Paraiso Imperfeito

10 Desilusões do amor


Notas iniciais
Esse capitulo demorou um pouco, mas é que estive ocupada esses dias.
Antes, eu queria agradecer os comentarios de vocês! São muuito bons e até me ajudam a ter ideias para a fic! Obrigada!
Também queria agradecer a Elara-chan, Nameless, Lalazynha, stellax, gabyviolet e narutozinha por terem recomendado a fic e tudo o que escreveram sobre ela
Bom, e agora mais um capitulo, eu espero que gostem *w*

\"Esta vida é um punhal de dois gumes fatais: Não amar é sofrer, amar é sofrer ainda mais...\"

(Menotti del Picchia)

A floricultura dos Yamanakas era conhecida por ser impecavelmente bonita e colorida, além de ser inegavelmente o point aonde as maiores fofocas aconteciam e se reproduziam, principalmente quando a integrante mais nova da família era a responsável por tomar conta da loja.

Ino, com sua beleza e feminilidade contida em cada gesto, despertava em qualquer ser humano a curiosidade, a lúxuria e a inveja, mas seus ouvidos sempre em alerta, seus olhos incansavelmente atentos, e principalmente sua boca sempre aberta e disposta a despejar as mais diversas informações sobre os últimos acontecimentos, eram sem duvidas suas “qualidades” mais conhecidas, e até temidas.

Naquela manhã, ela ajeitava um lindo buque de margaridas enquanto descobria que Shitsu havia traído a esposa mais uma vez, e com os lábios cheios, espremidos em desgosto, ela não perdia a oportunidade de recriminá-lo e relembrar o dia em que ele tentou agarrar Kurenai-Sensei, mesmo ela já estar tendo uma relação assumida com Asuma, o que lhe rendeu uns bons socos do jounnin. Ao se despedir de sua momentânea fonte de informações, a loira continuou a ajeitar o próprio balcão quando, e em um olhar distraído, acabou presenciando uma cena a qual lhe chocou pelos próximos segundos.

Shikamaru Nara andava com os braços entrelaçados em uma mulher loira, alta e de corpo monumental, os cabelos cor de ouro com cachos grossos e definidos se movimentavam graciosamente junto ao passo apressado da moça. Assim que a viu, apesar de não poder ver sua face, sabia exatamente pelo que esperar. Olhos verdes escuros cheios de malicia e poder que poderiam hipnotizar qualquer homem, mas que sempre estavam atentos em um, em especial.

Temari Sabaku. A irmã mais velha do Kazekage de Suna. A eterna paixão de Shikamaru Nara.

O preguiçoso com quem a yamanaka tinha um caso, e sabia que também representava apenas um caso para a auto suficiente kunoichi de Suna. E agora a via pendurada no pescoço do moreno, e este, apesar do olhar preguiçoso, o sorriso fino podia ser visto por qualquer um, a felicidade em ter um pouco de atenção daquela mulher satisfazia cada célula do seu ser.

Ino nunca entendera aquele amor, sempre negado por ele, pela princesa da vila da areia. Achava decadente e infinitas vezes se pegou desejando que ela nunca mais voltasse, mas ela sempre voltava e nesses dias, Shikamaru nem ao menos dava as caras, o que irritava a florista, irritava mais do que era permitido. Naquela semana, entretanto, percebeu que Temari estava ficando mais do que de costume, e tal situação apenas aumentava sua ânsia de vê-la partir o quanto antes. Odiava aquela Sabaku que ousava iludir Shikamaru.

Mas então, sentiu um aperto no peito e as flores que segurava, se espatifaram no chão, quando ela acompanhou um beijo quente e demorado trocado por eles, quando a mulher se jogara nos braços do Nara, sem qualquer motivo ou pudor.

E Ino a odiou ainda mais, e desejou com mais fervor a sua partida, para logo depois se perguntar o por que daquela reação tão exagerada e incomum. No fim, o que ela tinha haver com isso?

Talvez nada. Talvez mais do que ela imaginasse agora.

O beijo sensual e demorado lhes dava a oportunidade de explorar cada espacinho da boca um do outro, e movimentar suas línguas, ambas em uma dança frenética de paixão. Seus lábios se roçavam com lentidão, mas com força, e antes de se separarem definitivamente, o nara sentiu seus lábios mordiscados e puxados antes de finalmente serem soltos e novamente beijados em apenas um selinho.

Ofegante, a loira, agora na sua frente, sorria, como sempre satisfeita consigo mesmo, e por mais que o gênio tivesse adorado aquele momento, sua inteligencia exorbitante o impedia de manter-se cego as situações ao seu redor.

Shikamaru: ah problemática, sabe que não precisava fazer isso. — murmurou com as mãos nos bolsos, enquanto via Temari fingir a cara mais inocente que era capaz de fazer. Ele teve vontade de beijá-la outra vez.

