Paradise
2 Capítulo 2 - Passado, Ausente, Futuro
Notas iniciais
Abriu os olhos lentamente para encarar o forro escurecido por uma infiltração de água do seu apartamento.
Piscou varias vezes e permaneceu imóvel por alguns minutos. E não pode evitar ser tomada por um desespero crescente que subia pela sua garganta como uma maçã presa ali. Desde que chegara noite passada do encontro com aquele trio estranho, Anna tentara por varias vezes evitar pensar no pior, todavia parecia impossível.
A querida Las Vegas já não era mais tão segura como pensara inicialmente.
O miado agudo de Charlie chamou sua atenção.
- Bom dia. – disse à gata que acabara de deitar ao seu lado. – Pelo menos alguém parece estar confortável, não é mesmo?
Forçou-se a se levantar e começar um novo dia. Um dia que se parecia ao prelúdio de uma tempestade pesada, em todos os sentidos. O aquecedor estava ligado, no entanto sentiu sua espinha congelar quando seus pés desnudos tocaram o assoalho gélido.
Alcançou o telefone e discou um numero que decorara a muito tempo.
- Oi, eu não estou agora. Cante uma canção depois do bipe. – A voz gravada de Joe soou depois de vários toques.
- Oi, sou eu. Estou precisando falar com você. Acho que estou com um problema... – era difícil descrever aquela situação – me encontre as 10, no Café Boulevard. Ate. – colocou o fone na base.
Tinha tempo o suficiente para pegar seu carro no estacionamento próximo ao Paradise e encontrar Joe.
- Vá, por favor. – pediu silenciosamente.
Se existisse alguém que soubesse de algo sobre Dylan, Megan ou Petris esse alguém era Joe, precisava falar com ele o quanto antes. Tentar entender o que estava acontecendo e o que queriam com ela.
Tomou uma ducha rápida. E ainda de toalha , abriu a cômoda para retirar uma peça de roupa, uma saia branca de látex que usava para os espetáculos de Samantha se despontou sobre o resto de roupas sem graça de Anna. A única parte de verdade na sua vida estava parecendo ser arrancada, a parte em que era Samantha, a parte em que poderia se deixar livre, sem preocupações de tocar em algo e ser perturbada pelo que poderia ver. A parte em que o passado e o futuro não a confundiam.
- Droga. – fechou bruscamente a gaveta.
Trinta minutos depois já estava no seu carro, e parada no cruzamento que dava para Rua Madison. O sinal estava fechado e a sinfonia perturbadora das buzinas começava.
Anna segurava com as duas mãos no volante, os nós dos dedos ficando branco da força que estava fazendo, apenas por estar nervosa. Ajeitou o espelho retrovisor e pode ver do outro lado da rua as costas de um homem parado. Ela continuou olhando, enquanto todas as outras pessoas estavam indo à frente e em vez por outra se chocando levemente com ele. A lembrança de Dylan veio tão rápido a sua mente que não pode evitar. Será ele?
Será que a estavam seguindo?
Antes que pudesse continuar olhando, o sinal ficou verde, e uma baderna de sons e gritos seguiu para que Anna seguisse em frente e desse passagem aos outros.
- Droga. – seu lábio inferior tremeu.
Estacionou na próxima rua e entrou no Café Boulevard. Na ultima mesa no canto a esquerda, Joe estava sentado, seus olhos vidrados em Anna, de um jeito que a fez estremecer.
Ela caminhou e sentou na cadeira a sua frente.
- Oi. – suspirou cansada.
- Desculpe, Anna. Mas tem de ser rápida. – ele começou apressadamente.
Joe tinha a pele morena e um cavanhaque bem feito. E rotineiramente era alguém engraçado e descontraído, só que naquela manhã, todo aquele espírito parecia ter desaparecido, para dá lugar a um Joe inquieto.
- Preciso da sua ajuda.
- O que houve? – ele se aproximou.
- Tem algumas pessoas que me procuraram ontem a noite... sobre...- foi impedida de continuar quando uma garçonete parou a sua frente.
- Deseja alguma coisa?
- Um café sem açúcar, por favor. – Anna respondeu rapidamente.
- E o senhor? – ela voltou-se a Joe, que parecia distante.
- Nada, obrigada.
E saiu.
- Que pessoas Anna? Me diga.
- São dois homem estranhos e uma mulher.
