Paradoxo
15 Ciúmes
Notas iniciais
Com a grande dúvida em mente, Armando seguiu para seu escritório com o amigo para esperar a chegada de Daniel Valencia para verem a nova coleção da Ecomoda.
Adentraram a sala da presidência comentando sobre planos para a coleção seguinte, planos estratégicos financeiros. Porém, se calaram ao perceber que dentro da gruta havia uma Betty aos gritos no telefone com alguém.
Souberam de quem se tratava ao ouvirem o nome "Nícolas". Então, Armando foi tomado pelo ciúme. Não conseguia ficar parado, embora quisesse ouvir a conversa, queria saber por que Beatriz falava daquela forma, claramente enciumada com ele.
Logo foi esclarecido, a oxigenada havia dado em cima de suposto namorado de Betty, mas 'porque ela reagiu daquela forma?' 'Será mesmo que entre eles não há nada?' Armando pensava.
Ele podia se lembrar vagamente da imagem de um homem magro, feio e esquisito. Não sabia exatamente quem era mas algo lhe dizia que era Nícolas Mora. Mas mesmo sendo estranho não impediu que Betty agisse como louca ao telefone. Realmente, Armando estava descontrolado.
Desconcertado, Betty estava mentido sobre Nícolas para ele? Agora tinha muitas dúvidas e raiva.
"Você ouviu isso?" Mário comentou logo após ouvirem Betty bater com raiva o telefone. Armando confirmou com a cabeça. Estava possesso de ciúmes, queria saber a verdade e matar Nícolas Mora.
Já começava a arquitetar um plano quando Betty entrou na presidência e lhes entregou, visivelmente com raiva, alguns relatórios da Terramoda. Ela estava tão alterada que nem percebeu os olhos furiosos de Armando sobre ela. O que deixou ele com mais raiva.
"Você viu? Você viu, Calderón?" Armando tentava controlar o tom da voz
"Vamos para a sala de reuniões" E seguiram para a sala ao lado.
"Ah, isso não vai ficar assim. Não vai! Esse Nícolas Mora tem que pagar e Betty me explicar direitinho que história é essa!"
"É, irmão. Cuidado. A feiosa pode escapar de nossas mãos. Você viu o jeito que ela falava. Se não sabia, agora Nícolas pode ter certeza que Betty está nas mãos dele. Nem com você ela age assim!"
Armando sabia disso, percebia sim que ela ficava com ciúmes de Marcela, mas a respeitava apesar de tudo. Mas estava muito chateado para pensar direito. E quando Marcela entrou por aquela porta, lançando suas indiretas após falar que Daniel havia chegado. Saiu da sala, mas voltou em seguida para falar que não queria mais casar.
Sem pensar muito, Armando falou que sim, eles iriam casar na data marcada. Marcela abriu um grande sorriso, mas parecendo que caiu em si e disse:
"Será mesmo? Ou será que você não prefere ficar com a outra? Quem sabe casar de uma vez?"
Daniel entrava na sala de reuniões no mesmo instante, Mario desconfortável e vendo que a situação pioraria com Daniel ali, pediu licença e saiu do lugar. E claro, Daniel aproveitou para expelir um pouco de veneno:
"Hm, há outra? Bom, Armando essa é a hora ideal para você deixar minha irmã. Faça essa favor a vocês dois."
"Daniel, por favor, não se meta." Marcela falou perdendo a paciência com o irmão.
"É verdade, irmãzinha. E depois aproveitamos que você não fez a besteira de casar com ele e na próxima reunião diretiva pedimos nossa parte na empresa."
"O que?"
Armando disse em voz baixa. Estava com raiva de Daniel, mas já pensava em Betty. Conhecia o gênio forte de Daniel, sabia que ele não desistiria daquela ideia tão facilmente. Ele teria que casar com Marcela de qualquer forma.
Saíram da sala para o atelier de Hugo para ver a nova coleção, que contaria com a presença de Catalina Angel e Patty Fernandez a tira colo, ela não perderia essa oportunidade e depois de humilhar um pouco as mulheres do quartel, ficou no pé de Cata o desfile inteiro.
Armando sentou-se do lado oposto de Daniel, não queria nem pensar que teria que escolher entre Marcela e Betty e Mário a seu lado. Daniel estava ao lado de sua irmã.
Ao fim do desfile, apenas Cata aplaudiu. E todos fizeram seus comentários, aprovando a nova coleção da Ecomoda. E Daniel aproveitou para anunciar a divisão da empresa pois não haveria mais casamento, logo não havia porque continuarem ali.
"Mas o que?! Por favor, Daniel! Não acertamos nada. E eu disse que vou me casar com Marcela!"
"Eu jamais pediria para dividir a empresa!" Marcela grita. Mário e Armando se olham, pois, não se pode dividir o que não existe. Armando não teria escolha.