Temari: do que está falando? Eu não posso mais beijá-lo?

Shikamaru: É óbvio que fez isso apenas para provocar a Ino, mas está perdendo o seu tempo.

Temari: Nossa, será que a relação de vocês é tão segura assim? — provocou, mas no fundo se incomodava com aquela descoberta.

Shikamaru: Ao contrário, ela não liga. Não sentimos nada um pelo outro, então não adianta tentar fazer ciúmes, por que ela não sente nada mais problemático por mim. — concluiu sem alterar a voz e voltou a caminhar, sendo seguido pela Sabaku.

Mas antes, ela olhou para a floricultura e seus olhos se cruzaram com as frias orbes azuis.

“Shikamaru-baka! Você é um genio de araque isso sim” — pensou consigo mesma, ao mesmo tempo que sorria para Ino e recebia como resposta a indiferença da outra loira.

Estava tão obvio.

Quando voltou a alcança-lo ficaram em silêncio por alguns minutos antes dele novamente se pronunciar.

Shikamaru: Quando vai voltar pra Suna?

Temari: Em breve. Preciso resolver uns assuntos urgentes. — disse, distraída com as roupas a mostra nas lojas, mas ainda sim, pôde ouvir o suspiro frustrado do homem ao seu lado. Sorriu e o encarou, em seguida se pendurando em seu pescoço mais uma vez de forma que seus lábios ficassem muito próximos – Por isso temos que aproveitar bem esses momentos – insinuou com a voz provocante, contudo qual não foi a sua surpresa ao ser agarrada pelos pulsos e afastada dele.

Shkamaru: Dessa vez não vamos entrar em nenhum beco – ele disse firme sem chance para retrucos, o que deixou a Sabaku um tanto emburrada.

Mas todo o mal humor se dissipou no momento que sentiu suas mãos serem entrelaçadas com as deles que continuava a caminhar normalmente, e ela se viu em uma situação aparentemente comum, e a mais próxima de romance que eles tiveram durante todos esses anos de caso.

Abaixou a cabeça, sentindo o rosto esquentar e fechou os olhos com força, pedindo para se controlar. Shikamaru acompanhava todas as suas reações com curiosidade, mas apenas de esguelha, e escondeu a surpresa quando ela voltou a fitá-lo com o enorme sorriso sarcástico e o brilho malicioso no olhar, marca registrada dela.

Temari: Tudo bem, eu aceito ficar passeando como um casal de namoradinhos com você. — apesar do deboche, ele percebeu que o sorriso irônico vacilava e se perguntou se a princesa de Suna não sucumbia aos poucos a sua própria, e até então desconhecida, essência romântica.

O que eles não haviam percebido, é que uma outra kunoichi havia acabado de sair de uma das lojas e olhava a cena com um sorriso satisfeito no rosto.

Tenten: Isso Shika, vê se doma essa fera. — ela torcia para o amigo, em um sussurro.

Mas assim que o casal desapareceu na multidão, o assunto também se foi, deixando novamente o lugar livre para os pensamentos que tiraram seu sossego durante as ultimas horas.

Neji. Hinata. Casamento.

Era tão frustrante e ao mesmo tempo confuso. Ainda não conseguia entender por que Neji não havia lhe contado, mas principalmente não entendia como os dois haviam aceitado.

Afinal, eram primos, e principalmente nunca pareceu rolar nenhum tipo de climinha romântico entre eles, muito pelo contrário, quando mais novos Neji tentou matá-la durante o exame. Depois ele se desculpou, claro, e a partir daí virou seu protetor mais ferrenho, mas nunca passou pela cabeça da mitarashi um possível sentimento tão forte como o amor, entre eles.

Será que escondiam um amor reprimido?

Será que decidiram ficar juntos?

Mas principalmente. O que era aquele incomodo que sentia apenas com a mensão daquele assunto?

Outra pergunta que ainda ficaria sem resposta, por enquanto.

OoOoOoOoOoOoOoOoO

O time de jounnin\'s de Konoha chegaram a vila da pedra depois de dois dias de viagem e foram direto ao escritório do Kage que reportara a luta e a derrota sofrida por seus ninjas, na tentativa de pedir ajuda para localizar o responsável.

Sakura: Viemos a mando da Hokage de Konoha para investigar o ataque de um nukkein a vila da nuvem.

Kage: vocês demoraram. — disse sério, mas não parecia realmente bravo, nem satisfeito.

Sakura: Fomos atacados e por isso tivemos que tomar mais alguns cuidados.

Kage: Ele os atacou? — perguntou ansioso, mas voltou a ficar sem expressão com a negativa da kunoichi de cabelos róseos. — Provavelmente não estariam tão bem se tivessem o enfrentado... — suspirou, distraído, e Naruto estreitou os olhos sentindo vontade de esganar aquele velho que não media as próprias palavras e parecia desmerecer a capacidade deles.

