Notas iniciais
Cheguei com mais um capitulo pra vocês e eu confesso que ele foi dificil, mas eu espero de coração que vocês gostem. Boa leitura. Esse é o penúltimo capitulo da fic!!!!!! To Arrasada! kkkkk

‘Cause they say home is where your heart is set in stone (Porque dizem que lar é onde seu coração está gravado na pedra)

Is where you go when you’re alone (É onde você vai quando está sozinho)

Is where you go to rest your bones (É onde você vai para descansar o corpo)

It’s not just where you lay your head (Não é apenas onde você deita sua cabeça)

It’s not just where you make your bed (Não é apenas onde você arruma sua cama)

As long as we’re together, does it matter where we go? (Contanto que estejamos juntos, importa pra onde vamos?)

Home, home, home, home (Lar)

Tsunade Senjuu observava com bastante atenção o loiro de pé do outro lado da mesa de mogno da sala do Hokage. Vestido com seu casaco negro e laranja, ele tinha um dos braços apoiados sobre o cômodo, enquanto inclinava-se tortamente sobre os papeis que analisava com seriedade que por anos ela duvidou que um dia ele obtivesse.

O novo Hokage tinha os cabelos loiros mais longos e confusos devido as diversas vezes que passava as mãos por ele, enquanto pensava. O rosto tinha claros sinais de cansaço e uma barba por fazer visível, o deixando com um aspecto mais maduro ainda que fosse um pouco preocupante. Ela havia chegado de viagem há dois dias, e sempre que o procurava o encontrava exatamente onde estavam agora, dessa última vez ele a surpreendeu ao pedir que ficasse. Animada, ela achou que a reunião era um código para beber e jogar como nos velhos tempos em que ela o “treinava”, e ficou decepcionada quando nenhuma das duas coisas aconteceu e nem parecia que aconteceria em breve.

— O torneio Chunnin acontecerá em alguns meses, e eu achei que poderíamos nos antecipar em deixar as coisas em ordem. – Ele dizia sem tirar os olhos dos papeis – Eu já falei com o conselho e os convenci a fazer uma grande estrutura para a luta final, mas ainda não estabeleci o local. A vila está cada dia mais cheia, prevejo que logo teremos que nos expandir territorialmente. Eu pensei em convocar uma reunião com o príncipe do fogo, e... – ele parou seu monologo abruptamente ao levantar a cabeça e notar a carranca de Tsunade em sua direção – O que...?

— O que está fazendo? – ela indagou o fazendo olhá-la com confusão, e em seguida para os próprios papeis e de volta para ela.

— Eu achei que poderíamos trabalhar nesse novo projeto já que está de volta e soube que deixou o hospital.

— E sabe por que eu deixei o hospital?

— Por que queria fazer novas coisas?

— Errado!!! – Ela bateu na mesa, levantando-se rapidamente para encarar o loiro – Eu deixei o hospital, me livre deste cargo e até sai da vila simplesmente para me livrar do trabalho!!!

— É...mas agora está de volta!

— Mas não para isso! Eu estou aposentada! Tudo o que eu quero fazer agora inclui bebida alcoolica, cigarros e qualquer jogo viciante. – Explodiu, voltando a jogar-se na cadeira e cruzar os braços.

Ela viu Naruto dar um sorriso, mas o mesmo parecia uma careta triste e não chegava até os olhos cansados.

— Entendi. Gomem. Eu não quero perturbá-la mais e... – ele novamente foi interrompido ao ser acertado com um lápis em sua testa – AU!!!!! CARAMBA VOVÓ ISSO PODIA TER ME FEITO PERDER UM OLHO!

— Seria um bom ressarcimento pela minha juventude perdida por sua causa!

— Como se a culpa fosse só minha – ele resmungou esfregando a testa dolorida.

— Certo – ela suspirou e cruzou as pernas e as mãos sobre os joelhos, os olhos perspicazes fuzilando o loiro mais novo que tornou-se imediatamente desconfiado com mudança de postura repentina – Isso não pode continuar.

— O que? Como assim? Do que a senhora está falando?

— Dessa sua fuga, sua obsessão, ou seja lá o que for. Não está fazendo bem para você, não fará bem para Konoha e provavelmente acabará me causando problemas e isso eu não posso admitir!!

— A senhora não está falando coisa com coisa. – ele rebateu com um riso frouxo e cansado.

— Você me entendeu muito bem. – Ela acusou sem recuar – Sua nova assistente me contou que vive enfurnado nesse escritório. Alias, ela é bastante simpática e aparenta ser bastante eficiente.

— Pena que não seja discreta. – Ele rebateu em um resmungo.

Havia chamado Kim para tomar o lugar de Shizune. A ex bartender do prostibulo era realmente muito eficiente e dedicada, e Naruto não tinha se arrependido de lhe dar esta oportunidade. Até aquele momento.

— Eu não entendo vovó. Foi você que sempre disse que eu precisaria me dedicar integralmente a esse cargo!

— Não ouse usar minhas palavras para justificar seus desparates! É lógico que eu disse isso, era meu dever! Eu estava treinando você. Mas agora você está exagerando! Se matar de trabalhar não vai sumir com seus problemas. – Nesse ponto, ela escolheu bem as palavras com cautela, no fundo, sentindo um pouco de tristeza pela dor obvia do aprendiz – Naruto, já faz mais de um mês...Você precisa seguir em frente.

Ela viu o jovem Hokage retesar o corpo imediatamente, os olhos fixos nos papeis em sua mesa.

— Naruto...

— Não é sua decisão. – ele a cortou e depois a olhou – Nem eu posso.

— Eu sei que você é teimoso e que esperaria por ela quanto tempo fosse capaz. Eu sei agora o quanto você ama essa mulher, Naruto, e Kami sabe o quanto eu torci para que isso desse certo. Mas você não pode continuar assim. Não estou dizendo para esquecê-la, mas viver um pouco. – ela suspirou tentando se explicar melhor agora que realmente tinha a atenção do loiro – Você não desmarcou os preparativos do casamento. Nada. Todos fora seus amigos, pensam que o casamento acontecerá normalmente. O que fará quando chegar o dia?

Naruto desviou o olhar realmente envergonhado. Ele sabia que deveria ter tratado de desmarcar isso há muito tempo, mas simplesmente não conseguia e preferia não pensar quando o dia chegasse e a noiva não estivesse em Konoha. Era realmente patético agora que ele parava para pensar.

— Eu ainda não tive tempo....

— Ah corta o papo furado pra cima de mim! – A mulher exclamou impaciente – Ouça um conselho que tem um pouco mais de experiência que você em corações partidos: Siga sua vida. O que tiver que acontecer, vai acontecer! Enquanto isso garoto, saia com seus amigos, beba, jogue, cuide de sua vila não como uma fuga, mas como o sonho que você sempre quis realizar. – Ela por fim se levantou – Pense nisso garoto, meu ultimo ensinamento. E de graça. – Ela hesitou e então tirou algo do bolso interno da longa túnica vermelha e branca que vestia – E isso é um presente meu.

Naruto sorriu carinhosamente para a garrafa de sake posta em sua mesa pela mestra e a viu sair e fechar a porta atrás de si. Sozinho, ele voltou a sentar-se em sua cadeira e olhar em direção aos papeis, em seguida de volta para a garrafa de sake.

— Dane-se. – murmurou e finalmente pegou a garrafa saboreando o liquido dos deuses explodir em sua boca e descer por sua garganta, já sentindo-se muito melhor com o álcool entrando em suas veias.

***

— Sasuke, você poderia retirar sua esposa da minha casa, já que vocês não moram lá e eu realmente não preciso mais aturá-la constantemente.

— A casa principal não é exclusivamente sua. Você pode escolher qualquer uma do bairro.

— Bem, eu escolho aquela!

Sasuke bufou sem paciência, afastando-se do seu trabalho manual. Só então Sayuri notou que o mesmo parecia pintar algo no muro com o grande símbolo do clã.

— O que está fazendo? – sem esperar resposta, ela aproximou-se e foi como se tomasse um grande choque que a fizesse recuar.

— Eu pensei em transformar esse muro em um memorial.

Um silencio mórbido se seguiu antes que a morena estalasse a língua com desdém.

— Você vai realmente demorar para escrever os nomes de todos os nossos mortos.

— Você pode me ajudar.

Sayuri olhou o muro por apenas um segundo novamente antes de acenar negativamente.

— Não há outro nome que mereça a perda do meu tempo.

Os dois caíram novamente em um silêncio mais confortável dessa vez e aproveitaram a leve brisa daquela manhã.

