Paralelos
1 Capítulo Único
Notas iniciais
OBS: Escrevi-a enquanto o Nyah estava fora do ar, e já peço desculpas adiantadas pelos provaveis atrasos que vou ter em minhas outras fic's, ok? É que aproveitei para enfiar a cara nos estudos essa semana *-* Tive aula a tarde quase todos os dias, fora o simulado e tal... Enfim... Sorry.
“Não consigo ver suas pupilas”.
Foram as primeiras palavras que ele direcionou a mim.
O pequeno garoto loiro balançava freneticamente as pernas, cujos pés não alcançavam o chão na cadeira alta. Seus olhos azuis alternavam de meus olhos perolados aos meus cabelos negros, jogados para trás até a cintura.
- Por que o seu cabelo é grande como o de uma garota? – perguntou jogando a cabeça para o lado.
- Por que meus tios ordenaram que ele fosse assim.
- Mas é cabelo de menina!
- Isso não importa.
O loirinho fez uma expressão estranha, como se estivesse com pena de mim e tocou os próprios cabelos.
- Mamãe não deixa o meu cabelo crescer! Ela sempre me manda no cabelereiro para cortar! Seria legal ter um cabelo igual ao seu!
Não me impedi de sorrir minimamente. Segurei uma das mechas de meus cabelos e suspirei.
- Não é tão legal assim, dá muito trabalho cuidar dele.
- Eu posso tocar?
Fiz que sim com a cabeça e o pequeno saltou da cadeira, vindo em minha direção. Ergueu uma mãozinha e segurou a mecha que eu segurava, Soltei-a e deixei que o loiro brincasse um pouco com meu cabelo. Seus dedos pequenos subiam e desciam enquanto se enroscavam nos longos fios.
- É macio. – disse ele. – é mais gostoso de pegar do que o da minhaOkaa-san!
Eu quis rir, mas me controlei, deixando apenas meus lábios se curvarem um pouco para cima.
- Tem um cheiro bom também... – disse o loiro afundando o rosto em meus cabelos.
Senti minhas bochechas esquentarem minimamente e o afastei um pouco.
- O que foi? – disse ele juntado às sobrancelhas e fazendo um biquinho fofo.
- Não faça mais isso. – falei desviando o olhar.
- Você está vermelho! – disse o loiro apontando um dedo em direção ao meu rosto.
- Não estou!
- Está sim!
Senti duas mãos pequenas e cálidas tocarem meu rosto, virando-me em direção a Naruto.
- Está vermelho sim. – disse ele, e logos seus belos orbes azuis brilharam. – uau! Eu consigo ver suas pupilas agora! Elas são tão pequenas e clarinhas... – seu rosto se aproximava cada vez mais do meu.
- Você está muito perto. – sussurrei.
- Mas a mamãe disse que temos que falar com as pessoas olhando nos olhos dela, você não estava olhando para mim. – porKami-sama, eu poderia ser engolido por aquele olhar tão profundo sobre mim.
- Mas não precisa ser tão perto... – recuei um pouco na cadeira, mas o loiro subiu nela e se pôs de joelhos entre minhas pernas.
- Você parece mesmo uma menina. – disse ele colocando um dedo sob os lábios. – eu me chamo Uzumaki Naruto! E você?
- Hyuuga Neji. – segurei seus ombros e o afastei. — Saia de cima de mim.
Naruto fez um bico e desceu da cadeira, seus olhos ainda fixos nos meus.
- Não consigo mais ver suas pupilas. – disse ele parecendo frustrado.
Quando abri a boca para falar, a porta grande e adornada ao nosso lado se abriu. Da sala de reunião, vários sócios se retiravam, uma ruiva aproximou-se de Naruto e acariciou seus cabelos, arrancando um sorriso enorme do mesmo.
Meu peito se aqueceu ao vê-lo daquela maneira, como se apenas aquele sorriso pudesse iluminar completamente as sombras.
Uzumaki Naruto era absolutamente radiante.
-Okaa-san! Olha, aquele é o Neji! – disse ele apontando para mim.
A ruiva logo olhou na direção em que Naruto apontava e arregalou os olhos.
- Um Hyuuga. – disse ela quase num sussurro.
Eu podia entender o porquê de sua expressão.
