Notas iniciais
Annye: Meu bem, escreve algo para mim??
Lótus: *fingindo de morto*
Annye: *cutuca* Vamos, eu sei que você está acordado. Eu preciso ler algo fofo, muito fofo.
Lótus: *abre um olho* Fofo? Você querendo algo fofo? É fofo mesmo ou só uma desculpa para pornografia?
Annye: Não, fofo mesmo, nem precisa ter sexo.
Lótus: *sorri maníaco* Fechado, mas quero bolo como recompensa.
Annye:*mais maníaca ainda* Fechado!! Ah!! E o par é Sasuke x Orochimaru, totalmente bonitinho.
Lótus: *chora* Por que eu sou amigo desse problema??
Annye: Eu cozinho para você...

Sasuke olha para Otogakure no Sato da janela de seu apartamento, no último andar da versão deles da Torre do Kage, esse é o ponto mais alto da vila, esculpido no penhasco que protege as costas da aldeia, permitindo uma visão de quase toda a cidade e muito além dos portões. Oto cresceu muito depois da Quarta Guerra e se tornou um polo científico, além de uma vila shinobi respeitada, não havia sombra do amontoado desorganizado e meio nômade de pessoas do pré-guerra, menos ainda da terra arrasada deixada depois. Houve um trabalho exaustivo e sério para transformar as bases destruídas por onde os shinobi de Oto vagavam em uma vila de fato, uma vila acima do solo.

Os livros de história provavelmente não vão falar algumas coisas sobre a guerra e sobre como Oto se reergueu, afinal isso seria o mesmo que ir contra as Cinco Grandes Nações Shinobi e, independente de todo o papo furado de paz, isso arriscaria uma nova guerra muito cedo, não valia a pena. Ainda assim, Oto era formada por nukenins dos mais variados tipo, a maioria deles eram homens e mulheres que se desiludiram com suas vilas natais e foram embora, mas não eram necessariamente pessoas ruins. Depois da guerra e a cooperação internacional entre as aldeias, eles se tornaram alvos ambulantes em um mundo onde o sistema shinobi poderia colapsar caso os conflitos não retornassem. Claro que eles voltaram, intrigas políticas e criminosos podem ficar apenas um curto período de tempo quietos, não havia mais guerra no horizonte, mas os shinobi eram novamente necessários para outra coisa que não caçar seus dissidentes. Mesmo depois disso, essas pessoas ficaram em Oto, pela proteção e pela chance de uma nova vida, e era por elas que Sasuke trabalhava agora.

Seus pensamentos foram interrompidos por mãos firmes em seus ombros e não o surpreendeu que a essa altura a completa ausência de aviso não disparasse seus instintos.

—O que está te deixando tão pensativo no seu dia de folga? É hipócrita me cobrar descanso quando você não segue seus próprios conselhos.

A voz de Orochimaru tinha um nota divertida, mas Sasuke sente a preocupação oculta, ele se tornou muito bom em ler o homem ao longo dos anos. Depois da guerra ele passou um bom tempo em Konoha, se recuperando de suas idiotices e se adaptando a uma prótese, que Orochimaru melhoraria a perfeição depois, para o braço perdido na luta com Naruto. Nesse tempo ele pode ver como as coisas na vila mudaram, com Kakashi como Hokage, e concertar um pouco da sua relação com o Time Sete, mas Konoha nunca seria sua casa, não quando foi o lugar que custou a vida de sua família e jogou ele e o irmão num espiral de loucura. Não, aquele lugar não era sua casa e nunca poderia ser, então ele voltou para o único lugar em que seria bem recebido, Oto.

—Apenas pensando em tudo que construímos aqui. — ele falou sem se virar- Correndo o risco de parecer sentimental, nunca vi lugar mais lindo no mundo.

—Um Uchiha sentimental? Amaterasu nos perdoe esse sacrilégio. — o homem riu sibilado, o som ofídico havia perdido a nota assustadora, mas ainda estava presente — Vou fazer chá. Quer?

—Hn. — respondeu, enquanto o outro deixava a sala, sabendo que ele entenderia

Quando deixou Konoha, Naruto ficou magoado, mas não o perseguiu novamente. Talvez porque Sasuke tivesse sentado com o Konoha 11, mesmo com a falta brutal de Neji entre eles, e explicado seus motivos, isso fez com que se perguntasse quantos problemas teria evitado se somente tivesse usado suas palavras da outra vez. Talvez porque Sakura não era mais loucamente apaixonada por ele e tinha Ibiki enrolado em seu dedinho delicado e superforte. Inclusive, Sasuke e Naruto foram devidamente traumatizados pelas práticas sexuais dos dois até aprenderem a bater na porta antes de entrar. Ou pode ter sido porque Naruto entendeu várias coisas sobre si mesmo e decidiu suas prioridades.

Sasuke não era cego, ele sabia que o loiro o amava como mais do que um irmão e deixou claro que não retribuía o sentimento, com palavras calmas e claras, então Naruto decidiu seguir. Ele poderia ter se apaixonado por outro homem e sido feliz, mas ser Hokage era mais importante que ser feliz, aparentemente, e ele se envolveu com uma conformada e satisfeita Hinata, para garantir a imagem pública que precisava. De toda forma, ele não tinha o direito de decidir como seu amigo vivia sua vida e, sendo uma decisão consciente, iria apoiá-lo.

