Paraíso Proibido

13 Capítulo 13. "Rafaela"


Notas iniciais
YAY! Quaaaaaaase não posto aqui hoje, de novo D: acabei de terminar esse capítulo e já vim aqui postar o/ ultimamente estou assim, terminando tudo nas pressas para não deixar de atualizar aqui :3 me amem s2 haha ^-^ Ficou um pouquinho grande, mas ultimamente está saindo assim :3 e vocês me disseram que gostam, então eu confio nisso hein! ^-^ Eu revisei o capítulo, mas me desculpem por qualquer erro. Boa leitura! :)

Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Acordei no dia seguinte com o meu celular despertando às nove e meia da manhã — tinha que estar na faculdade às onze. Ou melhor, nós tínhamos que estar na faculdade às onze. Eu podia sentir o braço de Izie sobre o meu corpo, o calor de seu corpo no meu, sua respiração em meu cabelo. Ela se mexeu um pouco e respirou fundo.

– Que horas são, Fê? — perguntou baixinho, sonolenta.

– Nove, amorzinho... Eu vou levantar, está bem? Tomar um banho e preparar o café. Você vai querer comer antes de ir?

– Hum, acho que sim, não sei, to com preguiça de pensar — murmurou.

Sorri e dei um beijo em seu rosto. Eu me sentei na cama, colocando as pernas para fora, apoiando o cotovelo sobre meus joelhos e enterrando o rosto em minhas mãos. Também estava com sono e muita preguiça de ir para a faculdade, mas não podíamos perder mais um dia. Depois de dar um abraço bem apertado em uma Izie cheia de preguiça, falei para ela ficar mais um pouquinho na cama enquanto eu tomava banho. Depois do banho, vesti um jeans claro com rasgos desfiados nas coxas e uma blusa de mangas longas — percebi, espiando pela janela do quarto, que o tempo lá fora estava nublado e as árvores balançavam com o vento, resumindo, não estava um clima para roupas muito leves. Coloquei meu Movado favorito no pulso e, para vestir antes de sair, separei uma ankle boot preta, um cachecol e um dos meus fedora hat que eu gostava, para fechar o look para aquele dia (n/a: look Fernanda). Coloquei o café para passar na cafeteira e então voltei para o quarto para acordar Izie. Ela resmungou um pouquinho, e quando viu o clima lá fora ficou com mais preguiça ainda de "levantar e viver" como ela mesma disse, o que me fez rir do mal humor matinal dela. Será que ela acordava todos os dias assim para ir para a faculdade? Eu nem conseguia imaginar, eu sempre a via chegar tão sorridente. Não que eu me importasse, pelo contrário, ela ficava muito fofa daquele jeito.

Consegui convencê-la a levantar e então ela foi para o banho. Eu a avisei que ia até a padaria para pegar pão fresquinho para nós e então desci. Escolhi o pão integral deles que era muito gostoso, e como eu sabia que ela gostava também, comprei dois e voltei para o apartamento. Ísis já se arrumava no quarto quando cheguei e deixei o pacote com os pães sobre a mesa, e logo em seguida ela apareceu na entrada da cozinha. Estava linda, como sempre, vestindo um jeans claro, camiseta preta, um cardigã branco por cima e um cachecol creme; nos pés ela usava uma botinha baixa, uma combat boot preta (n/a: look Ísis). Eu adorava como o branco lhe caía tão bem, como contrastava seus cabelos ruivos e seus olhos azulados. Ela conseguia ser mais linda a cada amanhecer, e cada dia mais eu tinha certeza de que a amava mais que minha própria vida. Ela sorriu para mim, e todo o meu mundo parecia girar em torno daquele sorriso. Retribuí involuntariamente, simplesmente porque vê-la sorrir me fazia sorrir também e eu não podia evitar.

– Você está linda — falei ternamente, me aproximando dela. — Linda até demais para quem vai para a faculdade!

– Para andar ao seu lado eu tenho que estar apresentável, não é mesmo? — ela respondeu me dando um beijo. — Bom dia, meu amor.

Sacudi a cabeça.

– Bom dia, coisa linda — respondi sorrindo. Dei outro beijo nela antes de anunciar: — Comprei os pães. Vamos comer? Já já temos que sair — torci a boca num gesto de descontentamento, porque eu queria ficar o dia todo com ela e na faculdade isso não seria exatamente possível.