Sasuke: Quem exatamente é ele? — frizou bem a palavra, imitando o velho kage

Kage: Ninguém sabe. Ele chegou na vila sozinho e roubou algumas lojas, desde suprimentos até roupas, mas o pegamos na saída da vila – balançou a cabeça negativamente, parecendo arrasado – na verdade, ele é quem nos pegou lá. Dez segundos. Foi o tempo que ele precisou para debilitar todos os ninjas de elite que o cercavam. Os que sobreviveram disseram que ele era rápido e quase não conseguiam vê-lo se mexer, mas o que foi mais espantoso é que alguns ninjas tiveram suas mentes totalmente corrompidas e afetadas, começaram a agir como loucos, poucos voltaram a si e o resto parece ter sido afetado permanentemente e estão sendo mantidos sedados na ala psiquiatica. É terrível, agoniante – terminou em um murmurio desesperado e sem esperanças que comoveu aos quatro.

Naruto: Não se preocupe, velho. Vamos achar esse maldito. — disse, sériamente, mas duvidou que o Kage pudesse estar lhe ouvindo devido os olhos inexpressíveis do mesmo.

Sakura: Senhor. — ela o chamou em voz firme, até o mesmo finalmente olhá-la recobrando a compostura – tem mais alguma coisa que possa me ajuda.

O homem ficou em silêncio parecendo pensar e quando voltou a mirar a equipe, seus olhos pareciam sombrios e confusos.

Kage: Um dos ninjas que está na ala psiquiatrica, não para de gritar sobre olhos vermelhos de assassino. Os médicos acham que ele viu os olhos do nukkein.

Sakura e Naruto imeditamente se entreolharam para em seguida fitarem o Uchiha que já estava perto da porta. Este, mantinha um olhar sério e perdido, mas com um brilho irritadiço que eles conheciam muito bem e sabiam exatamente o que ele pensava.

Itachi.

Hinata, que manteve-se o tempo todo calada, novamente voltou-se para o Kage fazendo os outros três pararem na porta a sua espera.

Hinata: Kage-sama, fomos atacados por ninjas da grama que também estavam sendo controlados. Acha que pode ter sido isso o que aconteceu com seus ninjas? Um controle mental.

O velho balançou a cabeça e deu os ombros fitando as próprias mãos.

Kage: eu não sei. Mas... — ele olhou para a hyuuga – mas há boatos de que um enorme grupo de ninjas da grama foi atrás desse nukkein a mais ou menos vinte dias e depois do segundo dia, nunca mais mandaram qualquer informação sobre a missão.

Naruto olhou para os companheiros que também já pensavam a mesma coisa.

Naruto: é a mesma pessoa.

Quando saíram do escritório, estavam em silêncio, sem saber exatamente o que fazer ou por onde começar. Aparentemente se tratava de um ladrão, mas também de um assassino frio e cruel. Atacava vilas para roubar e aqueles que tentassem impedi-lo, ele os controlava e até mesmo estragava sua mente. Não parecia ter qualquer objetivo maior, e sua imprevisibilidade apenas deixava os ninjas sem qualquer pista de onde ou como achá-lo.

Sasuke:Só pode ser ele. Itachi – falou de repente, quebrando o silêncio, fazendo Naruto bufar enfadado.

Naruto: Teme, para com essa sua obcessão! Seu irmão está morto, será que é tão difícil você aceitar isso?

Sasuke: Baka! Ele está atrás de mim. É claro que é ele!

Naruto: Ridiculo!! — bufou já irritado. — Como se ele fosse o único que te odiasse depois de tudo o que Você fez! — cruzou os braços e nessa momento Sakura arregalou os olhos .

Sakura: Naruto!! — o repreendeu ferozmente logo em seguida olhando para o uchiha, apreensiva. — Sas...

Sasuke: Eu vou investigar! — disse firmemente já marchando para longe do grupo sob os olhares nervosos de Sakura que depois se voltou para o Uzumaki que continuava de braços cruzados, emburrado – Viu o que você fez!!!

Naruto: Eu?? Ele que é um teme obcecado e eu que levo a culpa? — se alterou visivelmente frustrado. Estava cansado, com fome, e com muita vontade de beber, não precisava ouvir Sakura defendendo o namoradinho teme dela.

Sakura: Não precisava ter dito aquelas coisas!! — bufou inconformada com a atitude do amigo. Desde quando ele era tão egoísta e insensível?

Naruto: Se está tão preocupada por que não vai atrás dele???? — irônico e maldoso, ele deixou a rosada boquiaberta, enquanto se afastava dela pisando duro.