— Sabe o que eu nunca entendi.

Sayuri desviou o olhar para Sasuke com uma leve ironia que ele já estava acostumado e reconhecia como sua permissão para continuar.

— Por que voltou para Konoha?

— Eu achei ter deixado bem claro enquanto tentava te matar. – Ela ironizou suspirando com enfado e não viu o outro Uchiha balançar a cabeça negativamente e talvez por isso foi surpreendida com suas próximas palavras.

— Você não veio para me matar. É esperta demais para achar que podia me derrotar fácil.

— Achei que seus atuais laços sentimentais o deixariam mais fácil de manipular. E eu quase consegui – Ela fungou com arrogância, mas desviou o olhar sem se conter de volta para o muro atrás de Sasuke – Além do mais, eu tinha que tentar. Era minha única chance de conseguir o Mangekyo Sharingan.

— Você não conseguiria e sabe disso. – O Uchiha rebateu e Sayuri soltou um riso seco.

— Quanta arrogância. – Então seu sorriso morreu e ela o olhou com um semblante frio – Não me subestime.

— Não é arrogancia. E tão pouco eu a subestimo mais. – Ao conseguir a atenção da morena, ele levantou-se os deixando frente a frente. – Mas ainda que me derrotasse, seu sharingan não despertaria, pois ele necessita de um sacrifício muito mais profundo do que lembranças de crianças brincando no dojo. – Enquanto falava seus olhos não se desviaram dos dela que mantinha-se séria e quase distante, contudo ele podia ver a dor nos orbes ônix parecidos com os seus, assim como a dor parecida com a sua. – E você sabia disso desde o começo.

— Sabia do que? – ela o desafiou

— Que a única pessoa com quem você teria tal conexão a ponto de despertar o Mangekyo já estava morta. Eu o matei.

Nesse momento, ela não aguentou e rosnou virando o rosto para o lado oposto sentindo todo a raiva que havia adormecido dentro do seu peito por todos esses anos estivesse voltado com força total.

— Então eu só posso supor que você queria vingar Itachi. Mas se o conheceu tão bem quanto eu acho, você sabe que ele não iria querer isso, por que apesar de tudo ele me amava.

— Você, no entanto, não pensou duas vezes em mata-lo. – ela acusou ferozmente.

— E por muito tempo isso arrancou o único pedaço de humanidade que eu tinha. Não foi a toa que eu despertei o último estagio do Sharingan.

— Então agora de toda essa reflexão sem sentido por que não me diz você o que acha que eu vim fazer em Konoha, Sasuke? – ela não havia percebido, mas a esta altura lágrimas já saiam de seus olhos.

— Você veio para morrer. – ele disse direto a chocando de tal modo que nem ao menos conseguiu rebater – E queria que fosse em Konoha, por que aqui foi o único lugar em que conheceu como lar. – Nesse momento ela havia baixado a cabeça e involuntariamente ele andou em sua direção.

— Konoha nunca foi meu lar. – Ele pode ouvi-la em um fio de voz e então ela levantou o rosto e Sasuke viu a determinação – Mas era dele. E ele sim era o meu lar. – e foi apenas essa dedução dita em voz alta depois de tantos anos em silencio, a fez finalmente desabar e se deixar chorar e sofrer por sua perda.

O vazio em seu peito ainda latejava e esfriava seu corpo a fazendo encolher-se e quase desmoronar, mas então um toque em seus ombros repentino a surpreendeu e a fez novamente olhar em direção ao outro Uchiha.

— Você tem um novo lar agora. Não fuja dele por medo ou culpa.

— Do que eu teria medo ou culpa? – ela perguntou em um fio de voz anasalada pelo choro.

— De querer viver novamente.

E sem dizer mais nada, Sasuke passou por ela e seguiu andando, deixando-a para trás sozinha com aquelas palavras e pensamentos martelando em sua mente e coração, e diante dos seus olhos o muro com uma única escrita:

Itachi Uchiha

Enquanto isso, o chefe do clã Uchiha entrava no dojo principal onde imediatamente reconheceu sua esposa parada em frente a janela. Contudo, a rosada não os espiava como ele pensou em um primeiro momento e sim lia uma carta.

— Alguma missão? – ele perguntou tentando não parecer curioso e viu a mulher olhá-lo com um sorriso nos lábios.

— Muito melhor! – ela quase gritou de emoção, indo ao seu encontro e lhe dando um beijo nos lábios – Ino está voltando para Konoha!!!! Depois de tanto tempo, a porquinha está voltando e eu mal vejo a hora de vê-la. Sua barriga deve estar enorme. – O entusiasmo dela era contagiante e Sasuke não pode deixar de sorrir também – Gaara vem com ela também. Kami-sama, eu já prevejo mais um casamento!

Nesse momento, entretanto, o sorriso da médica morreu um pouco e o Uchiha soube exatamente porquê.

Há alguns dias, Sakura havia feito como uma missão pessoal sua tentar animar o dobe robotizado que se encontrava em tempo integral no prédio do Hokage. Contudo, apesar dos esforços da rosada, Naruto parecia recusar-se a sair de seu estado de letargia diante de qualquer assunto que não envolvesse Konoha. Sua última cartada foi pedir ajuda a Tsunade e esperava que a sensei tivesse mais sucesso, contudo tudo levava a crer que Hinata Hyuuga realmente havia desistido do casamento. E Sasuke sabia o quanto isso feria e incapacitava o loiro, e pelo visto não melhoraria tão cedo.

***

Kim deu duas batidas respeitosas na porta de seu chefe, antes de abrí-la com cuidado e com um pouco de hesitação ao saber que aquela altura o Hokage provavelmente já sabia de sua pequena fofoca para a Sannin.

Não fizera por mal, obvio. Era grata a Naruto desde o momento em que o loiro entrou na sua vida e na de seu irmão, mesmo que de forma pouco convencional. Dar a ela este emprego e principalmente este voto de confiança apenas a fez ser mais agradecida, e na verdade, a esta altura o considerava um amigo muito querido a quem queria apenas o melhor. E por isso contou a Tsunade Senju suas preocupações, a falta de sono e comida que percebia que o Hokage aflingia a si mesmo. A mulher não pareceu tão surpresa contudo, e prometeu falar com ele. Desde então o mesmo não havia saído da sala e pelo adiantado da hora, Kim apenas supunha que a conversa não deveria ter surtido efeito. E agora ela temia que ele a demitisse, ou pior, rompessem sua recente amizade.

— Algo aconteceu Kim? – A voz do loiro a tirou de seus devaneios e ela corou ao olhá-lo, mas logo percebeu que o mesmo tinha a cabeça baixa parecendo revisar alguns papeis em sua mão, em uma pose que ela já vira bastante nos últimos dias.

— N-não. Eu apenas vim ver se o senhor precisa de algo.

O Hokage suspirou finalmente levantando o olhar, mas novamente não parecia irritado com ela. Na verdade, ele parecia exatamente o mesmo de sempre. Talvez Tsunade tivesse deixado a conversa para outro dia afinal.

— Já disse para não me chamar de senhor, Kim. – Ela retrucaria, mas ele a calou com um aceno – E eu não preciso de nada, obrigado. Mas já está tarde. Você já deveria estar em casa. – ele observou e ela franziu o cenho contrariada e muito tentada a ela mesma ter a conversa que aparentemente a Sannin não teve.

Contudo, logo Naruto estava novamente focado nos papeis em sua mesa e ela suspirou derrotada, sabendo por antecedência que não adiantaria de nada.

— Boa noite, Naruto. Até amanhã. – ela disse forçando um sorriso, ainda que por dentro se sentisse uma completa fracassada – Se cuide, por favor. – pediu em um fio de voz antes de finalmente fechar a porta.

— Boa noite, Kim-chan. – Naruto murmurou sem tirar os olhos dos papeis e então assim que se viu sozinho, apenas explodiu revelando-se para ninguém, um clone das sombras.

O verdadeiro Hokage estivera o tempo inteiro sentado atrás da mesa onde Kim não podia vê-lo. Ele tinha nas mãos uma garrafa de sake quase vazia que brincava distraidamente enquanto olhava para o próprio reflexo na grande janela de vidro. Era decadente. E ele não dava a mínima.

Semanas havia passado e ela não havia mandado se quer noticias mesmo que fosse para cancelar o casamento. Talvez achasse que seu silencio fosse o suficiente para Naruto entender que havia sido abandonado, mas ele era burro demais para entender e covarde para acabar de vez com aquela palhaçada de casamento quando todos sabiam que nada aconteceria.

