Para todo Sempre
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Na manhã seguinte acordei e após fazer toda a minha higiene matinal e me trocar desci para o café da manhã. Desci e caminhei até a cozinha onde encontrei Sakura e Sarada.
— Bom dia! – ela me saudou.
— Bom dia! – respondi.
— Estou fazendo panquecas, quer algumas? – ela me perguntou.
— Sim – eu disse enquanto me sentava e providenciava me servir de um copo de suco de laranja.
Distraidamente deixei meus olhos vagarem por Sakura e notei que ela estava bem arrumada, usava uma calça jeans azul marinho, uma blusa vermelha com um decote médio em V e trajava um blazer de cor marrom claro e por fim calçava um scarpin preto, então indaguei:
— Vai sair?
— Sim – ela disse sem se virar para mim – recebi uma ligação agora pela manha me informando para comparecer a uma reunião na editora – ela informou ainda concentrada em fazer as panquecas.
— Hum – murmurei bebericando o suco.
— Bom não deve demorar tanto, por isso não precisa sentir minha falta – ela finalmente se virou para mim com um sorriso travesso nos lábios e eu a olhei ultrajado.
Emburrado, me concentrei em comer as panquecas que ela me serviu, estavam ótimas, o que me ajudou a ignorar aquela irritante, pois assim eu podia me concentrar em saboreá-las.
Sakura se encaminhou para Sarada que estava sentada em sua cadeirinha e assim como eu, comia o seu café da manhã, porém com muita bagunça da parte dela. Alguns minutos se passaram e após termos tirado a mesa do café fui para a sala e liguei a televisão. Sakura colocou Sarada sentada no tapete felpudo com alguns brinquedos e se encaminhou para seu escritório a fim de organizar seus papeis para a reunião.
Pouco tempo depois a campainha toca e eu me levanto para atender, e me surpreendo ao deparar com uma mulher alta de cabelos longos e loiros e olhos castanhas tendo em torno e uns 45 anos, porém o que mais me surpreendeu foi a sua roupa, usava calça jeans bem justa, uma blusa branca com um decote muito grande deixando os seus atributos, muito mais expostos do que deveriam.
— Tia Tsunade! – escuto uma voz atrás de mim e vejo que é Sakura.
— Querida! – a espalhafatosa mulher adentra e ela e Sakura se abraçam – você está ótima. Onde aquele imbecil está?
Eu arqueio uma sobrancelha com a fala dela, que essa mulher pensa que é para me chamar de imbecil.
— Viajando – Sakura responde – e por favor não o chame assim.
— Sinto muito, mas eu não gosto ele e ele não gosta de mim e é assim que vai ser. E é melhor que ele não esteja aqui assim não tenho que aturar a cara dele.
— Hum – exclamei.
Ao me escutar as duas prestara atenção em mim.
— E esse quem é? – a loira perguntou.
— Este é Ayato, é um primo distante do Sasuke, e esta passando um tempo conosco – Sakura explicou.
— Um primo do Sasuke ... – a loira se aproximou me analisando, e eu a olhei de forma arrogante por sua audácia, e ela arqueou a sobrancelha – é vocês são mesmo parentes – pronunciou e se afastou – agora onde esta a minha menininha? – e caminhou até a sala.
Sakura desviou seus olhos da mulher e se virou para mim.
— Ayato – eu a olhei – a Tsunade vai ficar com você e a Sarada hoje, não posso levara Sarada comigo para esta reunião – explicou.
— O que? – eu olhei abismado para ela e depois voltei meu olhar para a maluca na sala e depois voltei meu olhar para Sakura de novo como se perguntasse: Ela? Ela sabe como cuidar de uma criança? E por que EU preciso de uma babá?
— Não se preocupe vai dar tudo certo – ela riu e caminhou para o escritório para pegar suas coisas.
Eu simplesmente permaneci ali parado olhando para suas costas, abismado. Contrariado voltei para o lugar onde eu estava sentado antes da loira chegar e a fitei brincando com Sarada. Neste instante Sakura chega a sala com sua bolsa de lado e sua pasta em mãos,
— Então eu já vou indo – ela diz.