– Não faz essa carinha — Izie me deu um abraço. — Depois da faculdade nós podemos fazer alguma coisa, se quiser. Podemos ir ao shopping dar uma volta, pegar um cinema, você que sabe, pequena. O que você disser, é lei.

Eu concordei com aquela ideia, ia querer ter ela pelo resto do dia — novamente. Nós tomamos café, escovamos os dentes e então eu fui para o quarto, calcei minha ankle boot, coloquei o cachecol e ajeitei meu cabelo para colocar meu fedora hat. Passei um perfume, peguei minha bolsa e fui para a sala, onde Izie já me esperava. Quando me viu, ela cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. Eu sempre achava aquilo muito sexy vindo dela.

– Depois eu que estou bonita demais para ir à faculdade! Parece que vai para um desfile — estalou a língua.

– Para andar ao seu lado eu tenho que estar apresentável, não é mesmo? — repeti o que ela disse com um sorriso, e ela riu e sacudiu a cabeça.

– Isso não é válido — disse estreitando os olhos.

Nós saímos do apartamento e eu tranquei a porta enquanto Ísis chamava o elevador. Ela segurou minha mão quando entramos, e me puxou para um abraço quando a porta se fechou.

– Eu adoro esse seu perfume, e você pode passá-lo todos os dias, muito obrigada — murmurou com o rosto na curva do meu pescoço.

Ri de leve, apertando-a em meus braços.

– Se você gosta tanto, então eu vou usá-lo sempre, pode deixar — respondi. Mas, então, um detalhe me veio à mente, algo que não tinha nada a ver com o assunto. — Izie, você tem noção de que, bem... Nós vamos chegar juntas à faculdade hoje, no mesmo carro, e pessoas vão ver isso e comentar... Você sabe que vai dar o que falar, não é?

Ela me olhou e uniu as sobrancelhas de leve.

– Pessoas, você quer dizer a Claire, não é? — disse divertida. Concordei com um sorriso. Ela principalmente! — Eu sei que ela vai falar, já estou esperando por isso. Mas, Fê... Me diz uma coisa, com sinceridade, está bem?

– Claro, Izie...

– Você está comigo, não está? Tipo, eu quero dizer... Isso, nós... Nós temos algum tipo de compromisso, não é?

A palavra "compromisso" soava bem aos meus ouvidos quando ela era a pessoa envolvida ali comigo.

– Sim, Izie, nós temos um tipo de compromisso — concordei de imediato. Isso pareceu passar certa confiança à ela, pois seus lábios se curvaram num pequeno sorriso. — Mas por que essa pergunta, amor?

– Porque, bem... Se estamos juntas, então não temos que nos preocupar com o que vão dizer, mesmo que não seja a favor. Certo?

– Tem toda a razão — sorri e dei um beijo rápido em seus lábios. — Mas você sabe como a Claire é afobada, ela vai pirar um pouco quando souber de tudo isso, de nós.

– Deixa ela pirar, a gente lida com isso — Izie deu um sorriso de canto e capturou meus lábios num beijo que devia ser proibido, pois sempre que ela me beijava daquele jeito minha vontade era de nunca mais parar de beijá-la.

Infelizmente, o elevador chegou ao térreo e nós tivemos que nos separar. Saímos de mãos dadas, dando de cara com a senhora Vargas, uma velha chata que morava no andar abaixo do meu. Ela olhou feio para nós e nem prestamos atenção, mas quando a porta do elevador se fechou Izie fez notar a cara feia da mulher. Expliquei que ela era só uma velha carcomida que odiava todo mundo naquele prédio — e o sentimento era recíproco, ninguém gostava dela também. Izie deu de ombros, rindo do meu "velha carcomida", e eu ri com ela. Mas era verdade! Quando chegamos à portaria, era o porteiro Marcos que estava lá.

– Bom dia, Marcos! — falei animada.

– Bom dia, Fernanda — ele devolveu.

– Bom dia, Marcos! — Ísis imitou, dando um tchauzinho.

Ele sacudiu a cabeça com uma risada.

– Bom dia... Ísis, certo? — ele apontou para ela, que confirmou.

