Parabéns, saúde, felicidade
3 Lavoura da amizade
Notas iniciais
Naquele mesmo dia, Shino voltou em seguida com Kiba, Kurenai e Mirai. A pequena, agora já com quatro anos, ficou fascinada com os bebês, e reuniu a atenção de Naruto e Chouji com seus filhos. Hinata se juntou a eles, cativada pelo encantamento da pequena Sarutobi. Ver Hinata assim fez Temari pensar em como a Hyuga tinha um dom maternal forte, e fez Temari duvidar de sua capacidade como mãe. Seria ela capaz de ser tão bondosa e amável como Hinata?
Seus receios foram bastante diminuídos quando viu Karui se juntar a eles, sorrindo pela ingenuidade e inocência de Mirai. Temari se identificava bastante com Karui. As duas eram de outras vilas e se mudaram por conta de seus maridos, eram kunoichis altamente qualificadas e também consideradas cruéis, além de terem ausente esse lado ‘delicado’ visível que a sociedade parecia valorizar. Além disso, Karui era muito sincera e, como a própria Temari, não tinha medo de falar o que pensava, mas diferente desta, Karui era bem mais impulsiva e irritada. Então, ver Karui entre eles a tranqulizava quanto a suas habilidades como mãe.
Temari estava voltando do banheiro outra vez, e se sentia muito mais disposta do que estivera em dias. Ela viu Kankurou conversando com Tenten e Sai sobre suas marionetes, arte e armas. Kiba estava junto a eles, mas não parecia se encaixar bem na conversa. Kurenai conversava com Ino e Yoshino no sofá maior, enquanto no sofá menor se reuniam vários pais ao redor da pequena Mirari e dos bebês recém nascidos, com várias cadeiras os cercando. Shino estava próximo a eles, mas afastado, como se algo diferente dos demais o cativasse a permanecer ali.
Gaara e Shikamaru conversavam em pé, os dois segurando um copo de suco. Temari e admirava como os dois pareciam se dar tão bem, e como eles coincidiam em planos e pensamentos sobre diversas coisas. Ambos podiam se engajar com facilidade em conversas triviais ou em complexas discussões filosóficas com quase qualquer pessoa, mas eram poucas as pessoas com os quais eles podiam levar essas conversas a níveis profundos e elevados como entre eles.
Temari, ao se sentir disposta inesperadamente, passou a recolher os copos plásticos espalhados pelos cantos e descartá-los. Seu irmão mais novo estendeu a mão em sua direção para chamar-lhe atenção. “Está tudo bem?”
Ela sorriu o assegurando. “Está sim.”
Ele e Shikamaru pareciam estar preocupados, mas nada disseram sobre isso., “Você pode deixar tudo aí, nós juntamos depois. Ou agora, se você preferir.” Ele sugeriu.
“Está tudo bem, eu já terminei mesmo.” Ela sorriu novamente e Gaara apenas acenou com a cabeça.
Temari se juntou a conversa de Kurenai Ino e Yoshino depois disso, que contavam histórias engraçadas de seus companheiros ou de seus filhos – ou de Shikamaru.
Temari se divertiu ouvindo as histórias, embora as vezes uma dor nas costas a estava incomodando. Não era muito frequente, mas era uma pontada dolorosa na base da coluna que durava alguns segundos. Temari estava tão acostumada as suas dores e desconfortos nessa gravidez que nem deu relevância.
Mais tarde, Temari estava conversando com seus irmãos, apenas os três, ela implicando com Kankurou afetuosamente, e Gaara acreditando que eles estavam falando sério em alguns de seus insultos, o que causava a risada de seus irmãos mais velhos. Shikamaru estava agora sentado conversando com Kurenai, que parecia ter uma grande admiração por ele, e Yoshino ao seu lado parecia querer desfazer essa imagem de seu filho. Temari achava aquela situação cômica. O pequeno Boruto acordou e havia começado a chorar, então os Naras ofereceram seu quarto de visita para Hinata amamentar e acalmar seu filho. Naruto parecia incômodo com a situação. Chouchou, por outro lado, era um bebê engraçado. Ela acordara também, mas ao invés de chorar ela simplesmente começou a rir quando se mexeu e fez seu pai derrubar seu saco de batatas no chão. Em qualquer outra situação, Temari achava que Chouji ficaria triste ou irritado por perder um saco de batatas inteiro. Mas ali, com sua filha de apenas dois meses de idade soltando uma risada tão pura e brilhante, apenas deixava Chouji radiante. Temari não podia evitar em sentir um grande carinho pelo Akimichi, especialmente ao ver Karui sorridente do seu lado.
