Paradise
3 Three
– M-Me desculpa — digo assim que vejo o ser loiro em baixo de mim graças a luz do abajur que ele acabara de acender. Eu provavelmente vou matar o Ashton se conseguir sair daqui viva.
Se quando eu esbarrei com ele naquele dia ele quase me bateu imagina agora que estou em cima dele.
– O que é que você está fazen ... — Começou a gritar mais logo parou — Calma, você é a menina da aula de história.
– S-Sou. — entro em pânico quando ele rodeia minha cintura com seus braços. Se eu pudesse me mexer já estaria longe.
– Hm, sou Luke, e você é ? — Pergunta com a voz um tanto quanto rouca.
– Alicia. — digo simples ainda tentando entender situação.
– Alicia não é um nome muito legal. - o que ?
– E Luke é nome de cachorro. — digo com raiva tentando sair de cima dele.
– Touché– ele disse. — mas que bosta você está fazendo no meu quarto ? — fico confusa.
– Seu quarto ? Mas a casa não era do Ben ? — Questiono e ele assente.
– Sim, Ben, meu irmão. — Oh, o irmão dele ...
– E o que você está fazendo aqui em cima ? — questiono curiosa, acho que esse é um dos meus defeitos, quando estou nervosa costumo perguntar e falar mais que o normal, isso irrita.
– Perguntei primeiro. — Ri.
– Não gosto de festas, Só estava procurando um lugar para ler. E você ? — Levanto uma sobrancelha e cruzo meus braços sobre meu peito, logo ele coça seus olhos e responde por fim:
– Ressaca. — Woah, mas ele não tem hora para beber ?
– Mas já ? — Pergunto abismada, ele parece se divertir com minha expressão.
– Estou bebendo desde a hora que cheguei da escola. — sinceramente estou começando a ficar com medo.
– Ótimo, Se você morrer já sei o motivo. — digo e me levanto da cama. — desculpa por te acordar, hm, tenho que ir. — Estou prestes a caminhar até a porta quando sou parada por ele.
– Espera. Você pode ficar aqui, hm, quem sabe ver um filme ? — Ele está bêbado.
– Mas eu nem te conheço. — Digo sensata.
– Sem problemas. — ele me puxa e eu sento novamente na cama. — Sou Luke Robert Hemmings, tenho dezoito anos, estou no terceiro ano do ensino médio, faço história com você e minha banda favorita é o Blink-182. — Luke diz e o desespero dele chega a ser engraçado. Ele continua olhando para mim esperando por algo.
– Sou Alicia Beker Irwin, tenho dezessete anos e estou no terceiro ano do ensino médio. — digo.
– Só isso ? Não vai me dizer o que você gosta ou algo do tipo ?
– Eu te conheço a 2 dias, não vou contar minha vida para você.
– Okay, não digo mais nada. — ele levanta as mãos. — Podemos ver o filme agora ? — Eu deveria fugir. Ele me assusta. Quem é que convida um desconhecido para ver filme ?
– Eu não sei, o Ash deve querer ir embora e ... — sou interrompida.
– Você acabou de chegar. E isso é o mínimo que você pode fazer, não acha ? Você já esbarrou em mim e invadiu o meu quarto. — ele diz rindo. Nossa, grande motivo o dele, e o ocorrido do corredor não foi bem assim, se ele estivesse olhando para frente não teria esbarrado em mim.
– Eu não acho que seja uma boa ideia. — insisto e ele rola os olhos. — E sem falar que você está bêbado, em vez de ver um filme devia dormir.
– Era isso que eu estava tentando fazer antes de você pular em cima de mim.
– Eu cai ! — Me defendo, Quem ele acha que é ?
– Tanto faz. E de qualquer forma, estar bêbedo é uma coisa normal. Se você não quer ver o filme é só sair. — Ele não podia ter pulado toda essa discussão cansativa e ter dito isso mais cedo ? E por que infernos eu simplesmente não sai ?
– Tchau. — disse e me preparei para o som alto e cheiro de álcool que me aguardava do outro lado da porta.
Pensando bem ficar aqui dentro seria bem mais seguro, afinal de contas um bêbado é melhor que uns cento e pouco que estão lá fora.
Larguei a maçaneta e me virei de novo para Luke.
– Acho que eu vou ficar aqui e ... — paro de falar quando vejo ele dormindo. — Nossa. — Ótimo. Agora vou ter que arranjar outro quarto.
