Paradoxo - Entre Mundos

6 Capítulo 5 - The Beginning


Notas iniciais
Agora vamos de um pouco de ação!

Era fim do verão.

Deixar o Acampamento foi algo bem mais difícil do que eu imaginara. O dia estava ensolarado, com sátiros tocando flautas pelos campos, cuidando das plantações de morango, náiades brincando com campistas no rio. Via tudo isto do alto da Colina Meio-Sangue com Quíron, enquanto aguardava Argos com o van. Lisa tinha sido levada pra cuidar dos pégasos com Amanda, do chalé de Hermes, sua melhor amiga. Ela estava aos prantos enquanto eu mesma tentava não chorar.

No dia anterior, minha missão foi anunciada no refeitório. Quíron apenas relatou que eu sairia em uma missão secreta e que não retornaria por um bom tempo. Fizemos uma pequena despedida no Anfiteatro, com marshmellows e muita cantoria. Quando todos foram dormir, fui chamada a Casa Grande. Quíron estava na cadeira de rodas e me deu uma sacola.

— Amélia, este é o momento de você voltar ao seu look antigo – disse Quíron, não me olhando nos olhos. Aquele era um assunto delicado. – É hora de se sentir à vontade consigo mesma.

Entrei no banheiro e respirei fundo. Enquanto fui crescendo no Acampamento, antes de minha primeira missão, as crianças do outros chalés implicavam comigo por ser ruiva. Do tipo, bem ruiva MESMO. Naquela época, Atena não havia me reclamado, mas todos sabiam que eu era sua filha, pois a própria deusa havia me levado até lá, então eu automaticamente fui encaminhada pra o Chalé de Atena. Alguns dos meus irmãos cismaram que eu era adotada de alguma forma, já que filhos de Atena são loiros. Eu tinha apenas grandes olhos cinzentos.

Então o que eu fiz? Pintei meu cabelo. Loira? Não. Depois de muito tempo com cabelos pretos, Quíron falava sobre voltar atrás com meu visual. Se ele tivesse proposto isso há uma semana, com certeza eu teria tido uma explosão de raiva e sumiria por uns dias. Mas agora a idéia era confortável: estava indo a um lugar onde não seria julgada pela minha aparência.

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Agora eu estava no meu look original: ruiva. Quando fomos para o refeitório pela manhã, todos me encararam. Quem me viu crescendo, não via há muito tempo. Quem era novo no Acampamento, estava vendo pela primeira vez. A filha de Atena diferentona. Agora, ali no alto da Colina, tudo parecia besteira.

—Se você precisar de ajuda, criança, mande uma mensagem de Íris a qualquer momento – disse Quíron, me entregando uma bolsa com néctar, ambrosia, dracmas de ouro e uma camisa laranja do Acampamento. Ele parecia exausto, como se não dormisse há dias.

—Mandarei notícias de tempos em tempos, contando do meu progresso do meu lado. – disse um tanto irônica. — Da próxima vez que for a New York, me mande uma mensagem de Íris. Quando vir uma ruiva tatuada e perigosa, não corra. Sou apenas eu.

Quíron riu, cansado. Argos chegou com o van e entrei. Quíron observava enquanto eu me afastava, e eu percebi, com pesar que talvez aquela fosse a última vez que eu o veria por um bom tempo.

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Já se passara um mês desde que eu saí do Acampamento.

Quando cheguei ao Instituto, me deram um quarto e o Códex dos Caçadores de Sombras, um guia para novos caçadores. Achei tudo muito surreal, mas eu era semideusa, né? Não tinha nada tão estranho assim na minha vida. Minha parte favorita foi descobrir sobre Ídris, país dos caçadores de sombras. Nunca imaginei que havia um país inteiro que passasse despercebido pelos mortais. Passei por alguns dias de adaptação e não vi nenhum demônio ou monstros. Saímos algumas vezes e estava tudo muito tranqüilo, como a calmaria antes da tempestade. Eu estava muito incomodada com isso, mas não disse a ninguém.

Três dias depois, chegaram alguns representantes da Clave, que são uma espécie de governantes dos Caçadores de Sombras. O Inquisidor Lightwood me explicou um pouco sobre o que eles são e o que eu era, que ajudariam a encontrar meu pai e me fizeram segurar uma espada para contar coisas que eu não queria dizer. Passei por rituais de marcas. Estavam muito apreensivos por eu já era meio velha para receber as marcas que geralmente se recebem aos 10 anos. Agora achava maneiro: eu estava toda tatuada.