Ino veio do seu lado, e a convidou para servirem o bolo que elas fizeram mais cedo. Temari concordou e as duas se dirigiram a cozinha junto com Yoshino, para pegarem pratos e talheres descartáveis e acenderem as velas. Temari insistiu em levar o bolo ela mesma, o que tornou o caminho até a sua sala um pouco mais lento, mas as três começaram a cantar os parabéns assim que saíram na porta da cozinha para a sala, ao que logo os demais se juntaram.
Shikamaru sorria orgulhoso olhando-a fixamente nos olhos, e Temari não podia – e nem queria – evitar a felicidade e amor que a preenchia ao ver seu marido encarando-a daquela maneira. Ela também sorria de volta ao vê-lo assim, e isso só a fazia ter mais certeza da decisão que tomara quando decidira se casar com o Nara.
No fim dos parabéns, Mirai correu até Shikamaru e abraçou-lhe a perna. Shikamaru abaixou o olhar e a observou com uma expressão terna, enquanto se abaixava para pegar Mirai no colo. “Parabéns, Shika-san!” Ela dissera, e ele a agradeceu com um gesto afável. Temari não tinha dúvidas que Shikamaru seria um pai maravilhoso.
“Discurso! Discurso!” Gritou Naruto, e todos os presents olharam para ele. “O quê? Vai dizer que sou só eu que quero ouvir um discurso?” Todos riram com as palavras de seu futuro Hokage. Embora ninguém duvidasse das habilidades de Naruto como shinobi, ele ainda tinha uma personalidade bastante agitada e um tanto infantil.
Shikamaru limpou a garganta. “Bem, não um discurso porque não sou bom com isso, mas um pequeno agradecimento. Primeiro, agradecer a todos por estarem aqui hoje e por fazerem parte das nossas vidas.
A Gaara e Kankurou, por virem de tão longe para estarem conosco neste e em outros momentos especiais.” Ele apontou para seus irmãos, ao que Gaara simplesmente acenou como quem diz que não foi nada, e Kankurou somente sorriu de lado presumido. “A Ino, que apesar de problemática, é uma ótima amiga sempre disposta a ajudar todos que precisarem.” Ino abriu um sorriso de orelha a orelha, batendo suas mãos inaudivelmente em comemoração. “A Chouji, pelos muitos anos de amizade e por todo o companherismo destes anos.” Chouji sorria contente, abraçando Karui com um dos braços, enquanto esta segurava Chouchou que olhava para a mão curiosamente. “A minha mãe, por tudo que me ensinou, e por todo apoio que nos tem dado.” Yoshino somente sorria tranquila, uma espécie de reflexo da personalidade do filho. “A Mirai-chan aqui, que faz com que todos os dias sejam mais alegres e brilhantes.” Ele sorria feliz olhando para a garotinha que segurava em seus braços, que também sorria inocentemente, e lhe deu um beijo na testa quando terminou sua frase, fazendo a pequena rir. Então, ele se virou para Temari, e a olhou profundamente com devoção. “E, especialmente, a minha esposa, que...” A voz ficou embargada, como quem está repleto de sentimentos, e fez Temari se sentir ruborizada. “... que eu não tenho nem palavras para agradecer ou dizer o quanto é importante para mim. Muito obrigada.” Ele terminou em uma espécie de pequena reverência até ela, enquanto toda a sala que estivera silenciosa durante o discurso explodiu em aplausos.
Temari provavelmente estava corada com esse discurso. Seu marido dizia não ser bom com as palavras, mas quando se dispunha a fazê-lo, era um orador eloquente e marcava a todos com suas falas. Para evitar seu constrangimento, Temari tratou de cortar o bolo, e recusou a todas as pessoas que se ofereceram para tomar seu lugar. Shikamaru fez questão de separar o primeiro pedaço para ela mesmo assim. Mesmo eles não sendo supersticiosos, eles mantinham esses pequenos costumes como formas de honrar suas tradições e as pessoas próximas.
