Paradise City

11 Semeando a discórdia


A noite chegou e na danceteria estavam, Angel, Evan e suas amigas. As pessoas costumavam ir muito para lá, especialmente os jovens. A danceteria naquela noite estava lotada, havendo uma grande variedade de famosos, cantores, atrizes, Edgar Warmsley e a esposa Florence, Annelise Louise, Simon Doyle, o famoso Michael, Jimmy e as pessoas mais fantásticas, parecia um encontro marcado com as celebridades.

Edgar estava em um lugar mais reservado com Florence, ele estava culpado por sua mulher estar passando tudo aquilo, ela estava perturbada e tensa e tomava vinho pela primeira vez em tempos. Ele também estava extremamente culpado por ter quebrado um promessa feita a si mesmo de se manter fiel a ela e iria confessar a ela seus erros, mas não hoje.

—Quer mais vinho, querida?

Ela assentiu olhando para os lados.

—Querida, olhe para mim – ele colocou suavemente a mão em seu queixo e ela olhou, um olhar tão melancólico – eu só queria dizer que você é a melhor, melhor mãe e melhor esposa do mundo. Você sabe por que eu escolhi sair com você essa noite?

Ela negou.

—Não sabe? Bem, em tantos anos casados e eu queria mais tempo com você, mais tempo do que eu jamais tive. Eu sei que andei ocupado e que não te dei a atenção que merecia... mas podemos melhorar as coisas, eu sei que podemos. Florence olhe aqui – ela baixou os olhos e começou a olhar para a mesa em que estavam sentados, além deles a maioria das celebridades estavam naquela área vip- esses problemas vão se resolver e teremos paz novamente, sem aparecer em capas de revistas e sem invasões em nossa casa...

—Eu não sei Edgar, eu gosto de você, mas as vezes o amor não é suficiente. Eu tenho carregado mais do que posso suportar, eu não nasci para viver assim... não nasci para viver me escondendo de câmeras, eu sou odiada por pessoas que sequer conheço, Edgar... você sabe o que é isso? Sabe o que é ser odiada e julgada assim? Essas pessoas não se dão o trabalho nem de me conhecer... todo mundo acha que a vida será fácil depois que se é rico, mas é totalmente ao contrário. Rasgaram uma foto nossa juntos, e eu como sempre sou a destruída.

—Esqueça isso, meu amor, esqueça... – ele pegou sua mão e beijou forte – hoje vamos aproveitar a noite e amanhã eu vou começar fazendo o melhor por nós contratando bons seguranças e reforçando os alarmes. Agora posso ter a honra de dançar contigo?

Amy Ullman era a filhinha do prefeito, a garota que todas as boas senhoras ricas queriam de mulher para seus filhos, ela era modelo na sociedade, uma ex modelo que havia acabado de sair da adolescência, jovem e bonita... mas essa garotinha tinha um outro lado, ela saía com vários famosos e a maioria rockstars famosíssimos. Usava roupas insinuantes, cheirava cola, tomava pílulas e aos poucos ia deixando de ser apenas patricinha para passar a ser roqueira de salto alto plataforma que conseguia tudo o que queria.

Amy Ullman com 15 anos morava fora já, e despontou como uma das mais desejadas das infanto juvenis que conviviam com ela, satisfazia os desejos sexuais de vários rockstars. Ela circulava pela Mansão Playboy, posava para páginas de revistas de moda e inspirava pessoas, mas é claro que as boas senhoras não conheciam esse seu lado, para elas ela zelaria o lar e cantaria canções de ninar para os filhos até que dormissem, a tarde faria o tricô enquanto assistia filmes de drama até que o marido chegasse. Bobagem.

Ela vivia para proporcionar prazer e ganhar presentinhos caros, glamorosa, disfarçada de boa moça, usava roupas extravagantes e fazia topless sem hesitar. Seu pai trabalhava muito na prefeitura e lhe dava mimos para compensar, sua mãe nem ligava para o que ela fazia ou deixava de fazer e nunca foi presente em sua vida.

Amy Ullman estava na danceteria para um encontro com o rockstar David Jones, mas ele não havia chegado ainda, da primeira vez que ela o havia visto tinha 16 anos e ele queria a levar para seu quarto de hotel, ela ainda era virgem e ficou petrificada. Ele tinha cabelos ruivos e tinha a pele alva. Ela agarrou o braço do co-proprietário do clube e disse que estava com ele, então ficaram apenas trocando ideias, ela já havia beijado garotos mas ainda não estava pronta para David Jones.

E então essa seria a segunda vez que o via, depois de exatos 2 anos, na verdade um dia antes ela havia recebido uma ligação de seu guarda costas que lhe disse que David queria a levar para dançar. A amiga de Amy estava doida para dormir com David Jones, Amy achava que no fim das contas sua amiga ia dormir com ele e ela ficaria ali se divertindo. Sua amiga estava saindo com outros caras, tipo o ator do novo filme, o Simon Doyle. As pessoas viviam chapadas o tempo todo – Quaaludes, heroína, tudo o que pintasse. A amiga de Amy já havia deixado avisado na ida para danceteria: Se você tocar no David eu mato você. Amy não achou que fosse brincadeira.