A ruiva deveria ser apenas uma sócia, já meus pais eram donos da empresa junto aos Uchiha. Mas apenas Uchiha Itachi e Hyuuga Hinata apareciam, ocasionalmente, nas reuniões. Eles herdariam a empresa e por isso estavam ligados por um casamento arranjado um com o outro. Então eu e o irmão mais novo do Itachi, Uchiha Sasuke, sempre éramos deixados de lado, acabamos nos tornando... “Amigos”, por assim dizer.
Sasuke e eu possuíamos a mesma idade, treze anos. Naruto deveria ter uns seis, por aí. Era significativamente menor que eu e possuía traços delicados e um tanto andrógenos pelo corpo.
Mas voltando a estória...
A ruiva deu um sorriso e apertou minha mão.
- Me chamo Uzumaki Kushina. – disse ela. – prazer em conhecê-lo.
- Hyuuga Neji. – falei num tom um tanto frio e olhei para Naruto que possuía um enorme sorriso no rosto. – você virá na próxima reunião?
- Não sei. – o loiro franziu a testa. – eu venhoOkaa-san?
- Claro que sim meu filho! – disse Kushina colocando uma mão atrás da cabeça. – se o jovem Hyuuga quiser, posso lhe trazer sempre!
- Gostaria que o fizesse. – falei inexpressivamente.
- Neji, quer brincar na minha casa? – disse Naruto todo sorridente enquanto se agarrava ao meu braço.
- Naruto! – repreendeu-lhe Kushina.
- Ele não podeOkaa-san? – disse o pequenino com lagrimas nos olhos.
- P-Pode! Mas não significa que ele quer, não é mesmo? Seja educado!
- Você não quer Neji? – olhou para mim parecendo magoado.
Corei ao vê-lo assim e olhei para o lado.
- Quero sim. – respondi.
Logo o brilhante sorriso voltou aos lábios do Uzumaki e ele abraçou com ainda mais força meu braço enquanto dava-me um estalado beijo na bochecha, alegando que estava muito feliz.
“Tão radiante...” eu pensava.
.
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Dez anos depois
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- NARUTO SEU DOBE MALDITO SAIA DE CIMA DE MIM! – berrava Sasuke.
- TEME! NÃO GRITE COMIGO EM MINHA PRÓPRIA CASA! – gritava Naruto do outro lado.
- ENTÃO TIRE ESSE PÉ IMUNDO DO MEU COLO!
- MEU PÉ ESTÁ LIMPINHO!
- DOOOOBE!!!
- TEMEEEEEE!!!
- JÁ CHEGA! – gritei. – QUANTOS ANOS VOCÊS TEM, CINCO!?
Ambos se calaram e Naruto retirou os pés de cima de Sasuke. Cruzaram os braços e olharam para lados opostos enquanto enormes bicos se formavam em seus lábios.
“Duas crianças”pensei enquanto revirava os olhos.
- Foi ele quem começou. – disse Sasuke.
- Então você deveria terminar! – falei massageando as têmporas. – Sasuke, você já tem vinte e três anos, comece a agir como tal!
- O Naruto também não é uma criança!
- Ele tem dezesseis! Praticamente ainda é uma criança!
- Ei! – reclamou o Uzumaki.
Sasuke bufou e se levantou, pegando o celular e o pondo sob o ouvido.
- Não sei vocês, mas estou com fome! Vou pedir uma pizza. Vão querer?
- Se você pagar. – os olhos de Naruto brilharam. – o sabor de sempre!
- O mesmo para mim. – falei.
- Aproveitadores... – Sasuke saiu em direção ao quintal da casa, onde a recepção do celular era melhor.
Naruto jogou os pés sobre as costas do sofá, ficando de cabeça para baixo, e deixou o pescoço tombar para trás, apontando os fios loiros em direção ao chão.
- Sasuke teme... – ele murmurou.
Dei uma risada nasal e sentei-me no chão perto dele, apertando seu nariz.
- Se ficar assim o sangue vai subir em sua cabeça. – falei.
Naruto estapeou minha mão e estirou infantilmente a língua, não importava quantos anos passasse, ele continuava o mesmo.
Aos seus dezesseis anos, estava concluindo cedo o ensino médio. Eu e Sasuke já estávamos no teceiro estágio da faculdade e ajudávamos na empresa de nossos familiares. Kushina havia se tornado nossa mais importante sócia, o que me aproximou ainda mais do Uzumaki. Como eu e Sasuke sempre fomos “amigos”, ele também se aproximou de Naruto, assim nascendo essabelíssimaamizade que temos.
Naruto fixou os olhos nos meus e esticou o braço, pegando uma mecha de meus cabelos e levando para perto do nariz.