Na terceira vez que Shikamaru viu Temari acariciar a base de sua coluna, ele perguntou o que se passava.
“Não é nada. Só uma dor nas costas chata.” Temari respondeu, fazendo uma pequena careta pelo incômodo da dor.
“Nesse caso seria melhor você se sentar. Melhor não forçar suas costas se elas estão doendo.”
Temari acedeu ao pedido dele, sentando-se na poltrona mais confortável de sua sala, próximo de onde seu marido comia o bolo em pé. “O bolo está muito bom. Ino me contou que você que fez.”
“Eu e ela na verdade. Mas é claro que ela deixaria o crédito todo para mim.” Os dois sorriram cúmplices. “Eu sinto muito, mas eu não estava em condições de fazer tudo sozinha.” Ela continuou desdenhosamente.
“Você sabe que por mim eu preferia que você não fizesse nada.” Ele respondeu honesto.
“Bem, você pode fazer isso, se quiser me ver muito irritada.”
“Eu ainda não sou maluco para querer te ver irritada.” Os dois riram.
Mirai pediu um outro pedaço de bolo, e Temari se sentiu orgulhosa, pois sabia que crianças eram sinceras. Yoshino a serviu contente, e aproveitou para cortar alguns outros pedaços para os que queriam repetir. Chouji, Naruto e Kiba foram os primeiros a voltar até a mesa, mas Temari se surpreendeu quando logo depois quem voltou foi Shikamaru. Ele não era muito fã de doces, e Temari sabia. Talvez o elogio dele não fosse só para agradá-la no fim das contas.
A conversa em sua sala continuava animada, entre os pequenos grupos que se dividiam e trocavam seus participantes, mas Temari não se via mais no meio disso. Ela não conseguira terminar seu pedaço de bolo, sentindo que ele estava muito pesado em sua barriga. Um ímpeto tomou conta dela e ela passou a juntar os pratos, guardanapos, talheres e copos espalhados.
“Deixe ai, Temari-san, nós juntamos depois.” Hinata disse com sua voz agradável.
“Não se preocupe, eu só estou agoniada de ficar parada, só estou juntando um pouco para fazer alguma coisa.” Ela agradeceu francamente. Aos poucos, a maioria das mulheres na casa se juntou a ela para juntar tudo, e levar alguns dos utensílios para a cozinha, à excessão de Hinata que ficou na sala quando Boruto reclamou de sair do colo de sua mãe.
Suas costas estavam a incomodando mais frequentemente agora, mas Temari ainda tratava de ignorá-la. Se piorasse, ela pediria licença para subir até seu quarto e descansar. Mas Temari era determinada e não se deixaria abater por uma simples dor.
Kurenai se prontificou para lavar os poucos utensílios não-descartáveis que eles utilizaram, enquanto Tenten terminava de juntar alguns dos papéis de salgadinhos espalhados pelo chão e as outras juntavam os lixos em sacos. Yoshino tinha sugerido que ela se sentasse na pequena mesa da cozinha, e Temari concordou em parte pelo seu desconforto e em parte pela atenção maternal que Yoshino manifestava com ela.
Foi ali sentada que ela sentiu uma água morna escorrer por suas pernas sem que ela pudesse conter. “Droga...” Ela murmurou baixinho, se levantando para ver o que acontecera. Ino, que estava mais próximo, a olhou, e então arregalou os olhos e dissse com uma voz apagada. “A bolsa estourou...”
Como se sua audição estivesse treinada para esta frase, Shikamaru apareceu na porta da cozinha no instante seguinte e a encarou. Temari se virou para ele, mas logo foi acometida por uma forte cólica, que a fez se dobrar sobre sua barriga.
Tudo aconteceu muito rápido a partir dali. Yoshino se dirigira até a sala e ‘expulsara’ os convidados da casa. Temari não teve tempo de se despedir de ninguém ou de sequer pensar se eles ficariam chateados com o acontecimento. Shikamaru não saíra de seu lado por nem um segundo, e quando a dor passou Temari olhou para seus irmãos logo atrás de seu marido com olhares assustados.
