Paraíso Proibido

1 Agora Estou Tendo Que Me Esconder


Notas iniciais
esperem q gostem
muito amor e carinho foram investidos
gostaria de avisar q, diferente de Abusada, eu não estou escrevendo com todos os acontecimentos planejados, tenho apenas um esqueleto na cabeça. Isso quer dizer q eu n sei exatamente o q vai acontecer... Ah bem da verdade, n sei nem se vai dar certo e vai ter como preencher isso e escrever até o final
Então n esperem um monstro de 40, 60 capitulos :)

Eu não me lembro de em algum dia eu ter tido uma aparência diferente de quem eu era agora. Eu sempre fui bonita, fofa, inteligente... Eu sempre fui perfeita.

Aprendi a andar e falar mais cedo do que todos na minha família. Já nas primeiras séries devorava livros inteiros. Era um destaque acadêmico desde que aprendi a escrever. Em meu quarto; com o piso de madeira escura, as paredes em tom creme e os móveis em madeira branca; havia prateleiras de troféus grandes e brilhantes. Líder de torcida, campeonato de soletrar, campeonato de xadrez, shows de talentos, olimpíadas escolares... Céus! Até faixas com medalhas de escoteiras!

Enfim, sempre fui boa em tudo, nunca tive dificuldades. Nunca tive que me esconder de olhares e fofocas, nunca lanchei sozinha, nunca passei vergonha...

Suspirei e prendi meus longos cabelos loiros em um coque alto. Caramba! Ate mesmo meus coques frouxos ficavam firmes! Encarei a apostila com as inúmeras perguntas que eu estava tentando responder no computador. Precisava terminar a tarefa para amanhã, mas não conseguia parar de devanear sobre isso...

Minha vida era perfeita?

Olhei para o lado, um canto da mesa em que havia três porta retratos. Em um deles havia uma foto minha e da minha amiga do colegial no shopping (alias, não falava com ela desde que entrei para a faculdade, por que ainda guardava essa foto?), em outro havia uma foto minha abraçada a minha irmã mais nova chamada Emily e, por último, uma foto de família. Nesse último porta retratos, três pessoas eram vistas, ao fundo, uma parede com um grafite de uma floresta tropical colorida e uma placa do Zoológico; à frente havia minha mãe em pé abraçando minha irmã na frente dela, do lado eu aparecia com um sorriso um pouco forçado... Era possível ver duas mãos segurando forte meus ombros e as pernas de uma pessoa aparecendo atrás de mim... Não dava para ver o tronco ou o rosto dessa pessoa... A foto estava cortada nessa parte... Eu fiz aquilo há tempos atrás... Eu cortei aquela pessoa...

Aquela pessoa era a prova viva de que minha vida não era perfeita.

Escondi minha cabeça em minhas mãos, sentindo meus olhos arderem. Não comece a chorar agora! Daqui a pouco Emily e sua mãe chegarão em casa do supermercado e a última coisa que você quer é que eles te vejam chorando que nem uma louca no quarto!

Decidida a me concentrar, eu voltei a ler as perguntas na apostila.

Enquanto tentava me lembrar dos sintomas de uma doença que aparecia na próxima pergunta notei uma luz pela minha visão periférica. Virei a cabeça. A porta que levava até a varanda do meu quarto estava aberta e, dela, consegui ver a casa da minha vizinha, onde a luz de seu quarto estava acesa.

Que estranho. A Senhora Palladium e minha mãe eram amigas e por isso, eu sabia que ela estava viajando... Ela me incumbiu de dar comida ao gato Felix dela, então deveria me avisar se voltasse mais cedo ou se alguém fosse para lá... Isso estava me cheirando a algo suspeito...

Levantei-me rapidamente e vesti um casaco e sapatos. Peguei a chave reserva que a Senhora Palladium havia me dado e parti até a sua casa, andando o mais devagar possível. Era umas 20 horas, o céu estava escuro e as ruas do condomínio onde morava eram iluminadas apenas pelos postes de luz pública.

Cheguei rapidamente até a casa da Senhora Palladium e chequei se a porta estava destrancada. Não estava. Respirei fundo e peguei a chave. Sendo o mais silenciosa possível destranquei a porta da frente e a abri, agradecendo aos céus por ela não ranger. O andar de baixo estava todo apagado e silencioso.

Atravessei a sala devagar, tentando não fazer barulho e subi as escadas. Do corredor vi a luz acesa do quarto principal da casa, o da Senhora Palladium e dava para ouvir o barulho de gavetas sendo abertas e algo como metal tilintando...

