Paradoxo
24 É verdade?
Notas iniciais
Já era por volta das seis da manhã quando Armando caiu em si e percebeu que deveria ir para a empresa, teria que viajar pela tarde.
Mesmo depois de horas pensando não sabia o que pensar, não encontrou solução. Se o sonho estivesse certo, logo Beatriz descobriria tudo.
Só estava se esforçando para se lembrar como ela fez isso no tal sonho.
Sabia que havia algo a ver com alguma besteira que Calderón fez, mas não lembrava ao certo.
"Sim, se está acontecendo do mesmo jeito, Calderón está para fazer! Tenho que descobrir o que." e ele saiu do local, dando partida.
Como havia ido para longe, demorou a chegar na Ecomoda.
Silenciosamente seguiu até o andar de sua sala e sem falar com ninguém que o tivesse cumprimentado.
Se dirigiu a sala de Mário.
"Ora, ora, olha só quem apareceu. Já está um pouco tarde, não, senhor presidente?"
"Precisamos conversar.' ele disse sério
"Antes, me diz, como fomos?" se referindo a noite de Armando com Betty.
"Sabe, Calderón, você e eu somos umas porcarias! O que estamos fazendo de novo com a pobre Betty?"
"De novo com seus remorsos." ele choraminga, ironizando situação.
"Não é remorso, só precisamos acabar com isso. Já basta! Ela não merece isso. E sabe mais o que? Eu estou farto, dessa vez vou fazer diferente, ela precisa saber a verdade!"
"Opa, opa. Calma ai, você não pode revelar assim nosso jogo. E a empresa? E porque disse que estamos fazendo isso de novo?"
Alias, você não está fazendo mau algum, está fazendo ela feliz. Você mesmo está aproveitando e ainda estamos mantendo a empresa em nossas mãos."
Mário tinha razão, Armando estava a usando mesmo sem querer, estava feliz com ela e a manipulando. Era um cafajeste, se aproveitando dela e a manipulando, manipulando mais uma vez.
"Eu não estou a fazendo feliz, a unica coisa que estou fazendo é cultivar esperanças do que pode ser a segunda, ou terceira, sei lá, chance de tragédia na vida dela. Mais uma vez eu vou desaponta-la."
"Como assim, tragédia? Do que você está falando? Me diga o que aconteceu para você acordar assim?"
"Não dormi."
"Como? Quer dizer que você não voltou para Marcela?"
"Até esqueci de Marcela. Enfim, Beatriz é quem realmente me importa."
"Sim, claro. Mas você precisa dar um jeito nisso."
"Exatamente, eu preciso, da primeira vez eu a magoei, agora não posso deixar acontecer novamente."
"Como assim primeira vez? Passar muito tempo com ela está deixando você louco?
"Olha, Calderón, eu preciso te falar. Ninguém pode saber disso." Armando dizia atordoado.
"É, você está um pouco estranho, Armandinho, meu amigo, está tudo bem?"
o amigo pergunta preocupado.
"Não, não estou nada bem! Estou muito confuso. Vou te contar uma coisa. Mas é segredo. Viu?"
"Sim, claro, minha boca é um tumulo."
"Você lembra quando eu cheguei no outro dia dizendo que ia falar tudo pra Beatriz?"
"Você disse isso agora, engraçadinho."
"Não seja idiota, estou falando do outro dia. Alguns dias atrás."
"Ai, que mau humor. Sim, sim eu lembro. Você estava um pouco estranho, mas hoje você está se superando, ein, Sr. Presidente? Mas o que isso tem a ver?"
"Naquele dia, quando eu cheguei aqui eu podia jurar que Betty não estaria aqui, que no dia anterior eu estava em um bar, bebendo e acabei brigando com uns caras. Marcela tinha ido me buscar e me levou pro seu apartamento. No outro dia eu achei estranho não ter nenhum machucado no meu rosto." Ele parou de falar, Mário olhava surpreso para ele "O que foi Calderón?"