- Tem sempre um cheiro tão bom! – disse ele. – eh... Consigo ver suas pupilas.
Seus dedos se enroscaram em meus cabelos e os puxaram com um pouco de força, me obrigando a ir para mais perto. A respiração um tanto desconcertada do loiro, por causa da posição em que se encontrava, batia contra meu rosto, era cálida. Um leve rubor tomou suas bochechas macias e seus olhos desviaram-se dos meus até meus lábios. Fiz o mesmo. Aquela boca cheinha e vermelha parecia gritar por mim.
- PRONTO! A pizza vai chegar dentro de quarenta minutos! – a voz de Sasuke cortou completamente o clima.
Naruto rapidamente levantou-se, batendo a cabeça em meu nariz e eu caí para trás. O loiro deu um sorriso sem graça para Sasuke enquanto eu esfregava meu nariz machucado. O Uchiha ergueu uma sobrancelha, mas não falou nada.
- Querem assistir o que agora? – disse ele revirando as caixas de CD. – que tal “o último exorcismo”? Ou “O exorcista”? Ou “Exorcism-“
- SÓ TEM EXORCISMO NESSA PORRA!? – gritou Naruto.
- NÃO GRITE DOBE! EU GOSTO DE TERROR, E DAÍ?
- DAÍ QUE EU NÃO GOSTO!
- PROBLEMA TEU!
- O que acham de assistirmos algum de ação? – sugeri já colocando um CD dentro do aparelho de DVD.
- FEITO! – gritaram ao mesmo tempo.
Larguei-me no sofá e dei play no filme. Naruto sentou-se ao meu lado esquerdo e Sasuke ao direito. O Uchiha logo deitou a cabeça no braço do sofá, encolhendo as pernas e murmurando coisas como “que tosco” ou “como ele ainda não morreu”? Já Naruto se apoiava cada vez mais em mim, ao ponto de que sua cabeça já usava meu colo de travesseiro. Automaticamente levei uma mão aos seus cabelos, acariciando suavemente os fios dourados. Não importava quanto tempo passasse. Naruto ainda era pequeno em relação a mim, seu corpo havia se desenvolvido de maneira um pouco andrógena. A cintura permanecera fina como quando era criança, a carne bem distribuída nas coxas e bunda. Tinha músculos, mas não exagerados, apenas “normal”.
Mas seus olhos continuavam brilhantes.
Ele continuava radiante.
A campainha tocou.
- FINALMENTE! – Sasuke levantou-se do sofá e foi até a porta.
Esperamos alguns minutos e nada de ele voltar. Olhei para Naruto, ele correspondeu ao olhar, estranhando a demora e nos levantamos, indo para a entrada.
Ok. Eu e esse loirinho vamos fingir que não vimos isso.
Mas vimos.
Sasuke estava se agarrando com o entregador da pizza. Ok né... O entregador possuía cabelos ruivos berrantes e uma tatuagem na testa, numa mão segurava a caixa da pizza um pouco afastada, com a outra apoiava-se no peque no portão. Já Sasuke agarrava-lhe a cintura com força, colando ambos os corpos. A rua estava deserta, então ninguém além de nos via aquele atentado ao pudor.
- S-Sasu... – gaguejou o ruivo. – você não pode ficar ligando pro meu trabalho para fazer essas coisas...
- Shh. Quietinho Gaara. – disse Sasuke com um tom debochado. – só trabalha nisso por que quer, não prefere ser meu secretário?
- Sasu eu p-preciso trabalhar...
- Trabalhe para mim... – o tom baixo do Uchiha provocava ao ruivo.
- D-Deixe-me ir...
O Uchiha logo tomou os lábios do tal Gaara novamente, eu e Naruto resolvemos sair dali antes que a coisa piorasse.
Sentamos novamente no sofá e Naruto ficou olhando para o nada com uma expressão estranha.
- Nunca pensei que o Teme fosse... An... “Desse lado” da força. – disse o loiro colocando uma mão sobre o queixo.
Ergui uma sobrancelha e apoiei minhas costas no sofá, indo mais para o lado, consequentemente me aproximando ainda mais de Naruto.
- Você tem algo contra “este lado” da força? – perguntei aproximando meus lábios de sua orelha.
- N-Não! – ele corou. – e-eu só n-não imaginava que o Sasuke fosse assim! O super orgulhoso Uchiha é gay? Uau eu...
- Fique quieto Naruto.