— Não se preocupe querida, as crianças e eu vamos nos divertir – Tsunade diz.
Criança! Quem ela pensa que é para falar comigo assim.
— Vai ficar tudo bem não é Ayato? – ela me olhou com expectativa reluzindo em seu olhar, as orbes verdes cintilavam como esmeraldas.
— Hum – eu assenti encabulado, e senti meu rosto ficar vermelho.
— Ah pode ir tranquila – a loira diz me fitando – nós vamos nos dar muito bem – seus olhos me miravam de uma forma arrogante.
— Ótimo! – Sakura exclamou – até mais tarde, qualquer imprevisto eu aviso.
Assim ela saiu me deixando com aquela louca.
— Ayato mão é mesmo? – Tsunade diz.
— Hum – murmurei.
— Você e aquele idiota são muito parecidos – ela comentou.
— É mesmo? – disse desinteressado e olhando para a televisão.
— São dois petulantes – afirmou.
— Olha quem fala – eu disse com desdém.
Ela pega Sarada e se levanta e caminha em direção a cozinha.
* * * * * *
Em certo momento em que eu estava na sala lendo um livro, Tsunade voltou com Sarada e pediu para que eu ficasse com ela enquanto ela ia preparar o almoço. Aceitei e ela deixou a garotinha e saiu.
Olhei para a garotinha que me olhava com seus grandes e brilhantes olhos negros, ela estendia sua pequena mãozinha para a porta no canto da sala que dava no jardim da casa. Eu fechei o livro e a levei até lá.
Era um espaço gramado com um pequeno banco de madeira envernizado, em um canto havia uma pequena caixa contendo alguns brinquedos e em outra extremidade tinha um canteiro com algumas flores que eu não soube identificar.
A pequena soltou-se de meus braços e correu com seus passinhos desajeitados em direção a caixa, de onde tirou vários brinquedos. Ela voltou e se sentou no gramado e me fitou, estendendo a sua mãozinha me chamando enquanto pronunciava suas palavras de bebê. Suspirei e me sentei ao seu lado.
— Pronto estou aqui, o que você quer? – eu perguntei.
Ela rapidamente foi me entregando vários brinquedos, bonecas, ursos, um telefone vermelho e outros mais. Ficamos por um bom tempo ali, ela fazia questão de me mostrar todos, e eu apenas dizia que eram bonitos ou legais.
— Você não se cansa disso? – perguntei a olhando para ela.
Sarada se virou para mim e me olhou com seus brilhantes olhos negros, as bochechas redondas e rosadas, os cabelos tão pretos enfeitados por um laço vermelho. Enquanto eu permanecia ali preso em seu olhar, ela me ofereceu um sorriso, com muitos entes faltando, mas repleto de alegria. E novamente aquele sentimento me invadiu, fazendo com que meu coração aquecesse.
— Irritante
* * * * * *
— Então é aqui que vocês estavam – a loira exclamou – o almoço está pronto, vamos – ela disse enquanto pegava a pequena.
Assim nos dirigimos para cozinha onde ela acomodou Sarada em sua cadeirinha e logo se sentou ao seu lado, enquanto eu me sentei do outro lado.
— E Sakura? – eu quis saber.
— Ela ligou a pouco tempo e disse que não iria conseguir chegar a tempo para o almoço – explicou.
— Hum – murmurei.
Assim o almoço transcorreu tranquilamente com o silencio sendo quebrado pela Sarada, de vez ou outra. Apesar de ter dito que não ia demorar, Sakura retornou somente pela parte da tarde, quando ouvimos a porta da frente se abrir.
— Olá! Desculpe a demora! — Sakura diz adentrando a sala onde eu e Tsunade estávamos assistindo televisão — tudo bem por aqui?
— Tudo ótimo, querida — Tsunade responde endireitando-se.
— E Sarada? — pergunta.
— Dormiu a uma hora, a pequena brincou tanto que logo dormiu — a loira explicou.
— Com licença — alguém diz.
Assim vimos uma pessoa entrar na sala atrás e Sakura, e notei que era muito familiar.
— Naruto! – a loira exclama.
— Olá Tsunade como vai? – ele pergunta.