Nós saímos e fomos para seu carro, que estava estacionado em frente a sorveteria. Olhar a sorveteria me fez lembrar da conversa que eu havia tido com a Claire ali, três dias atrás. Parecia que isso tinha acontecido há uma vida! Incrível como o tempo parecia passar de uma forma diferente quando eu estava com Ísis. Entramos no "carango" e ela dirigiu até a faculdade ao som de Lorde: Glory and Gore. Eu adorava aquele álbum. Quando chegamos, ela deixou seu carro no estacionamento e então seguimos para o campus principal onde as meninas geralmente ficavam. Quando passamos pelo arco de entrada, ela segurou minha mão e me puxou, envolvendo um braço em minha cintura, me dando um beijo. Eu enlacei meus braços em seu pescoço.

– Para dar sorte — ela disse, os lábios ainda nos meus. Eu sorri e a beijei mais uma vez antes de segurar sua mão e entrarmos.

Eu logo avistei as meninas e segui até elas, guiando Izie pela mão. Mas quando chegamos mais perto percebi que algo não estava certo — elas estavam meio agitadas e em volta de alguém, não conseguia entender o que estava acontecendo. Soltei a mão de Izie e me aproximei.

– O que está acontecendo?! — perguntei sem entender nada. Percebi que as meninas estavam abanando Claire, que parecia ter se engasgado com alguma coisa que tomava. Ela estava até meio vermelha e com os olhos úmidos.

– Ah, oi Fê — Alisson disse. — Eu não sei o que aconteceu com essa doida, de repente ela começou a engasgar loucamente aí, eu sei lá!

Me aproximei de Claire.

– Ei, você está bem, Claire? — perguntei preocupada.

– Eu... Eu estou bem, estou bem. É que eu pensei... Eu pensei ter visto você e a Izie aos beijos ali na entrada — ela deu uma risada -, que loucura, não é? Estou vendo coisas, alucinando! Até me engasguei aqui, nossa...

Eu pude ver que Ísis segurava o riso, assim como eu. Onde é que eu fui arrumar uma amiga maluquinha daquelas? Eu fui para o lado de Izie e segurei sua mão. Ela me abraçou por trás, com um sorriso.

– Ahn, bem... Acho que você não estava tendo uma alucinação exatamente — falei com uma carinha de quem tinha aprontado.

As meninas arregalaram os olhos, enquanto o queixo de Claire ia quase ao chão. Ela ficou nos encarando assim por um momento, até explodir:

– Sa-fa-da!– ela quase gritou. Nós começamos a rir e eu me encolhi. — Tem pendências para resolver, não é, Fernanda Nogueira?! Não acredito que você não me contou nada! Pilantra!

– Ô Clairezinha, meu amor, me desculpa — disse divertida. — É que certas coisas não se dizem por telefone, não é? Você é muito afobada, se controle!

– Afobada? Mas... Ah!– ela emitiu um som de ultraje. — Tudo bem, Fernanda. Eu não falo mais nada pra você — fechou a cara.

– Ah, você não vai ficar com essa cara, né? Hoje é dia de alegria.

Ela me encarou com a cara fechada, mas logo em seguida já estava dando um sorrisão enorme e deu uma corridinha para abraçar Izie e a mim.

– Eu não acredito! Finalmente! — disse animada.

– "Finalmente"? — Izie questionou.

Achei que Claire ia dar com a língua nos dentes sobre meu tombo desde sempre por ela. Gelei por dentro. Isso não era assunto para aquele momento específico.

– É, finalmente alguém decente para cuidar da minha amiga, não é, Fêfê? — deu uma olhada cúmplice para mim, e eu apertei os lábios num sorriso. Senti um alívio enorme. Claire não sendo inconveniente? Essa era nova. — E cuide direito, faça ela muito feliz, está bem ouvindo bem, dona Ísis? Não quero ter que te dar uns puxões de orelha!

Izie riu de leve.

– Pode deixar, general. Eu vou fazê-la muuito feliz — disse com um sorriso e me deu um beijo no rosto.

As meninas ainda estavam sem acreditar.