Jace era meu aplicado professor de luta. Ele adorava aquilo e adivinhe só: eu também. Achei que fosse ser difícil fazer amizade com alguém como ele, mas tínhamos mais em comum do que eu imaginei. Na minha primeira aula (que foi praticamente ele se exibindo), ele me ensinou sobre algumas armas que eu não conhecia e ele teve o erro de me chamar para uma luta. Já tinha passado por aquilo antes: no Acampamento, John, filho de Ares, era professor de esgrima e lutas. Ele me usava como cobaia para suas aulas, para se exibir. Apanhei muito, mas acabei aprendendo bastante. Jace teve a mesma postura. Mesmo posição. Mas Caçadores de Sombras tem as marcas para serem mais ágeis, mais rápidos. Aquilo tornava tudo muito melhor. Com uma técnica muito útil de desarmamento, apenas tirei a espada de Jace e apontei a minha para a garganta dele. Ele piscou atônito, meio não sabendo o que aconteceu.

— Como...

— Não tente me ensinar a lutar o básico, Jonathan. Já sei como fazer isso. Quero as novas táticas — disse, dando um sorriso. – Não fique chateado, não vou contar pra ninguém.

Infelizmente, ele não teve tanta sorte assim.

— Alguém derrotou o grande Jace em 5 segundos – disse Raphael, entrando e batendo palmas. Ao seu lado vinha Clary e Alec, namorada e parabatai. Alec estava rindo, foi ao lado de Jace e deu uma batidinha em seu ombro. Clary apenas riu, olhou pra mim e virou o rosto – Será que a senhorita pode me dar a honra de uma volta? Acho que você me prometeu isso. – Olhei para ele e assenti.

— Sorte de principiante – disse Jace, com os olhos brilhando. — Parece que tenho uma aluna muito aplicada. Espero ansioso pela aula de amanhã.

— Você teve sorte. — disse Clary, não olhando pra mim — o Jace de alguns anos trás não levaria isso numa boa.

— Ha ha – fui andando em direção a porta e olhei pra trás – amanhã esteja preparado, pois não vou baixar a guarda. Quero mais emoção, ninja.

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Fui ao meu quarto e troquei minhas roupas de combate. Vesti o velho jeans, botas e camisa laranja. Alguns hábitos nunca mudaram. Raphael esperava lá embaixo no saguão. Estava um pouco apreensiva com este encontro, pois eu pedira um abraço dele e roubara sua lâmina.

— E aí, aonde vamos? — Disse ele

— Vamos apenas andar. Não sei bem por onde começar.

Andamos um pouco pelo Central Park. Não sabia por onde comecar. Acho que mostraria onde ficava o Olimpo. Era o básico para nós, semideuses, mas de qualquer forma ele era mortal. Nunca poderia entrar.

Paramos para comprar sorvete e chegamos em frente ao Empire States Building.

— Bem, aqui fica o Monte Olimpo.

— Anram, tá bom.

— Tô falando sério, fica no andar 600 desse prédio. Só semideuses podem subir, e nem todos eles já entraram na cidade...

— Amélia, você promete que...

Foi aí que o vi. Do outro lado da rua, indo em direção a um beco. Menino loiro e angelical, como sempre. Não o via há anos. Precisava perguntar o porquê da traição. Por que ele me abandonou?

Deixei Raphael falando sozinho e sai correndo. Entrei no beco e não havia ninguém. Estava entrando em desespero quando ouvi a voz dele.

— Oi, mi amor. – ele reapareceu, como um fantasma. Estava com todo de preto, desde a bota até os óculos. Mas parecia muito doente, muito pálido. – quanto tempo!

— Leo. — disse, com a boca amarga. Esse foi o nome o qual se apresentou a mim. Duvidava que fosse seu nome verdadeiro.

— Você está crescida! E ruiva! Por Atena, nunca pensei que a veria desse jeito. Tatuagens? Entrou em uma gangue. Amei! — ele deu uma risada e começou a tossir violentamente.

— Léo, o que você quer? – ele se curvou, e caiu. Sangue começou a escorrer do seu Nariz e boca. Tinha um corte enorme no dorso da mão direita, que estava muito feia.

— Rápido, não tenho muito tempo! – Raphael apareceu ofegante ao meu lado e me ajudou a levantá-lo. – Eles estão atrás de mim.

— Quem está atrás de você?

—Pegue – me deu uma bússola – você precisa seguir para o norte. Encontre a deusa adormecida e as peças dos tempos antigos. Precisa salvar nosso mundo ou vamos todos morrer! – deu mais uma tossida violenta e apertou minha mão – Jure que vai encontrar os elementos e salva os mundos!

— Juro pelo Estige – disse. Um trovão ribombou no ceu. Ele pareceu satisfeito com aquilo e se foi. Simples assim.

Notas finais
Agora assim! hahaha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.