Saio do quarto e fico espantada, se quando eu cheguei isso aqui já estava cheio, agora com certeza estava pior que o shopping no dia das compras de Natal. Nossa, que comparação, isso é o que dá passar demasiado tempo com o Ash, e em falar nele meu telefone vibra.
Ash- Onde você está ?
Aly- No segundo andar. Entrei em um quarto onde tinha um garoto bêbado e acabei caindo em cima dele.
Ash- Hahahahahaha
Ash- Nossa, mas então, eu já vou embora, quer ir ?
Aly- Não ria.
Aly- Estou esperando você fazer essa pergunta desde a hora em que votei o pé aqui. Estou descendo.
Ash- Dramática.
Não respondo e desço as escadas.
Eu realmente não vejo graça em ficar dançando em uma casa lotada, com um copo de álcool na mão e rodeada de outros adolescentes.
– Ei, aqui. — ouço a voz de Ash e sigo o mesmo até fora da casa.
– Ar livre. — respiro fundo e ele ri. — o que é que te deu para ir para casa cedo, hm ? — pergunto enquanto andamos até o carro.
– Er, não estou me sentindo muito bem. — e de novo ele mente para mim.
– Acho que você poderia arranjar uma desculpa melhor ou até mesmo dizer um "Por que sim." — digo com a cabeça baixa.
– Eu não quero falar sobre isso, não agora. — ele fala depois de algum tempo. Ouço o barulho do alarme do carro sendo desarmado.
– Tudo bem.
– Férias, como eu te amo. — digo assim que acordo, as onze da manhã com Ash me gritando.
Retirei o cobertor de cima de mim e coloquei meus pés no chão frio.
Lá fora provavelmente ainda garoava pois não havia nenhum sinal do sol, e isso era uma coisa boa. O que é melhor do que ver um filme na sua cama em um dia chuvoso ?
Desci as escadas olhando para as pantufas que peguei de Ash, ficavam enormes em mim mas eram muito confortáveis. O cheiro do mate já infestava a cozinha e Ash se encontrava no fogão.
– Bom dia. — Digo assim que me aproximo.
– Bom dia. — ele sorri. — Achei que teria que ir lá e te empurrar da cama. — ri e retira a panqueca na frigideira.
– Há há. — me sento.
– Eu já comi, essas ai são suas. — ele diz sorrindo novamente.
– Você está mais feliz que o normal. — digo desconfiada. — aconteceu algo que eu deva saber ?
– hm, seu lindo primo agora data aulas de música em uma escola. — é possível ver a felicidade em seus olhos verdes.
Se tem uma coisa que me chama muito atenção nas pessoas são os olhos.
"Os olhos são as janelas da alma."
Acho que de certo modo essa frase é verdade. Nós podemos demonstrar muito através de apenas um olhar e, nesse momento Ashton está muito, mas muito feliz.
– Isso é incrível, Ash. Ai Meu Deus. — me levantei e o abracei logo sentindo seus braços ao meu redor.
– Eu dei a resposta hoje de manhã, vou começar depois das férias. — diz me soltando.
– Tia Anne já sabe ?
– Nope. Vou contar para ela assim que ela ligar.
Bebo o mate e como as panquecas enquanto Ashton diz o quanto incrível é a escola e quantos instrumentos tem. A alegria dele chegava a contagiar.
O som da campainha soa e Ash vai até a porta enquanto eu lavo a louça.
– Aly, você conhece alguma Liz ? — Ash diz entrando na cozinha.
Liz. Acho que é uma das amigas de tia Anne.
– Sim. É amiga da tia Anne. — digo enxugando minhas mãos. — por que ?
– Ela veio entregar o convite do casamento do Jack. — ele fala. Mas quem é Jack ? Seria filho dela ?
– okay. Disse para ela que sua mãe está em uma das viagens dela ?
– Uhum. — ele balança a cabeça enquanto abre o convite. — "Nós queremos convidar você e a sua família para nossa cerimônia de casamento que acontecerá no dia 10 de agosto na igreja central de Melbourne, sua presença é de muita importância. Assinado: Jack Hemmings e Celeste Bible."– ele acaba de ler.
– Hemmings ? — Contexto Quais são as possibilidades de esse ser da família do bêbado de ontem ?
– Sim, irmão do Ben. — ele diz.
– Quantos outros irmãos esse Ben tem ?
– São três, o Ben, o Jack e o Luca, algo assim. — Rio quando ele fala "Luca".
– o que foi ?
– É Luke.
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