- Quem é a mulher? – Parecia que as suas perguntas já haviam sido formuladas.
- Ela me disse, ser Megan Gregor.
Sucedeu-se alguns minutos tensos, Joe parecia tão estupefato que seus olhos rolavam de Anna para as suas próprias mãos.
- Anna, isso é muito importante. Me diga o que eles queriam com você.
- Eles não me disseram nada. Querem que eu vá para Londres, com eles.
- O que eles querem? – seu tom de voz elevou-se
- Eu não sei. É o que também estou querendo entender, achei que você pudesse saber mais sobre isso. Tenho um pressentimento de que estão me seguindo, tentando me coagir. Tentei não acreditar mais há algumas semanas já venho sentindo isso, só que esse alguém não deixava rastros – não tocava em nada, não interferia em minha vida, de uma forma que eu pudesse pega-lo. Assim ignorei totalmente o fato de que alguém estivesse fazendo isso, achei que ninguém soubesse, ao ponto de se deixar invisível de propósito. Acho que não acredito mais nisso. – Sua cabeça estava entre suas mãos, tomada de uma dor imensa. – Preciso saber o que você sabe sobre eles.
- Anna, tenho motivos para acreditar que eles são como nós. Eles vêem se mantido no anonimato ate agora, mas nós últimos tempos andam entrando em contato com alguns de nós, não tenho idéia em que dimensão se encontram hoje, apenas acho que precisam de você por algum motivo.
- Acho que precisarei ir para Londres para descobrir. – um nó estava se formando na sua garganta. – O que você vai fazer?
- Estou indo embora de Las Vegas. – Joe abaixou os olhos para a mesa de madeira escura, incapaz de olhar para Anna. — Martha esta com medo, quer levar as crianças embora daqui.
Uma sensação estranguladora de estar sendo deixada pra trás a atingiu.
- Quando ia fazer isso?
- Hoje pela manha, antes de receber seu recado.
- Você já sabia não era? Sobre essas pessoas. – Anna apertou a alça da sua bolsa com força.
- Não, Anna. As coisas estão tomando um rumo, que ate então eu desconhecia.
- E o que você sabia Joe? – sua voz saiu tomada de fúria. – Diga.
Suas mãos foram tão rápidas e capturaram o pulso nu de Joe.
- Agora. – disse antes de se perder dentro das lembranças de Joe.
Estavam em um quarto de hotel. Dylan com seu costumeiro ar indiferente estava parado de frente para a janela do décimo andar. Joe estava ali, vacilante.
- Preciso encontrá-la.- a voz rouca de Dylan soou como um eco.- E descobri que vocês arranjaram um jeito de se camuflar. Bem, conhecendo agora Las Vegas vejo que o mérito não é só de vocês. Não posso perder meu tempo.
- Paradise. – Joe disse tão rápido, sua voz carregada de um pavor pelo qual nunca havia visto. – vai achá-la, assim que por os olhos nela.
- Megan tinha certeza que poderia contar com a sua colaboração. Ela mandou lembranças, mas vindo dela você deve imaginar do que se trata. – O som de sorriso em seu tom de voz surgiu.
- Ela prometeu que me deixaria em paz da ultima vez. – Joe disse com ira, seus passos vacilando na direção de Dylan.
- Deixe Vegas e talvez ela se recorde dessa promessa. Não quero vê-lo interferir em nada, a partir de agora. Tudo ocorrera da forma que...
Anna sentira cair em um vazio e quando abriu os olhos, encarou os olhos de Joe repletos de horror, seu pulso junto ao peito.
- Você não devia ter feito isso.
- Pra não descobrir o quão sujo você é?
- Não me julgue agora, Anna.
- Você me entregou. – cuspiu as palavras, enojada. – Você.
- Eu tive um motivo!
- Forte o bastante para me por em risco.
- Forte o bastante para por a todos os nós em risco. – ele retrucou. – Eu não sei o que eles planejam. Queria ter podido te proteger como protegi a minha família, mas eles a querem.
- Por que?
- Eu não sei. – um suspiro pesado sai de dentro dele.
- Espero que tenha valido a pena. – Anna se levantou passando a alça da bolsa sobre o corpo e deixando uma nota de 10 dólares na mesa.
- Valeu sim. – Joe disse a fitando nos olhos, rugas nunca vistas, pareceram na sua testa.
- Adeus.
