Notas iniciais
A primeira lua cheia da Izzie, e um contato inesperado.

Derek sempre teve certeza de algumas coisas em sua vida. A mais importante delas era que provavelmente todas as mulheres que fizeram parte dela eram fortes. Sua mãe foi uma grande líder, esposa e uma genitora inigualável, suas irmãs foram e serão para sempre um espelho para ele, a confiança e o grande coração da Laura, a lealdade feroz da Cora, Erica e Izzie não eram diferentes. Cada uma delas tinha uma dificuldade a superar antes de alcançarem seu potencial total, a loira só se tornou a grande mulher que estava destinada a ser quando se libertou da epilepsia com a mordida. Já a Izzie...

– Izobel Simone Stevens o que diabos você acha que você está fazendo? – ele gritou ao entrar no seu quarto e ver que a marginal em questão estava rasgando algumas de suas camisetas prediletas.

–Eu acordei entediada. Então eu achei que você precisava de uma limpeza no seu closet. – ela respondeu com a expressão mais inocente possível, enquanto ainda tinha suas garras recém-adquiridas na camisa que agora era só mais um pedaço de tecido rasgado.

–Se eu soubesse que eu ia te morder e ao invés de virar uma loba você ia virar uma felina eu NUNCA teria feito isso, você arranhou os móveis, você rasgou minhas roupas, o que mais falta você fazer agora antes que eu te compre uma caixa de areia?

–Como nós estamos engraçadinhos hoje! – ela disse num sorriso torto e diabólico. – Não, sério agora, eu juro que eu não arranhei o guarda roupa por querer, eu estava só tentando ver se eu conseguia me equilibrar para pegar a caixa em cima dele, e eu escorreguei. Você preferia que eu tivesse escorregado no chão, papai lobo? – ela disse no se tom casto e angelical, e ele pensou que se não fosse pelo salto na batida do coração dela ele pudesse ter acreditado, talvez ainda não seja hora de ensinar isso para ela.

Naquele mesmo dia, ela o arrastou para fazer compras na seção masculina da Macy’s, e comprar roupas com cores de verdade nelas, com o argumento de que “preto é ausência de cor, e cinza é mistura de preto e branco“.

–Eu não vou usar laranja. – ele resmungou pela milionésima vez naquela tarde.

–Porque não? É uma cor bonita, quente e a gente tá no verão, Der. Cores tropicais são tendência! – ela disse de forma zombeteira.

–Porque eu não gosto da cor, por que laranja só fruta, por que eu sou eu que vou pagar, eu que vou vestir então eu devo decidir. – ele respondeu entre os dentes.

–Aff, tá bom, insuportável, mas a azul cobalto, a verde musgo e aquela vermelha vão com toda certeza. – ela disse pegando as peças que ele já havia experimentado, no meio da pilha ela deu por falta de algo. – Cadê a camisa rosa?

–Você não acredita de verdade que eu vou vestir aquilo né? – ele pediu com uma sobrancelha arquejada.

–Não, papai lobo, claro que não, eu te dei a blusa pra experimentar só para alegrar meu dia. Claro que é pra você usar, doença! Pega a blusa e dá aqui. – já esticando o tecido das mãos dele ela falou.

– Mas você nem sabe se é o tamanho certo! – ele protestou fracamente.

–É do mesmo tamanho que as outras, vai servir. Agora calças! – ela deu as costas e o deixou indo a outra parte da loja procurando roupas. Ele sentou em um dos pufs da loja e ficou esperando. Entediado ele pegou o celular e olhando os contatos pensou: Por que diabos não?

Preciso que você faça uma pesquisa para mim.

Olá Derek! Como vai? Eu também senti saudades! Não, sério minha vida vai indo muito bem. Beacon Hills? SUPIMPA desde que você, sua irmã e Peter resolveram sair da cidade.

Stiles? Foco. Eu quero que você pesquise para mim como lidar com pessoas loucas dentro de shoppings.

O quê?

Você não sabe mais ler?

Você é a única pessoa que eu conheço que consegue ser grossa pedindo um favor.

Heyespera, você estava brincando? Porque eu fui reler isso e parece que você estava brincando.

Derek?

Hey, Dereeeeeeeek!