Inferno, ele nem conseguia dormir em seu apartamento sem sentir-se um completo fracassado. De repente uma risada rasgou sua garganta secamente com um pensamento delirante.

— Quem diria que a Hyuuga no final das contas era quem quebraria meu coração. – ele murmurou sem humor, levando a garrafa novamente a boca e assim tomando o último gole, sentindo a quentura do liquido descer por sua garganta e misturar-se com a bola de ferro que o mantinha engasgado. A pressão o fez tossir e em um rompante de raiva, ele jogou a garrafa contra a parede a vendo espatifar-se em sua frente. Um minuto de silencio se passou, antes dele tomar uma decisão que apenas o álcool poderia lhe dar tal coragem. – É isso. Se assim ela quer, eu não vou continuar com isso.

Entre resmungos e cambaleios, ele tateou a mesa em busca de papel e caneta. Então ele escreveu uma breve mensagem.

Um Anbu encontrava-se naquele prédio, para a segurança do Hokage, eles diziam, mas Naruto conseguiu que o mesmo mantivesse uma distancia segura dele lhe dando certa privacidade. Ainda sim, ele não precisou de mais do que uma elevação de chacra para que o lobo aparecesse. Naruto sabia que ele via a garrafa espatifada no chão, mas manteve-se inalterado e apenas lhe estendeu o pergaminho.

— Alcance Kim e entregue isso a ela.

— Me dê um minuto para que eu providencie....

— Agora.

O lobo tensionou a coluna, mas por fim acatou as ordens como era de se esperar e em poucos segundos havia partido, deixado o Hokage sozinho no prédio.

Jogando-se em sua cadeira, Naruto sentiu-se exausto e sua cabeça girar. Naquele bilhete, ele dava ordens e plenos poderes para Kim cancelar todos os preparativos do casamento e que ela o fizesse o mais rápido possível.

Havia acabado finalmente.

...

...

...

...

Não notara que havia adormecido até abrir os olhos e sentir a cabeça contra a madeira de sua mesa. Não sabia quanto tempo havia passado, mas sua cabeça doía e rodava, e um calafrio corria por sua espinha o fazendo suar frio.

Mas não foi isso que o despertou.

Uma presença. Alguém mais estava no prédio e não era o lobo guarda costas. Também não era Kim ou Sakura, e não havia mais ninguém que devesse estar no prédio aquele horário.

Tentando manter-se sóbrio apesar de seu estado, ele acalmou o próprio chacra o quanto pode para não alarmar o intruso.

Não demorou então para ele ouvir a porta ser destrancada com cuidado e quase sem barulho e uma figura encapuzada entrou na sala iluminada apenas pela luz da lua cheia lá fora.

— Seja quem for, eu espero que não me faça perder meu tempo e apresente-se de uma vez e diga por que está invadindo o prédio do Hokage. – Em um primeiro momento não houve qualquer resposta e tão pouco o outro se mexeu o que deixou Naruto curioso e não de uma forma positiva, e começava a realmente sentir-se febril a esta altura. – Se não disser apenas será pior e...

De repente seja lá o que ele fosse dizer, fazer, ou se quer pensar foi esquecido em um canto bloqueado de sua mente, por que no momento que o desconhecido estendeu os braços pálidos em direção ao próprio capuz, Naruto sentiu seu próprio coração falhar uma batida.

Então suas suspeitas se confirmaram quando a figura realmente revelou-se ser Hinata Hyuuga. Seus cabelos estavam presos em um única trança, sua franja parecia mais curta deixando as sobrancelhas dela a mostra, e Naruto nunca pensou que os olhos da Hyuuga pudessem se destacar ainda mais.

Hinata então deu um passo em sua direção, mas estancou quando o ouviu rir, em seguida gargalhar, secamente, e cambalear para a janela.

—- Isso só pode ser um pesadelo... – ele murmurou por fim a deixando chocada, mas ele mantinha-se alheio as suas reações – Ou um genjutso? Seja o que for, isso não vai acabar bem. Pra você. – ele frizou arrogantemente cruzando os braços e observando a “tal Hinata”.

— E-eu não... – ela hesitou, a ansiedade de encontrar o loiro sendo substituída pelo arrependimento. Havia sido impulsiva ao ir ali, se dando conta apenas naquele momento qual poderia ser a reação do loiro e pelo visto não era das melhores a julgar pela insinuação sobre ser um “pesadelo” – Eu apenas achei que deveria informar ao Hokage sobre o meu retorno a vila.

As palavras polidas fizeram Naruto relembrar a raiva que sentira instantes atrás.

— Não é como se você precisasse realmente me dar alguma satisfação. – ele ironizou acidamente. – Eu suponho que sua estadia foi bastante satisfatória.

— Na verdade, foi sim.

— Ótimo. Ótimo. Realmente ótimo. – ele murmurava indo em direção ao sofá.

— Naruto...

— Quer saber? – ele a cortou, sentando-se no sofá e recostando-se de modo que seu rosto estava virado para cima – Não perca mais tempo comigo. Com certeza seu precioso clã está ansioso para sua chegada, Hinata-sama.

A kunoichi diria algo, mas então calou-se diante da postura fria e distante de Naruto.

—Você tem razão. Eles ficarão sem entender quando a carruagem chegar sem mim. Com sua licença. — ela fez uma leve reverencia que ele não viu e apenas se foi.

Ao ouvir o barulho da porta, ele pareceu despertar do próprio torpor e finalmente se dar conta do que havia acontecido.

Kami-sama que diabos ele estava fazendo? A uma hora atrás ele se martirizava pela falta de noticias daquela mulher, e agora que a tinha tão próximo, ele simplesmente agia como uma criança covarde e a mandava embora?

— Hinata! – chamou em um grito, pulando do sofá.

Mas foi tarde demais. Quando ele abriu a porta não havia mais ninguém. Ele então correu em direção a janela, mas só o que viu foram as ruas vazias e pouco iluminadas de Konoha.

Ele estaria delirando afinal? Tudo não passou de um sonho?

***

Assim mais um dia raiou em Konoha, e qualquer um perceberia que o clã Hyuuga tinha uma movimentação acima do normal.

Neji andou calmamente pelos corredores e cumprimentou com um simples aceno os outros Hyuugas que encontrava pelo caminho, percebendo-os nitidamente mais animados aquela manhã. Não era para menos de qualquer forma, ele também estava muito satisfeito com a volta de sua prima e principalmente ansioso e – por que não? – esperançoso com qualquer que fosse as descobertas que ela fizera em sua viagem. Entretanto, quando a mesma não chegou com a carruagem, ele teve plena certeza de onde ela deveria estar e se não estivesse errado, teria de aguenta sua ansiedade pelo menos por mais algumas horas.

Ele não era de errar em seus palpites, então qual não foi a sua surpresa ao entrar na sala de jantar e encontrar Hinata já sentada a mesa olhando fixamente para a mesa farta a sua frente com um semblante desanimado.

— Ohayo? – Seu cumprimento sal mais como uma duvida velada, mas foi suficiente para chamar a atenção da prima que imediatamente abriu um grande sorriso e estendeu uma das mãos em sua direção.

— Ohayo nee-san! Que saudades. – Suas palavras eram mais sinceras que seu sorriso, Neji percebia enquanto pegava as mãos delicadas entre as suas e depositava um beijo casto em cada uma.

— Eu também. Mas confesso que não a esperava aqui tão cedo. Achei que...

— Eu tenho novidades. – ela o cortou. Bruscamente. O sorriso era ainda mais rasgado agora, mas parecia apenas um rabisco desenhado para cobrir uma mancha. – Eu consegui.

A linha de pensamento dele, entretanto, foi cortada apenas com essas duas palavras.

— Espere, o que? – ele piscou atônito.

— Eu acho...não, não, eu tenho certeza que eu consegui. – ela repetiu e deu uma risadinha, verdadeira dessa vez, diante do olhar confuso do primo. Então se aproximou ainda mais dele recostando-se sobre a mesa – Eu sei de um jeito de retirar o selo.

— Isso é...como?

— Takashi-san tinha uma vasta coleção de documentos, alguns escritos a tanto tempo em que as vilas ninjas nem existiam ainda. Línguas mortas. Demoramos para decifrar tudo, mas achamos um ninjutso em sua forma mais pura. Antes os ninjutsos não eram usados desta forma militarizada que nós ninja usamos hoje em dia. Ele era como um ensinamento, uma religião, que ensinava as pessoas a ter um entendimento melhor sobre si mesmas e se transformar naquilo que eram de verdade.