Hinata entendeu exatamente o que Sakura sentia, nunca havia visto o uzumaki se comportar assim com a amiga e amada, e provavelmente ela também não. Inocente diante das transformações do loiro, ela ainda não havia percebido que Naruto já não era mais o mesmo que conhecera.

Quem a haruno conhecia, provavelmente não existia mais, diferente da Hyuuga que conhecia o novo Naruto Uzumaki, e isso seria realmente satisfatório senão fosse frustrante, por que enquanto ela conhecia o lado egoísta, prepotente e amargo do loiro, Sakura, alheia aquele lado dele, apenas conhecia o alegre, inocente e companheiro Uzumaki, que era tudo o que Hinata sempre sonhara conhecer, mas que ele sempre lhe negava.

Com Naruto, Hinata descobrira o sexo, a paixão, o desejo, mas também o sofrimento, a desilusão e a tristeza de um amor usado mas não correspondido.

Acordando dos próprios pensamentos, observou a líder da missão ainda fitando o lugar por onde Naruto e Sasuke sumiram, provavelmente se decidindo a quem seguir primeiro, e a hyuuga temendo presenciar mais alguma cena incomoda e desagradável, resolveu se concentrar na missão que já devia ter sido esquecida por todos.

Hinata: Eu vou andar por aí para ver se consigo alguma informação.

Sakura, tirada de seus devaneios, ficou constrangida com a falha de atenção na missão e logo sorriu fracamente para a outra kunoichi.

Sakura: Hai, Hai, Hinata-san. Nos encontramos a noite no hotel no centro da cidade, acho que não temos necessidade de ficar em um acampamento.

Hinata: Hai. — quando ela se afastou o suficiente da rosada, suspirou longamente. Aquela missão estava lhe cansando e começava a se arrepender de tê-la aceitado.

OoOoOoOoOoOoOoO

A vila da pedra era pequena, com casas feitas de pedras, e uma cadeia de montanhas ao seu redor, seu clima era frio e as pessoas não pareciam tão hospitaleiras e animadas como os habitantes de konoha, ou talvez, naquele momento estavam traumatizadas demais com o ataque estranho de um assassino frio, e se Sasuke estivesse certo em suas suspeitas, provavelmente elas o olhavam torto por estarem vendo sua semelhança com o nukkein.

Mas ele não ligava, enquanto andava pelas ruas estreitas da vila, apenas tentava se acalmar e refletir um pouco sobre as poucas informações que tinha.

Apesar de no fundo, concordar com Naruto e os outros de que era impossível seu irmão estar vivo, e principalmente atrás dele, não conseguia deixar essa hipótese de lado, era como se algo o avisasse que aquele encontro estava cada vez mais perto, seu sangue uchiha o alertava do perigo.

Continuou andando até chegar em um cruzamento aonde parou de repente. Ainda com as mãos nos bolsos, deixou o suor pingar em sua testa, com medo de que se o limpassem, suas mãos tremulas denunciassem seu nervosismo. Apesar dos olhos onix se manterem fixos no chão, estava alerta a qualquer movimento ao seu redor, sua pulsação estava acelerada, e tinha que controlar a vontade de olhar ao redor. Se o fizesse, a pessoa que esteve lhe observando durante todo o caminho iria embora sem dar chance para que ele a pegasse.

Sim, podia sentir-se sendo perseguido desde que se afastara do resto do grupo, podia sentir os olhos sobre si, entretanto, por mais que se esforçasse não conseguia ver nada ou localizar seu chacra.

Em um gesto falsamente distraído, limpou o suor da testa com a camisa cobrindo parcialmente os olhos para que pudesse olhar ao seu redor, sem levantar surpresa.

Não viu nada num primeiro momento, e frustrado, apenas sentia aquela presença cada vez mais perto. Mais perto. Será que estava ficando paranoico?

Segundos depois, sua paciência se desfez por completo, e em um movimento inesperado, ativou o sharingan e olhou ao redor.

Imediatamente seus olhos se cruzaram.

Em meio a multidão, a alguns metros dele, com uma enorme capa creme que lhe cobria dos pés a cabeça, a figura estranha o observava e sorria.

Um segundo depois, o ser virava-se em direção oposta ao uchiha e misturava-se a multidão. Sasuke ainda tentou alcança-lo mas foi tarde demais. Ofegante, e levemente chocado, ele tinha certeza que finalmente esteve cara a cara com o real culpado por todos os acontecimentos dos ultimos dias, e seja lá quem fosse, também estava de olho nele.

Devido o capuz da capa, o moreno não conseguiu lhe reconhecer a face, mas os milesimos de segundos que seus olhos se encontraram o uchiha nunca iria esquecer.

As orbes vermelhas, que outrora eram onix, encontraram um novo par de orbes vermelhas.

OoOoOoOoOoOoOoOoO

Estava em um bar qualquer, sentado em uma das cadeiras altas do balcão, bebendo distraído o conteúdo do copo que nunca acabava, ou será que era abastecido sem ele notar?