Ino e Karui ainda estavam ali. “Você está bem?” Perguntou a loira preocupada. Temari só assentiu com a cabeça, um pouco atordoada pelos eventos.
“18 segundos. Talvez um pouco mais.” Disse Karui. “Ainda vai levar um tempo.”
As duas pareciam preocupadas demais com Temari, a ponto de não quererem ir embora. Yoshino não parecia incomodada por tê-las ali, mesmo quando ela mandara os demais embora. Talvez fosse algo com a relação Ino-Shika-Chou.
“Está tudo bem.” Temari se manifestou por fim. “Se é a primeira contração, eu ainda tenho tempo de tomar um banho e preparar tudo antes de ir pro hospital.”
“Você não tem que ir pro hospital agora?” Perguntou Kankurou confuso. Temari riu da expressão de pavor dele.
“Não, tem bastante tempo ainda.”
“Temari tem razão,” Karui complementou. “O bebê provavelmente só vai nascer amanhã.”
“Ahhh!!! Eu vou ser a tia favorita dele, nós vamos fazer aniversário no mesmo dia!” Ino comemorou alegre.
Isso pareceu indignar Kankurou o suficiente para tirá-lo de seu estupor. “Ei, eu vou ser o tio favorito!”
Shikamaru suspirou, provavelmente incomodado pela discussão desnecessária. “Temari e Karui tem razão, vai levar um tempo, e não podemos fazer muita coisa além de esperar. Como só vai nascer amanhã, acho que o melhor é cada um ir para sua casa descansar.”
“Eu não vou a lugar nenhum, ficarei aqui com Temari.” Ino protestou, cruzando os braços como uma criança birrenta.
“Especialmente você deveria ir para casa descansar.” Shikamaru a repreendeu, lançando um olhar significativo para sua antiga colega de equipe, e logo para seu ventre abultuado. Temari conteve a vontade de rir da cena.
Chouji e Karui trocaram um olhar silencioso, enquanto Sai conversava com Ino tentando convencê-la a ir para casa, e logo Chouji se manifestou. “Nós vamos embora então, precisamos colocar Chouchou na cama. Mas, se vocês precisarem de qualquer coisa, sabem onde nos encontrar.” Seu marido apenas concordou com a cabeça, e melhor amigo dele apertou seu ombro com a mão roliça, numa aparente tentativa silenciosa de lhe passar um pouco de segurança. Shikamaru olhou para ele e acenou com a cabeça comprimindo os lábios, num meio sorriso que ficou preso em sua preocupação. Temari sabia que ele estava preocupado, mas que a mente analítica dele não o deixava manisfestar suas emoções da maneira correta.
Ao ver que Ino ainda estava relutante para ir embora, Temari decidiu amenizar o clima. “Eu sinto muito, mas acho que não vamos na sua festa amanhã.” Todos olharam para ela e sua aparente tranquilidade.
Ino então sorriu travessa. “Hmmm, eu não sei se posso perdoar isso... Talvez vocês terão que me acompanhar em uma janta lá em casa...” A Yamanaka levou a mão ao queixo, como quem está poderando se isso seria o suficiente.
“Se isso for o necessário para que tenhamos novamente sua estima, o faremos com prazer.” Temari respondeu de maneira mais formal, e as duas riram.
Ino se aproximou dela e colocou a mão em seus ombros. “Ok, eu vou lá. Mas se você precisar de qualquer coisa, qualquer coisa, me chame.” Logo ela se virou para Shikamaru, e apontou um dedo acusador. “E isso vale para você também.”
“Yare, Yare…” Ino balançou a cabeça satisfeita, e juntou-se a Sai para se dirigir até a saída.
Karui veio até sua direção, e parecia a única que não estava apreensiva com o prospecto do nascimento. “Boa sorte.” Foi tudo que ela lhe dissera, com uma voz tranquila e direta
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Temari sentira outra contração ao subir as escadas, e teve que parar no meio do caminho. Shikamaru permaneceu do seu lado o tempo todo, mas não disse uma palavra. Quando a dor passou, ela voltou a andar lentamente, em silêncio. Ela sabia que Shikamaru estava preocupado por eles, mas também que ele sabia que isso era de se esperar para o trabalho do parto. Então, não havia nada que Temari pudesse dizer que ele já não soubesse ou que fosse acalmá-lo.