— Parece bonito. – Neji comentou e viu Hinata acenar com um sorriso melancólico.

— E triste. – ela completou – As vezes eu penso que Toshi e Hidetaka tinham razão em achar que os ninjas destroem tudo de bom do mundo.

Neji reconheceu imediatamente os nomes dos sequestradores dela e apertou com mais força a mão que ainda não havia soltado.

— Coisas ruins acontecem e vão continuar acontecendo, os ninjas continuando ou não nesse mundo. – ele disse, sabiamente – Esqueça esses dois. Você conseguiu um grande feito.

— Obrigada. Você confia em mim?

— Com a minha vida. – ele disse sem pestanejar e então a viu se levantar em um pulo.

— Vamos então.

— O que? Para onde?

— Vamos acabar logo com esse pesadelo!

Neji hesitou, mas então sorriu e levantou-se calmamente ficando de frente para a prima. Ela tomou isso como um incentivo, pois deu um passo em direção a saída, mas ele a deteve.

— Eu não vejo a hora para que isso aconteça. Mas não agora.

— O que? Por que? Neji, eu sei o que estou fazendo. Eu vou conseguir, eu prometo.

— Eu não tenho dúvidas disso.

— Então?

— Eu vou esperar.

— Esperar o que?

— Hanabi. Eu quero que ela tire o selo antes de mim.

Hinata sentiu então seus olhos se encherem de lágrimas diante do gesto tão sensível de Neji e sem aguentar jogou-se finalmente em seus braços, que lhe recebeu acolhedoramente e a deixou chorar em seu peito como quando os dois eram apenas crianças inocentes.

— Apesar do gesto nobre...não sabemos quando Hanabi voltará. – Ela murmurou uns minutos depois um pouco mais calma, mas ainda sem sair dos braços do primo.

— Não falta muito agora. Creio que até o final da semana ela já estará em Konoha. – a resposta dele surpreendeu a morena que afastou-se dele bruscamente.

— Do que está falando? – ela fungou, limpando as lágrimas.

— Hanabi mandou uma carta há alguns dias dizendo de seu retorno. O treinamento teve resultados incrivelmente surpreendentes e rápidos.

— Isso é maravilhoso. E louco. – complementou limpando as próprias lágrimas e sorrindo um pouco e Neji aproveitaria aquele momento para questioná-la sobre o outro assunto, se bem naquele momento uma das servas não adentrasse a sala com rapidez.

— Hinata-sama. Neji-sama. Perdão interromper. M-mas é Hiashi-san...e-ele está destruindo tudo. Parece possuído.

Os dois primos se entreolharam rapidamente antes de correrem em direção aos novos aposentos de Hyuuga Hiashi, uma instalação mais próxima do dojo principal.

Muitos Hyuugas se aglomeravam na porta, mas ninguém ousava entrar, além dos guardas, então a pequena multidão deu passagem para a líder e seu conselheiro que não hesitaram em entrar.

Neji foi o primeiro e seu ímpeto imediato foi o de impedir Hinata de entrar. Protegê-la daquela visão que ele sabia que a machucaria ainda mais.

Ele não teve sequer tempo, pois Hinata impulsivamente escorregou de seus braços e tomou a dianteira ficando frente a frente com a cena que se desenrolava dentro dos aposentos.

Tudo estava quebrado, jogado, destruído, cacos de vidros pelo chão, pedaços de madeira por todos os lados e bem no centro um homem, ou ao menos o que sobrou dele. As vestes rasgadas, os pés descalsos e ensanguentados provavelmente por ter pisado nos cacos de vidro, as mãos igualmente flageladas, e o rosto desfigurado por uma mascara bizarra que só poderia ser descrita como de loucura.

Hiashi tinha o Byakugan ligado o que o tornava ainda mais grotesco. Ele grunhia e gritava, e esmurrava a parede e tudo o que tivesse ao seu alcance como um animal cujo seu único ímpeto era o de destruição.

Como um demônio.

— Oto-san... – Hinata deu um passo, mas foi interceptada por Neji.

— Não vá Hinata. Ele não está no controle de suas ações.

Mas ela não quis ouvir, e soltando-se dos braços do primo, ela deu um passo em direção ao pai.

— Oto-san... – murmurou, a voz saindo falha e ela respirou fundo tentando se recompor – OTO-SAN!!

Imediatamente o corpo do velho Hyuuga tornou-se tenso e suas costas arquearam-se como o de um animal em alerta. Lentamente ele virou-se até que o Byakugan encontrasse os olhos prateados da mulher em meio a destruição que ele próprio provocara.

— Hinata. – Ele murmurou ao mesmo tempo em que a kekei genkai era desativada e a Hyuuga surpreendeu-se com o tom pequeno e quase doloroso com que o pai chamou seu nome.

E isso a fez adiantar-se em direção a ele e pegá-lo a tempo quando o mesmo desabou sem aviso.

Em meio ao caos, ela o tinha em seu colo como uma criança. Não soube quanto tempo se passou naquela posição, apenas balançando e sem perceber cantarolando uma música antiga, até Hiashi voltar a mover-se, dessa vez para longe de seu toque.

— Por favor, me diga o que está havendo com o senhor. – ela pediu, na verdade implorou, sua impotência diante do estado do pai a matando por dentro. Mas no fundo, ela não esperava qualquer resposta e por isso surpreendeu-se ao ouvi-lo sussurrar.

— Vá embora.

— Nani?

— Será que está surda? – O mais velho rosnou e da porta, ele viu Neji dar um passo ameaçador – Vão embora os dois! Eu não os quero aqui!

— Oto-san...

— Eu não quero vê-los mais! Entenderam? Apenas vão embora por essa porta e me esqueçam!!! – e reunindo toda a arrogância e empáfia que ainda havia lhe restado, o ex-lider do clã caminhou pelo corredor que o levaria até seu quarto, deixando para trás uma Hinata chocada e um Neji indignado.

— Vamos Hinata. – ele disse para a prima, ajudando-a a se levantar do chão. – Vamos fazer o que ele diz.

— Ele não está em seu juízo perfeito.

— Eu desconfio que seu estado de loucura começou muito antes de ser preso. Nós é que não percebemos. – Neji disse com frieza

Hinata deu uma última olhada no local destruído.

— Peça para alguém vir limpar isso enquanto ele está no quarto. – ela pediu enquanto se deixava ser levada pelo primo.

Ao chegarem lá fora, os Hyuugas já haviam se dispersado.

— Eu vou para o escritório. — ela anunciou.

— Hinata. – ela o olhou e Neji hesitou se devia ou não se meter naquele assunto – Você chegou ontem de madrugada. Pode ter um dia de folga.

— Eu estou bem. – ela garantiu dando aquele sorriso que não chegava aos seus olhos e mais uma vez tentou fugir, mas foi interceptada pelo outro.

— Eu tenho certeza que você tem outros assuntos para resolver agora. – ele disse sério e por um instante os dois se encararam em desafio, contudo o mesmo logo desistiu em um suspiro. – Hinata, Kami sabe que eu não gosto de me meter nesse tipo de assunto, mas...

— Não há mais outros assuntos. – ela o cortou de repente e ele a viu espremer os lábios como quando era criança e tentava conter o próprio choro.

— Eu tenho certeza que está enganada.

— Não. – ela fungou, balançando a cabeça negativamente – Eu me certifiquei disso ontem. Na verdade, ele deixou bem claro que o assunto está acabado. – ela deu uma risada seca.

Neji hesitou, se perguntando se eles estavam realmente falando do mesmo assunto, mas pela expressão no rosto da prima, percebeu que sim. Ainda sim, era estranho.

— Eu não preciso ser um gênio para saber que vocês não conversaram. – ele acusou e nesse ponto ela desviou o olhar

— Não precisou.

— Claramente precisa. Vocês são orgulhosos, teimosos, mas com certeza ainda não sabem ler mentes.

Hinata bufou e cruzou os braços, agora mostrando sua real frustração.

— Ele praticamente me expulsou do escritório dele. Nem me deixou falar! O que quer que eu faça?

— Eu não sei. Mas acho que se tem algo para falar, deveria fazer ele te ouvir. – ele disse displicentemente como se conversassem sobre o tempo e por fim a olhou com um ar irônico – Ou será que é você quem não quer ouvir?

E jogando isso no ar, o ninja apenas saiu caminhando para fora do clã. Ele tinha seus próprios assuntos para resolver, mas torcia para que a prima se acertasse novamente com o Hokage, ou Kami-sama os protegesse.