A garçonete estava com o seu café preto na bandeja quando saia de lá.
- Meu Deus. – um desespero crescente a consumia por dentro, cada vez mais.
Joe, o seu único amigo, lhe trairá. O que poderia esperar então dos seus novos inimigos?
Rumou para seu carro, as mãos tremulas mal conseguiram colocar a chave na ignição e tudo parecia ainda esta girando ao seu redor.
- O que esta acontecendo? – bateu de leve com a cabeça no volante.
Precisava tentar entender o que queriam dela e fugir dali. A sua própria imagem no saguão do aeroporto esperando o avião encheu sua mente como uma premonição. Por que ainda assim seria levada a ir a Londres? Tudo parecia confuso.
Seu relógio de pulso marcava o começo da tarde.
Pegou no bolso do casaco um pequeno cartão com letras douradas em alto relevo. Havia tirado da carteira de Dylan na noite passada. Hotel Royal. Ficava perto do restaurante japonês. Roçou mais suavemente o polegar nas marcas da impressão. Dylan pediu por um dos apartamentos à um atendente do outro lado do balcão da recepção, fumava um cigarro, enquanto colocava cartão na carteira. Eles estavam hospedados lá, enquanto esperavam uma resposta de Anna.
Aquele cartão lhe poderia ser útil, pensou devolvendo ao bolso do casaco.
Girou a chave e entrou na leste com a 45. Em um dia normal estaria realizando pequenas apresentações nos cassinos que nunca fecham, eles a pagavam bem se conseguisse distrair os jogadores o bastante para fazer-los perder, o que não se tornava difícil quando usava uma cinta liga branca de Samantha. Todavia hoje não era nem de perto um dia normal.
Sacou tudo o que tinha no banco mais próximo, e se pretendia fugir com aquele dinheiro, não chegaria nem ao Texas. Fechou algumas contas e empregos temporários, disse a todos que iria se mudar para Nova Jersey, mesmo aquilo não sendo verdade, assim se alguém a procurasse teria informações erradas e mesmo que aquilo não adiantasse para alguém que conseguiu encontrá-la em Las Vegas, poderia ao menos retardá-la.
O sol estava se pondo quando finalmente voltou para seu apartamento. Joe já estaria longe aquela hora, era o que também pretendia fazer. Depois daquele dia caótico, estar em casa era indescritivelmente bom, parecia que ali nenhum de seus problemas poderia assusta-lá. O apartamento pequeno lhe recebeu com uma lufada fria do vento da noite que entrava pela janela aberta da sala.
- Olá, Charlie. – cumprimentou a gata, que se enroscou em suas pernas dando-lhe bem-vinda em um ronronar. – Você deve estar faminta, não é?
Pegou Charlie nos braços e a colocou no balcão da cozinha, enquanto remexia os armários a procura da ração, sabor carne. Pôs uma pequena porção em um prato e acariciou o animal, enquanto se alimentava. Só assim percebeu que com exceção de um sanduíche que comprou em um Subway no caminho não havia comido nada o resto do dia.
Procurou dentro da geladeira algo comível além de comida instantânea, mas nada a agradou.
Quando fechou a geladeira e viu o imã de restaurante japonês, não pode evitar lembrar da noite passada.
Como eles podiam saber? Seus pequenos truques eram apenas a boa e velha ilusão de sempre, é claro que às vezes se aproveitava dos seus pequenos poderes, como destrancar cadeados ou fazer carteiras sumirem. Coisas que exigiam grande força da sua parte e nada que realmente chamasse atenção. Mister M. fazia bem melhor do que aquilo, definitivamente.
Mas ele muito provavelmente não tocava em algo e sentia aquelas vibrações. Não eram necessariamente visões. Eram imagens sem movimentos, sem nitidez, uma serie de imagens. Um código, um código que cada objeto, cada pessoa, cada animal tem. E droga, sempre foi tão difícil controlar aquilo, sempre antes de tocar em algo, enviava impulsos que impediam que esses códigos a enlouquecesse completamente Como eles podiam saber?
Deu a volta no balcão e sentou no sofá. Estava tão cansada de toda aquela loucura.
Abriu os olhos que estavam cerrados e encarou a janela e a cortina vermelha que balançava freneticamente por conta do vento que entrava. Havia deixado a janela aberta?
A gata miou estridente e seus olhos brilharam sobre a leve escuridão da cozinha.