Sasuke voltou para Oto para encontrar Orochimaru, em seu novo corpo sintético e permanente, exausto e sobrecarregado, dirigindo uma vila em construção com um recém-nascido preso ao peito por um sling. Depois de várias explicações sobre seu corpo, ‘sim, ele é só meu e nunca foi de mais ninguém, e sim, ele ia envelhecer e morrer’, e sobre o bebê, ‘não, ele não é um experimento, e sim, ele é meu filho de verdade com ajuda de uma barriga de aluguel’, Sasuke decidiu que Orochimaru precisava de ajuda.

Ver a mudança de Orochimaru foi chocante, não que o homem subitamente se tornasse o balaústre da ética ou uma bola vibrante de boas intenções como Naruto, mas ele estava se esforçando e tratava seus subordinados como seres humanos, então era muito chocante. Kabuto também estava em Oto, só que distante de Orochimaru, levando em conta que os dois eram doentiamente grudados antes da guerra, e cuidando do orfanato, que recebia cada dia mais crianças enxotadas dos outros países, coisas que não iriam para os livros de história. Ele foi assumindo gradativamente as funções de Comandante Jonin, deixando a papelada e o posto de Otokage para Orochimaru, estruturar uma força shinobi do zero foi difícil, principalmente quando chegaram à conclusão que o sistema das outras aldeias era falho, dia e noite os dois trabalharam juntos recriando uma ordem social e legislativa para manter a vila funcionando. Trabalhar tanto tempo assim juntos resultou rapidamente em rivalidade e uma amizade movida a brigas, como não foi só o corpo do sannin que rejuvenesceu e todo Uchiha obviamente flerta gritando, Sasuke se viu caindo na cama com seu antigo sensei.

Se você você perguntasse a Sasuke se ele se sentiu atraído por Orochimaru quando era seu aluno, receberia uma cara de nojo e um sharingan ativado, se fizesse a mesma pergunta para Orochimaru ele acharia graça, mas garantiria que só queria o corpo de Sasuke para fins científicos e pensar em crianças de forma sexual era fora do limite até para ele.

—O chá está pronto. — a voz veio da cozinha, mas ele certamente traria a bandeja para fora, levando em conta a mancha ensolarada que havia sobre a almofada amarela gigante no engawa.

Rogu insistiu naquela coisa, era feia como o inferno, mas muito macia e os três poderiam deitar ali sem ficar apertado. O moreno se jogou no tecido macio e esperou que o outro servisse o chá, ele teria que lembrar de fazer isso na próxima vez, Orochimaru era bastante exigente na divisão de tarefas. Era engraçado como as coisas evoluíram depois que ele beijou o homem a primeira vez, para calá-lo durante uma briga, havia saque envolvido e todo sannin bebia como se tivesse aço no lugar do fígado, eles transaram a noite toda e Sasuke correu para sua casa assim que se deu conta do que estava acontecendo, jurando nunca mais falar naquilo. Obviamente, aconteceu de novo, e de novo, e de novo, até que em uma manhã ele ficou e Orochimaru pacientemente o deixou ir ficando, uma vez depois da outra, com café da manhã e Rogu balbuciando coisas na cadeira alta ou pedindo colo quando o via. Na metade do seu segundo ano em Oto ele estava morando com Orochimaru, chocando a Vila e o resto do mundo, Naruto mandou Kakashi checá-lo.

Uma xícara foi posta em suas mãos e ele se moveu para que seu companheiro se acomodasse ao seu lado, eles beberam o chá em um silêncio confortável, eles podiam ficar horas um ao lado do outro sem falar e sem se incomodar com isso.

—Rogu está chegando — O menino estava com Kabuto no orfanato, brincando com outras crianças — Não tinha percebido que já era tão tarde.

—O sol já está começando a se pôr — Orochimaru tinha o rosto voltado para a luz avermelhada do fim da tarde e Sasuke não pode deixar de pensar em como ele era bonito — O que vamos fazer para o jantar?

—Sopa de tomates?

—Fizemos isso ontem, Otō-san. — Rogu veio na direção deles mal-humorado — Sem tomates hoje.

—Acho que podemos lavar uns tomates para o seu pai e fazer alguma coisa com berinjela para você, o que acha? — Orochimaru já estava colocando suas xícaras de volta na mesa baixa e abrindo espaço para o menininho entre eles.

Os três se acomodaram e assistiram ao pôr-do-sol ouvindo Rogu falar sem parar sobre as coisas legais que fez com seus amigos. Sasuke pensou que estar em Oto era como estar em casa, com companheiros shinobi para lutar lado a lado, que estar ao lado de Orochimaru também lembrava um lar, principalmente naqueles momentos preguiçosos em que todo o afeto pairava entre eles sem a necessidade de verbalizar nada, e aquela família o fazia se sentir em casa, porque era sua família e, agora que Rogu estava crescendo, ele poderia tentar convencer Orochimaru a mais uma ou duas crianças. Ele sabia que nenhum dos dois merecia de fato aquela felicidade, por seus crimes passados, mas ele não se importava, ele era feliz e se agarraria a isso com todas as forças.

Notas finais
Lótus: *esperando o parecer da fic* Qual era o número dessa?
Annye: O que te faz pensar que era da lista?
Lótus: Eu te conheço filhote de ariranha. Qual o número?
Annye: *sorri* É o 33. Agora come teu bolo, que tu mereceu. Ficou muito fofo.
Lótus: E tu?
Annye: Eu vou lavar a louça enquanto espero comentários.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!