Paradoxo
1 A troca
Mexeu-se na cama macia, tão fofa que podia imaginar-se numa nuvem. Preguiçosamente bolou para o outro lado da mesma, ronronando feito um gato. Entreabriu os olhos pesados, estava em um quarto grande e bem organizado. O que era estranho, não se lembrava de ter ido dormir na casa de uma amiga. Sakura sentou-se na cama, será que tinha saído com alguém ontem ?
Não aquilo era fora de cogitação, ninguém jamais a tinha chamado para sair a não ser um estúpido que resolvera brincar com a sua cara na semana passada. Dobrou o cobertor olhando para os lados, duas janelas grandes de vidro estavam dando vista para os prédios altos dos lados e na frente. A sua esquerda, uma estante grande de livros e do outro uma prateira de CD's. Mais adiante uma grande porta plugada na parede branca. Ela sentia um estranho vazio no peito, levou as mãos para amarrar os cabelos e surpreendeu-se ao não senti-los! Passou as mãos várias vezes para ter certeza que não havia ficado louca. Porém, ao olhar suas mãos, percebeu-as maiores e mais claras. Arregalando os olhos, desceu da cama num pulo de gato pisando no chão frio. Onde estava sua camisola costumeira ? Pior, seus óculos! A garota olhava de um lado para o outro como se as paredes estivessem se movendo na sua direção. Passou a respirar fundo, os ombros agora largos subiam e desciam intensamente. Uma música cortou o silêncio do quarto, no criado mudo um celular azulado alarmava. Sakura apoiou um joelho na cama e esticou o braço para pegar o aparelho do outro lado, o atendendo trêmula. — A-alô ? — perguntou, sua voz tinha saído rouca como a de um cantor de rock, a mão esquerda pousou em sua garganta. — Quanto tempo mais pretende ficar deito aí nessa cama ? Esqueceu que temos uma reunião importante hoje ? — a pessoa do outro lado da linha gritava, mais ao fundo podia ouvir o som de carros indo e vindo junto á buzinas e pessoas falando desenfreadas. — Você tem uma hora para chegar aqui ou está tudo acabado. Do que ele estava falando ? Era alguma coisa relacionada ao grêmio estudantil ? Sakura estava completamente perdida naquela conversa mais parecia ser coisa muito importante. Tossiu um pouco na esperança de concertar a voz. — Hum, claro estarei aí daqui a pouco. — respondeu o mais educado que podia. O outro foi o primeiro a desligar, mal educado. Onde devia estar agora ? Sem mencionar o fato de que aquele não era o seu corpo de alguma forma, e aquele não era o seu quarto. Se bem que poderia estar sonhando mas não estava. Engoliu em seco, saindo mais uma vez da cama tentando manter-se calma. Caminhou para a porta no final do quarto, a abriu e entrou. Era um banheiro, grande e bem equipado. Cheio de cerâmica nas paredes e pisos decorados. Desviou o olhar dois segundos e encarou-se no espelho enorme, aquele era o corpo de Sasuke Uchiha um cantor e seu colega de classe. Aquilo não podia ser real! Tocou a própria face alva, era de verdade, o corpo era de... Sasuke Uchiha. Encarou mais uma vez as mãos grandes, e apenas para ter certeza abriu um pouco a camisa branca. Sim, sem dúvidas era de Sasuke Uchiha, somente ele se conservava tão branco daquele modo. Para não desabar, a Haruno apoiou-se na pia de frente para o espelho encarando a face cansada de Sasuke ou o seu próprio, nem ela sabia mais de nada. O que estava acontecendo ? Como aquilo foi acontecer ? Por quê ? Por mais que pensasse não havia uma razão lógica para aquilo. — Sasuke ?? — Sakura encarou a porta do banheiro aberta e correu para esta, trancando-a e pondo seu corpo contra a mesma. — Sasuke! Suigetsu ligou duas vezes perguntando por você. Você não vai para o ensaio ? Droga! Era Karin, a namorada do Uchiha, o que diabos ela fazia aqui numa hora dessas ? Será que antes da troca de corpo eles tinham... ? Não. Era melhor não pensar nessas coisas indevidas. Sakura preferiu manter o silêncio. Karin não disse mais nada e saiu dando de ombros. A rosada saiu do quarto, cuidadosa e pegou o celular em cima da cama. Digitou o próprio número e esperou até que fosse atendida. — Sakura ? — ouvir a própria voz era uma sensação horripilante e única. — Onde você está ? Saiu do quarto alguma vez ? Alguém te ligou ? — Ah... — a garota não sabia o que dizer, embora a sua mente trabalhasse a mil por segundo. — Um cara... me chamando, chamando você — corrigiu — não sei para onde. E você ? Alguém te viu ? Pode me dizer o que está acontecendo ? Não quero ficar assim. — Calma. — Sasuke ditou obviamente alarmado do outro lado da linha. — A sua mãe saiu de casa há um bom tempo... Não sei o que está acontecendo mas... não estou nem um pouco afim de ficar desse jeito. — ele pareceu choramingar, Sakura alarmou-se respirando fundo. — Escuta... por que eu não paro de sangrar ? Essa coisa fica descendo o tempo todo e a minha, sua barriga está doendo! Ela não sabia o que era pior, trocar de corpo com o babaca ou estar menstruada com ele em seu corpo! Suas bochechas esquentaram de tal modo que preferia se esconder dentro de um buraco. Ainda bem que ele não estava ali para vê-la. O celular quase escorregou da sua mão subtamente suada. — Bem isso... — desviou o olhar como se estivesse sendo observada por ele. — Deve ser porque você, eu estou naqueles dias. — afastou o celular do ouvido antes que ele gritasse feito um louco. — Calma, calma, calma — ela repetia enquanto Sasuke dava um chilique em seu corpo. Indo e voltando no quarto pequeno. — Sasuke, preste atenção no que estou lhe falando por favor.
