Para um novo mundo

1 Capítulo único


Notas iniciais
Primeira one shot de Shinsekai Yori, estava com os sentimentos acumulados e precisei solta-los assim como a Saki 3 Pretendo escrever pequenas histórias ainda, de diversos shipps, incluindo Satoru x Saki, mas por enquanto vou me contentar com esse. q

Bem, chega de enrolação! Boa leitura.

Por mais que fosse uma medrosa a ponto de criar paranoias que faziam seus colegas rirem, Saki nunca se permitiu pensar na possibilidade de um futuro sem eles. Por mais que o mundo deles fosse estranho, e deveria ser familiar, com várias histórias assustadoras, ela acreditava firmemente que eram apenas isso, histórias. Seu amigo Satoru adorava assusta-la com boatos da escola ou algum conto, mas ela sempre mantinha em mente que aquilo não passava de mentiras para manterem as crianças comportadas. Era no que queria acreditar.

Um de cada vez, ela viu seus amados companheiros sumirem de seu alcance, deixa-la para trás e seguirem para algum lugar que ela não podia estar. Os dias de risadas e brincadeiras nunca mais voltariam. Até mesmo a promessa com sua melhor amiga – e por um período curto até mesmo sua amante – de permanecerem sempre juntas independente de qualquer situação, havia sido cruelmente quebrada. Tudo em que ela acreditou e amo um dia estava esvaindo entre seus dedos como areia, e ela não podia fazer nada para impedir.

O único que se manteve ao seu lado firme e a ajudando a permanecer firme também, era Satoru. Quem diria que ele, o mais imaturo de todo o grupo, seria o que encararia toda aquela distorção? Se dissesse somente o via como um colega muito implicante e infantil, estaria mentindo. Desde pequena seu coração sempre fora de Shun, ela o admirava e amava de forma completamente diferente dos demais companheiros. Mas ao longo dos anos ela ficou mais consciente da presença do loiro, mesmo em suas piadas ela podia sentir o apoio que ele queria lhe transmitir. Satoru era seu porto seguro em todas as horas, fosse no passado ou no presente, e sabia que também seria no futuro.

Enquanto encarava a imensidão do mar a sua frente, ela se permitiu chorar silenciosamente, permitiu abaixar suas defesas internas e deixar a pobre e fraca Saki exposta para a paisagem que se estendia. Nem mesmo um som saiu de sua boca, as lagrimas apenas desciam cada vez mais fortes, fazendo seus olhos arderem. Ela se esforçava para manter sua mente ocupada com o trabalho, tentava mesmo, muitas vezes havia ficado doente e recebido um sermão de Satoru por sua imprudência, mas em horas como aquelas em que estava completamente sozinha, uma sombra desesperadora parecia envolver seu corpo. Imagens de seus colegas, lembranças de um passado distante demais, pensamentos de como seria tudo se o cantus nunca tivesse existido. Sua boca se entreabriu quando se recordou de sua última conversa com Shun.

" 'Então use esse poder para criar um novo mundo.' Era desconcertante não poder ver através daquela máscara, sem saber como ele era afetado por suas palavras. Em meio ao silêncio que pareceu durar horas, mas não passaram de breve segundos, ouviu-se um suspiro.

'O cantus só serve para destruir, Saki. É algo que acabamos por descobrir mais cedo ou mais tarde.' Sua voz parecia cansada, arrastada e machucada, conseguia sentir o sofrimento que ele estava passando somente por seu tom, ela o observava demais para conseguir isso.

A única coisa que conseguiu fazer foi chorar desesperadamente, ela queria tanto salva-lo, queria tanto poder ajuda-lo de qualquer forma, mas não podia. Seus sentimentos não eram o suficientes para tira-lo daquele inferno. Queria pelo menos ter visto seu rosto pela última vez, poder encarar suas orbes azuis e encara-lo sem ter vergonha de demorar, queria tocar seu cabelo negro e sedoso só mais uma vez, senti-lo que estava por perto, que estava vivo, que ele existia. Em seus últimos segundos com Shun, Saki se prendeu a cada mínimo detalhe, tentou reviver cada momento juntos, era pouco o tempo que tinha para saciar a necessidade dele.

Nunca poderia dizer o quanto realmente o amava."

Pequenos soluços escaparam por sua garganta, entre todas as lembranças, aquela era a mais dolorosa e vívida em sua mente. Engraçado, a que ela mais queria esquecer era a que mais se fazia presente em seus pensamentos, se queria senti-lo mais próximo, teria que levar junto o sentimento de perda mais forte eu tinha. Cansada de ficar sentada no pano que usou para cobrir a areia da praia, ela deitou o corpo, encolhendo as pernas e abraçando-as.

O sol já desaparecia no horizonte e sabia que Satoru estaria revirando cada canto a sua procura, ela tinha sumido bem cedo pela manhã e não voltara uma vez sequer. Mas em dias como aquele em que a dor em seu peito era forte demais para simplesmente esconder, ela precisava fugir, precisava sentir tudo de uma vez só e se livrar o mais rápido possível.