"Isso é surreal Armando, Betty nunca saiu daqui. Ela continua feia e apaixonada por você, nunca perderia a chance da vida dela de ter um namorado. Você sabe, feias apaixonadas não desgrudam."
"Calderón eu to falando sério!"
"Eu também, Armando!"
"Olha só, sabe porque eu achava que Betty não estava mais trabalhando na Ecomoda?"
"Não."
"Porque ela descobriu todo o nosso plano ridículo e nos revelou na frente de todos na reunião diretiva."
"Armando, acho que você só teve um sonho ruim."
"Então me diz como eu já sabia como havia sido a primeira vez de Betty se ela nunca tinha me contado?!"
"Ela já fez ... Você sabe ? Quer dizer que não foi você que despertou a sensualidade dela?"
"Não, Calderón, não foi. E eu sinto que já te contei isso."
"Não, você nunca contou. Não que eu saiba. Então você está dizendo que meio que voltou no tempo? Foi isso né, você disse que é como se revivesse tudo."
"Eu não tenho certeza, por isso estou confuso. Isso parece impossível."
"Mas claro, Armando! Isso é loucura!"
"Mas eu não entendo como sei o que vai acontecer."
"Você sabe quem vai ganhar no futebol ou os números da loteria?"
"Não seja idiota, Calderón! Olha eu só sei que não me lembro de muita coisa."
"Ótimo, você esteve no futuro e nem sabe como evitar esse problema com a feiosa."
"Mais respeito com ela!"
"Está bem. Então, você não se lembra nada do quem a seguir?"
"Me lembro vagamente que não vou viajar com vocês. Algo a ver com os fornecedores."
"Não to sabendo disso."
"Claro que não, ainda vai acontecer. Mas eu não lembro bem."
"Então vamos confirmar?"
"Vamos."
Os dois foram até a presidência, mas ficaram no caminho, encontraram uma Marcela furiosa que falava com Patrícia na recepção. Ela não os viu, e eles voltaram para a sala de reuniões e pela outra porta foram para a presidência.
"Fecha bem essas portas, Calderón, não quero nem falar com Marcela. Ela vai fazer um escândalo, sem dúvidas." E o amigo fechou a chaves as portas de acesso a sala da presidência.
"Betty?" Armando grito por Beatriz.
"Sim, doutor?" Betty apareceu sorridente para o chefe, mas se censurou ao ver que Mário estava ali, dando um sigilo bom dia.
"Bom dia, Betty."
"ér, Betty, queremos saber uma coisa."
"Sim, pode perguntar, seu Armando."
"Está tudo certo para a viagem? Tudo bem com os fornecedores? As passagens estão com você?"
Armando e Mário esperavam com expectativa a resposta de Beatriz.
"Sim, senhor, está comigo as passagens. E está tudo certo. Mais alguma coisa, doutor?"
Armando sentia uma mistura de desapontamento e alivio, por talvez estar errado e ter sido apenas um sonho mas aliviado por que não era certo que ela descobriria a farsa e continuaria com ele. Ele só sabia de uma coisa, não entender como amou Beatriz de uma forma tão grande e tão rapidamente.
Seus pensamentos foram atrapalhados por Marcela que batia a porta e gritava por ele para abrir a porta.
"Betty, não deixe que ela me veja aqui. Diga que não estou."
"Mas, doutor... Tudo bem."
Mário o puxou para dentro da salinha de Betty para que Marcela não os visse.
"Você está louco, Armando? Ela vai armar um escândalo se você não aparecer. Você sabe ao menos o que está acontecendo?"
Antes que terminasse de falar, o telefone de Betty começou a tocar. Se atendesse Marcela saberia que tinha alguém ali e se continuasse tocando, sabia que Betty viria para atender, deixando provavelmente Marcela entrar.
Podia ouvir os gritos da noiva para Beatriz. Era humilhante, mas necessário, não poderia deixar Betty sofrer novamente.
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