— Como você pode me pedir algo desse jeito ? Eu estou sangrando! Eu vou morrer a qualquer momento! Sakura soltou o ar pelos lábios finos revirando os olhos negros. — Se não percebeu ainda, você está no corpo de uma garota e obviamente toda garota passa por este período em seu tempo fértil! Agora pare de dar chilique! — a rosada temia no corpo a na voz, buscando algum ponto naquele quarto exageradamente grande. — E-Eu não sei o que fazer nessa reunião. — Esqueça a reunião. — disse respirando muito mais alto. — Vá direto para a escola e ... não sei, tentaremos alguma coisa. **** A saia parecia coisa comum para qualquer garota, mas não para Sasuke que agora, estava de alguma maneira no corpo de uma nerdizinha. A cada vez que o vento ficava mais forte, tinha de tomar cuidado para que ela não levantasse mais e mostrasse a calcinha cor de rosa com coraçõezinhos. Bem que Sakura poderia usar saias mais curtas, não aquela coisa no joelho. Estava escorado numa árvore afastada do colégio com cara de poucos amigos que a rosada não costumava ter, os ombros frouxos e os cabelos levemente desarrumados. E ainda por cima sem os preciosos óculos redondos. As colegas de classe passavam por ela e davam pequenas risadinhas, comentando entre si como ela conseguia ficar mais desengonçada ainda. No fundo, Sasuke queria mostrar o dedo do meio para todas elas. As horas pareciam não passar! Olhava a hora por aquele celular, até moderno para alguém tão antiquada quanto Sakura. Guardou o aparelho na bolsa tradicional preta, ao subir o olhar para frente sentiu o estômago gelar ao ver que seu corpo vinha em sua direção. Esquisito demais, ver a si próprio ao seu encontro. Agora entendia perfeitamente porque as garotas o amavam tanto. — Por que demorou tanto ? — quis logo saber, puxando o próprio braço, fazendo Sakura subir na calçada. Quem quer que olhasse, fazia parecer que ambos estavam tendo algum tipo de caso devido a proximidade. Sasuke foi o primeiro a largar o seu pulso. Irritado é claro. — T-Tive problemas com a sua namorada. — ela disse passando a ponta dos dedos pelos cabelos, quando não os sentiu tomou um leve susto. Estava tão acostumada com aquele gesto que não fazer era como ficar nua na frente de um estranho. — Esperei até que ela saísse. — Ótimo. — deixou a bolsa preta cair no chão e puxou um pouco mais a saia para cima, na intensão de mostrar mais as pernas. — Não faça isso! — a garota interveio. Bem, agora muito maior que seu corpo, Sakura no corpo de Sasuke remexeu as mãos o impedindo de concluir tais ações. — Essas são as minhas pernas, não saia as mostrando por aí desse jeito por favor. — Você tem um péssimo gosto por roupas, essa foi a saia menos feia que encontrei nas suas coisas sabia ? — ergueu uma sobrancelha ignorando a sua fala. — Bem, eu não sei como isso foi acontecer mas... parece que estamos presos no corpo um do outro agora. — trincou os dentes alinhados na boca pequena. — Tem alguma ideia ? — encarou os próprios olhos escuros, muito distantes naquele momento. — Hum... — colocou os dedos dobrados na ponta do queixo alvo. — Essas coisas só costumam acontecer em filmes de comédia. Lembro que assisti um, e eles destrocaram de corpo depois que se beijaram. — Está me sugerindo para te beijar é isso ? Ótimo, não era essa á impressão quer gostaria de ter passado. Suas bochechas esquentaram mais uma vez. Ou melhor, as bochechas de Sasuke. — C-Claro que não! — praticamente gritou. — S-Só estou dizendo que... essa coisa foi solucionada através de um beijo no filme! Não pedindo que me beije. — Pois bem Sakura. — descruzou os braços finos e suspirou, deu um passo á frente e deixou seus dedos, os de Sakura na verdade, entre as amassas da camisa branca da farda e puxou um pouco para baixo, selando rapidamente os lábios. Sakura afastou-se ligeira, com a mão na boca fechando os olhos assustada com alguma coisa aos tropeços em seus próprios pés pequenos, indo para as grades altas da escola. Quando abriu os olhos, percebeu que nada havia mudado e que ainda estava presa ao corpo grande de Sasuke. Seu primeiro beijo tinha sido em vão e ainda por cima, no corpo dela própria. Não existia coisa mais esquisita que aquilo com certeza. Passou a ponta do dedo pelos lábios finos, corando levemente. — Que perca de tempo! — Sasuke reclamou consigo mesmo, juntando do chão a bolsa. — Por enquanto, vamos agir como se fossemos nós mesmos, e ... tentar encontrar algo que nos ajude. Até lá, parece que teremos de nos virar como for possível. Sakura assentiu. Não sabia bem como agir feito uma revoltada e arrogante. Agir como Sasuke poderia ser a coisa mais difícil que já fez em toda a sua vida. Estava pronta para fazer uma pergunta ele, mas seu corpo já ia longe passando pelos portões da grande escola Konoha's. Apressou-se, pois também deveria ir.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
Fale com o autor