Não sabia, e nem se importava, queria mesmo estar ali, desejou aquela bebida forte durante todo o dia, e o fato do local ser mal cheiroso e os outros clientes serem porcos sujos e bêbados não o incomodava. Lembrava-se de ter ido parar ali depois de ouvir uma conversa sobre um homem anormalmente grande, junto com uma ruiva e um rapaz de dentes pontudos e olhos assassinos, terem estado por lá, um dia depois do ataque, ele sabia muito bem de quem se tratava e fez uma nota mental de não esquecer de contar ao resto do time de que a Hebi passara por ali, comprara alguns mantimentos, bateram em alguns civis e ninjas de elite que tentaram separar e depois se foram para nunca mais serem vistos. Alguma relação? Talvez tivesse, mas sua cabeça doía e o mundo já parecia rodar levemente ao seu redor.

Talvez por que, sem querer ficara bêbado. Talvez por que ele quisera ficar bêbado.

Lembrava-se da briga com Sasuke e Sakura e se martirizava pelas palavras ditas a rosada, mas já não suportava mais aquela situação. Pensou que não seria tão ruim a convivência, já que eles estando brigados não ficariam se agarrando na sua frente, mas descobriu que vê-la sofrendo por ele era muito pior do que vê-los namorando. Sofria junto com ela, por que eles compartilhavam a mesma dor, ao mesmo tempo em que ficava furioso por ela não ficar indiferente a Sasuke do mesmo jeito que ficava com todos que a faziam sofrer. Será que era por que o amava?

Amor, Naruto começava a achar que todo esse papo era tolice. Que tudo não passava de uma sensação idiota que fazia todos sofrerem, afinal, como um sentimento considerado tão bom podia machucar tanto? Como a felicidade desse sentimento podia ser tão frágil e rápida?

No final...talvez amor fosse como sexo. Uma felicidade profunda, exorbitante e inimaginável, mas passageira.

- Então meu chapa, vai querer mais uma ou vai pagar a conta de uma vez? — o dono do bar gorducho e carrancudo tinha um olhar de ameaça e o ninja considerou a ideia de uma boa briga, mas depois desistiu, olhando ao redor os corpos magrelos e fracos e sabendo que não teria nenhuma por ali. Pegou o dinheiro do bolso, sem saber exatamente quanto, e depositou perto do copo, pegou a garrafa com o resto do conteúdo ardente e relaxante ,e saiu de lá sem esperar por resposta ou troco.

Ao sair do bar, o cheiro puro do oxigênio encheu suas narinas quase o sufocando, e ele bebeu mais um gole da bebida amarga. Já era de noite, quanto tempo deveria ter ficado lá dentro?

Viu uma mulher de roupas apertadas e com lindas curvas, lhe sorrir provocante. Sorriu de volta.

Não. Amor não era como sexo. Sexo era muito melhor do que amor. Sexo era sempre bom, talvez o decepcionasse levemente, mas no fim sempre chegava ao ápice e sentia a felicidade por minima que fosse, não importava com quem fosse — apesar de que com certeza a ideia de se deitar com um homem não passava sequer por sua cabeça, mas para quem gostava também deveria ser prazeroso, afinal — e em nenhum caso os faria sofrer.

Mais um gole em sua bebida e seu mundo girou um pouco o fazendo parar de andar para não cair no chão, e foi nesse momento que a viu.

Sentada a beira de uma fonte afastada da movimentação, ela olhava seu reflexo na água, enquanto o vento frio daquela noite fazia seus cabelos balançarem suavemente em seus ombros.

Ela era tão bonita. Seu coração batia forte só com a visão dela ali, sozinha, esperando por ele.

Se aproximou sorrateiramente, mas os reflexos ninjas dela logo perceberam sua presença, ou talvez fosse devido aos passos duros e arrastados que ele mantinha...

Sakura: Naruto! — ela pareceu surpresa, e um sorriso aliviado se esticou em seus lábios, fazendo-o querer toca-los.

Naruto: Sakura... — se ela tivesse prestado atenção, teria percebido que os olhos azuis estavam trêmulos e a voz saiu enrolada, mas ela nem notara.

Sakura: Você viu o Sasuke? Ele ainda não apareceu, estou preocupada, já o procurei por toda a cidade e nada. E se ele tiver sido pego, Naruto...

Ela continuou a falar, mas ele não a ouvia, tamanha era a raiva que se apossava em seu coração e tapava seus ouvidos.

Sasuke.

Sasuke.

Sasuke.

Sasuke.

Sasuke.

Sempre Sasuke Uchiha.

Era sempre a ele quem ela procurava. Era sempre por ele que ela sofria. Era sempre com ele que ela estava. Era sempre ele que ela amava. E ela sofria com isso. E Naruto sofria com isso.

