Paradise City

9 A outra mulher


—Mas o que... – Florence ficou sem palavras

O corredor diante dela estava todo bagunçado, fora o vidro da porta da cozinha espatifado, as coisas remexidas e bagunçadas fora do lugar, o quadro da família quase despencando no chão, o porta retratos seu e de Edgar de quando começaram a namorar em que ele estava vestido de soldado na foto e ela era apenas uma garotinha estava em pedaços, e rasgado ao meio, haviam levado a parte de Edgar, deixando Florence sozinha e rasgada.

De um sobressalto no quarto, Evan levantou-se apressada da banheira, a camisola encharcada de Florence, retirou-a e os passos no corredor só se aproximavam, o coração disparado, vestiu rapidamente um vestido qualquer de Florence, já que estava com um jeans e uma camiseta quando chegara e seria impossível vestir em tão pouco tempo. Foi até a sacada e de lá de cima viu o quão alto era para pular.

Florence então entrou em seu quarto. O rádio estava ligado e anunciou-se:

—Obrigada pela música linda, Sue. Agora que entre Angelina, ela cantará ‘’The Other Woman’’cover de Nina Simone, Angel, boa sorte!

....

Chegou sua vez, Angel engoliu um gole de água e subiu ao palco, cantou ‘’The Other Woman’’

Os rádios transmitiam aquela música, uma melodia melancólica tocada em um piano, Angel subiu ao palco e começou com sua voz variando de grave aos tons mais agudos.

‘’A outra mulher

Tem tempo para fazer as unhas

A outra mulher

É perfeita onde sua rival falha

E ela nunca foi vista com bobes em seus cabelos

Em seus cabelos, lugar algum

A outra mulher

Enfeitiça suas roupas com perfume francês

A outra mulher

Mantém flores frescas em cada quarto

Nunca há brinquedos espalhados por toda parte

E quando seu homem chega

Ele a encontra esperando como uma rainha solitária

Porque estar ao lado dela

É como uma mudança na velha rotina

A outra mulher

Vai sempre chorar até dormir

A outra mulher

Nunca terá o seu amor para manter

E com o passar dos anos

A outra mulher vai passar a vida sozinha

Sozinha

Sozinha....’’

A melodia encerrou, Angel agradeceu e se retirou do palco, com os aplausos.

...

Luz. Câmera. Ação.

O tempo decorre e agora Odete e Jonathan tem que lutar pelo seu amor, pois Amon já se encontra com grande inveja e ódio de seu irmão. Odete já havia posto as claras que amava Jonathan, mas isso fez com que o ódio pelo irmão piorasse de maneira terrível. Amon fazia de tudo para destruir a vida do irmão, mas nunca conseguia o atingir, isso lhe transformava em uma pessoa mais e mais perigosa.

Amon então armou uma armadilha para Jonathan, o plano era bem simples, ele o atrairia a um cabaré e pagaria a uma garota para o seduzi-lo, assim que Jonathan caísse nas graças da garota apareceria Odete, Amon se encarregaria de leva-la até lá pessoalmente, ela ficaria desolada vendo tal cena e Amon estaria ali dando seu ombro para que ela chorasse.

—Corta!

Estavam no segundo dia de gravações e a cena iria ser gravada agora no cabaré. Marilyn estava radiante, já se preparara desde as 5 da manhã, queria ser perfeita mais que tudo no mundo. Estava com seu diário e parou para escrever antes de ficar diante as câmeras. “Amor é uma das coisas mais importantes da nossa vida. Acho que a mais importante, mas acho que trabalho é um tipo de amor”.

Fechou o diário e entrou em cena.

—Luz. Câmera. Ação.

Jonathan Gruber havia ido ao cabaré conforme seu irmão combinara para que tivessem uma conversa, eles não estavam se dando muito bem e Amon queria pedir desculpas e desejar felicidades a Jonathan que ia se casar com Odete.

Começou um show no palco e Jonathan começou a prestar atenção. Eram muitas mulheres dançando em vestidos colados, brilhantes e vermelhos, além de dançar elas cantavam, de repente se agruparam e lá do fundo do palco surgiu uma loira ariana, deitada dentro de uma taça gigante, Marilyn cantando desceu da taça e dançava em um vestido curto usava um casaco peludo branco por cima, ela dizia e repetia a seguinte frase : Os diamantes são os melhores amigos de uma mulher.

—O que mais eu devo fazer? – perguntou Marilyn interrompendo a tomada para perguntar ao diretor.

—Só seja sexy Marilyn, não é só isso que sabe fazer?

Ela ficou muito brava, largou o casaco de pelo no chão e saiu correndo com o rosto vermelho.

—Albert! – Simon o repreendeu – você trabalha de forma muito técnica e mecânica, Marilyn não é assim, se explicar emocionalmente ela fará.

—Por acaso está querendo me ensinar a dirigir essa bosta de filme? – berrou Albert

Tiveram que encerrar as gravações, Marilyn foi para o hotel e subiu as escadas correndo direto para seu quarto. Fechou a porta e chorou, chorou muito jogada em um canto. Depois pegou seu diário e escreveu: Eu queria estar morta, ir embora daqui e de outros lugares, mas como eu faria isso? A ponte do Oeste? Não! Eu amo lá, as flores, a árvores e a liberdade que eu sinto. Teria que ser outra, uma feia, abandonada... mas o problema é que eu gosto de todas as pontes.

Marilyn fechou o diário e encheu sua mão de comprimidos para dormir. Tomou todos de uma vez.

...

No outro dia um vídeo circulava pela mídia. Annelise Louise ao lado de seu colega de trabalho Simon Doyle, outra flor que não se cheira – brincando com ratos recém nascidos. No vídeo, Annelise fala com os animais como se fossem crianças. Suas unhas pretas de resina por conta do crack também chamam a atenção.

Depois de começarem a gravar o filme Annelise parecia ter largado as drogas, mas infelizmente só parecia.

...

E o Hotel Cortez foi tomado por uma nova agitação, Marilyn não havia levantado ainda, fazia mais de doze horas que ela havia entrado em seu quarto e não dera mais sinais de vida. Todo mundo estava preocupado com a musa, ela nem apareceu para gravar. A porta de seu quarto estava trancada por dentro e a janela estava aberta mas seu quarto ficava no penúltimo andar. O gerente do Hotel resolveu abrir seu quarto para checar se estava tudo bem, já que havia uma segunda chave por questões de segurança, as portas eram muito resistentes para serem arrombadas.

Quando ele e os funcionários abriram se depararam com Marilyn desacordada e um frasco de remédios muito fortes para dormir vazio caído no chão.