***

— NARUTO

O loiro viu chocado, sua sempre tão discreta e calma assistente, entrar em sua sala como um furacão, com uma expressão insana no rosto.

— Algum problema, Kim?

— Sim!! Quer dizer, não!! – ela dizia atrapalhada – Bem, eu achei que sim quando recebi seu recado ontem, mas agora que já soube da novidade, não há mais problema algum! Pelo contrário!! Tudo está bem!! Felizmente eu ainda não havia feito nada, ou melhor, desfeito tudo...

— Kim, kim, você está tagarelando. E sobre o meu pedido de ontem, ele é verdadeiro, e na verdade você já deveria tê-lo cumprido já que eu disse que era urgente..

As palavras dele fizeram toda a euforia da morena se quebrarem em uma mascara de horror, para em seguida de confusão e por fim de realização, um leque de emoções em apenas uma fração de segundos que deixou o Hokage perdido.

— Oh claro, você ainda não sabe! Eu mesma soube há alguns segundos! É claro!! – ela dizia baixinho como se falasse consigo mesma, a euforia insana voltando as suas feições quando olhou de volta para o chefe – Ela está de volta, Naruto!!! Hinata está em Konoha!

Ter certeza de que a noite passada não foi apenas um delírio de sua cabeça fez surgir em Naruto uma misto de sentimentos. Felicidade pela volta de Hinata, frustração pelo que aconteceu na noite passada, então medo pelo que significava e por fim resignação com que olhou para sua assistente que continuava a tagarelar, inconsciente do que se passava pela mente dele.

— Você precisa ir até ela agora! Vamos! No caminho você compra um buque de flores ou uma caixa de doces. Será que daria tempo de você ir em casa? Talvez tomar um banho e fazer a barba... – ela analisou maternalmente.

— Kim...

— Tem razão. – ela deu uma risadinha – Não precisa! Apenas vá visita-la! Mas o buque de flores não é negociável!! Uma mulher precisa receber um buque de flores sempre! – ela dizia encantada, enquanto já o puxava em direção a saída.

— Kim! – ele finalmente conseguiu tirar a assistente dos próprios devaneios românticos e soltar-se de suas mãoszinhas eufóricas. – Não precisará de buque de flores, por que não haverá visita alguma.

E mais uma vez ele viu o rosto da assistente se desfigurar em choque e confusão.

— O que? Como assim? Vocês já se viram, é isso?

— Na verdade, sim. – ele confessou em um suspiro, jogando-se novamente em sua cadeira e Kim finalmente notou que algo deveria ter lhe escapado.

— E então?

— Faça o que eu lhe pedi ontem. – foi só o que ele disse.

— Eu não entendo. Ela está aqui! – ela continuou repetindo.

— E nada mudou!! – ele rebateu começando a se aborrecer com aquela conversa.

— Vocês não conversaram!! – ela acusou de repente surpreendendo Naruto – Eu deveria imaginar. Pelo pouco que eu o conheci nos últimos meses, você não deve ter nem a deixado falar.

Ele realmente estava surpreendido com a perspicácia de Kim. Mas obviamente não deixaria admitiria isso.

— O que importa isso agora? Não podemos simplesmente continuar com os preparativos do casamento como se nada tivesse acontecido. Como se ela não tivesse me abandonado e nem sequer mandado noticias.

— Entendo. Você vai desistir por causa desse seu maldito orgulho.

— Claro, a culpa é sempre minha!! – ele ironizou

— Eu não disse que era! – ela respirou fundo tentando se manter calma

— Ótimo! Por que o largado nessa história fui eu! E eu nem sei exatamente o motivo!

— Saberia se vocês conversassem.

Naruto bufou por fim e Kim aproximou-se com cuidado.

— Depois de tudo o que vocês dois passaram. Depois de todo esse tempo. Você vai deixar essa história terminar desse jeito? – ela perguntou e então apenas se foi, deixando o Hokage sozinho com os próprios pensamentos.

***

Sayuri revirou os olhos com mau humor ao entrar no vestiário e ver os outros policiais quase todos reunidos ali conversando sobre qualquer coisa inútil com um bando de comadres fofoqueiras. Sasuke eram sem duvida um molenga como chefe.

— Será que não tem nenhum trabalho para vocês? – ela resmungou passando por eles sem nenhum cuidado.

— Não seja uma vadia. Estávamos esperando noticias suas. – um deles respondeu irritado. Sayuri sempre fazia bonitas amizades por onde quer que passasse...

— E por que diabos eu daria noticias da minha vida para vocês, inúteis?

— Como se fossemos querer saber da sua vida estupida!! – o outro rebateu baixinho, honestamente ele tinha um pouco de medo dela. – Ou ela não deve saber ainda...

— Saber o que? Qual dos vermes vai me contar de uma vez antes que eu tenha que dar uma surra em todos! – ela começava a perder a paciência e um pressentimento ruim crescer em seu peito.

— É o Inuzuka. – A policial novata foi quem respondeu quando todos pareceram apreensivos, e se o nome que havia dito não tivesse chamado toda a atenção da Uchiha, ela sentiria um pouco de respeito pela novata. – Ele e Torh estavam em perseguição essa manhã, mas acabaram sendo emboscados. Torh seria pega por um ataque surpresa, mas Kiba se meteu na frente e acabou levando o golpe. Os bandidos fugiram e Kiba foi para o hospital e...

Mas ela nem continuou o relato por que a Uchiha já havia saído do prédio.

Em questão de minutos, ela já entrava no hospital de Konoha e todos podiam sentir a ameaça Uchiha e alguns até temeram que ela havia resolvido matar a todos novamente. Uma enfermeira quase desmaiou quando foi interceptada e obrigada a dizer onde Inuzuka Kiba estava.

Andando pelos corredores, Sayuri podia sentir o próprio coração batendo pesado em seu peito, o medo se apossando dela a cada passo que dava. Ela mal podia admitir para si mesma o que faria se Kiba tivesse...

Ela balançou a cabeça tentando expulsar aqueles pensamentos de sua cabeça e entrou no quarto indicado.

A primeira coisa que viu foi uma massa de cabelos vermelhos em frente a janela. Não havia mais ninguém no quarto e a ruiva olhava para as próprias unhas com tranquilidade e sem qualquer preocupação e por isso Sayuri sentiu uma raiva descontrolada que a fez pular na Kunoichi metida.

Torh nem teve tempo de gritar, ou sequer expressar qualquer reação quando teve seu corpo empurrado com brutalidade fazendo seu rosto se chocar contra o vidro e rasgar sua testa.

— Merda!!!! O que você fez sua piranha!!! – a ruiva xingou ainda um pouco atordoada e por pouco conseguiu se desviar do soco da Uchiha, mas acabou tendo seus cabelos presos e puxados de forma dolorosa. – Me solta!!!!

— Sua Inútil!! Idiota!!!! Eu não acredito que aquele babaca do Kiba arriscou a vida dele por um verme que nem você! Uma vagabunda inútil que não sabe nem se defender!!!! – Sayuri dizia entredentes e por fim deu um tapa no rosto da ruiva que caiu contra a parede sem conseguir se defender. A cruel Uchiha estava de volta e tinha um sorriso sádico no rosto – E ainda se dizia uma ninja de elite! É patético!!!!

— VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE FAZER ISSO! – A ruiva explodiu e partiu para cima da morena que não teve nenhum problema de desviar-se de seus golpes, e nenhuma pena de jogá-la no chão e prendê-la ali com as mãos no pescoço dela, a enforcando.

— ONDE ESTÁ KIBA, SUA DOENTE MENTAL! SE ALGO ACONTECER A ELE, EU VOU MATA-LA!!!! VOCÊ TA OUVINDO, SUA VADIA DOS INFERNOS!!!

— Sayuri!

Quando a Uchiha olhou para o lado foi surpreendida com a visão de ninguém menos que Kiba saindo por uma porta que ela nem havia notado antes. Ele vestia apenas a parte de baixo do uniforme, deixando a mostra o torso musculoso e enfaixado na altura do peitoral e sobre os ombros. Ele também parecia bastante chocado, mas não em risco de morte.

— O que está fazendo? – ele perguntou olhando para algum ponto embaixo dela e só então a mesma lembrou-se de estar enforcando uma ruiva safada que começava a ficar roxa. Nada bonito.

A Uchiha a largou, finalmente saindo de cima dela e a deixando respirar.

— Sua malu.ca!!!!! – Torh xingava quase sem voz enquanto tentava se arrastar para longe – Eu v.ou de.nun.ciar você! Po.de após.tar que vai p.p.perder a sua bandana por isso!!