–Falando com alguém, papai Lobo? – Izzie reapareceu do nada atrás dele e perguntou enquanto tentava ler por cima de seu ombro.

–Não, sua enxerida. Nada que seja de sua conta. – ele respondeu bufando. – Por que você demorou tanto?

–Eu tive que tomar essa calça a força de um cara. – ela disse brilhando os olhos dourados para ele.

–Ok, hora de ir pra casa.

–Mas Derek...

–Obediência, lembra Izzie? — ela abaixou a cabeça, deixou as caças numa pilha de roupas ao lado e consentiu.

–Tudo bem, Papai Lobo.

–Respire Izzie, pense em algo que te equilibre, acalme, algo familiar, que sempre surtirá efeito, não importa a ocasião. – ele disse para ela em sua primeira lua cheia, quando ela ricocheteava e sacodia os ganchos que a algemavam a parede.

Laura teve a ideia de organizar um dos quartos do apartamento com algemas, correntes e grilhões presos a uma parede reforçada caso um deles tivesse uma recaída, o que havia acontecido com ambos após o incêndio, ou na a adição de um novo beta a sua alcateia. Foi assim desde o começo da noite, a lua despontou no céu e a única sorte do Alpha é que ele já havia prendido a beta. Ela debateu-se, grunhiu, rosnou, arranhava as paredes e a ele, e uivou de uma forma tão sofrida que por muito, muito pouco ele não á libertou das correntes. Dez minutos de transformação e Derek tinha certeza que no imediato momento que ela adquirisse controle seria a mais forte de todos os betas que ele havia transformado. Começou a duvidar de suas afirmações quando duas horas de transformação e ela ainda não havia recuperado controle.

– Lembra que você disse que ia se controlar melhor que o Isaac? Novidade ruim, você perdeu. — ela mostrou os dentes para ele em reprovação, o que provava que ao menos ela ainda conseguia compreender, não havia permitido seu lobo interior domina-la. — Novidade boa é que você parece que será mais forte e habilidosa que o Boyd. -ele se calou acreditando que a revelação aplacaria a fúria da loba. Ledo engano, ela estava tão nervosa e raivosa como sempre. Então ele lembrou-se algo que sua mãe sempre fazia ao treinar ele e seus irmãos. — Todos os meus betas tinham no mínimo algo a ver comigo. – ele olhou-a de canto enquanto deslizava no chão procurando alguma reação, agressiva ou não, mas tudo que encontrou em seus olhos era o brilho feroz do lobo. – Você disse que eu os transformei por uma questão de necessidade, de defesa. Obvio você estava certa, mas essas nunca foram as únicas razões. -ele lambeu os lábios, e olhou para suas mãos. Algo sobre não olhar diretamente para a pessoa com quem conversava, sempre facilitou desabafar no caso dele.

–Não me leve a mal, mas você acha que eles são os únicos desajustados e necessitados em Beacon Hills? Não, eu te garanto que não. Entretanto cada um deles tinha algo haver comigo que eu não sei instinto, intuição, ou descuido, qualquer coisa me empurrou para eles. O Isaac foi o primeiro. Ele veio de um lar partido, perdeu a mãe e o irmão muito cedo e o pai foi um desgraçado que além de espancá-lo sem motivo, o trancava num refrigerador como punição. Ele é uma criança que cresceu do modo errado, mas que sempre quis ser diferente. Você precisava ver ele e a Erica por aí, eles tinham aquele ar de que dominariam o mundo juntos, uma conexão imediata que só as crianças rejeitadas e solitárias desenvolvem tão rápido. Sempre muito excitado em cumprir ordens, em ajudar, em ser útil, medo de ser dispensado, descartado faz isso com você.

Enquanto falava, várias imagens dos momentos que ele viveu ao lado do menino passavam por sua cabeça, desde o autocontrole e autoflagelação de escolher o pai como âncora, o fato de não ter fugido com Boyd e Erica, sua lealdade a Scott, e o momento que o Derek destruiu seu laço com ele, machucando o como o pai fez. Ele balançou a cabeça de forma pesarosa, e sentindo sua amargura Izzie fez um som gutural e apologético ao fincar suas garras na parede.