- Tá.
Ele olhava para baixo, olhando tão fixamente para o chão que parecia estar analisando do que ele era feito. As bochechas avermelhadas, umedecendo constantemente o lábio inferior e brincando com os dedos sobre o colo.
- Naruto...
O loiro ergueu o olhar, tirando-me o folego ao ver suas belas íris azuladas tão próximas a mim.
- Neji... E-Eu consigo ver suas pupilas... – gaguejou completamente vermelho.
- Também consigo ver as suas. – sussurrei, antes de colar meus lábios aos dele.
Tão... Delicado.
Automaticamente levei minhas mãos até a cintura delgada do menor, sentia suas mãos tremulas agarrarem meus cabelos. O coração dele batia rápido, ou era o meu? Não conseguia diferenciar...
- N-Neji... – gemeu em meio ao beijo.
- ESTOU ATRAPALHANDO!?
Naruto empurrou-me com tudo para a outra ponta do sofá. Sasuke estava encostado a porta, segurando a caixa da pizza entre as mãos e dando um sorriso de canto malicioso.
- N-Não...! – tentou dizer Naruto, mas estava tão vermelho que parecia que ia explodir.
- Hum. Sei. – o Uchiha colocou a caixa sobre a mesa de centro e foi para a cozinha, provavelmente pegar copos e o refrigerante.
- A casa é sua, por que é o Sasuke que faz tudo? – perguntei erguendo uma sobrancelha.
Naruto ainda estava num estado de alienação e vergonha. Revirei os olhos e me aproximei rapidamente dele, dando-lhe um selinho.
Naruto empurrou meu peito e se levantou rapidamente, tentando esconder o rosto envergonhado.
- V-Vou ajuda-lo! – disse ele já correndo para a cozinha.
“Tão fofo” pensei.
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Três meses depois
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- América? – meus olhos se arregalaram.
- Sim. A América. – Kakashi repetiu enquanto organizava os papeis empilhados. – Hinata-sama estará muito ocupada, não terá tempo para sair do Japão. Fora todo o marketing, e ter um membro dos Hyuuga na América realmente nos traria crédito, chamando atenção da mídia e triplicando nossas vendas.
- E por que meus tios não me contaram pessoalmente?
- Quando foi que eles te disseram alguma coisa pessoalmente? – Kakashi finalmente parou de mexer nos papeis e olhou para mim. – Já está tudo organizado, você partirá na semana que vem.
- Por quanto tempo terei que ficar lá?
- Pouco mais de um ano e meio.
- O QUE!? – alterei-me batendo ambas as mãos sobre a mesa.
- Não grite. – Kakashi massageou as têmporas. – quer que seus tios te deserdem?
- Não, mas...
- Então aceite. Deveria me agradecer por serem menos de dois anos, eles queriam te manter lá por pelo menos cinco. Mas consegui convencê-los há diminuir o tempo.
Recolhi minhas mãos, baixei a cabeça e suspirei.
- Entendo. – foi a última coisa que falei antes de deixar a sala.
[...]
- VOCÊ VAI PARA ONDE!? – berrou Naruto.
- Para a América, mas...
- Que droga Neji! – agora era Sasuke quem estava revoltado. – quanto tempo vai ficar fora!?
- Pouco mais de um ano e meio, mas...
- UM ANO E MEIO!? – os olhos de Naruto se arregalaram.
- ME ESCUTEM CARAMBA! EU VOU, MAS VOLTO! Continuarei meus estudos num universidade muito boa por lá, e logo depois estarei aqui novamente! Eu não quero ir, mas... Não tenho escolha.
Naruto estava chorando. Ele caíra sobre o sofá e agora deixava barulhos altos escaparem de sua garganta. Sasuke afundava o rosto entre as mãos e tentava se acalmar. E eu...
Bem, eu estava quebrado.
Passar esse tempo sem eles seria uma tortura.
Não ouviria mais Sasuke reclamar de Sakura e Ino, duas garotas de uma de nossas turmas na faculdade, e do quanto elas eram irritantes e persistentes. Nem quando ele ficara irritado quando o comparavam ao seu irmão, ou diziam que ele era a cara do lula molusculo.
E Naruto...
Não veria mais Naruto. Não escutaria suas piadas sem graça, nem veria mais seu sorriso radiante. Nem escutaria mais ele falar sobre por que o ramen deveria ganhar um museu ou que se mataria se não conseguisse entrar na faculdade que queria. A mesma que eu e Sasuke.