– Então, vocês estão juntas mesmo? — Alisson perguntou com um sorriso. Nós assentimos. A felicidade nem cabia dentro de mim, mas eu estava me controlando por fora. — Caramba, quem diria! Fico feliz, nós ficamos feliz por vocês, de verdade. — E Amanda concordou sorrindo. Sabia que elas estavam mesmo feliz, porque desde o começo elas queriam aquilo tanto quanto eu, principalmente por ver como eu ficava encurralada por sentir algo por alguém que não correspondia àquele sentimento. Mas agora tudo tinha mudado, parecia que eu tinha renascido, e isso era maravilhoso.

Aquele dia de faculdade correu tranquilo. Quando estávamos em intervalo juntas, eu sempre ficava com Izie, e comecei a perceber que algumas pessoas nos observavam, algumas cochichavam, mas eu não esperava nada diferente. Cheguei até a receber um olhar mortal de uma garota, provavelmente alguma louca que tinha os olhos em Ísis, eu não a conhecia, mas eu nem me importei porque Ísis era minha, ela que mordesse aquela língua de cobra venenosa e morresse, pouco me importava. Depois da faculdade, nós fomos para o shopping e assistimos um filme. Foi bom ter ela por mais aquele dia inteiro, eu estava me acostumando mal, depois quando ela tivesse que voltar para o seu apartamento eu sabia que o aperto em meu peito seria enorme, o vazio que ficaria quando eu chegasse em meu apartamento e ela não estivesse lá seria terrível.

Mas Izie sempre me surpreendia. Tudo o que ela vinha fazendo naqueles últimos dias era me surpreender, cada vez mais. Quando voltamos, ela disse que não ia embora e que passaria aquela semana ali comigo no meu apartamento, que já tinha colocado naquela mochila que trouxera ontem, trocas de roupa para a semana inteira. Eu fiquei imensamente feliz com a notícia. Queria que ela ficasse ali para sempre! Eu estava sendo muito egoísta mesmo, mas tinha como não ser? Tinha como não querê-la ali todos os dias comigo? Não.

O dia seguinte passou tranquilamente também, quando eu estava com Ísis tudo parecia ficar bem até demais. De noite, nós pedimos pizza e ficamos assistindo filmes até mais ou menos umas onze horas da noite, então tomamos um banho e fomos descansar para aquela quinta-feira turbulenta — teríamos um provão geral, que tinha a ver com a avaliação do ensino da faculdade, era uma pesquisa que estava rolando nas faculdades pagas mais bem-vistas da cidade, qualquer coisa assim. O lado bom é que poderíamos sair assim que terminássemos essa tal prova, que duraria duas horas e meia mais ou menos, metade do tempo que passávamos no campus em dias normais.

Nós fizemos a prova, foi algo bem entediante mesmo, eles juntaram as turmas em três auditórios do prédio e o que "salvou" meu dia foi que a turma de Izie ficou no mesmo auditório que a minha turma, e as vezes eu a surpreendia olhando para mim lá de baixo, onde estava sentada, e ela piscava e sorria. Isso sempre fazia de qualquer dia meu, melhor. Ela terminou a prova primeiro e, antes de deixar o auditório, fez um gesto dizendo que me esperaria lá fora. Eu só assenti e voltei minha atenção às questões para terminar o quanto antes e fugir daquele lugar pra ficar com ela. Quando terminei, com um suspiro de alivio, entreguei a prova ao professor e deixei a sala. Eu sabia que ela estaria me esperando no campus principal, mas antes de seguir até ela eu desviei meu caminho até a lanchonete da faculdade para comprar uma água ou um suco, estava com sede.

Fui até lá e comprei uma garrafinha de água mesmo, chegando em casa eu faria o almoço e preencheria aquele vazio no meu estomago. Porém, no meu caminho até Izie, uma garota me abordou e eu não fazia a menor ideia de quem era ela — mas ela parecia saber exatamente quem eu era. Estranhei isso.

– Oi, Fernanda — disse, meio tímida.

Ela tinha mais ou menos a mesma altura que eu, a pele pouca coisa mais morena que a minha, os olhos de um azul claro, bonito — mas não tanto quanto os de Izie, que eram um tom de azul acinzentado que eu adorava -, e seus cabelos eram escuros, um castanho bem escuro, lisos, cortados em um V repicado até a altura de seus ombros. Tinha até um jeito daquelas atrizes russas, sabe? Eu tinha certeza de que nunca a tinha visto pelo campus, pelo menos não nos lugares que eu costumava estar.