— Então talvez seja melhor eu terminar o serviço! – Sayuri provocou claramente sem nenhum remorço, mas satisfeita ao ver a expressão de horror da ruiva.

— S-se afaste de miM!!! – Sayuri quase gritou tentando se levantar, e quando Kiba fez mensão de se aproximar ela o fuzilou – Se afaste de mim, também!!!! Vocês são dois loucos!!! E se merecem!!! – ela finalmente conseguiu se levantar e saiu cambaleante da sala, fechando a porta com força.

Um silêncio pairou no comodo por um instante. Kiba a espera de uma explicação, enquanto Sayuri olhava pela janela fingindo ignorar tudo a sua volta.

— Bem... – ela pigarreou – Eu já vou embora também.

— O que? – ele quase riu, colocando-se na frente dela e impedindo sua fuga – Não! Você não vai sair daqui até me contar o que diabos foi isso que acabou de acontecer!!

— Eu e a ruiva nos desentendemos! Coisa de mulher.

— Qual é! Você é a última pessoa que falaria sobre “coisas de mulher” ainda mais com Torh. – ele zombou, mas ela o ignorou.

— De qualquer forma, eu vejo que você está muito bem e o que os vermes da policia estavam dizendo não passou de uma grande fofoca! – Diante do olhar confuso do outro, ela revirou os olhos – Eles me disseram da emboscada e que você foi pego por um ataque como um imbecil tentando salvar sua nova parceira inútil!

— Não foi grande coisa! E tão pouco eu sou um imbecil. – ele rebateu acido, mas logo sua irritação deu lugar a uma realização chocante – Você achou que eu estava morrendo e por isso veio aqui. E por isso estava acabando com a raça da Torh. – ele finalizou e não pode conter o sorriso que despontou em seus lábios deixando a mostra seus caninos brancos.

Foi o momento mais próximo que Sayuri repensou sua ideia de morrer. Ao menos ela não estaria naquela situação humilhante.

— Claramente você está ótimo! Então eu não preciso mais perder meu tempo aqui quando eu podia estar trabalhando e... – ela parou chocada quando ele começou a gargalhar – QUAL É A GRAÇA, SEU IDIOTA!

— Admita de uma vez que você estava preocupada comigo!

— Ora não seja não arrogante! Eu só vim aqui por que aqueles enxeridos da policia estavam enchendo o saco!!! – ela rebateu – Eu não tenho tempo para isso!!! – rosnou, já tentando ir embora, mas ele a segurou. – O que é dessa vez?

— Admita Uchiha, você sente a minha falta e estava morrendo de preocupação de me perder. – ele cantarolou presunçoso, mas não esperava pela resposta dela.

— Estava. – ela disse baixinho, desviando o olhar envergonhada, e imediatamente o sorriso dele se dissipou. Diante do silêncio dele, ela se soltou bruscamente – Satisfeito? – explodiu sem mais se importar em esconder aquilo que ela não admitia nem para si mesma.

Sasuke tinha razão. Ela queria morrer quando viera para Konoha, e ironicamente ali acabou encontrando um novo sentido para continuar vivendo. Um emprego em que ela era boa, uma espécie de família de um jeito torto que não era das piores, e ainda tinha aquele Inuzuka de quem irritantemente ela sentia falta. Não apenas do sexo, mas também da parceria nas rondas, das conversas sem sentido e até mesmo das implicâncias bobas.

— E eu sou uma idiota por me preocupar, já que foi você que me trocou pela vuduzenta ruiva! – ela bufou –Espero que esteja sendo muito feliz tendo que servia de babá para aquela inútil!

— Eu te troquei? E aquele história de ser guarda costas de um velhote babaca qualquer e me dar o bolo.

— Caramba!!! Ainda essa história! Foi só um extra.

— Eu te vi beijando um cara aquela noite. – ele soltou e demorou um tempo para ela entender até finalmente lembrar e sentir-se um pouco envergonhada sem nem saber exatamente por que – Agora parece um pouco estupido por que não somos nada um para o outro, mas eu fiquei chateado e achei que se você queria acabar com a nossa parceria, seria melhor que eu fizesse isso.

— Eu nunca quis que a nossa parceria acabasse. – ela disse em um fio de voz. – E aquele cara...

— Não importa...

— Foi só um cara. – ela continuou – Eu fazia muito isso antes de vir para Konoha, pra não me sentir sozinha. – ela suspirou melancolicamente – Mas então naquela noite, foi diferente. Depois do beijo eu só fui pra casa. Sozinha. – reiterou para a surpresa de Kiba.

A essa hora eles já estavam sentados lado a lado na cama do hospital.

— Eu nem lembro o nome dele, e na verdade já tinha até esquecido. Até agora.

— Nós somos dois idiotas! – ele concluiu rindo e levou uma cotovelada dela – Au!

— Você é o único que está todo enfaixado em um hospital depois de querer dar uma de herói! – ela acusou. – Se tivesse comigo, nada disso teria acontecido.

— É provavelmente verdade. – ele riu e acabou arrancando um riso dela também – Então, vamos voltar a ser parceiros?

— Eu não sou tão fácil assim, Inuzuka – ela ironizou – E de qualquer forma, não podemos ficar trocando de parceiros a toda hora. Isso ainda é um comando policial.

— Sasuke com certeza não vai se negar. E de qualquer forma, eu duvido muito que Torh vai aceitar continuar como minha parceira. – ele riu – Depois da surra que você deu, provavelmente ela vai querer sair até de Konoha.

— Cachorra ridícula! A academia ninja de Konoha, realmente aceita qualquer um! – A morena disse com desprezo – Então levantou-se espreguiçando-se – Bem, eu acho que é hora de voltar...

Mas ela foi pega de surpresa ao ser puxada para o meio das pernas do Inuzuka que mantinha-se sentado na cama.

— Eu acho que temos uns minutos agora que eu estou hospitalizado. E você como minha parceira tem que cuidar de mim.

— É muita decadência virar babá de cachorro. – ela riu

— Oh sim, eu vou adorar contar a todos como você bateu em Torh e ameaçou acabar com a raça dela se algo acontecesse comigo. – ele provocou e a viu corar mortificada.

— Você estava ouvindo!! – ela acusou – Se contar alguma coisa eu vou mata-lo!!! – rosnou, constrangida, mas antes que pudesse escapar, ele a puxou novamente dessa vez se pondo de pé e alcançando sua boca.

Ela não o repeliu, ao contrário abriu os lábios e o deixou aprofundar o beijo sentindo aquela sensação gostosa apoderar-se de si, como sempre acontecia quando beijava aquele ninja.

Não demorou muito para o beijo se tornar afoito e insuficiente e as mãos começarem a deslizar pelo corpo um do outro. Quando Kiba fez mensão de tirar sua blusa, ela o parou.

— Estamos em um hospital, Inuzuka!

— Já fizemos em locais piores.

— Você está machucado.

— Se você ajudar, eu nem vou precisar me mexer muito. – ele disse malicioso.

— Tarado preguiçoso!!! – ela xingou se afastando dele e indo em direção a porta, mas para a surpresa do Inuzuka, ela apenas girou a chave a trancando. – Espero que nenhum Hyuuga apareça por aqui agora.

— Onde nós estávamos? – ele perguntou rindo

— Você está incapacitado, então eu é quem dou as ordens hoje... – ela sussurrou no ouvido dele, passando as unhas pelo abdômen musculoso sabendo que aquilo o enlouquecia – ...parceiro.

Kiba deu um sorriso sacana tentando beijá-la, mas a mesma se esquivou para provocá-lo, e então ela própria capturou os lábios dele e os sugou com força mordendo e sugando enquanto ele circulava a cintura dela com o braço a levando de volta para a cama de onde eles não sairiam tão cedo.

***

No clã Hyuuga, Hinata lia pela centésima sétima vez a mesma linha do livro que havia encontrado na biblioteca para se distrair.

Infelizmente, sua mente recusava-se a se concentrar em alguma coisa e não importava quantas vezes tentasse sair das primeiras linhas da história mágica de uma princesa de gelo, ela sempre se perdia em pensamentos relembrando o olhar de Naruto ao vê-la.

Não tinha esperanças de que realmente o loiro a recebesse de braços abertos depois dela ter partido e sequer mandado alguma mensagem e agora ela via o quanto isso foi frio e insensível de sua parte, mas tão pouco sabia o que escrever ou como transformar em palavras o que estava sentindo naquele momento. Foram dias difíceis, onde seus únicos momentos de distração eram quando pesquisava sobre o selo e por esse motivo tentou ao máximo focar-se nisso, recusando os convites de seu anfitrião para passeios além do território da mansão.