— Fique a vontade, vou guardar minhas coisas e já volto – Sakura diz e em seguida sai da sala.
Fico espantado em ver o Naruto, eu havia me esquecido dele. Está mais velho mas ainda é ele mesmo. O que ele faz aqui?
— Quanto tempo! Ainda está me devendo uma rodada de cerveja – Tsunade diz sorrindo e da um leve tapa no ombro dele.
— Muito trabalho, poucas férias e quando tenho folga nem quero sair e casa – ele diz retribuindo o sorriso.
Eu observo os dois que conversavam alheios a minha presença com uma sobrancelha erguida.
— E este rapaz quem é? – ele pergunta quando finalmente presta atenção em mim.
— Primo do idiota – a loira responde com desdém.
— Eu tenho nome – digo ríspido.
— Hum – ela ignora meu comentário.
— E qual é? – ele pergunta.
— Ayato – digo.
— É um prazer te conhecer – ele diz educado.
— Hum – murmuro.
— Não perca seu tempo com este ai – ela me olha – ele fala tanto quanto o outro – desdenha e eu simplesmente a ignoro enquanto Naruto sorri.
Neste momento Sakura retorna com Sarada em seus braços.
— Olha só quem resolveu açodar – diz.
Naruto se aproxima da menina, que prontamente lhe estendeu os bracinhos para que a pegasse no colo. Assim que ele o fez a garota deu risadinhas e gritinhos de felicidade.
— Agora que você chegou querida vou para casa – a loira anuncia.
— Tão cedo! Fique um pouco mais – Sakura pede.
— Não posso, marquei um encontro com Shizune e as meninas para hoje a noite, você deveria ir Sakura, e arranjar alguém que preste.
— Tsunade – Sakura a repreende.
— Você quem sabe – pega suas coisas e sai – até mais.
Assim que a loira sai, Sakura se vira para nós e convida.
— Que tal sentarmos para fazermos um lanhe, eu trouxe várias coisas deliciosas.
Dito isso nós nos encaminhamos para a cozinha, Sakura na frente, Naruto atrás com Sarada e eu por ultimo. Ao olhar aquela cena me senti estranho, algo estava me incomodando.
Sakura desembrulhava as coisas que trouxera e distribuía pela mesa, enquanto eu me sentava de um lado e Naruto do outro com Sarada ainda em seu colo.
— Deixe-me colocá-la em sua cadeirinha – Sakura se encaminhou para pegar a menininha.
— Não se preocupe eu gosto de ficar com ela – ele negou – pode se sentar.
— Tudo bem então – ela sorriu – Ayato pode se servir – ela disse para mim.
— Hum – murmurei.
Assim fizemos o nosso lanche da tarde, e devo admitir que não gostei nem um pouco. Olhar para aqueles três me deixava enjoado, eles pareciam alheios a minha presença, agiam como se fosse uma família feliz, que patético. Sakura ria cada brincadeira que o loiro fazia com a pequena ou com a mesma.
— Vocês são amigos a muito tempo? – perguntei.
Os dois olharam para mim com as sobrancelhas erguidas enquanto eu os encarava sério.
— Sim, desde os tempos de escola – foi Sakura quem respondeu.
— E Sasuke também? – questionei.
— Sasuke! – Sakura exclamou como se só agora se lembrasse dele – sim... ele também, nós três frequentamos o mesmo colégio.
— Sim somos amigos de longa ata – Naruto confirmou – mas não posso dizer o mesmo sobre o marido dela.
— Naruto – Sakura o repreendeu.
Ele pareceu não ligar e voltou a brincar com Sarada que comia os biscoitinhos em seu prato.
Nenhum de nós voltou a tocar neste assunto e vieram outros em pauta. O restante da tarde transcorreu tranquilamente, eu deixei os três na cozinha e subi para o meu quarto, desgostoso com as minhas emoções.
* * * * * *
Em algum momento na cozinha
Na cozinha se encontravam apenas Naruto, Sakura e Sarada, pois Ayato havia se retirado para o seu quarto. A mulher de cabelos róseos retirava a mesa enquanto o loiro ninava a menina em SUS braços, que não dormia apenas se deixava embalar por aquele calmo balanço.