– Ahn, oi? — eu respondi incerta. — Acho que não te conheço...

– Ah, desculpa. Meu nome é Rafaela. Mas pode me chamar só de Rafa, se preferir — disse com um sorrisinho acanhado. — É que... Eu queria falar com você, se não estiver com muita pressa.

– Tudo bem, pode falar — assenti com um pequeno sorriso, encorajando-a. Já estava ali mesmo, ela já tinha me parado, então queria saber do que se tratava, já que eu ainda não estava entendendo o motivo daquela abordagem.

– Ok. Ahn... É que... — ela parecia meio atrapalhada para entrar no assunto que realmente a trouxera até mim, e eu esperei meio impaciente na verdade, pois queria encontrar Izie logo. — Você... Você é amiga da Claire, certo?

Claire? O que a Claire tinha a ver com aquilo agora? Estava estranhando ainda mais.

– Sim, sim, claro. Somos amigas há bastante tempo, mas... Por que? — uni as sobrancelhas.

– Então, é que... Eu queria saber se você... Se você não podia... Não sei, falar com ela, e... Desculpa, isso é meio embaraçoso — ela deu uma risada leve, estava meio corada. — É que... Eu queria conhecer ela... Sabe? Ahn... Mas vocês estão sempre juntas, você, ela e as outras meninas, então eu nunca... nunca me senti muito à vontade para chegar até ela e conversar... É isso.

Minha boca estava aberta em um "o" de surpresa, e eu estava me segurando para não começar a rir. Ok, deixa eu ver se eu entendi: ela estava querendo conhecer a Claire. Conhecer. Isso significava... Apertei os lábios para não rir, simplesmente porque eu já imaginava a cara da Claire quando soubesse que aquela garota estava a fim dela, e era tudo muito hilário na minha cabeça.

– Ah, não ria, por favor, se não eu vou ficar mais constrangida ainda — ela disse com sorriso, desviando o olhar por um instante. — Eu sei que não faz o menor sentido eu pedir isso à você, é que eu... eu só não sabia mais a quem recorrer e, bem, minha timidez me atrapalha um pouco as vezes...

Respirei fundo, sorrindo, me contendo.

– Desculpa, eu... Eu não estou rindo de você, eu juro que não. É que... Rafaela, não é? — apontei e ela concordou com a cabeça. — Então, Rafaela, eu não sei se você está sabendo, mas... A Claire, ela... Não é exatamente o tipo de garota que você está procurando, entende? Quero dizer... Er...

– Eu sei, sei o que quer dizer. Ela não é gay — ela soltou tudo de uma vez só e eu quase não entendi. — Mas... Eu só queria conhecê-la, não sei, só conversar... Quem sabe? Você acha que ela aceitaria, tipo, a minha amizade?

– Ahn, eu acredito que sim, a Claire é... — eu não sabia exatamente que palavra usar para defini-la. Claire tinha suas várias facetas, mas ela era...

– Ela é incrível, não é? — Rafaela falou, meio absorta em seus pensamentos. Em seguida sacudiu a cabeça e corou por ter deixado escapar aquilo.

Eu ri de leve. Uau, uma garota afim da Claire... Surpresas, surpresas.

– Sim, ela é incrível... Até você conhecer ela — disse divertida e ela riu. — Brincadeira, a Claire é uma ótima amiga, só é um pouquinho doida, mas é normal do jeito dela, você se acostuma com o tempo. E, bem, eu não quero te dar falsas expectativas porque realmente ela não faz o tipo de garota que você procura, mas eu posso falar com ela sim, quem sabe vocês não possam ser amigas, não é mesmo? — Ela sorriu com essa possibilidade. — Mas, escuta, eu estou indo encontrar as meninas agora, você não quer vir comigo? Eu posso te introduzir, se quiser...

– Ahn, eu acho que não — ela disse fazendo uma cara de dúvida, encolhendo os ombros. — Não é por nada não, eu só... Acho que ainda não é o momento certo para isso, eu queria conhecer a Claire primeiro, sabe... Eu vejo que vocês são amigas há tanto tempo e, sei lá, eu me sentiria meio deslocada, não quero atrapalhar em nada.

