Paradoxo
1 O principio ou fim?
Notas iniciais
Aquela deveria ser a pior noite de sua vida. Desde que Betty se foi, sua vida havia se tornado um inferno. E as coisas na Ecomoda apenas pioravam. Ambos precisavam de uma solução comum, e esta tinha nome e sobrenome: Beatriz Pizón.
Armando já não tinha por que viver, nem se importava consigo. E naquela noite havia se entregado aos problemas e tentou dar cabo de sua vida dolorosa e lentamente, pois achava que merecia isso.
Estava na casa de Marcela, que cuidou de suas feridas externas. Era por volta de 4 da manhã e logo teria que ir trabalhar mas não conseguia parar de pensar em Betty, no que tinha feito a ela, na Ecomoda e na loucura que fez ao arranjar briga no bar. E com isso em mente adormeceu.
O alarme tocou pontualmente às seis horas da manhã, Armando ao acordar se assusta ao ver Marcela ao seu lado, provavelmente nua embaixo dos lençóis. Ia acorda-la e perguntar o que estava fazendo ali, mas acabou desistindo da ideia e saiu de mansinho até o banheiro. Fazendo automaticamente como nos dias anteriores, sem vontade, se despiu e esfriou a cabeça com água fria no banho, o que as vezes podia ser uma terapia.
Lembrou-se dos machucados e percebeu que já não os sentia mais. "Dormir me fez bem" ele pensa. Ao terminar, empurrou o box e se esticou para pegar a toalha pendurada. É quando escuta a voz de Marcela:
"Bom dia, meu amor" ela vai até ele e lhe dá um selinho.
Ele assustado grita: "Marcela!".
"O que foi meu amor?" ela continua "Armando? ... o que foi, agora não posso nem beijar meu noivo?" Ela se mantém calma e se vira para a pia pegando sua escova de dente e passa creme dental enquanto Armando diz pausadamente
"Marcela... pensei que já tivessemos conversado sobre isto ontem a noite."
Ela joga a escova dentro da pia e irônica fala "É, Armando Mendoça, se você não demitir aquele monstrinho que você chama de secretária. Ai sim vou levar isso como ofensa."
"O que?! Você está doida e está querendo me deixar também?!"
Ela bufa de raiva e sai batendo a porta. Ela revira os olhos e se enxuga. Lembra novamente dos machucados. Vai até o espelho e fica de frente para olhar melhor. Surpreso se encara, as manchas roxas, cortes e arranhões já não estão ali. Sem entender e atordoado lava o rosto e chacoalha a cabeça. Aquelas marcas iam demorar a sair e de um dia para o outro elas sumiram. Ele não sabia o que pensar. Depois de se vestir com um conjunto de roupas que estava no closet do banheiro, sai e se depara com Marcela sentada na cama mexendo em sua maleta.
"Maas o que...?!"
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