Notas iniciais
"Se o jogo do amor for assim,quero continuar jogando, mesmo que no final ninguém vença."

Nada mal

Nós dois juntinhos sensacional

Foi fatal

O seu carinho, carinho animal

A minha fantasia

Era te ter um dia

Não esperava assim tão de repente

(SPC)

Dandara estava estática na entrada da sala. João posicionou Bianca na sua frente na tentativa da mãe não notar sua situação, enquanto a atriz tinha a blusa desabotoada, roupa amassada e os cabelos bagunçados. Mas nenhum dos dois conseguiam esconder o alívio, apesar do susto, da sorte que tiveram por ser a mãe de João e não o pai de Bianca. E a verdade era que a cantora compartilhava do mesmo alívio.

– Vocês estão ficando malucos? Se fosse o Gael chegando em casa agora ao invés de mim?

Não sabiam o que responder, só tentavam normatizar suas respirações. Nenhum dos dois queria escutar qualquer tipo de sermão, e se esquivaram da possibilidade.

– Eu vou pro meu quarto trocar de roupa. Se precisar de alguma ajuda me chama.

“Não me chama, não me chama.”

– E eu vou tomar um banho que preciso esfriar a cabeça.

“As duas.”

– Podem ir. Mas quero conversar com os dois depois.

Dandara libera os dois, quer conversar, mas viu que poderia esperar devido ao susto e a vergonha. Esta feliz pelo filho, pelos dois!

“É, aos poucos o danadinho ta conseguindo tudo que queria.”

Durante o jantar, todos da casa estavam presentes e sentados à mesa: Gael na cabeceira, Dandara de um lado, Katrina do outro, Bianca ao lado da irmã e João ao lado da mãe. Sentados um à frente do outro, o casal trocava olhares, sem falar muito, até Gael reparou o silêncio principalmente de João, mas ainda estavam um pouco encabulados com o flagra de Dandara.

Depois da refeição, Karina foi assistir televisão na companhia do pai e Dandara foi tomar banho e descansar. João e Bianca ficaram encarregados de tirar a mesa e lavar a louça, já que não tinham ajudado no jantar, assim, enquanto a atriz lavava o garoto secava e as guardava.

– Será que a Dandara vai comentar alguma coisa com meu pai?

– Só se ela quiser voltar a ter um filho único, no caso, o que está na barriga dela.

João tem pavor só de pensar na reação do Mestre.

– É, eu acho que se ela for falar algo vai ser com a gente mesmo. Deve ta curiosa... João, não dá pra continuar assim, estamos parecendo dois kamikazes.

– Eu sei Bianquinha... E o pior de tudo é que só penso em você aparecendo no meu quarto de novo essa noite.

João larga o pano de prato e avança no pescoço da namorada, com beijinhos, afastando e acarinhando seus cabelos. Mesmo pensando no contrário, Bianca, arrepiada, aceita o carinho e beija o namorado.

– IOWW!

Mais um susto. Se soltam um do outro.

– É pra lavar a louça.

***

Deitada em sua cama, Bianca tenta dormir, mas não consegue tirar o namorado da cabeça. Fica relembrando os momentos da noite anterior e também as sensações de quando está com ele. Apesar do namorado ter insistido muito, ela havia afirmado que não iria aparecer em seu quarto naquela noite, não podiam continuar se arriscando tanto. Pensa em ir buscar um copo d’água na cozinha, mas antes que se mexesse ouviu Karina levantando sonolenta para ir ao banheiro.

“Será que ontem ela levantou enquanto eu tava no quarto do João?”

Seus pensamentos migraram para qual seria a reação da irmã caso acordasse e não a visse no quarto. Lembrou que isso já acontecera antes, e que a irmã não a entregou para o pai, porém dessa vez ela estaria sumida dentro de casa. Os pensamentos voltam ao namorado, se confundem, e com Karina já dormindo na cama ao lado, silenciosamente sai do quarto em busca de seu copo d’água.

No quartinho dos fundos, João também não consegue dormir. Qualquer barulho que pensa escutar, olha para a porta na esperança da entrada de Bianca. E a cada tentativa de fechar os olhos para dormir, visualiza a namorada, pensa nela, mentaliza um mantra para trazê-la até ele. Irritado, levanta e dirigi-se à cozinha.

“Um copo de água pode me acalmar.”

Ao sair do quarto avista Bianca afundada em um copo de água e que se assusta com sua chegada. Os dois se olham intensamente. Ela deixa o copo sobre a bancada da pia, e sem pronunciar nenhuma palavra um vai de encontro ou outro parando em um longo e denso beijo. Sem deixar de beijar a namorada, João segura em sua cintura e o mais silenciosamente que pode, a conduz para dentro de seu quarto. Apressados, logo estão despidos e entregues ao desejo.