Anna levantou-se devagar do sofá, caminhou lentamente ate a janela e fitou o outro lado da rua deserta. A gata miou mais uma vez, e agora Anna não pode ver onde ela estava. Olhou ao redor, tudo estava do jeito que havia deixado quando saíra aquela manhã.
- Será que...
Sua mão gélida alcançou o parapeito da janela. Sentiu a fina camada de tinta branca descascar e se concentrou naquele ponto. Viu nitidamente quando vaso de uma espécie em miniatura de um cacto que comprada na Washigton caiu e quebrou, quando por esquecimento o deixou ali e fechou a janela. Também viu Charlie deitada preguiçosamente naquela tarde. Sentiu a pressão de corpo ágil se esgueirando de fora da escada de incêndio para dentro do seu apartamento, forçando a janela a ceder e abrir.
Afastou-se como se tivesse acabado de levar um choque.
- Não. – sussurrou e o uivo do vento lá fora lhe deu arrepios.
Olhou em volta, queria notar algo diferente, algo que o invasor daquela tarde tenha movido ou tocado. Anna caminhou pelo corredor e entrou no seu quarto, tudo estava em perfeita ordem. Nada que indicasse que alguém, fora ela mesma, tivesse estado ali.
- Mas que droga!
Voltou para a sala.
A mesinha do centro era a mesma desordem de sempre, cd e livros espalhados. O seu notebook estava ali. Era impossível que fosse um ladrão normal, não depois daquela noite, não depois daquelas pessoas. Todos os seus objetos que possivelmente seriam alvo estavam ali.
Passou as mãos no cabelo impaciente.
Ao pé da mesinha um porta-retrato prateado estava caído sobre o tapete. Ele reluziu sobre a pouco luz do cômodo, e chamou atenção de Anna. Era uma velha foto de quando tinha quinze anos e sorria ao abraçar sua mãe na sua antiga casa em Nova Orleans.
A gata miou estridente.
Tocou o objeto e aquelas vibrações vieram tão rápidas quanto foram embora. Quem esteve ali, não estava interessado em ser discreto ou preocupado em ser notado, e aquela foto por algum motivo lhe chamou a atenção, e o satisfez de uma forma que ele fora embora logo em seguida.
O medo a fez congelar.
Algo esta implícito que aquilo tinha ligação com as pessoas daquela noite. Ela não poderia os evitar, não agora. Eles eram perigosos, soubera desde o primeiro momento. Mas por que eles estariam tão interessados em Anna?
Roia nervosamente a unha do polegar.
Levou alguns muitos minutos para se decidir o que iria fazer. Pegou a gata que reclamou ao ser colocada na caixa de transporte e uma bolsa grande e velha de couro e saiu, trancando o apartamento. Bateu na porta 63 em frente a sua.
- Midi? Ah, Oi. Espero não esta te incomodando.
- Tudo bem. Eu estava acordada, Josh esta me ocupando. – e deu uma risadinha empurrando a porta.
- Sei... Eu preciso lhe pedir um favor, Midi. – A gata miou desconfortável. – Você pode ficar com Charlie?
- Charlie?
- Minha gata. – levantou a caixa para que ela pudesse ver a gata de pele alaranjado.
- Ah, sim! Claro! Eu tive um gato quando era pequena, me dou bem com bichanos. – e tomou das mãos de Anna o animal. – Mas você vai pra algum lugar? – perguntou curiosa.
- S-sim. – suas mãos tremiam pelo frio e nervosismo.
- Você está bem Anna?
- Sim. Eu só preciso lhe pedir mais uma coisa.
- O que?
- Se eu..., quero dizer, se eu demorar mais do que previsto, algo anormal o bastante pra mim deixar Charlie com você sem procurá-la ou ao menos telefonar, por favor, ligue para a policia ou para... – o nome de Joe ficou engasgado. – Para a policia já será o bastante.
- No que você esta metida? – Midi agora havia fechado a porta do seu apartamento e empurrou a outra para o corredor, como se quisesse mais privacidade.
- Nada de grave. – Anna murmurou incapaz de dizer que era verdade caso fosse pressionada. – Apenas, acho que invadiram meu apartamento enquanto não estava, não tenho um pressentimento bom sobre isso ou esteja só paranóica, não é mesmo? – tentou sorrir.
- Quer que eu...
- Não, Midi. Apenas faço o que eu pedi, ok?