Seguindo as orientações de seus médicos – e de Tsunade, que Shikamaru fizera questão que acompanhasse toda a gravidez devido a ‘grande experiência médica’ – ela sabia que não precisaria ir ao hospital até estar com contrações fortes e regulares a cada 10 minutos com pelo menos 30 segundos de duração. “Isso já é considerando que vai levar uma boa margem de erro e bom tempo para chegar ao hospital. Se você quer um parto normal, não adianta vir antes.” Tsunade a recomendara. O ideal, ela dissera, é que Temari ficasse em casa, andando, se mexendo, fazendo tudo que ela se sentisse a vontade para fazer, mas que principalmente, ela permanecesse tranquila. Mesmo com a ruptura da bolsa precoce, não havia necessidade de se apressar. “A menos que tenha uma coloração escura ou cheiro forte, não ha com o que se preocupar.”
E nesse momento, tudo que Temari queria era tomar um banho, colocar algum kimono confortável, e ficar andando em silêncio e com pouca luz. Temari se sentia confortável na penumbra desde que iniciara seu relacionamento com Shikamaru, mas a gravidez despertou nela uma espécie de vínculo com as sombras, que lhe era difícil de explicar. Talvez fosse seu bebê manifestando sua aptidão como um Nara. Ela sorriu e acariciou seu ventre ante este pensamento. Era incrível imaginar como era possível amar tão intensamente alguém que nem estava neste mundo ainda. Mas muito em breve estaria. A simples noção fez um calafrio percorrer o corpo de Temari, num misto de ansiedade, preocupação, dúvida e desejo.
Shikamaru entrou no banheiro com ela – apenas para estar ali caso acontecesse algo — mas a deixou ter seu espaço e tomar seu banho sozinha e calmamente. A quietude do cômodo junto a água morna escorrendo em seu corpo a relaxava. Ela fechou os olhos e se deixou ficar ali mais tempo que precisaria, apenas para aproveitar aquele momento dela.
As contrações continuaram a vir, em intervalos regulares mas distantes, e faziam Temari parar tudo que estivesse fazendo apenas para conter sua dor. Ela não gritou em nenhum destes momentos, mas também não tinha em si a força para pensar no sofrimento dos demais ao vê-la assim.
Depois de tomar seu banho, Temari se vestiu calmamente, e logo foi para o quarto do bebê. O quarto estava lindo, pronto para receber o novo membro da família, com um estilo simples e elegante que caracterizava a personalidade dela e de Shikamaru, e que incluía um estilo mais rústico e um tom verde-claro para as paredes. Ela pegou a bolsa de bebê cor creme com detalhes em azul marinho e desenhos de cervos – presente de Ino – e conferiu os itens que ela havia separado previamente.
Ela e Shikamaru haviam decidido não saber o sexo do bebê de antemão, e pediram que aqueles que quisessem dar presentes que preferissem peças unissex. Isso evitou-lhes os típicos rosa e azul, e forneceu-lhes roupas de uma variedade de cores e estilos – vermelho, laranja, amarelo, roxo, cinza, marrom – mas a grande maioria era em tons de verde e branco. Mas, mesmo que o casal Nara não soubesse de fato o sexo do bebê, os dois pressentiam que era um menino e o chamavam de ‘ele’ o tempo todo. Seu pequeno gamo.
Temari incluiu algumas coisas pessoais que não colocara antes por estar usando, deixando tudo pronto para quando fosse a hora de sair. Seus irmãos estavam no quarto com ela e Shikamaru, que estava mais silencioso que o comum, e pareciam não saber bem como agir ou o que fazer. Mesmo que Gaara já tivesse um filho, aquela situação parecia totalmente estranha para eles, talvez porque Shinki nascera prematuro e por isso não passaram por aquele processo. Eles falavam e lhe perguntavam como ajudar, mas Temari apenas respondia diretamente, um tanto alheia ao resto do mundo.
