Parallel Souls
8 Soul's Report IV
Notas iniciais
Tchee, que confusão.
Como eu fui me meter nessa furada? Não sei. Mas parece até que o Saïx já tinha tramado algo desse tipo.
Bom, tudo começou de manhã, quando fui para a sala de estar do castelo receber minha missão, torcendo para que não fosse coletar corações novamente (SIM, eu consegui fazer a missão. Não é tão nefasto quanto eu pensei que fosse, mas não é nada maneiro ficar indo atrás daqueles bichinhos!). Bom, como eu queria, não foi coletar corações a missão de hoje. Foi algo pior, diga-se de passagem.
-Roxas, hoje estou mandando você em um novo mundo. — Disse Saïx, me olhando satanicamente, como sempre — É crucial que você encontre e elimine o membro impostor da Organization. Vá assim que puder.
-Escuta, não posso levar ninguém comigo? — Perguntei por causa da insegurança que me bateu por fazer uma missão sozinho — Eu não sei se consigo fazer isso...
-Deixe de besteiras, Roxas. Não há o que o Keyblade Bearer não possa fazer.
-Bom, eu não posso fazer muitas cosas. Mas você num deve nem ligar.
-... Vou escalar o Axel para ir com você.
É amigo, desbanquei o Saïx mais uma vez em menos de dois dias. Enfim, consegui não ir sozinho atrás do tal do agente impostor ou sei lá o que. Saïx então mandou eu sentar no sofá e esperar ele falar com o Axel para me acompanhar na missão, e, pra variar um pouquinho, fiz o que ele me pediu. Passaram cinco minutos irritantes ao lado de Demyx, que não parou de cantarolar o tempo todo, até que Axel chegasse e que o buraco negro (?) fosse aberto, para que eu passasse de olhos fechados, como de costume.
Eu queria ter entrado naquele buraco de olhos abertos, para ter certeza de que o que eu vi não era um sonho. Pelo menos, ter certeza mais cedo. Abri os olhos, estávamos no meio de um deserto. E, logo à minha frente, tinha uma escada de pedra com dois pilares em ambos os lados do primeiro degrau, que erguiam uma placa escrito: "Death City" em letras grandes. Achei que estivesse alucinando. Esfreguei os olhos várias vezes, mas não sumia. Mas tive certeza de que aquela era minha cidade ao subir as escadas e ver no horizonte o Shibusen.
-Aaaaah, Death City~ — Disse eu, estendendo os braços e abrindo um sorriso enorme, com Axel logo atrás de mim.
-Você conhece essa cidade, Roxas? -Ele perguntou, sem entender o que acontecia.
Aquela era a hora da verdade. A hora de contar ao Axel quem eu realmente era e acabar com essa farsa que estava vivendo, fingindo ser Roxas. Era a ocasião perfeita para aquilo, ainda mais porque eu tinha toda a Death City para provar o que eu dizia. E foi o que fiz.
-Escuta, Axel. — Disse, virando de frente para ele — Eu não sou quem você pensa que sou.
Ele me olhou com cara de "o que diabos está falando?" e então lhe contei tudo. Meu nome, onde moro, minha idade, o que eu achava que tinha acontecido comigo e também lhe contei tudo que eu havia conseguido de provas para minha teoria de que Roxas é o dono da minha alma paralela. Mas ele continuou não acreditando muito, disse para eu parar de brincar, que a gente tinha um alvo a achar.
-Siga-me. Posso provar tudo que te digo.
Foi o que disse à ele, entrando na cidade com passos largos. Axel de fato me seguiu, apesar de que eu esperava que ele me mandasse parar de correr e ir atrás do cara. Andamos por todos os lugares, fui mostrando tudo, falando o nome de todos que passavam por ali. Admito que senti uma grande dor no coração de ver todos e não poder cumprimentá-los pois não iriam me reconhecer.
Sei que sou um cara bem comunicativo, mas, honestamente, não esperava que Axel me compreendesse, já que, de acordo com ele, ele não tem coração para sentir. Mas ele me compreendeu. Ele pôs a mão no meu ombro e me disse que ia ficar tudo bem, que eu iria sair dessa e poderia voltar prá minha vida.
-Mas, você sabe, fomos mandados aqui para capturar o impostor. Poderia me ajudar? Esse lugar é muito grande para eu revistar.
-Eu te ajudo, sim. -respondi- Estou te devendo.
E então, voltamos a caminhar em silêncio. As ruas foram ficando cheias, então, como membros da Organization XIII não podem fazer contato com pessoas dos mundos em que vão, tivemos que ir pelos telhados das casas. Andamos por muitos telhados antes de achar o "alvo". Mas, por fim, o achamos. Foi meio irônico, porém lá estava ele, jogando basquete sozinho, na quadra que eu e meus amigos costumamos nos encontrar quando não temos missão e nem estamos no Shibusen. Aquele era absolutamente o último lugar que poderíamos imaginar encontrá-lo.
-Ei, você aí. -Chamei o cara de cabelo branco, pouco mais alto que eu, e casaco preto à minha frente, com um tom meio ácido na voz.