Amor. Maldito sentimento.

Alheia ao seu estado de espirito, Sakura continuava falando sobre sua preocupação pelo uchiha.

Sakura: Aonde ele pode estar? Temos que procurá-lo, temos que reunir a todos! Naruto você está me ouvindo? — perguntou irritada e franziu o cenho quando ele sorriu, seco e sarcástico.

Naruto: Impressionante!! — ironizou – Você não muda o disco não é? Como é que eu vou saber do Sasuke? Mas que droga, ele deve estar por aí!

Sakura: Por que está falando assim comigo? — ela perguntou magoada e como sempre ele se comoveu – por que está tão azedo?

Ele suspirou: Por que estou cansado de te ver sofrendo por quem não te merece, Sakura-chan.

Sakura: Que história é essa baka!?! Como pode falar assim do seu amigo?

Naruto: por sermos amigos que eu sei que ele não se importa com você, senão estaria aqui e não te preocupando!

Sakura: Você não sabe do que está falando!! — rebateu irritada. Ele não tinha o direito. — está bêbado!! — percebeu finalmente e se irritou ainda mais.

Naruto: E você é uma idiota!! — disse furioso.

O som do tapa teria chamado a atenção de muitas pessoas, mas felizmente não havia ninguém ali para presenciar aquela cena. Sakura recolheu a mão, arrependida, mas ainda ofendida com as palavras do loiro.

Sakura: Eu não te reconheço mais, Naruto. — murmurou o fitando com os olhos cheios de lágrimas e sobressaltou-se quando foi puxada com força por ele que a segurava pelos ombros de encontro a si. — me solte!!!

Naruto: Você não entende nada, não é Sakura! Não percebe? — ele a segurava bem próxima, e ela pode ver quando os olhos azuis também se encheram de lágrimas.

Mas quando as duas esmeraldas pararam de fitá-lo, ele percebeu. Ela sabia. Ela sempre soube.

Tal descoberta o atordoou um pouco e o álcool em seu sangue pareceu subir com força para sua cabeça o fazendo ficar tonto e quase cair se a rosada não tivesse o amparado e depois o ajudado a sentar na beira da fonte, aonde estava minutos atrás.

Sakura: Está caindo de bêbado. Não deveria ter feito isso, baka! — murmurou sem encará-lo até sentir os dedos dele em seu queixo, a obrigando a olhá-lo.

Naruto: Sakura-chan... — ele se aproximou, mas hesitou...então voltou a se aproximar mas dessa vez ela recuou de imediato.

Sakura: Para Naruto! Droga! Você está bêbado! Não pode fazer essas coisas! — ela parecia estressada, mas ainda sim não o encarava. Não queria ver a tristeza nos olhos azuis.

Naruto: Por que?

Sakura: Por que eu amo o Sasuke.

Naruto: MAS ELE NÃO AMA VOCÊ.

Sakura: CALA A BOCA! — gritou furiosa – eu não te reconheço mais, Naruto! O que aconteceu com você? — sem esperar resposta ela virou de costas para ele – Naruto, eu amo o Sasuke e nunca vou deixar de amá-lo. — e dizendo isso ela se foi, o deixando sozinho, de novo.

Ele a viu se afastar até que sua visão não pudesse mais alcança-la e foi nesse momento que a kunoichi se pôs a correr com velocidade e força. Não pulava pelos telhados, não tentava ir mais rápido, apenas queria correr até cansar, até extravasar o nervosismo e adrenalina que fazia seu sangue bombear com força e lágrimas escorrerem por seus olhos esmeralda.

Não queria magoar Naruto, por isso nunca se afastara, mas sempre deixou claro seu amor por Sasuke.

Também se esforçava para não acreditar nas palavras do loiro que martelavam em sua cabeça e despedaçavam seu coração.

“MAS ELE NÃO AMA VOCÊ”

Não queria acreditar naquilo. Queria ver Sasuke de volta, queria abraçá-lo, beijá-lo e amá-lo e queria que ele a amasse. Ele a amava! Ela sabia disso, sabia que era correspondida, apenas tinha medo que o espirito vingador do Uchiha superasse o amor que ele tinha por ela.

Quando chegou no hotel aonde estavam hospedados, colocou as mãos nos joelhos ofegante e deixou suas lágrimas caírem no chão. Quando levantou a cabeça, encarou Sasuke e seus olhos se encheram de lágrimas novamente.

Este, a olhava com o cenho franzido, havia acabado de chegar e se perguntava o que havia acontecido com a mulher parada a sua frente. Apesar da expressão neutra, ele estava preocupado, vê-la naquele estado o angustiava.

E foi quando a viu correndo até ele e tudo o que fez foi abrir os braços para recebe-la. Sentiu as lágrimas dela molharem sua camisa e apenas a apertou mais forte contra si.