Quando tudo estava arrumado, ela desceu, sob o olhar atento dos três homens presentes. Kankurou era o mais visivelmente abalado, mas nem por isso Temari pensava que os outros dois estivessem menos receosos – eles só eram melhores em disfarçar. Ao chegar na sua cozinha, ela encontrou Yoshino com um copo de iogurte servido e uma pequena tigela com frutas picadas. “Coma o que você conseguir, e se se sentir bem comendo.” Ela lhe sugeriu amavelmente. “Você vai precisar de forças...”
Temari pegou uma rodela de banana da tigela, e experimentou para ver como lhe caía. Ao perceber quão agradavelmente seu estômago recebera a fruta, Temari passou a petiscar lentamente, saboreando-as de uma maneira que nunca tinha feito, e bebericando do iogurte de vez em quando.
Conforme as contrações aumentavam e o tempo passava, cada vez mais a Nara sentia a ligação com seu bebê se fortalecendo. Ela terminou a leve refeição e voltou a andar, garantindo que tudo em sua casa estava perfeitamente arranjado para a chegada de seu filho. Quando percebeu que nada mais lhe restava para fazer, ela convidou Shikamaru para jogar shougi. O convite inusitado surpreendeu a todos, mas ele assentiu silenciosamente, indicando com a mão que ela fosse na frente.
No entanto, no caminho até o tabuleiro, Temari parou abruptamente, no mesmo segundo que sua mão voou até o braço de Shikamaru ao seu lado, agarrando-o fortemente, e congelou naquela posição.
“Temari, você está bem?” “O que houve?! O que houve?!” “Querida, tem algo errado?” Gaara, Kankurou e Yoshino se manifestaram, com diferentes entonações e transparência de sua apreensão. Shikamaru não proferira nada, mas Temari podia ver pelo canto do olho a pergunta e aflição estampadas em seu rosto.
Ela soltou a respiração que nem percebeu que havia prendido, e virou vagarosamente o olhar para encontrar o de seu marido. “Minha visão turvou e vi uns pontos de luz...” Ela murmurou com a voz fraca.
“Acho que este é um motivo para buscar atendimento antes do tempo.” Ele respondera, com uma postura muito mais serena e ponderada do que Temari esperava. Ela acenou lentamente, e ele continuou. “Kankurou, Gaara, algum de vocês poderia buscar a mala da maternidade que está no quarto?” Ele pediu educadamente. Kankurou concordou veemente, e os dois começaram a subir as escada. Shikamaru se dirigiu a ela novamente, afeto transparente em cada palavra. “E nós, vamos indo em direção ao hospital com calma. Você quer que te carregue ou você prefere ir andando sozinha?”
Ela negou fracamente com a cabeça antes de responder. “Eu vou andando.”
“Eu fecho a casa.” Yoshino se ofereceu, já se virando para fazê-lo, e o casal Nara saiu lentamente desta.
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No hospital, rapidamente colocaram Temari sentada e mediram sua pressão. Ela estava elevada, mas nada preocupante segundo os médicos que a atenderam.
Tsunade chegou logo depois ao hospital para saber da condição dos Nara. Ao sair de casa, Shikamaru mandou um clone buscá-la, e avisar que Temari estava em trabalho de parto e apresentara um dos sintomas dos quais recomendava-se o atendimento imediato. Tsunade desenvolvera um profundo apreço por Shikamaru devido ao envolvimento deste com os assuntos políticos e diplomáticos após os acontecimentos da Quarta Guerra ninja, tomando a posição vaga deixada por seu pai além de diversas outras responsabilidades. Por isso, quando o Nara solicitou que ela atendesse a gravidez de Temari, ela concordara prontamente.
Ao ver a descrição do estado clínico de Temari, Tsunade se sentara junto ao casal e seus acompanhantes, todos preocupados pela situação. “A visão turva e os flashs de luz são sinais de pressão alta, que já comprovaram que você está, mas não é preocupante. Essa pressão alta pode ser sintoma de pré-eclâmpsia, mas para termos certeza precisaríamos de uma análise de proteinúria. No entanto, como não é persistente, sua pressão não está elevada, e pré-eclâmpsia se resolve naturalmente com o nascimento, não há nada com o que se preocupar.” Ela declarou, para alívio de todos. Temari sentia sua respiração mais leve.