Aos poucos ela definhava, pois esquecia-se de comer e pouco dormia, até o ponto em que Takashi disse que não a deixaria continuar até que descansasse por um dia inteiro. Ela não teve outra alternativa e foi obrigada a finalmente chegar em um acordo com seus próprios sentimentos, deixados de lado por tanto tempo.

Chegar em Konoha foi um alivio e uma tensão. Sem saber o que a esperava, ela resolveu enfrentar seu maior medo mais cedo do que mais tarde. Primeiro foi ao seu apartamento e por um instante um sentimento ruim de ciúmes se apossou dela ao não vê-lo ali, mas antes que deixasse sucumbir a tal sentimento, ela resolveu tentar o escritório e foi com surpresa que realmente o encontrou lá.

Vê-lo fez seu coração falhar uma batida de saudades, mas não passou despercebido as olheiras escuras debaixo dos olhos, a barba por fazer e os cabelos bagunçados, tão pouco o cheiro de bebida e os cacos de vidro espalhados pelo chão. Mas então quando ele a olhou daquele jeito, com tanta frieza, ela acovardou-se, e quando ele praticamente a expulsou de lá, ela não teve forças de nada a não ser de correr o mais longe possível.

Devastada, frustrada, ela sentia-se de novo a garotinha covarde de antes e ao mesmo tempo estava furiosa consigo mesma por não ter dito o que queria naquele momento para Naruto.

As palavras de Neji martelavam em sua cabeça que ela deveria procura-lo de uma vez, mas ainda havia aquela parte de si com medo de ser novamente escorraçada.

“Você começou com isso. Aceite as consequências” – sua consciência dizia com desdém e por fim ela bufou levantando-se de sua cadeira em um rompante.

Não podia ficar mais um minuto remoendo aquela culpa e tomando coragem deu um passo em direção a porta.

Antes de tocar na maçaneta, contudo, ela esmoreceu. O que ganharia com isso afinal? Ele deixou bem claro que não queria vê-la. Por que impor sua presença agora? Nunca fora assim.

Exato. Ela não era mais a mesma. Se Naruto mudou, ela também fizera, e agora os dois teriam que finalmente se revelar e ter uma conversa definitiva.

Respirando fundo ela tocou a maçaneta e então depois de um segundo de hesitação ela finalmente abriu a porta, apenas para no instante seguinte ser tomada pela surpresa ao encontrar o dono de seus pensamentos parado a sua frente.

— N-naruto.

— Eu acho que...precisamos conversar. – ele disse sério enquanto ela forçou-se a se recuperar do próprio choque.

— Eu concordo. – ela disse e então lhe deu espaço para entrar, trancando a porta em seguida.

Um longo momento de silencio se instalou no qual aparentemente nenhum dos dois soube o que dizer.

— Eu achei que não queria mais falar comigo. – Hinata murmurou incerta, brincando com as próprias mãos.

— Na verdade eu achei que ontem tinha sido apenas um sonho depois de muito sake. – ele confessou sem parecer culpado ao mencionar a bebida.

— Algo mudou então?

Ele riu com essa pergunta, de forma irônica e seca, cruzando os braços e então a enfrentando e prendendo seu olhar no dela.

— Eu é quem deveria perguntar isso não é? Mesmo que eu já saiba a resposta.

— Sabe mesmo?

— Não é difícil, depois de você fugir para longe.

— Eu não fugi!

— Mas também não queria ficar. – ele acusou com desdém – Não importa de qualquer jeito! Eu só vim aqui para uma coisa na verdade!

— Então porque não esclarece logo de uma vez por todas porque veio aqui.

— Pra você me dizer, agora cara a cara, que desistiu de se casar comigo. – ele disse direto e percebeu que a mesma foi pega de surpresa – Vamos, eu mereço ao menos essa consideração.

— Eu não...

— Diga Hinata. – ele a cortou diante da hesitação dela – É bem obvio na verdade, mas eu preciso ouvir você dizer.

— É isso que você realmente acha? Que eu só fui embora para não casar com você?

— Não. Tinha a questão do selo, eu sei. E você estava chateada comigo pela cena no clã. Eu não estou dizendo que você não tinha motivos.

— Então o que está realmente dizendo Naruto? – ela o enfrentou.

— Que você finalmente viu.

— Vi o que?

— O verdadeiro Naruto. – ele completou a surpreendendo – E descobriu que não vai conseguir me mudar, por que eu sou desse jeito agora e não dá pra concertar. Nem mesmo você pode, Hinata. – ele deu um sorriso triste, e Hinata o olhou horrorizada.

— Eu não preciso concertar você. Você não está quebrado! – ela hesitou e então finalmente respirou fundo e tomou coragem para continuar – Mas também não é aquele mesmo Naruto por quem eu me apaixonei na minha infância. Você está certo, eu acho que durante todo esse tempo eu mantinha em minha mente aquele adolescente risonho e de índole inquebrável que era incapaz de machucar qualquer pessoa e no fundo talvez eu tivesse a esperança que esse adolescente apenas ressurgir-se com a força do meu amor. – Nesse ponto, Naruto deu uma risada seca, afastando-se sem conseguir olhá-la – Depois do que aconteceu no clã eu pude ver que isso não aconteceria mais por que aquele adolescente não existe.

— Eu disse isso pra você tantas vezes.

— Mas eu fui cega.

Naruto tinha a garganta entalada com um choro sofrido que ele recusava-se a deixar sair. Ele havia ido ali sabendo que conseguiria apenas um ponto final, mas agora tudo parecia ainda mais doloroso.

— Acredite ou não eu tive essa mesma dúvida no começo – ele disse baixinho a surpreendendo – Quando eu propus a você essa nossa....parceria, foi por impulso e depois eu nunca achei que você fosse aceitar. Então você aceitou e eu me forcei a esquecer daquela Hinata frágil e doce da adolescência por que aquela Hinata fazia eu me sentir um demônio pervertendo e acabando com algo tão inocente e puro. Eu tentava te ver só como a mulher desinibida, gostosa e que fazia eu perder a cabeça e que sem querer acabou me conquistando. Mas de vez em quando eu ainda via aquela Hinata, eu ainda vejo ela aqui agora – ele de repente apontou para as mãos de Hinata que se apertavam uma na outra em um gesto que ela fazia desde criança – E tudo bem, é uma parte de você, mas não é mais quem você é. Talvez aquela Hinata conseguisse conquistar aquele outro Naruto. Mas eu amo essa Hinata de agora. Disso, eu nunca tive duvidas. – Finalizou, dando um longo suspiro e colocando as mãos nos bolsos, em uma tentativa de manter-se calmo. Percebeu então que Hinata tinha os olhos cheios de lágrimas e passou o polegar sobre elas tentando apaga-las.

— Me perdoe, Naruto.

Ele riu, ou ao menos tentou, conseguindo apenas uma careta dolorosa e ela continuou:

— Me afastar me deu tempo para pensar e tentar entender, mas eu não podia escrever pra você algo que nem eu mesma entendia ainda. – ela fungou, baixando a cabeça, mas ele colocou os dedos gentilmente em seu queixo e a obrigou a olhá-lo.

— Mas agora estamos aqui.

— Eu fiquei com raiva quando você fez aquela cena no clã. Eu fiquei frustrada e me sentia tão exausta de sempre acontecer algo que nos atrapalhava. No começo seu amor por Sakura, depois meu casamento, depois meu pai e depois Torh. Kurenai foi quem me abriu os olhos para essa minha ilusão sobre você. Ela estava certa, eu estava nesse relacionamento pelos motivos errados. – com um suspiro, ela pegou a mão de Naruto entre as suas – Então eu sai de Konoha, queria por meus pensamentos em ordem, mas eu não pude. Por que quando eu não estava pesquisando sobre o selo, você estava em todos eles. Seja nas nossas discursões, nas nossas noites de amor, nos nossos momentos mais felizes e também nos mais tenebrosos. As cartas foram sendo adiadas. Ironicamente foi eu quem li uma carta que me fez abrir os olhos. – ela olhou para o loiro que tinha uma expressão adorável de concentração como se tentasse absorver cada palavra sua – Na carta, essa pessoa me aconselhava a não colocar outras coisas a frente do meu coração.

— Eu não entendo.- Naruto confessou e ela riu.