Por que esse tipo de coisa tinha que acontecer logo comigo?
- Sasuke... – finalmente o loiro se pronunciou. – será que poderia me deixar a sós com o Neji, eu gostaria de falar com ele.
Ele falou tão seriamente que Sasuke ficou com uma expressão surpresa por alguns segundos, nunca havíamos o ouvido falar daquela maneira. O Uchiha se levantou e vestiu o casaco que estava pendurado numa cadeira, pondo o celular no bolso da calça.
- Entendo. – disse ele olhando seriamente para o Uzumaki. – me liguem amanhã, ok? Eu vou indo.
Acenou para nós e deixou a casa, Naruto trancou a porta e colocou a chave sobre a mesinha de centro, em nenhum momento olhou para mim.
- Naruto...
O loiro pôs um dedo sobre meus lábios, ainda sem olhar para mim e disse:
- Por favor, não diga nada, senão eu vou desistir.
Finalmente me encarou. Conectando nossos olhos um no outro. Timidamente, suas mãos fora ao meu rosto, segurando-o delicadamente entre elas e nos aproximando ainda mais, tocando a ponta de nossos narizes.
- Consigo ver suas pupilas. – sussurrou.
E logo estávamos conectados num beijo.
Mandei meu autocontrole para o inferno depois disso.
Já esperei tempo demais.
Agarrei com força a cintura do meu loiro, colando nossos corpos enquanto pressionava minha coxa entre suas pernas.
Meu corpo parecia ter entrado no piloto automático. Segurei ambas as coxas fartas de Naruto e as coloquei ao redor de minha cintura. Caminhei em direção ao quarto, sem nem ao menos olhar o caminho, o beijo apenas se tornava mais intenso e o ar parecia que nunca mais iria acabar.
Tateei as cegas a maçaneta de seu quarto (tanto anos naquela casa, eu conseguiria me movimentar por ela até de olhos fechados), empurrando-a para baixo e logo depois fechando a porta com o pé.
Coloquei Naruto no chão, ainda sem separar nossos lábios e tratei de desabotoar minha camisa, jogando-a no chão. Apartei o beijo e puxei sua camisa para cima, retirando-a e a jogando junto a minha no chão, logo voltamos ao ósculo insaciável. Minhas mãos subiam e desciam por sua silhueta enquanto suas unhas curtas aranhavam minhas costas e ombros.
Joguei-o sobre a cama e soltei a liga que prendia a ponta de meu cabelo, deixando escorregar por minhas costas e tocar de leve em Naruto. O loiro gemeu baixinho e rapidamente desabotoei sua calça, precisava possuir aquele corpo o mais rápido possível!
Naruto agarrava meus cabelos enquanto aprofundava ainda mais o beijo (se é que isso era possível), quase rasguei sua calça ao puxa-la e atira-la em qualquer lugar do quarto, deixando meu loirinho apenas com uma box branca.
- Nhg... N-Neji... – gemeu o menor ao sentir-me morder lhe o pescoço.
Morder é pouco. Beijei, lambi, deixei vários chupões, várias marcas.
Qualquer coisa que gritasse para todos que ele era meu.
Naruto gemeu um pouco mais alto quando cheguei em seus pequenos e róseos mamilos eriçados, degustando-os com prazer. Minhas mãos insaciáveis já iam até a barra de sua box, abaixando-a.
Desci meus lábios pelo abdômen levemente definido, parando no significativo volume ainda escondido pelo já úmido tecido branco. Puxei o elástico da box e o soltei, arrancando um gemido um pouco alto de Naruto e logo me livre daquela incomoda peça.
E ali estava meu Naruto, prontíssimo para ser devorado.
Só por mim, é claro.
Não resisti em colocar todo aquele volume entre meus lábios, saboreando com vontade enquanto apertava-lhe deliciosamente as nádegas.
- Aaah... N-Neji... – Naruto tombou a cabeça para trás enquanto agarrava meus cabelos.
Logo se desmanchou em minha boca, engoli tudo e logo tornei a beija-lo, tirando-lhe o resto do folego que sobrara.
Não sei como lhes descrever o que aconteceu mais naquela noite.
Apenas posso dizer que finalmente entendi o verdadeiro significado da expressão:
“Fazer Amor”.
Por que tudo aquilo, nunca se trataria apenas de sexo...
[...]
- Ajeite esse casaco. – dizia-me Hinata. – assim, fica melhor...