Aquele cara então se virou para ver quem o chamava, após fazer uma última cesta. Não faço a menor idéia de como ele fez aquilo, porque ele tinha uma faixa negra amarrada na frente de seus olhos. Fico imaginando o que levou-o a usar uma coisa daquelas. Enfim.
-Ah, finalmente chegaram. -Ele disse, com um sorriso cínico no rosto- Achei que Naminé tivesse falhado com o que eu havia lhe pedido...
-Espera, você é...?! -Disse Axel, com cara de "QUE DIABOS?!"
-Olá Axel. — Ele disse — Sim, sou eu. Riku.
-O que você faz aqui?! — Disse Axel, bravo — Por que está fingindo ser um membro da Organization?!
-Acho que já te expliquei isso uma vez.
-Você já parou para pensar que você está afetando outras pessoas com isso?
Foi a última coisa que Axel disse, com um tom totalmente pessoal. Riku nos deixou no vácuo por alguns instantes, só nos encarando enquanto a brisa carregava algumas folhas de uma árvore próxima. E então, depois de um tempo, ele deu um risinho baixo e curto, sacou uma espécie de espada que parecia a asa de um dragão azul e vermelha e passou voando entre eu e Axel, como o vento, criando uma distância.
-Eu não me importo com nenhum de vocês.
Disse ele, seco como uma folha de papel, avançando em mim em posição de ataque. O que diabos aquele cara queria comigo?! Eu não entendi na hora e nem quis entender, só me esquivei. Ele então parou na minha frente e falou:
-Soul Eater... Este é seu nome, não?
-É sim, mas por que você liga? — Eu respondi, nervoso.
-Que irônico, minha arma chama Soul Eater...
Ele me disse, sorrindo sugestivamente, como se dissesse "Vou te matar com essa arma, sabia?". E ele realmente estava querendo que eu entendesse algo assim, porque logo depois ele me atacou com ainda mais velocidade e eu só conseguia esquivar.
-Esse é o melhor que pode fazer?Achei que você era mais forte que isso, Soul. -Repetia ele, me provocando.
E ele conseguiu me irritar. Saquei asduas Keyblades, apesar de naquele momento eu só querer que meu braço virasse uma foice e eu cortasse-o no meio, e comecei a tentar atacá-lo com umadas chaves, enquanto barrava os ataques dele com a outra. Mas não saía daquilo.
Eu estava perdendo. Axel sempre tentava interferir com suas armas flamejantes, mas Riku sempre as refletia com uma barreira escura que ele criava ao seu redor com uma das mãos nesses momentos, enquanto me atacava com sua espada, na outra mão. Estávamos num embate infinito, porque uma hora a segunda Keyblade caiu muito longe de mim, e eu não podia mexer um músculo, senão ele me daria um ataque certeiro, do mesmo jeito que ele não poderia se mover senão eu o acertaria em cheio. Não nos movíamos, Axel estava caído no chão, cansado de acabar sendo acertado por seu próprio ataque. O ranger das nossas armas era constante, assim como o silêncio, que só foi quebrado por uma voz familiar.
-O que está acontecendo aqui?
Olhei espantado para a entrada da quadra. Era Maka.
-Maka?! — Gritei, meio histérico.
-Quem é você? -Ela me perguntou. Claro que ela não sabia quem eu era, estava em outro corpo!
Foi uma grande bobagem o que eu fiz, me distrair em meio à luta. Fui derrubado no chão como se fosse um pedaço qualquer de gelatina. Burro, é isso que sou! E o pior de tudo nem foi ser derrubado e imobilizado, mas foi que coloquei Maka no meio da luta. Assim que ele conseguiu fazer com que eu ficasse no chão, ele se afastou de mim e se dirigiu à ela.
-Então, você é a menina de que Naminé me contou... -Disse Riku, segurando o queixo de Maka — Foi você quem entregou Roxas daquela maneira tão sorrateira... Você não devia ter feito isso, sabe? Eu já teria resolvido o problema se você não tivesse feito isso.
Ele então apontou sua espada para Maka, que tinha acabado de dar um pulo para trás, escapando dele, com um olhar aterrado. Eu acredito que ela estava totalmente espantada por ele saber o que ela fez, enquanto eu estava assustado com o que ela havia feito. Conheço bem essa menina. Mas aquilo não me importou nada naquela hora. Levantei e corri para protegê-la. Ele estava com a espada já no alto da cabeça, quando me lancei na frente de Maka e disse bem alto para que ele não relasse nela.
Pude ver sangue voando. Ah, que sensação familiar. Aquela sensação péssima de que você vai desabar como uma árvore e cair no chão inconsciente, aquele medo de nunca mais acordar te tomando e os olhos ficando pesados.
-Axel... Leve ela... Pra longe daqui...