– Imagina, isso não aconteceria. Mas, se é o que você quer, então tudo bem.

– Mas, olha, eu vou estar na lanchonete, tudo bem? Vou ficar mais um tempo por aqui, pelo campus. Se você ver a Claire e, por acaso, ela quiser falar comigo... Bem... Sabe onde vou estar — ela apertou os lábios, sorrindo em seguida.

– É claro — dei um sorriso. — Eu prometo que vou falar com ela.

E eu iria mesmo, não ia perder por nada a cara dela ao saber disso, eu já explodia em risadas por dentro.

– Obrigada, Fernanda! — ela me deu um abraço, que eu não esperava para ser sincera. Depois se afastou, meio constrangida. — Então, eu vou nessa. Me desculpa, de novo, por te encher o saco com isso... Mas obrigada mesmo. Tchau — acenou timidamente. Acenei de volta e ela saiu.

Eu ainda fiquei ali parada, vendo ela se distanciar, e digerindo tudo o que tinha acabado de acontecer. Eu precisava contar aquilo à Izie, ia ser muito engraçado quando Claire soubesse disso tudo. Tinha certeza de que ela ia querer me matar porque eu não cortei aquilo pela raiz desde o início. Eu tentei, na verdade, juro que tentei, mas a vontade de ver a cara enfezada da minha amiga era maior que isso. Sacudindo a cabeça, eu me virei para ir em direção ao campus principal. Porém, dei de frente com Izie logo atrás de mim, ela estava com os braços cruzados.

– Oi, amor! — eu disse e me aproximei e dei um beijo nela. Mas ela nem se mexeu, continuou com os braços cruzados e me encarando com os olhos estreitos. Estranhei aquela postura dela. — O que foi, Izie?

– O que você estava fazendo com aquela garota? — ela perguntou sem gentileza nenhuma. Uni as sobrancelhas.

– Garota? — Me deu um clique. Ah, Rafaela!– Ah, sim, aquela garota que saiu daqui agora, você diz...

– Sim — respondeu meio em tom de deboche.

– Bem, ela... Ela veio conversar comigo, o nome dela é...

– Eu sei quem ela é, Fernanda. Mas o que eu quero saber é o que ela estava fazendo pendurada no teu pescoço. É só isso que eu quero saber — ela me cortou, a voz fria.

Eu gelei por dentro. Ela nunca tinha falado daquele jeito comigo, nunca.

– Izie, o que foi que eu fiz? Por que você me chamou de Fernanda, com todas as letras? Você nunca me chama assim... — falei confusa. Meu coração estava inquieto no meu peito, mas não de um jeito bom dessa vez.

– O que foi que você fez? Eu não sei, me diz você. Estou te mandando mensagem há uns dez minutos e você não me responde, fui até o auditório e você não estava mais lá, estava te procurando pelos campus e não te encontrava em lugar nenhum. Aí eu te acho aqui, com essa garota pendurada no teu pescoço. O que você quer que eu pense, afinal?

Eu abri a boca, sem conseguir emitir som algum. Droga, ela tinha entendido tudo errado. Ela estava com ciúmes! Eu não sabia se ficava feliz ou assustada por ela ter reagido daquele jeito.

– Izie, amor, realmente você entendeu errado, ela só veio conversar comigo...

– Você sabe quem é aquela garota?

– Ahn, eu... Não, eu não conheço ela, eu só sei que o nome dela é Rafaela, mais nada...

– Pois é. Rafaela. Ela é da minha turma, e é gay. A única garota gay da minha turma, além de mim. Aí eu chego aqui e vejo vocês duas se agarrando! — ela jogou as mãos para o alto, meio alterada.

– Ei, ei, ei! Eu não estava agarrando ela Izie, pode ir parando aí mesmo, ok? Ela simplesmente veio falar comigo, você está interpretando tudo errado, eu...

– Interpretando errado?! E como você quer que eu interprete isso? Ela tem que ficar trepada no seu pescoço pra vocês conversarem? Caramba hein, eu não conhecia essa técnica! — falou debochada.

Eu acabei rindo de leve, mas me contive, sacudi a cabeça. Ela estava fora de controle com aquele ciúme todo.