— Eu também não entendi, mas eu logo percebi que era o que eu estava fazendo. Em todos os momentos em que eu lembrava de você, tudo o que nós vivemos, era você. Era esse Naruto. O Naruto adolescente eu nunca conheci de verdade, eu o admirava de longe e o amava sim, mas de uma forma puramente platônica como se ele nem mesmo fosse de carne e osso. Mas foi com você que eu descobri minha força e coragem de fazer coisas impensáveis, são os seus beijos que fazem eu tremer toda, e são as suas caricias e a maneira como você me pega que me faz chegar ao ápice quando fazemos amor. Eu também cometi um erro, Naruto, em não querer enxergar o que sempre esteve na minha frente. – Foi a vez dela tocar seu rosto – Foi por esse Naruto que eu sou completamente apaixonada. Com seu jeito malicioso, teimoso e possessivo. Mas eu não queria admitir isso com medo de ser julgada, quando não me importa o que meu clã e nem ninguém diga. Eu sou completamente louca por você, Naruto. Eu te amo. – ela finalizou entre lágrimas – Me perdoa por eu ter demorado a entender.

Naruto riu, dessa vez uma risada nervosa quase de alivio como se uma tonelada de ferro tivesse sido tirada de seu coração e sem conseguir mais se conter, passou os braços por Hinata juntando seus corpos e aspirando o cheiro dos cabelos dela com saudade.

— Tudo bem, eu também não sou perfeito. – brincou e ela agarrou-se a ele enterrando o rosto em seu pescoço tentando sentir o seu calor. — Somos dois burros.

— Somos as nossas versões perfeitas um para o outro então. — ela resmungou antes dele se afastar apenas para olhá-la mais de perto.

— Então pensando nisso...Versão atual da Hinata, você aceita casar com essa versão torta do Naruto?

Hinata riu, emocionada: — É o que eu mais quero nessa vida e em todas as versões.

E então sem nem mais poder esperar ela tomou a iniciativa oferecendo seus lábios, aos quais Naruto não hesitou em capturar e os dois se beijaram com volúpia e desespero, com tantas saudades e alivio, mas principalmente sabendo que finalmente estavam no lugar certo.

Por isso qual não foi a surpresa de Hinata, quando Naruto separou-se dela bruscamente.

— Merda!!!!

— Naruto!

— Desculpe é que eu mandei Kim cancelar todos os preparativos do casamento. Eu preciso encontra-la, antes que seja tarde demais! – ele disse aflito então olhou para a morena – A não ser que você queira esperar mais um pouco para o casamento.

— Eu não quero esperar mais nada, Naruto-kun.

— Ótimo! Por que eu também não. – ele disse roubando mais um beijo dela antes de voltar a se afastar – Agora espere aqui enquanto eu vou atrás da minha assistente.

— Já me trocando pela assistente e ainda nem casamos. – ela brincou.

— Engraçadinha. – ele disse já quase na porta.

— Naruto.

— O que?

— Eu amo você.

O loiro grunhiu e então voltou a fechar a porta e desta vez a trancou, voltando a se aproximar da noiva que foi tomada pela surpresa.

— Depois eu acho Kim. Eu estou morrendo de saudades. – ele resmungou antes de puxar Hinata para um beijo e dessa vez este era cheio de luxuria e desejo.

Ela o abraçou por seu pescoço e se deixou ser posta em cima da mesa cheia de papeis, nenhum dos dois ligava, estavam necessitados demais e quando começaram a se tocar o desespero tomou conta de seus atos, jogando para longe o cuidado e principalmente a calma.

Os beijos se tornaram chupões, as caricias se tornaram apertos. Ela arquejou quando ele abriu seu Kimono expondo seus seios, e gemeu quando ele começou a chupá-los ao mesmo tempo em que descia seus dedos pela sua cintura até chegar ao pano frágil da calcinha. Suas pernas se abriram instintivamente e entre gemidos, ela o sentiu empurrar a calcinha para o lado e dedilhar sua fenda molhada que logo se tornou pulsante.

— Vamos Naruto! Eu não posso esperar agora! – ela exigiu, tentando abaixar as calças dele com as próprias pernas e o mesmo a ajudou com isso, ao menos o suficiente para libertar seu membro já duro e excitado, desejando libertação.

Com a mão na parte de trás das cochas delicadas, ele a penetrou, e os dois gemeram juntos com a satisfação de estarem mais uma vez unidos. A trazendo de encontro ao seu corpo, ele investiu contra ela duro com estocadas longas que a faziam estremecer e segurar-se nos ombros dele para se equilibrar. Assim, com praticamente toda a roupa, ele a devorou e não demorou a chegarem ao ápice tamanho o desejo que se acumulou dentro deles durante os últimos dias os fazendo cair no chão de exaustão e ainda sim com um sorriso no rosto, pois sabiam que não queriam estar em nenhum outro lugar senão ali, nos braços um do outro.

****

Uma hora e meia mais tarde, Kim encontrava-se no meio da sala dos Hyuugas.

— Para a tamanha sorte de vocês, eu sou uma espécie de vidente otimista e não fiz nada do que o senhor durão mandou, então o casamento continua de pé do jeitinho que sempre esteve! – ela se gabou animada, enquanto via Naruto abraçar Hinata por trás e dar um beijo em seus cabelos.

O brilho nos olhos azuis haviam voltado, e ela desconfiava que nos olhos prateados também.

— Naruto-kun fez uma ótima escolha para assistente, devo dizer. – A Líder Hyuuga disse com suavidade fazendo Kim corar.

— Eu só faço ótimas escolhas. – ele resmungou fazendo as duas mulheres revirarem os olhos e acabarem rindo juntas.

— Bem, parece que chegamos na hora certa. – Neji disse entrando na sala com ninguém menos que Tenten.

— Hinataaa! Que saudades! – As duas se abraçaram, animadas.

— Vejo que deixaram de ser covardes e se acertaram. – O Hyuuga disse provocando o loiro que o olhou desdenhoso.

— Quem você está chamando de covarde mesmo Hyuuga? – O loiro ironizou olhando para a mestre das armas que mantinha uma conversa com Hinata e Kim. – Ainda tentando mantê-la longe da Anbu?

— Quem quer ficar longe da Anbu? – Tenten surpreendeu os dois que foram alvo dos olhares das outras moças.

— Na verdade Naruto é quem vai ter que mandar alguns Anbus para longe, uma zona de guerra, enfim....

— Nossa, quão longe? – a castanha perguntou curiosa.

— Lá pro raio que o parta. – Neji resmungou.

— O que?

— Nada! Achei que iriamos treinar.

— Eu acabei de reencontrar minha amiga Neji, o seu treinamento vai ter que esperar. – Tenten sentenciou fazendo Naruto rir da cara de abobado do Hyuuga.

O momento então foi interrompido com a chegada inesperada de mais uma pessoa.

— Não me digam que fizeram uma festa surpresa pra mim?

Todos ficaram chocados ao ver ninguém menos que Hanabi Hyuuga parada na frente de todos com um grande sorriso nos lábios e um visual novo. Ela agora tinha os cabelos na altura das orelhas que eram presos em um meio rabo de cavalo alto, e a bandana cobria onde estava o selo. Ela usava óculos escuros, e suas roupas agora eram toda negra, um top que deixava sua barriga a mostra e uma calça que ia até abaixo do joelho com um sobretudo por cima.

— Hanabi? – Neji estava com certeza chocado com as mudanças obvias da caçula e a mesma não hesitou em correr até ele e lhe dar um abraço apertado.

— Eu senti sua falta, Neji!

— Eu também senti a sua, pestinha.

Eles não perceberiam que isso fez um par de orbes chocolate desviar o olhar.

Notas finais
E ai? O que acharam? Por favor não esqueçam de comentar dando suas opiniões! A autora agradece e principalmente se motiva. Alias, eu agradeço a todos que deram suas opiniões sobre o que eu perguntei no capitulo anterior, e foram torcidas bem divididas. Então eu criei uma conta no Spirit finalmente (eu já tinha no Wattpad) e eu confesso que eu achei ela bem mais fácil que o Watt. Não sei quando vou começar a postar lá por que eu pretendo revisar tudo, mas logo vocês terão a fic disponibilizada offline kkkk Também fiquei feliz por vcs terem curtido o capitulo das cartas! É isso gente, espero seus comentários e principalmente que tenham gostado de mais esse capitulo. E aguardem o próximo capitulo!! O ÚLTIMO GENTEEE!!!! TO DEPRESSIVA JÁ! kkkkkkk beijinhos!!