Sakura: Aonde você estava? Eu fiquei tão preocupada!

Sasuke: Eu estive andando por ai a procura de pistas. Acho que estamos sendo seguidos e observados de perto. Precisamos tomar cuidado.

Sakura: Hai, tem razão. — disse parecendo se recompor e se afastou do moreno enxugando suas lágrimas com rapidez.

Sasuke ficou em silêncio, observando ela se recompor, mas não aguentou por muito tempo.

Sasuke: O que aconteceu?

Sakura: Nada...nada... — sorriu fracamente – eu só preciso de uma boa noite de sono. Acho que estamos seguros aqui, por enquanto.

Sasuke: Hai – concordou ainda meio desconfiado. Era obvio que ela mentia, mas não iria pressioná-la.

Sakura: Boa noite. — ela se afastou, mas parou quando estava prestes a dar o segundo passo. — Sasuke... — ela o olhou, os orbes verdes estavam tristes, mas os lábios estavam repuxados em um sorriso fraco. Ela se aproximou dele, ficando na ponta dos pés de modo que seus rostos ficaram a milímetros de distancia. Ela ainda o encarava – eu amo você. Amo como nunca vou amar qualquer um. Não importa o que aconteça, e mesmo que eu queira, nunca vou conseguir mudar isso. Eu não sei o que você sente por mim, mas queria que soubesse que sempre vou estar aqui. Esperando por você – e ao terminar, ela o beijou, apenas um toque demorado de lábios para sentirem o gosto um do outro como ambos desejavam sentir a muito tempo.

Quando se afastou o olhou por mais alguns segundos e foi em direção ao seu quarto.

Sasuke continuou parado, pensando nas palavras da amada em sua cabeça. Queria ir até ela e dizer que também a amava, mas agora sentia-se impedido.

Quem quer que estivesse atrás dele, era poderoso e ele sabia que estava em perigo. Assim como todas as pessoas ao seu redor. Se fosse Itachi ou Madara, uchihas, eles não hesitariam em atingir o que ele mais amava para capturá-lo.

E ele não permitiria que a machucassem. Não iria deixar que encostasse um dedo nela, e morreria por isso, ou mataria...

OoOoOoOoOoOoOoO

Ainda sentado na fonte, aonde fora deixado por sua amada, ele fitava a própria garrafa que ainda continham alguns goles do liquido maldito e bendito.

Não conseguia parar de pensar que Sakura sabia sobre a existência de seu amor por ela, e ainda sim o martirizava sempre tentando fazê-lo testemunhar o amor dela e Sasuke. Era cruel, mas por que ele não conseguia odiá-la?

Era doentio.

Ao sentir a presença perto de si, sorriu desdenhoso, já se perguntava quando ela finalmente viria.

Hinata: O que aconteceu? — ela perguntou, tentando parecer fria, enquanto encarava o próprio reflexo na água da fonte.

Naruto: Como se você não soubesse. — ironizou e quando ela não disse nada, ele levantou o olhar para encará-la. Por sua vez, a morena continuava em pé, parada ao seu lado, encarando a água, parecia incomodada, chateada e ele não pôde deixar de notar que a franja desfiada caída sob aqueles olhos de perola a deixavam com um “ar” de boneca. Sorriu, era incrível como sempre tinha vontade de agarra-la toda a vez que a via – Eu sei que viu tudo. Esteve aqui o tempo todo.

Apesar da surpresa por ser descoberta, ela se manteve fria e imóvel. Sim, havia visto tudo, presenciado toda a ceninha e despedaçado seu coração diante da verdade daquele amor obsessivo que ele sentia pela rosada.

Naruto: Sakura-chan... — ele se aproximou, mas hesitou – viu ao longe, a figura de uma mulher com longos cabelos azuis, esvoaçando com o vento, os olhando fixamente, parada no meio do nada, parecia uma ninfa guerreira — então voltou a se aproximar mas dessa vez ela recuou de imediato.

Quando ele levou a garrafa a boca para tomar mais um gole, ela o tirou de suas mãos com rapidez e ele deu os ombros como senão se importasse.

Inconformada, ela sentou-se ao lado dele com vontade de consolá-lo, mas não o fez. Primeiro por que ele não merecia, e segundo por que ela não estava preparada para isso.

Hinata: Por que faz isso? — perguntou baixinho virando-se de lado para mais uma vez fitar o próprio reflexo, não querendo encarar o loiro.

Naruto: Por que eu a amo. — riu de maneira estranha devido a língua enrolada pela bebida — Amo a Sakura e ela não percebe que Sasuke não a ama como ela merece.

Hinata: Você é obcecado por ela. — sentenciou sem se abalar, ou melhor, esgotada demais para ter qualquer reação, por pior que fosse. Seu hematoma começava a latejar, ela havia esquecido de passar o remédio.