— Quando ele volta? – ele questionou.
— Amanhã pela manhã – ela respondeu ainda sem se virar.
— Sakura – ele chamou – Hinata e eu estamos preocupados com você – disse.
— Não por que Naruto, eu estou bem – ela afirmou com uma voz fraca.
— Você sabe que não tem que dizer isso para mim – ele afirmou – para mim não. Nós crescemos juntos Sakura, somos como irmãos então por favor não minta para mim.
— Naruto – ela pediu.
— Você pode afirmar o contrário, mas eu conheço você – ele disse – eu amo você Sakura e quero que seja feliz, mas eu não vejo como essa situação pode dar certo.
Sakura virou-se para olhá-lo. Lagrimas escorriam por seu rosto que já estava vermelho.
— Eu tenho uma filha – dizia entre soluços – e eu ... eu o ... eu – não conseguiu dizer.
— Eu sei que você o ama – afirmou – que tem uma filha – olhou ternamente para Sarada – mas este amor está matando você.
— Naruto eu vou falar com ele eu ... – foi interrompida.
— Quando Sakura? Quando? – ele perguntou – até quando você vai tentar salvar alguém que não quer ser salvo.
Ela soluçou mais uma vez.
— Nós te amamos e jamais a deixaríamos sozinha – afirmou – nenhuma das duas – ele sorriu carinhosamente para a pequena em seus braços.
Nada mais foi dito.
* * * * * *
Ela o chamou para o jantar.
Aquilo já estava me irritando, mais do que a manhã com a loira, eu pensei quando depois de tirarmos a mesa nos encontrávamos na sala.
— O jantar estava muito bom Sakura – ele disse – Hinata vai te agradecer por não me deixar comer lámen hoje – riu.
— Você tem parar de comer aquilo e procurar comida de verdade – ela disse e os dois riram.
— Já está tarde então é melhor eu ir para casa – ele disse.
Finalmente, eu pensei, achei que pediria para dormir aqui.
— Fique um pouco m... – não terminou.
— Boa noite! – ouvimos uma voz grave ressoar pela sala.
Todos nós nos viramos para ver quem era.
— Sasuke – Sakura exclamou e se levantou juntamente com Naruto – pensei que .. – não terminou.
Sasuke sem dizer nada apenas caminhou em direção a esposa a envolvendo pela cintura e tomando seus lábios em um beijo, o que fez com que eu ficasse com vergonha.
— Consegui um voo mais cedo – ele disse quando finalmente a soltou. Mas seus olhos escuros se voltaram para o loiro atrás dela.
— Uchiha – Naruto o cumprimentou estendendo a mão.
— Uzumaki – Sasuke apertou a mão que lhe era estendida.
E de repente a minha noite acaba de se tornar mais interessante.
— Veio nos visitar? – Sasuke perguntou já havia soltado Sakura mas ele instalou uma mão possessiva em sua cintura.
— Passar a tarde seria o termo mais indicado – o loiro rebateu.
— Hum – murmurou Sasuke.
— Mas eu já estava indo – o loiro disse.
— Sim afinal já está bem tarde – o Uchiha disse com um sorriso.
— Que bom vê-lo ... em casa – rebateu Naruto.
Sasuke nada disse apenas lhe dedicou um sorriso frio.
— Até mais Sakura – o loiro se despediu.
— Vou levá-lo até a porta – Sakura se soltou de Sasuke e foi até a porta, mas o mesmo foi em seu encalço.
— Até – ela se despediu e o loiro seguiu, mas não sem antes ouvir Sasuke dizer:
— Mande lembranças a Hinata – ele disse.
Como não ouvi resposta deduzi que o loiro nem se deu o trabalho e responder.
Já dentro de casa Sasuke passou por mim e acenou com a cabeça, só agora dando pela minha presença e eu retribui, como se não tivesse presenciado toda aquela cena.
— Está com fome? – Sakura perguntou.
— Não, comi antes de vir – ele disse – preciso de um banho e dormir.
— Certo – ela assentiu.
Assim cada um deles saiu e eu fiquei sozinho na sala pensando em tudo aquilo que aconteceu.
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