Deitados na cama desarrumada de João, o casal curte o momento juntos.

– Sabe o que é muito doido?

– O que?

– Que em todas as vezes que idealizei a gente junto, que te tive nos meus sonhos, nenhuma vez foi aqui nesse quartinho... Que aliás eu nunca gostei e agora é meu lugar favorito da casa.

A atriz ri do namorado. Mas era uma verdade. Nem ela mesma entrava no cômodo, mesmo antes de João e Dandara irem morar lá, era meio que um depósito de velharia que o pai não tinha paciência de arrumar até precisarem do espaço.

– É, agora não é qualquer canto. Pode ser nosso cantinho.

– Já é.

– Mas eu to curiosa... Onde a gente ficava junto nos seus sonhos proibidões?

Os dois riem.

– Ah... No camarim da Ribalta, no meu antigo quarto, no seu quarto...

– Nossa, você sonhava muito comigo.

– Eu continuo sonhando.

O brilho no olhar de João derrete Bianca, que abraça e beija o namorado. Quanto mais ela conhece mais se encanta. E eles ficam ali deitados, nus e abraçados, recebendo carinhos um do outro sem falar nada.

Adormecem por quase uma par de horas. João acorda ao tentar mover-se e se alegra ao ver Bianca num sono suave deitada em seu peito. Não deseja que acorde, somente quer admirar a beleza da namorada e mexer em seus cabelos. Tem um sorriso bobo que insiste em permanecer na sua boca.

Instantes depois, Bianca desperta um pouco desnorteada, e ao encontrar o olhar do namorado sorri. Podia acordar todos os dias assim!

– Nossa, apaguei.

– Também dormi um pouco. É tão bom acordar e perceber que isso aqui é real!

O nerd prende forte a namorada nos braços e a trás para cima de seu corpo.

– Nunca me senti tão feliz!

Era como se o sorriso de João transbordasse, seus olhos de novo tão verdes e intensos, não era difícil mergulhar naquela imensidão. Bianca se sentia tão rendida. Outra vez excitada só com aquele olhar. Questionava o poder que aquele garoto magrelo tinha de dominá-la daquela forma. No início do namoro João disse que o sentimento que tinha por ela parecia feitiço por não conseguir ficar com Vicky, porém ela começava a discordar e que na realidade o verdadeiro feiticeiro era ele.

Não era só Bianca que estava excitada, sentiu a inquietação de João tentando inundar entre suas pernas, só precisavam de proteção e de ter noção da hora...

– João, que horas deve ser agora?

– Hora de te amar de novo...

***

Foi diferente dessa vez. Melhor! Tinha as unhas encravadas nas costas do namorado que estava exausto jogado por cima de seu corpo. Não tinha forças para sair dali, mas tinha que se esforçar e voltar para seu quarto logo. O basculante no alto da parece do quarto entregava a claridade do novo dia chegando.

– João...

– Hum...

– Olha a hora, ta clareando. Preciso sair daqui, me ajuda...

Não adiantava insistir, o cansaço já o derrotara e em segundos estava dormindo. Como um garoto tão magro poderia se tornar tão pesado daquele jeito? Com muito custo, conseguiu sair debaixo do namorado. Se apressou ao vestir seu pijama e se aproximou da cama do namorado novamente. Passou a mão em seus cabelos e beijou-lhe a testa. Sentiu os braços de João a rodeando, que mesmo sonolento não deixou de despedir da namorada.

– Não queria que tivesse que ir embora.

– Também não queria... Um dia quem sabe.

Grudam os lábios mais uma vez, e entre selinhos se levanta e vai em direção da porta.

– Tchau Bianquinha.

Olha de novo para o namorado que se ajeita numa posição antes de voltar a adormecer, enquanto sai joga-lhe um beijo e fecha a porta do quarto. Esse sorriso bobo e cansado que não sai de seu rosto. Ao se virar escuta passos, e toda expressão se transforma em pavor. Quase cai na tentativa de andar e em seguida avista a chegada na cozinha quem ela mais temia.

– FILHA? Ta fazendo o que ae?

Notas finais
- É, o flagra não foi de Gael... Quer dizer agora foi...E agora Bianquinha? - Estou me prometendo não dizer que posto de novo no dia seguinte porque nunca consigo. As vezes sem prometer consigo de verdade... rs - Tão curtindo?