Naruto: Sou. — pela primeira vez ele a olhou com atenção, agora mais de perto e pôde reafirmar a beleza sensual e inocente que ela parecia transbordar por cada poro de sua pele, pelos olhos de lua cheia e pela boca convidativa – não quer beber comigo até cairmos bêbados? Você vai ter que beber muito para me alcançar — perguntou, um sorriso malicioso começando a despontar em seus lábios, assim como pensamentos que iam pelo mesmo caminho.

Hinata: Não. Gosto de ficar sóbria.

Naruto gargalhou.

Naruto: Pra que? Pra ficar remoendo os problemas? — sua voz estava ficando cada vez mais pesada, seus olhos começavam a se fechar e a tontura o fazia desejar se deitar finalmente. — ficar remoendo seu medo de ser líder do clã, seu medo de decepcionar seu pai – bocejou cansado, enquanto ela o fitava com intensidade e até mesmo um pouco de surpresa por ele saber de tudo aquilo – medo de fracassar, seus problemas dentro do clã – continuou enumerando com cara de tédio — ...até mesmo seu medo de não ser amada. — ele riu fraco, mas cheio de deboche como se a ofendesse.

“meu maior medo é o que sinto por você.”, ela respondeu em pensamentos, e o viu se esforçar para abrir os olhos e observá-la com o cenho franzido.

Naruto: Hina...ta... — a língua áspera o incomodava e parecia se enrolar nela mesma, quando falava – posso deitar no seu colo?

Hinata: h-hai – ela sentiu o rosto esquentar e ele riu.

Naruto: Baka, por que está vermelha? — sem esperar resposta, ele recostou sua cabeça sobre as pernas dela, cansado.

Hinata: nada...nada... — respondeu rápido balançando a cabeça freneticamente, mas paralisou quando ele virou a cabeça de modo que deitasse de costas e a olhasse.

Naruto: Hei Hinata...por que está sempre tentando cuidar de mim? — perguntou baixinho, ainda lutando contra o sono e a tontura. Voltou a fechar os olhos e deitar de lado, sem parecer esperar por uma resposta – afinal...nós só fazemos sexo... — continuou em um murmurio.

Hinata: Talvez eu ame você.... — sussurrou sorrindo emocionada, contudo não tendo certeza se ele a ouviu.

Sentiu o coração bater em sobressalto como se fosse parar a qualquer momento, quando ouviu a risada rouca e debil dele.

Naruto: Baka. O amor não existe. Só a nossa vontade obsessiva de nos iludir e desiludir. — finalizou com um suspiro profundo.

Naquela noite, eles ficaram ali por mais algum tempo, até a hyuuga ir arrastando o bêbado uzumaki até o seu quarto, enquanto o mesmo ria, e contava suas teorias masoquistas sobre o amor. Sakura e Sasuke não apareceram, provavelmente deveriam já estar dormindo. Quando ela colocou o loiro na cama, ele a puxou e lhe deu um beijo com gosto de bebida.

Não demorou muito para dormir, e ela fez o mesmo.

Estava cansada, solitária, confusa e triste. As palavras de Naruto, a conversa que ela vira, a briga, tudo voltava em sua cabeça como flash\'s.

Depois de tudo o que presenciara, será que o uzumaki não estava certo? Será que o amor realmente era apenas uma desilusão?

Ela dormiu. Todos dormiram. Alheios ao perigo que os rondava.

- Não quero mais esperar. — a voz vinda das sombras ia diretamente para os servos a sua frente – quero que tragam Sasuke pra mim, custe o que custar!

Juugo, Suigetso, Karin, e mais alguns ninjas da grama reverenciaram a sombra a sua frente, e partiram.

Notas finais
Não foi um capitulo lá com grandes emoções, mas os próximos vão ser mais emocionantes, pelo menos eu espero ¬¬
Gente, provavelmente eu vá viajar amanhã ou quarta feira, então eu queria logo avisar vocês que sendo assiiim, o próximo capitulo vai ser sóó em agosto(como se ainda demorasse tanto ¬¬ já estamos quase no fim do mes). A autora vai tirar as ferias tão sonhadas por ela e que quase foram destruidas pq tudo sempre dava errado ù.ú Eeeenfiiimm...

#Nos proximos capitulos...
Sasuke está em perigo e talvez esteja na hora deles deixarem suas diferenças de lado!
O inimigo é forte, quem será ele?
Naruto vai desistir de Sakura? Ou vai desistir de amar?
Ação, suspense e looooooogico muito romance e drama! Não percam em agosto a volta da fic com mais um capitulo pra vocês aqui na mesma bat-hora que der para a autora postar() e no mesmo bat-canal do Nyah!!

kkkk empolgação de autora é phoda...u.u' bjs queridos! Não deixem de deixar suas opniões, blz?!