Elas estavam na área vip, sentadas em um mesa fora da vista de seu padrinho Edgar. Suas amigas enrolavam baseados gigantes. Alguns famosos passaram e deram um alô. David Jones chegou em seguida, ele era muito charmoso, ela e suas amigas o cumprimentaram com um abraço e ele se sentou ao lado de Amy, um cheiro forte de seu perfume a invadiu, era um cheiro delicioso, Amy bebia sua bebida e estava dando uma olhada no cardápio quando um sujeito maluco se debruçou na mesa e disse para David:

—Seu viadinho de merda. Morra, Jones

No instante seguinte o segurança de Jones que sempre o acompanhava atirou em cima do cara e Amy e suas amigas foram escoltadas até uma porta lateral para ir a limusine de David Jones. Aquilo por si só gerou uma agitação, mas a noite só começava.

—As putas já vão entrar na primeira limusine que lhes aparece, aquela Amy Ullman não se toca. – uma das amigas de Evan disse

—É David Jones, vi falar que ele está morando em sua casa na Costa Oeste, aquela que aquele presidente vendeu recentemente. E daí? Eu também entraria na limusine dele.

—Olhe só como ele olha para ela – comentou Evan olhando para Edgar e Florence – Eu preciso entrar na VIP.

—Você não é normal Evan, olhe para aquele rapper, aquele ator bonitão, todos disponíveis, não há só Edgar Warmsley por aqui.

—É, e Edgar Warmsley teve a casa recentemente invadida... Não sei porque acredito que tenha sido você Evan.

—Porque foi eu. Não contem a ninguém... ele me pediu que fosse até lá esperar por ele, eu só fiz o que ele pediu.

—E como entrou e saiu? – perguntou Angel

— Tenho meus contatos...

—Não subornou algum segurança não né?

—Não me custou tão caro isso...

—Evan... você pode acabar se estrepando por isso.

—Angel e aquele babaca do Jimmy? Já deu pra ele, para finalmente ele poder te chutar?

—Cala boca Evan!

Angel ficou irritada com a acidez dos comentários de sua amiga, afinal não entendia por que ainda era amiga dela...Evan era grosseira e estúpida, só pensava em si mesma e não media palavras . Levantou-se irritada e foi para longe delas.

—Ela não aguenta a verdade, drogada do caralho. – Evan riu satisfeita

Uma de suas amigas, a Llily, ficou do lado de Angel e levantou-se também.

—Você é uma vadia Evan!

—Sabe por que ninguém quer você Lily? Por que você come igual uma porca e tá rolando de gorda.

Lily saiu mostrando o dedo do meio para Evan

—Vai se fuder você também – completou Evan, as outras ficaram quietas na mesa – Que foi? Vocês também vão sair? Não hesitem. Adoro ser odiada.

O restante tinha medo das ameaças de Evan.

—Vou pra área vip que lá é o meu lugar – Evan levantou-se seu vestido a fazia lembrar uma sereia, parecia uma calda brilhante

Annelise Louise estava com Simon Doyle, seu colega de trabalho e grande amigo e seu marido Blake que se dispersava dela as vezes, ela foi até a área VIP e reencontrou Florence depois de tanto tempo.

—Florence! Puxa vida, como está diferente!

—Olá Annelise, como vai?

Elas se abraçaram e o cheiro de Annelise quase deixou Florence zonza, ela cheirava a cigarros e bebidas e tinha resíduos brancos no nariz. Annelise estava muito magra, quando Florence a conhecera era uma mulher de um corpão, pernas grossas, era um mulher fatal, mas agora estava quase destruída, magérrima, os cabelos descuidados, ela que lhe apresentara Edgar, vinha de uma família bem rica e eles tinham amizade com a família Warmsley, mas agora depois de tanto tempo estava irreconhecível. Foi depois que conheceu Blake que ela se tornou assim.

—Vou ótima, quer um cigarro? Cadê as crianças? Mal posso esperar para lhes dar um abração. Oi Edgar, e aí?

Edgar sorriu em cumprimento, Annelise estava com uma energia fora do comum.

—Estou suando, puxa – disse secando o suor de sua testa e estava ofegante – Edgar, assim que a Marilyn voltar continuaremos as gravações?

—Sim.

—Porque? – perguntou Florence que evitava todo tipo de contato com a mídia e sendo assim não sabia do ocorrido com Marilyn – O que houve?

—Não soube? – Annelise acendeu outro cigarro – Ela tentou se matar.

Edgar se sentiu desconfortável falando sobre sua amante para sua esposa.

—É mesmo Edgar? E por que não me disse?

—Não tinha importância

—Vocês tem uma grande amizade, hein – disse Annelise – Vi vocês conversando nas gravações e depois vi quando tomou café com ela. Acho que vi outra coisa também, mas deixa pra lá — ela estava atenta ás expressões de Edgar- Não tem importância — riu bastante — Marilyn é uma garota muito solitária e frágil, não me espanto com sua atitude

Annelise trocou mais algumas palavrinhas e afastou deixando um climão entre Florence e Edgar.