Disse eu, caído no chão, vendo Axel avançando em Riku, com uma feição raivosa. Riku simplesmente esquivou dele, abriu um buraco negro e saiu, falando que ele não tinha mais o que fazer ali. Desgraçado, tudo que ele queria era me machucar? Achou que ele seria capaz de fazer o que quer que ele quisesse fazer sozinho? Bom, não sei se o objetivo dele foi me machucar, mas ele conseguiu. Meu braço direito doía muito por causa do ferimento que ele havia aberto e o sangue escorria lentamente por ele, formando devagar uma pequena poça. Depois disso, a última coisa que vi foi Maka e Axel correndo em minha direção e depois apaguei.
Suspirei. Abri os olhos e me vi no quarto branco e melancólico da enfermaria do Shibusen. A única coisa que via era o branco do lençol que cobria minhas pernas. Me sentei com dificuldade e pude ver o braço todo enfaixado, latejando. Não tive nem tempo de olhar para os lados, logo já senti um abraço forte e lágrimas molhando meu ombro esquerdo.
-Me desculpe por ter feito você passar por algo assim de novo, Soul... — Disse Maka, me soltando de seu abraço por alguns instantes -... Você me deixou preocupada, sabia?
-Está tudo bem com você, garoto? — Disse Axel, encostado na parede ao meu lado.
-Bom ver você acordado, Soul. -Disse Kid, que também estava ali também, junto de Liz e Patty.
-SOUL, VOCÊ QUASE QUE MATOU A GENTE DE SUSTO, CARA! — Disse Black Star, pulando em cima de minha cama, pondo as mãos nos meus ombros e me chacoalhando.
Dei risada, apesar de que meu ombro doía por causa do ferimento. Foi um alívio ver todos ao meu redor, me tratando do mesmo jeito que sempre me trataram independentemente de eu não estar no meu corpo. Mas, claro, Axel não gostou muito do que o Black Star estava fazendo, já que isso só estava machucando mais o corpo do Roxas.Os dois acabaram brigando e de bônus o Black Star levou um Maka Chop. As coisas estavam extremamente normais, apesar de tudo.
-Onde está Chrona? — Perguntei, ao ver que ela era a única que não estava ali. Estranhei isso, já que Chrona sempre vai a todos os lugares que Maka ia.
-Ela está conversando com Roxas, lá embaixo. -Respondeu Kid
-Roxas está aqui também?! — Disse Axel, com preocupação e alegria misturadas na voz.
-Eu preciso falar com ele. — falei.
Eu então tentei levantar, mas logo chegou Nygus dizendo que eu deveria descansar um pouco, por causa do ferimento. Ah, fala sério! Eu não estava mais agüentando ficar deitado ali naquela cama branca, quando minhas pernas estavam perfeitamente normais.
-Não tem com o que se preocupar. — Disse Nygus, calmamente — Logo você será levado para aquele quarto, à pedido de Shinigami-sama.
-Mas, sensei, não podem confinar o Soul também! Ele tem que voltar para casa! — Disse Maka, indignada.
-Espera aí! 'Confinar'?! — Dissemos eu e Axel, em coro, porém só ele continuou depois que terminei esta primeira frase — Isso é uma escola ou uma prisão? Geez, esses mundos diferentes fazem cada coisa, viu?!
Ele estava realmente bravo.Eu entendo. Se eu tivesse um amigo e alguém trancafiasse ele, porém se negassem a trancafiar outro numa situação igual, eu também me indignaria. Como o Axel me ajudou muito, concordei em ser confinado junto com Roxas. Assim, poderia perguntar se algumas das coisas bizarras que sonhei aconteceram com ele.
Logo fui levado ao quarto que havia sido preparado para nós. Na boa, dividir um quarto com um garoto é meio gay e nada maneiro. Mas eu não tive muita escolha. Não quis ser injusto, apesar de que o problema do Roxas não é exatamente o meu problema. Enfim. Eu fui acompanhado por Axel e Maka. Aqueles dois não paravam de discutir sobre o lance de confinamento, já que a Maka não se incomodou muito de ter dado a sujestão de fazerem isso com o Roxas mas se incomodou com que eu também seria confinado. Quando chegamos lá, pude ver Chrona e Roxas conversando como bons amigos, sentados numa das camas do quarto descalços. Foi BIZARRÍSSIMO ver meu próprio corpo. Ainda mais porque ele mudou o meu penteado.
E está sendo ainda mais bizarro dividir quarto com ele. Não entendo como nossas Almas podem ser Paralelas se ele não tem nada a ver comigo. Ele é totalmente diferente de mim. Apesar de que a voz dele soa igual à minha. Sei disso porque faz um eco do demônio aqui e é possível ouvir tanto a minha quanto a voz dele.
Ainda não tive chance de perguntar ao Roxas como foram as coisas por aqui, porque logo que Chrona se retirou ele se agarrou aos joelhos e ficou olhando pros próprios pés, em silêncio. Entendo que ele não esteja gostando do confinamento sem poder falar com ninguém que ele conheça direito, mas eu também não estou muito confortável assim. Ele deveria ter ao menos essa consideração ou então deixar de ser tão tímido e puxar conversa.
Não sei quanto tempo vamos passar aqui, trocados e trancados. Mas as coisas não me parecem muito promissoras. Não mais.
Mas que grande merda.
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