Paranóia*
5 Capítulo 5
Notas iniciais
- Eu não quero te dizer nada, só quero passar um tempo com você! Ou melhor sozinho com você! Vem!- ele disse me puxando pelas mãos — quero te mostrar um lugar!
Ele me levou até um prédio que ficava no mesmo terreno da escola. Ele levantou uma estaca que mantinha uma das portas fechadas.
- Onde estamos?- perguntei com um pouco de medo.
- Calma , aqui só era um antigo prédio da escola que pegou fogo. Ninguém morreu, não havia ninguém aqui quando isso ocorreu! Não fica com medo eu estou aqui com você!- ele disse e eu apertei a mão dele.
Ele me levou até o segundo andar do prédio, em uma sala cuja havia uma janela que nos mostrava uma bela vista da cidade. Eu olhava fascinada, mas comecei a me sentir mal, o ar parecia pesado, minha vista ficava se contraindo, meu coração mal batia. Minha boca começou a ficar seca, cai de joelhos no chão. Então tudo ficou escuro.
Comecei a escutar uma sirene, parecia de ambulância. Eu forcei um pouco mais meus olhos e enxerguei aqueles dois pontos vermelhos do meu sonho;
-Quem está ai?- pergunti
- Hora, já tivemos essa conversa antes! O que você quiser que eu seja eu serei!- Disse uma voz muito confiante.
- Não estou me sentindo bem! Onde eu estou?- perguntei
- Em outra dimensão talvez! Sua imaginação, pode até ser sua alucinação!- ele disse dessa vez mais perto
- O que você quer de mim?
- Eu não sei, o que está proposta a me dar?- perguntou.
- Me tira daqui!- gritei
- Ali, ali,ali! Se chegar mas perto de mim, você volta , ou você tem medo ,dominadora?
- De você, nem em sonho!- falei
- Então venha aqui! Segure a minha.....
Derrepente eu voltei.
- Allison? Está tudo bem ?- Marshall perguntou preocupado.
- O que aconteceu?- perguntei
- você começou a passar mal então desmaiou!- ele disse- eu não sabia o que fazer , então te deitei sobre meu colo, e comecei a tentar te acordar!
Não disse nada, eu só o fiquei encarando. Eu estava deitada no colo dele , ele me olhava por cima, aqueles olhos que me puxavam para dentro dele. Eu o via se aproximando do meu rosto, mas não me mexia, eu estava gostando da sensação. Até que ele chegou perto de mais e eu sai do transe e me levantando subtamente.
- O que foi?- ele perguntou assustado.
- Nada, eu só nunca ...
- Nunca beijou ninguém antes?
- É!- falei meio envergonhada
- Tudo tem sua primeira vez, relaxa!- ele disse se aproximando novamente e beijando minha testa.- Vamos, o sinal já vai bater!
Fiquei sem ar! Vamos lá, não é tão difícil. Como ele mesmo disse, tudo tem sua primeira vez.
- Poder ir, eu já vou !- falei
- Tem certeza?- ele perguntou
- Absoluta!- falei
- Tudo bem!- ele disse se levantando e saindo.
Só quando escutei o barulho da porta se fechando no andar de baixo que eu me levantei. Não estava nem um pouco preocupada em chegar atrasada ou perder aula! Eu queria esfriar a minha cabeça. Eu não tinhas nenhum motivo para estar de cabeça quente,mais por algum motivo eu estava!
Fiquei andando em círculos por algum tempo, depois me sentei na beira da janela e coloquei meus fones, mas nem minha musica favorita estava me agradando naquele momento. Eu tiro os fones do ouvido, e logo em seguida já escuto passos dentro do prédio. Droga eu estou sozinha, porque eu tinha que demorar tanto assim para sair daqui, estou perdida agora.
Comecei a ficar com medo, aqueles passos estavam cada vez mais altos, ou seja, cada vez mais perto de mim qualquer coisa que seja que estivesse vindo!
Segurei uma estaca comprida de madeira que tinha no chão e a segurei com força, logo Megan apareceu na porta.
- O que está fazendo aqui inútil?- ela perguntou desaforada
- Talvez o mesmo que você!- falei
- Bom se é com o mesmo propósito, então vamos acabar logo com isso!- ela disse
Aquela menina linda, de longos cabelos ondulados sedosos, começou a se transformar em uma criatura terrivelmente horrenda, de pele cinza , muitos dentes pequenos e enfileirados em uma boca toda rasgada e machucada, muito alta, corcunda, com olhos sedentos por sangue e muito magra.
Ela começou a se aproximar de mim com tal agilidade, que quase não tive tempo de me esquivar da primeira investida da besta! Eu estava em estado de pânico geral, não sabia o que fazer, eu tinha certeza que mesmo que quisesse usar meus poderes não conseguiria, e estava clamando para que Timmy me ouvisse e chegasse voando para me salvar.
Aquela criatura correu em minha direção novamente, porem dessa vez eu rebati a cara dela com a estaca de madeira que eu tanto apertava. A criatura gemeu de dor, e eu aproveitei enquanto ela se recompunha para a atacar novamente. Eu senti meu sangue ferver, meu coração gritava por piedade, eu sentia uma força descomunal circulando por todo o meu corpo, e eu tinha certeza que se eu quisesse eu conseguiria matar aquele bicho!
Lancei a estaca contra as costas dela, depois contra a dobra das pernas a fazendo cair de joelhos e se encolher. Mas quando fui dar o golpe final alguma coisa segurou a ponta da estaca e a retirou bruscamente da minha minha mão.
- Não aqui, não agora!- escutei Timmy falar então ele encostou sua mão em meu ombro e eu desmaiei.
Acordei em casa com uma baita dor de cabeça, eu estava com a boca seca, coração a mil , e me sentia fraca.
- O que aconteceu?- perguntei para o anjo alado sentado na poltrona do lado da minha cama!
- você ainda me pergunta?- ele respondeu
- Com certeza! Por que não me deixou acabar com ela?
- Não era o lugar certo nem a hora certa, ela renaceria mil vezes mais forte!- ele disse
- Mas ela é meu anjo negro?- perguntei
- Parece que sim!- ele disse
- Pensei que não fossem tão feios!- falei
- São vários, mas não entendo porque ela estava na forma fraca dela!- ele disse
- Meu pai, imagina se aquilo era a forma fraca, imagina como deve ser a forma forte, deve nos ganhar pela feiura!- brinquei e ele riu
- Bom mas agora devemos ficar mais alertas!- ele disse- É bom que você consiga se virar um pouco sozinha agora. Pelo menos um pouco!
- Um pouco, eu quase a matei!- retruquei
Escutamos um estrondo na parte inferior da minha casa. Olhamos para porta do meu quarto e eu senti como se a força da gravidade me espremesse contra o chão naquele momento.
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