Espera um pouco! Eu não entrei numa casa sozinha com um possível ladrão, entrei? Caralho! O que eu tinha na cabeça! Eu sozinha e desarmada em uma casa com um desconhecido revirando o quarto da dona! Eu não fiz essa burrada!

Comecei a andar para trás. Pelo menos eu tinha trago o meu celular.

Procurei o aparelho no bolso e o liguei. Porém, meu celular não estava no silencioso e quando apertei os botões para ligar para a polícia, o aparelho fez o barulho de discagem. Ah puta que pariu também! Tudo tinha que dar errado! Eu vou acabar morrendo!

Como o estrago já estava feito, mais rápido possível eu liguei para a policia e esperei que atendessem. Enquanto isso, os barulhos no quarto pararam e eu comecei a ouvir passos! Não demorou muito e a figura do que pareceu um jovem adulto homem apareceu na minha frente.

Eu e ele ficamos nos encarando. Eu pude ver que ele estava com as mãos repletas de colares e pulseiras da Senhora Palladium e ele fixava seu olhar no meu celular. Minha respiração travou na garganta, mas antes que qualquer um de nós pudesse dizer ou fazer alguma coisa, a polícia atendeu e eu ouvi a voz reconfortante de uma mulher dizendo:

— Emergência, boa noite.

— T-t-tem um ladrão na casa da minha vizinha.

Logo que essa frase saiu da minha boca, o menino não perdeu tempo e saiu correndo de volta para o quarto. Em pânico, dei o endereço correndo para a mulher no telefone e completei:

— Rápido! Ele vai tentar fugir!

Eu sabia que havia uma varanda no quarto da Senhora Palladium assim como no quarto da minha mãe, então sai correndo na mesma direção do ladrão. Quando cheguei ao quarto vi que ele estava uma bagunça e todo revirado, a porta da varanda estava aberta e nenhum sinal do cara!

Nessa hora, eu realmente não sei de onde veio a minha coragem. Apenas sei que sai correndo e pulei a varanda caindo de quatro no chão. Foi pura sorte ter grama embaixo para amortecer a minha queda. Minhas pernas e braços estavam doendo, porém quando olhei para frente e vi que o ladrão estava correndo e se afastando, eu soube que precisava ser rápida.

Rapidamente, me levantei e corri na direção do garoto. Felizmente, eu tinha um excelente condicionamento físico, provavelmente, melhor que o dele, e o alcancei sem esforço em poucos minutos. Pulei em cima do ladrão e agarrei seu cotovelo. Ele se virou na minha direção e apenas nessa hora pude vê-lo de verdade.

O garoto aparentava ter mais ou menos a minha idade, era branco e tinha a pele toda coberta por tatuagens, seus cabelos eram negros iam até os ombros e estavam embaraçados e bagunçados. Além disso, seus olhos estavam esbugalhados e aterrorizados, como se eu fosse uma espécie de monstro. Ele disse, assustado:

— Me largue!

Pisquei os olhos. Certamente, eu o imaginava mais malvado. Entretanto, balancei a cabeça e respondi:

— Não! Você vai ficar aqui até a polícia chegar!

— Por favor! Você não entende! Eu preciso disso!

— Não me interessa! Isso não é seu! Ladrão!

Ele tentou puxar o braço de mim. Apesar de que o garoto era claramente mais forte que eu e, se quisesse, poderia me dar um soco e me apagar naquela hora, ele parecia não querer usar essa força. Apesar disso, continuava dizendo e me encarando com aqueles olhos pidões:

— Eu preciso muito desse dinheiro. É muito importante.

Mordi os lábios. Ele parecia tão real, como se estivesse com medo... Talvez ele realmente precisasse do dinheiro... E ele não havia nem tentado me machucar até ali...

Talvez a minha coragem tivesse se esvaído completamente até aquele ponto, talvez fosse alguma mão do divino me mandando fazer aquilo, talvez fosse o dia de sorte do cara. Eu só sei que eu abri a mão e o deixei sair correndo. Logo, eu não consegui mais vê-lo.

Quando a polícia enfim chegou, eu contei o que havia acontecido, porém omiti a parte em que eu o deixei fugir e disse apenas que não consegui alcançá-lo... Eu sabia que era quase improvável que eles achassem aquele menino agora... Bom, ninguém pode dizer que eu não fiz uma boa ação na vida... Bom, na verdade, pode ter sido uma burrada... Amanhã ele pode virar um assassino ou converter todas aquelas joias em dinheiro para comprar drogas... Ou talvez ele possa pagar a mensalidade de uma faculdade... Ah quer saber? Eu não me importo. Nunca mais vou ver aquele garoto de novo... Pelo menos eu espero.

Mal sabia eu que estava muito enganada.

Muito.

Notas finais
comentem pessoal
preciso saber o q acharam