– Erica era uma flor que precisava desabrochar, possuía todo aquele potencial só esperando para acontecer, e a mordida deu isso a ela. Não só a beleza física, que já estava lá, escondida por uma menina que preferia fazer-se o mais invisível possível, por saber que só chamava atenção por motivos ruins, mas também a atitude. Sério, você ia adorar conhecer a Erica. Ela era um pouco parecida com a Laura no vadia má way of life. – o comentário lhe valeu um arranhão no braço e mais uma camiseta lascada. – Ai, ok, ok, eu não vou falar do jeito da Laura, ou da Reyes, ou do seu, porém você sabe bem o que é uma atitude ruim, você teve a pior que eu já vi por muitos anos. O lance dá Erica era só que ela nunca pode ser, ou fazer nada daquilo, então quando ela alcançou o que sempre quis, não existiam saias curtas demais, ou decotes profundo o suficiente, ela queria mostrar para o mundo tudo que ela sempre foi por dentro e agora o lado exterior agora refletia. Sabe que certa vez ela me agarrou a força? Eu a arremessei do outro lado do galpão, a beleza meio que subiu a cabeça e ela acabou tomando uma lição da namorada do Scott uma vez por isso. Ela era uma boa garota, insegura, mas uma boa garota.

Ele estava tão distraído contando histórias que não percebeu que a beta havia finalmente dominado a transformação e suas feições lentamente voltavam ao normal.

– O Boyd era o meu segundo no comando. Ele era inteligente, habilidoso, obedecia sem perguntar, seu foco não se desviava nunca da tarefa em mãos. Ele se aceitou a mordida não por que precisava se defender, ele já era forte, respeitado e até temido na escola, e ele também não desejava ser popular. Tudo que o Vernon queria era pertencer á algo. Ele trazia consigo uma culpa imensa, algo que o afastou de sua família sabe? O tornou distante dos pais, e sem amigos um solitário. Ele e a Reyes fizeram uma grande conexão, viraram um casal. E fugiram assim que puderam do meio da loucura que Beacon Hills se tornou. Foram pegos pelo Gerard primeiro, depois pelo Alpha Pack. Eu encontrei o corpo dela mas o dele... – a voz dele quebrou na última palavra, a beta em instinto arrastou-se até acomodar-se ao lado dele e repousou a cabeça em seu ombro para conforta-lo.

–Eu o matei. Eu sei que você vai dizer que não, que não foi minha culpa, mas foi. Foram minhas garras, minha inabilidade de ver através da névoa maligna daquela mulher, de deter os Alphas, minha inaptidão para ser um. – ele soltou uma gargalhada depreciativa, quase histérica. – Eu não sei como você deseja fazer parte de tudo isso. — ela o olhou de forma profunda, como se seus olhos pudessem mapear todos os segredos cravados em sua alma.

–Você cometeu muitos erros, mas você não é uma pessoa ruim. Ninguém nasce apto. – Ele abaixou a cabeça e sacudiu como se pensasse em contraria-la, ela suspendeu seu queixo. – Eu não acredito que vá ser tudo perfeito sempre, que nós nunca brigaremos que eu nunca te desobedecerei ou que você não será um imbecil ás vezes. Todavia, estaremos juntos e é isso que importa. Você irá me treinar e cuidar de mim e me deixar cuidar de você, e você vai conversar e se abrir, por que é isso que Pack significa. Família, não esquecer ou abandonar.

–Você esta mesmo citando um filme da Disney pra mim? – ele disse descrente.

–Shh Papai Lobo, me conte um pouco mais sobre os meus irmãozinhos.

–Você tem noção de que você é mais velha que eu né? – ele pediu recebendo em troca uma cotovelada pela pergunta.

–Mas você como Alpha é meu pai, figura de respeito, autoridade, toda essa bosta. – ela terminou com um imenso sorriso. – Vai, me conta mais sobre eles, eu juro que nem te olho. – ela deslizou o corpo para o chão deitando em posição fetal com a cabeça no colo dele, e puxando a mão dele para fazer carinho em seus cabelos, que ele prontamente atendeu e recomeçou a contar as histórias para ela, até que ambos deslizaram para uma noite de sono profundo.

Notas finais
Eu sou uma safada que posta pouco né? Mas eu juro que vou tomar vergonha na cara.