“Quanto aos procedimentos agora,” Tsunade continuou. “Nós monitoraremos sua pressão, se ela subir muito, é possível que tenhamos que acelerar o parto ou até partir para o procedimento cirúrgico. Nós também vamos monitorar o bebê, suas contrações e dilatação. A qualquer sinal de sofrimento fetal, nós teremos que avaliar a situação rapidamente. Eu vou pedir uma coleta de sangue para saber qual o nível de risco exato que estamos no momento, para poder facilitar essa decisão. Tudo bem?” O casal Nara assentiu. “Muito bem. Mas por enquanto não há nada para se preocupar, é comum esses sintomas na primeira gravidez.” Tsunade sorriu e se levantou. “Qualquer coisa me chamem.”
“Muito obrigado.” Agradeceu Shikamaru por eles, e Tsunade se virou, sumindo nos corredores do hospital.
“Como você está se sentindo?” A expressão de Kankurou de preocupação era tão aparente e nítida que Temari chegava a achar estranho. O irmão mais zombeteiro sem nenhum tipo de implicação com ela era no mínimo incomum.
“Cansada de ficar sentada já.” Ela também respondeu sem implicância. “Dói mais ficar sentada.”
“Então, vamos nos exercitar.” Yoshino lhe estendeu a mão, e Temari tomou-a prontamente.
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Temari entrou em trabalho de parto ativo já passado da meia-noite. Ela gritou e chorou a madrugada inteira no hospital, sem consciência de nada além de seu filho nascendo e de seu marido segurando sua mão comprometidamente.
Mas toda a dor, sofrimento e suor foram recompensados quando Temari segurou seu filho pela primeira vez. Em meio a respiração ofegante e o coração disparado dela e ao choro desesperado dele, Temari achou que aquela era coisa mais linda do mundo. Shikamaru olhava para eles parecendo não saber bem o que fazer – ou de quem não acredita bem no que via. Temari se virou e sorriu para ele, e isso pareceu ser o suficiente para ele se aproximar, a passos duvidosos, dos dois. Ele tocou com o polegar a bochecha do filho, ao tempo que envolvia o outro braço pelos ombos de Temari, e logo colocou a mão nas costas do pequeno, que facilmente a cobriria todo se ele quisesse. Ambos estavam encantados.
Logo vieram buscar o menino para dar banho – eles tinham acertado, era mesmo um menino – e Temari não conseguia sequer articular uma palavra devido a correnteza de emoções que a inundavam. Aparentemente ela não era a única, já que Shikamaru também permanecera calado por muito tempo, então Temari simplesmente puxou o seu braço e o abraçou, passando naquele gesto tudo aquilo que ela sentia. Seu marido a retribuiu, e ela podia sentir a quantidade de amor que havia para eles três.
Quando trouxeram o bebê de volta, o casal tomou seu tempo apenas o admirando em silêncio. O bebê chorava sem parar, um choro estrondoso e irritado, mas nenhum dos pais parecia se incomodar.
“Está tudo bem.” Shikamaru falou depois de um tempo, acariciando seu filho. “Um dia você vai perceber que você não sabe tudo tão bem quanto você imagina. E quando essa hora chegar, você definitivamente terá feito companheiros que estarão lá com você”
Temari sentia que ele falava da sua própria experiência, e ela sentiu uma pontada de orgulho por ter sido uma das pessoas que esteve lá com ele em seus momentos difíceis. O pequeno olhou para o pai com os olhos – iguais aos dela – arregalados. Ao ver tamanha compreensão naqueles olhinhos, Temari poderia jurar que seu filho já entendia o mundo de uma maneira que ninguém imaginaria.
“Eu realmente não posso dizer que algo é problemático de agora em diante, ahn...” Seu marido divagou, mas Temari respondeu.
“Você pode dizer um pouco. Se um dia parecer que você está ficando tão mal que você vai parar de funcionar, então eu vou intervir e mandar você voando de volta para o seu juízo. Então, está tudo bem.”
“Ah, você está certa. Então…” Shikamaru suspirou, fazendo uma pausa dramática. “Que problemático”
Temari riu, feliz. Aquele era seu marido. E ali agora estava seu mundo. Ela se deixou encostar no ombro dele, aproveitando aquele momento de paz e plenitude.
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