– Izie, me escuta... Ei, olha pra mim, me ouve — eu segurei o rosto dela entre minhas mãos. Ela estava emburrada, o maxilar contraído e respirando forte. — Eu não estava agarrando ela, e ela não estava trepada– frisei aquela palavra — no meu pescoço, está bem? Ela veio falar comigo sobre a Claire, foi isso.

– Ah, claro. Sobre a Claire, sei!

– Amor, se controla! — eu disse com um sorriso bobo. Nunca achei que veria ela com ciúmes daquele jeito. — Acredite em mim, por favor. Ela veio falar comigo sobre a Claire sim, ela... Ela está a fim da Claire. E não sabia como chegar na minha amiga doida, então veio falar comigo, como última opção. Entendeu?

– A fim da Claire? — perguntou desacreditada, franzindo o nariz em deboche.

Eu assenti, segurando o riso. Ela parecia estar cedendo um pouco aquela pose ciumenta, pois descontraiu o maxilar e respirou fundo, mas ainda estava com as sobrancelhas unidas naquela carinha brava.

– E por que ela estava trepada no teu pescoço então? — perguntou emburrada, fazendo um bico bravo.

– Ela não estava "trepada" no meu pescoço, Izie. Mas, bem, digamos que ela ficou feliz quando eu disse que falaria com a Claire para ela, aí ela me abraçou, mas depois ficou toda envergonhada e saiu... Foi isso, amor — disse com um sorriso. Se ela soubesse como ficava linda com ciúmes.

– Ah — estalou a língua, aborrecida. — Não precisava ter te abraçado daquele jeito, e pronto. E, Fê, que história é essa de que você vai falar com a Claire para ela? A Claire não é gay!

– Eu sei — respondi e comecei a rir, imaginando novamente a cara de poucos amigos que Claire faria.

Acho que Izie imaginou a mesma coisa, pois riu comigo, sacudindo a cabeça.

– Já vai aprontar, não é, senhorita? Fica dando falsas esperanças para aquela garota lá.

– Não dei falsas esperanças à ela, Izie. Eu disse que a Claire não era gay, e ela sabe disso, mas mesmo assim quer ser amiga dela, quer conversar com ela, conhecê-la... Eu falei, "tudo bem né!". A Claire vai ficar uma fera, mas eu nem ligo, não podia perder essa chance de zoar com ela.

– Ela vai querer te bater! E eu vou apanhar junto porque sou cúmplice, e ainda porque vou ter que te defender dela — Izie disse e sacudiu a cabeça com um pequeno sorriso.

– Não se preocupe, coisa ciumenta. Eu sei lidar com a Claire — disse com um sorriso e dei um beijo em seu rosto.

Ela fechou a cara de novo, fazendo bico.

– Ah, eu tenho ciúmes de você, Fê. Caramba — resmungou.

– E você fica linda assim — disse com uma risadinha e mordi o lábio.

Torceu a boca, meio aborrecida.

– Você é minha, ok? Eu não quero nenhuma garota trepada no teu pescoço! E nem um garoto, piorou! — Estalou a língua novamente. Ela fazia muito isso quando ficava emburrada, era engraçado.

– Eu sou só sua, coisa linda — abri um sorriso contente e a beijei.

Dessa vez ela retribuiu e me envolveu com seus braços.

– Só minha? Para sempre? — perguntou sem afastar muito nossos lábios.

– Só sua, para sempre! — concordei e ela então sorriu o meu sorriso.

Nós então fomos ao encontro das meninas. Eu estava me roendo por dentro para dar as boas-novas para Claire, e Izie já imaginava como a doidinha ia reagir. Ia ser engraçado, já conseguia ver a cara mortífera que ela faria para mim.

Notas finais
Bem, como vocês puderam ver... esse capítulo não é uma explosão de fofura exatamente (talvez um pouquinho só, rs), mas vai colocar a dona Claire numa grande enrascada kkk :x Eu achei que seria legal encaixar essa cena na estória, pois vai ocasionar outras coisas fofas também ao longo dos acontecimentos, então eu espero que tenham gostado ^-^ Como já tenho tudo planejado aqui, já vou começar a escrever o próximo capítulo e fazer o possível para postá-lo amanhã mesmo sem falta! Até o próximo capítulo s2 Beijos.