá sentindo o sono me envolver, e logo caí no estado de sono.

.x.

O jovem mestre podia ter dito aquelas coisas no dia anterior, mas quando eu acordei na sua sala na manhã seguinte eu estava coberto com um edredom que definitivamente não estava lá antes.

Bastante desorientado de sono, eu esfreguei os meus olhos para me acostumar à claridade. Na minha frente o relógio marcava dez horas da manhã. E percorrendo meus olhos quase tomei um susto com a figura do jovem mestre vestido no seu nada sexy pijama azul escuro parado na entrada do corredor.

— Você não ronca.

E foi só isso que ele disse antes de se virar para o corredor e entrar no banheiro.

Notas finais
Primeira coisa a ser comentada: o nome desse capítulo não faz droga de sentindo nenhum mas eu vou tentar explicar. ~ Beyoncé porque ela canta uma música chamada Halo e eles estão jogando um jogo chamado Halo. ~ Silêncio porque o Gilbert não ronca. OK CADÊ O SENTIDO??? Mas o capítulo precisava de um nome, né :P. Enfim, o que eu ia explicar são as referências no capítulo passado: ~ Bundesliga é nome do Campeonato alemão de futebol (melhor campeonato na minha opinião :p) e os alemães são loucos por futebol. Lá as torcidas são bem regionais, tipo como no Brasil, e normalmente os times levam o nome da sua cidade natal. Eles tem muita rivalidade com os times de outras cidades. Como a Prússia era um dos reinos independentes que ocupava o território norte e leste da atual Alemanha e sua capital era Berlim, o Gilbert torce pro Hertha Berlin que está SIM em terceiro no campeonato. Decidi que o Doitsu torce para o Borussia Dortmund porque é o time do oeste da Alemanha e tem uma das maiores torcidas por lá. Os "malditos bávaros" é uma referência ao Bayern de Munique que está em primeiro no campeonato e já é bi campeão. Btw todo mundo ODEIA o Bayern mesmo sendo o melhor time da Alemanha. UHUUUUUUUUL VAI BAYERN O (EU TORÇO SIM COÉ). ~ O filme que eles estão vendo é em pt-br Círculo de Fogo e é legal pra caramba, o Rod é um fresco. ~ É canon que o Áustria tem pavor de peixes. ~ Aposto que todo mundo aqui já tinha adivinhado que o Rod era bi e já tinha rolado SpaAus É isso galeres, beijos~