Daniel tentou responder, mas o certo era que Marcela e Armando iriam se casar na data marcada, após o lançamento da coleção e reunião diretiva. Cada um para seu lado, Mário falou rapidamente com o amigo, falando que deveria conversar com Marcela sobre o assunto e com Betty, pois ela sentir ciúmes do Nícolas e "esfregarem na cara dela" o casamento, faria muito mal.
" E você sabe, amigão. Uma feia decepcionada é capaz de tudo!"
"Tá, tá, Calderón. Falarei com as duas. Não se preocupe."
Indo em direção a sala de Marcela, Armando a encontrou no caminho.
"Marcela, precisamos conversar"
"Claro, Armando. Eu devo estar disponível sempre para você, não é? Bom, faço o que quiser, você sabe onde me encontrar."
"Onde?"
"No meu apartamento, onde mais? Falou com a descrença quase tocável."Você vai sair agora?"
"Vou levar Betty em casa."
"Sim, claro. Sua alcoviteira."
"Por favor, Marcela não comece."
"Não irei começar nada. Até mais." E saiu com a amiga Patricia depressa.
Agora indo atrás de seu alvo principal, queria saber como Betty estava. Apesar de ainda estar com raiva do assunto sobre Nícolas. Precisava confirmar que estaria calma. Precisava salva a empresa, sabia disso. E a unica forma seria casando com Marcela e manter um caso com Beatriz.
Entrando na cova, a viu terminando de arrumar sua bolsa e guardar alguns papéis em pastas.
"Betty?"
"Sim, doutor?" falou sem olhar para ele. Estava indiferente a presença dele desde a bendita reunião que Hugo não parou de falar sobre o casamento.
"Precisamos conversar. Quero te levar para casa."
"Conversar sobre o que, doutor? Sobre seu casamento com dona Marcela? Não vejo nada que possamos conversar. Você deve se preparar, adiantar os preparativos para a festa. Não há nada de estranho nisso."
"Ai, Betty. Por favor, não faça isso."
"Isso o que? Falar a verdade?" ele ficou em silencio "quando eu o conheci o senhor já estava comprometido com dona Marcela. Agora não é diferente. O senhor deve cumprir seu dever e casar com ela."
"Mas eu não a amo. Eu amo você, Beatriz!" ela olhou para ele triste e foi na direção da porta. Ele a parou pegando em seus ombros e cara a cara com ela, olhando profundamente em seus olhos disse:
"Por favor, me dê a chance de dizer o que tenho que falar. Me deixe leva-la para casa. Por favor, Betty."
"Está bem, doutor." Ele sorriu e deu um selinho nela a abraçando.
Soltaram-se rapidamente. Saíram para a garagem. Encontraram o quartel, e Betty falou que seu Armando a levaria para casa. Após um tempo falando com as amigas, Betty foi para a frente da empresa, onde Armando estava a esperando no carro.
Andaram na direção da casa de Beatriz. E começaram a conversar, Armando deveria convencer Betty que iria apenas fingir que ia casar com Marcela e na ultima hora iria desmarcar. Explicou o que Daniel falou e que seria mais seguro para a empresa fazer aquilo, disse também que estava preocupado com Betty, pois não queria que ela sofresse e que não ficasse triste.
Embora estivesse de casamento marcado com Marcela, seu coração estava em Beatriz. E gostaria que ela fizesse o mesmo.
"Fazer o que, doutor?" ela perguntou um pouco confusa.
"Esperar por mim. Até eu poder sair dessa confusão por causa da empresa e poder ficar com você. Só com você, Betty."
Os olhos dela iluminaram, era incrível com as palavras dele lhe davam tanta esperança. Esperança no amor, na vida, nela mesma. Sem dúvida aceitaria.
Enquanto nela crescia a esperança de ter Armando só para ela, nele crescia um sentimento diferente, Armando se surpreendia cada vez mais consigo mesmo quando estava ao lado de Betty.
Era como se transformasse numa pessoa diferente. Não ligava se ela não era tão bonita, diante de seus olhos via apenas a Betty espetacular por dentro, que ofuscava o exterior. Como se num passado distante a via apenas superficialmente, agora conhecia a Betty de verdade. E não havia como esquecer essa, ou tentar ignorar. Era mais forte que ele, esse sentimento por ela tomava dia após dia seu ser.
"Você quer esperar mais um pouco, Betty?"
"Não sei, doutor, sinto que estou atrapalhando você dois. O senhor deveria estar com ela."
"Não, Betty. Gosto muito de Marcela porque crescemos juntos, mas o que senti por ela um dia, não se iguala ao que sinto por você. Eu só quero uma resposta, você está disposta a esperar? Juro que isso via acabar logo e poderemos viver em paz e livremente. O céu se abrirá para nós! Aceita?"
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