Ainda não tinha se recuperado pela morte da filha de Mamoru e Maria, por mais que alguns dias já tivessem passado ela conseguia ver claramente o rosto da pequena garotinha retorcido de fúria ou horror.

Aquela era a criança dos seus preciosos amigos e mesmo assim havia ajudado a mata-la, queria acreditar que podia salva-la, mas no final era mais uma que não conseguiu alcançar. Podia ter cuidado dela, teria adotado-a como sua filha, a mimaria como se assim fosse, contaria histórias sobre seus pais e daria todo amor que conseguisse.

Queria tê-la salvo! Ela merecia um futuro, merecia uma vida de verdade, não tinha culpa alguma de ter nascido naquele mundo cruel e distorcido! Nem mesmo aquilo lhe foi permitido, já havia perdido tanto e não pode salvar nada. Todos os dias conviveu com a frustração de perdido tanto, mesmo que vencesse a maior parte das batalhas, ela era uma humana, sentia a dor de seus fracassos como qualquer um. Seus olhos doíam pelo excesso de força que usava para fecha-los, sua cabeça latejava pelo esforço que fazia para não emitir com, estava tão cansada.

"Saki! Oe, Saki! Você está ai? Me responda, droga!" A voz de Satoru fez com que ela quase saltasse de susto. Quando ouviu sua voz, as lagrimas cessaram lentamente e seu corpo relaxou. Usando os braços, ela se apoiou e esperou a tontura passar até poder se sentar.

Quando seus olhares se encontraram, Saki comprimiu os lábios e esperou por uma careta furiosa seguida de sermões intermináveis. Mas tudo o que viu foi um sorriso de alivio e logo ele estava ajoelhado em sua frente, puxando-a pelos ombros e forçando seus corpos um contra o outro.

"Idiota! Sabe o quanto eu fiquei preocupado? Tem ideia das coisas que passaram em minha cabeça?" Só então percebeu as mãos trêmulas nas suas costas e nuca, assim como o coração martelando histericamente no peito do rapaz. Sua respiração estava descompassada e seu corpo estava extremamente quente, sem contar na força que usava ao abraça-la. "Você... Você está bem, né? Por favor..."

Mais uma vez as lagrimas desceram por seu rosto de forma silenciosa, de alguma forma ela conseguiu distância o suficiente para levar ambas as mãos até o rosto dele. Com os olhos inchados e vermelhos, os cabelos bagunçados e com o coração estilhaçado, Saki exibiu seu melhor sorriso. "Eu estou aqui, Satoru. Eu estou com você, não vou sumir. É uma promessa, lembra?"

Compreensiva, ela nada demonstrou além de apoio quando viu as lagrimas surgirem pelo canto de seus olhos. Ele também estava sofrendo, também estava sentindo tudo o que ela sentia, ela a apoiava, mas também sentiu da mesma forma a dor de perder pessoas queridas. E só tinha conseguido superar porque Saki estava presente, somente ela não viu isso.

"Não vai conseguir se livrar de mim tão fácil!" Ele apoiou a própria testa na dela, sentiu como se um enorme peso tivesse sido tirado de suas costas, ver aquele sorriso era seu maior salvador, não importava a gravidade da situação. Eles viveram muitas coisas juntos e pretendiam viver muito mais, manteriam seus amigos vivos consigo todo o tempo.

Durante o tempo que arrumava as coisas em sua mochila, Satoru se mantinha perto de forma que muitas vezes sua pele roçava na dela, aqueles pequenos toques a tranquilizavam mais do que imaginava e ficou ainda mais feliz por ele ter oferecido a mão antes de iniciarem a caminhada.

No meio do caminho, quando estavam subindo a colina, uma brisa forte soprou contra seus corpos, forçando-os a olharem para trás, a favor do vento. Já estava praticamente de noite, excluindo um ínfimo raio de luz que riscava o céu, tornando a paisagem um tanto assustadora para alguns, mas para ela que já havia presenciado o verdadeiro terror, era apenas mais uma forma de beleza.

Por um momento, vislumbrou seu grupo de amigos correndo pela colina, jurou que conseguia ouvir as risadas deles ecoarem pelo local e pensou que era só em sua cabeça. Até sentir a mão de Satoru apertar a sua, ele olhava na mesma direção com um olhar repleto de amor e saudades.

Os dois superariam juntos aquela dor, não importava quanto tempo demoraria, eles deixariam apenas espaços para as boas memorias. Juntos construiriam um novo futuro onde ninguém precisaria passar pelo que eles passavam. Até que pudessem finalmente se juntar a eles.

Por enquanto eles seguiriam para um novo mundo.

Notas finais
Então, essa foi minha tentativa de mostrar o lado vulnerável da Saki, já que no anime ela parece tão forte/fria como a Maria mesma disse.

Deixando claro que só vi o anime (tenho preguiça de ler o mangá em inglês zzz), então fiz baseado nos fatos do mesmo.

Ah sim, essa história foi escrita em última hora, por tanto ficaria grata se tiverem paciência com algum possível erro na gramatica.

Só isso, obrigada por lerem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!