Ela fez uma cara genuína de preocupação, Midi era na maioria das vezes uma boa vizinha, claro que não quando chama todos os seus amigos barulhentos para uma noite de bebida no apartamento.
- Obrigada. – disse quando ela concordou com a cabeça. – Ate mais.
Anna desceu os lances de escada, sem enxergar. O coração saltando.
Chegou à rua e a garoa fina a fez se arrepiar de frio. E logo um táxi a estava levando onde em um pequeno cartãozinho dourado estava escrito.
Eram duas horas da manhã e as ruas de Las Vegas continuavam lotadas, aquela era a hora de rush. Os néons anunciando casas de jogos e brilhavam para ela pelo vidro da janela. O musica urbana chegou aos seus ouvidos, com as buzinas dos carros, o zumbido das multidões e tantas outras coisas que só ali, naquela cidade, poderiam oferecer.
Era aquele turbilhão de sempre. A cacofonia ensurdecedora. Anna pensara por muito tempo que aquilo tudo poderia protegê-la, a faria parecer normal. Poderia se juntar a qualquer grupo em Las Vegas e se camuflar, ser um deles, isso bastava, ser totalmente indiferente ao seu dom.
- Você desce onde, moça? – o taxista perguntou desacelerando.
- Ali. – apontou a fachada do hotel. – Obrigada. – passou uma nota amassada de vinte dólares e desceu do carro.
Ela correu para o hall do hotel fugindo do que agora era uma chuva torrencial.
- Droga. – reclamou molhada. – Preciso falar com Megan Gregor. Ela esta hospedada aqui.
- Senhorita Megan Gregor acabou de ir para o bar, que fica logo ali. – Me respondeu o atendente por detrás do balcão. – Quer que eu peça alguém para acompanhá-la?
- Onde fica o bar?
- Naquele salão logo ali. – Ele apontou para uma entrada escura.
- Obrigada, eu mesma vou. – Anna afastou-se e seguiu pelo corredor ate entrar no bar.
Uma leve nuvem de fumaça de cigarros rondava a cabeça dos que estavam ali. Havia o burburinho das pessoas sorrindo, o tilintar dos copos de vidro e o fundo musical de uma banda de jazz desconhecida.
Não demorou para que Anna conseguisse vislumbrar entre todos a cabeleira loira em corte chanel de Megan.
Rumou ate a mesa pensando em tantas coisas para dizer ao mesmo tempo. Fazia menos de 24 horas que falara com aquela mulher e parecia que ignorá-la estava se tornando algo perigoso.
- Oh, por Deus. – Megan gritou estridente ao notá-la. – Não imaginava que a veria tão cedo.
Megan sorria iluminada. E antes que Anna conseguisse formular uma resposta para aquela reação ela continuou.
- Petris esta tão feliz por vê-la, querida! – O homem apático ao seu lado continuou imóvel.
- Eu não sei da onde são ou o que fazem da vida, e pouco estou me importando. Eu os apenas quero fora da minha vida e do meu apartamento. – Anna disse por fim.
- Mas... como assim? – O seu semblante de surpresa pareceu tão convincente que Anna ficou confusa. – Do que esta falando?
- De entrarem no meu apartamento hoje.
- Mas nós não fizemos isso. – ela fez menção que Anna senta-se na mesa onde estavam.
- É claro que foram. Não foi um ladrão ou qualquer pessoa que eu conheça.
- Mas não formos nós. – Ela tomou um gole de seu uísque nervosa.
- E onde esta Dylan? – perguntou ao não encontrar o par de olhos cinzentos.
Ela deu um sorrisinho de lado.
- Querida, Dylan tem necessidade que eu e você conhecemos e Las Vegas é um poço de oportunidades, não acha? Tenho certeza que ele esta bem ocupado agora.
Anna corou tão violentamente, que bebeu de uma só vez uma taça de bourbon que o garçom acabara de servir.
- Tudo isso é muito estranho. A menos de algumas horas, eu tinha a minha vida sob total controle, e agora estou com medo de entrar no meu apartamento. – Explodiu, sentindo as vertigens do álcool subir a cabeça.
- Foram eles. – o indiferente Petris, disse.
Sua voz soou rouca, como se a muito não houvesse falado.
- Então temos um problema? – Megan perguntou o encarando friamente, sem aquele seu ar costumeiro de zombaria.
- Definitivamente.
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