Mantive-me calado todo o tempo, apenas deixando-a ajeitar-me da maneira que queria. Suspirei e olhei para o relógio, logo meu voou iria partir, onde estava Naruto?
- Tenho certeza que ele já está chegando. – disse-me Sasuke enquanto digitava alguma coisa no celular (com certeza falando com o tal Gaara...).
- Está esperando quem? – perguntou Hinata erguendo uma sobrancelha, nunca fomos muito próximos e eu não ficaria surpreso se ela não soubesse quem é Naruto.
- Estou esperando o...
- DESCULPEM A DEMORA!
Calei-me instantaneamente e olhei em direção a voz.
Naruto tinha a respiração descompassada, as bochechas avermelhadas e pequenas gotas de suor escorriam por sua testa.
- Desculpe! Desculpe! – disse ele enquanto se curvava várias vezes. – a aula de hoje demorou um pouco mais que o normal!
- Tudo bem. – deixei um sorriso vir aos meus lábios.
Hinata arregalou os olhos, provavelmente NUNCA havia me visto sorrir. Sasuke guardou o celular no bolso e deu umas tapinhas no meu ombro, alegando que eu faria falta e que aguardaria o segundo melhor aluno (ele era o primeiro, claro, tinha que ser um Uchiha...) de sua classe voltar. Dei-lhe um abraço amigo e ele se afastou de nos, levando uma Hinata confusa consigo.
- Então... Aqui estamos. – falei.
- É... – a respiração de Naruto finalmente havia se normalizado e ele brincava com os dedos nervosamente enquanto umedecia o lábio inferior.
Aquele jeito tão comum que eu sentiria tanta falta.
- Se cuide lá, ok? – disse ele fixando seus olhos nos meus. – tome cuidado para não adoecer, use sempre um casaco quentinho e tome chá. Deixei uma maleta de primeiros socorros sempre perto de você e dinheiro extra no bolso. Não se aproxime de gente de mal índole, nem..
- Fique quieto Naruto.
- Tá.
Permanecemos em silencio por alguns segundos, até eu finalmente me pronunciar.
- Enquanto eu estiver fora, cuide-se também. – falei sem desviar seus olhos dos meus. – não adoeça, mantenha-se longe de lugares perigosos e principalmente... – deu um passo para frente. – não pense em mais ninguém que não seja eu.
E, por segundos, nossos lábios se conectaram num tímido selinho casto.
Afaste-me minimamente, de maneira que nossos narizes quase se tocassem e sussurrei:
- Me espere.
Naruto sorriu apaixonadamente, com as bochechas levemente coradas e pequenas lagrimas ao redor dos olhos.
- Esperarei.
Uni nossos lábios mais uma vez, pouco me importando para todos ao nosso redor.
Naruto era meu, e eu era dele.
Apenas isso importava.
-Chamada para o voo 427 com destino a Manhattan, passageiros, por gentileza, dirijam-se à área de embarque.
Naruto puxou-me para mais um, e outro, e mais outro selinho. Até que nosso ar se fosse e as lagrimas em seus olhos engrossassem.
- Naruto... – sussurrei.
-Última chamada para o voo 427 com destino a Manhattan, passageiros, por gentileza, dirijam-se à área de embarque.
- Vá. – sussurrou ele. – e, por favor, volte para mim, não pense em mais ninguém enquanto estiver lá!
- Não se preocupe. – enxuguei com o polegar uma lágrima cálida de seu rosto. – tentarei falar contigo todos os dias que eu puder.
Naruto me abraçou e logo nos separamos. Passei pelos detectores de metal e estava em frente ao portão de embarque, prestes a entrar no corredor...
- NEJI!
Virei-me para trás, em direção à voz.
Vi um pouco longe, Naruto com o rosto vermelho, banhado de lagrimas.
- O QUE? – tive que falar alto para ele me ouvir.
- EU...! – deixou mais uma grossa lágrima escorrer pelo rosto, junto a um lindo e radiante sorriso. – EU CONSIGO VER SUAS PUPILAS!
Eu ri.
Uma vez Naruto, sempre Naruto.
- TAMBÉM PUDE VER AS SUAS! – grite de volta.
Todos ao redor nos olharam como se fossemos loucos, mas eu não conseguia parar de rir. Naruto também riu do outro lado, e a última coisa que vi antes de entrar naquele corredor foi o meu loiro, o meu Naruto, acenando para mim e gesticulando com os lábios:
“Eu te amo”.
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