Para todo Sempre
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Ainda com meus olhos fixos naquela cena consegui dar um passo a frente, depois outro e mais outro, lentamente eu caminhava naquela direção, naqueles poucos metros que mais pareciam uma estrada sem fim.
A cada passo que eu dava podia sentir algo ruim em meu estômago, minha garganta estava seca e minhas mãos se encontravam geladas, pude sentir lágrimas querendo se formar em meus olhos. Ao fundo ouvi um choro de criança, alguém chamando o meu nome, porém, eu não dei atenção a nenhuma dessas coisas, apenas continuei andando.
Estava quase me aproximando, quando de repente senti um forte aperto no meu braço. Desviei o meu olhar por um momento e voltei-me para a pessoa que me impedia de continuar. Era um policial, alto, moreno com alguns fios grisalhos nas têmporas e com um vasto bigode.
— Você não pode passar — ele disse me segurando firme.
— Eu preciso — eu disse com a voz quebrada.
— Lamento mas isso não é coisa para criança — ele informou.
— Eu preciso ir — eu insisti e o olhei direto nos olhos dele.
Não sei o que ele viu, mas o que aconteceu foi que ele me soltou, sem dizer uma só palavra, foi para o lado e me deixou ir. Aproximei-me daquela manta, e me ajoelhei, e estendi minha mão para descobrí-la. Minha mão tremia ao levantá-la. Mas foi meu coração que se quebrou ao ver o que havia debaixo dela.
As lágrimas que até então eu lutei para não derramar tomaram conta de meu rosto, Não me importei que os outros ouvissem o meu choro alto, Tudo o que eu conseguia pensar é que Sakura se encontrava ali deitada, com o rosto mortalmente pálido, os cabelos de cor rosa estava banhado de sangue, eu podia ver vários outros machucados e podia imaginar que havia vários outros piores espalhados pelo corpo dela, mas o que mais me assustou foram seus olhos verdes sem vida olhando para o vazio.
Levei minha mão e tirei uma mecha de cabelo de seu rosto com todo cuidado.
— Ei Sakura — eu a chamei.
Eu ia limpando o sangue que manchava o seu rosto.
— Acorde — eu pedi — abra os olhos — eu sacudia o se rosto — por favor — eu pedia mesmo sabendo ser em vão — você não pode fazer isso com a Sarada — eu chorava cada vez mais — não pode deixá-la sozinha — eu soluçava pelo choro — por favor Sakura, não me deixe — meu coração estava tão apertado pela dor.
— Certo garoto — uma mão pousou sobre meu ombro — hora de se afastar — aquele mesmo policial disse.
— Eu não posso — eu tentava dizer — vou ficar com ela, não posso deixar que ela fique sozinha aqui.
— Sinto muito mas você terá que ir — ele disse e eu abri a boca para negar mas ele me interrompeu — não discuta — ele disse firme.
Olhei novamente para ela e me abaixei para depositar um beijo em sua fronte.
— Desculpe — eu sussurrei apenas para ela, em seguida levantei minha mão e fechei seus olhos e a cobri e me afastei em seguida.
Eu andava na direção do carro quando pisei em alguma coisa, me abaixei para pegar, e me surpreendi ao ver aquele sapo de pelúcia idiota que ficava pendurado no carro dela.
*Flashback on
No cantinho no carro havia um sapinho pendurado e este segurava um coração vermelho.
— Gostou? – ouvi ela me perguntar , e foi só então que eu notei que ela havia parado de cantar e abaixado o volume do som.
— É diferente – eu digo e ela gargalhou.
— Já disseram coisa pior – “imagino- pensei” – aperte – eu a olho confuso – o coração – ela indicou.Eu levei minha mão até o sapo e apertei, em seguida pode-se ouvir EU TE AMO. Eu somente ergui uma sobrancelha achando aquilo ridículo.
— Fofo né? – ela me olhou com expectativa. Aquele olhar que eu detestava.
— Huhum! – eu murmurei.
*Flashback off
Me abaixei e o peguei assim apertei o coração como fiz daquela vez e logo se fez ouvir a voz dizendo "EU TE AMO", não pude conter mais uma vez a onda de lágrimas que me invadiu então eu o trouxe para junto de meu peito, como se quisesse colocá-lo dentro do meu coração para diminuir tamanha dor que se apossou de meu peito.
— Ayato — escuto alguém me chamar, me viro e vejo Sasuke me olhando enquanto estava ao lado de uma policial que acalmava Sarada.
Não consigo descrever a raiva que sinto ao olhar para ele, ele era o culpado de tudo o que aconteceu, mas algo dentro de minha cabeça parece ter estalado com a constatação de que ele e eu somos a mesma pessoa, a culpa me invadiu e tudo que eu conseguia pensar era que EU a matei.
E com esse pensamento guardei a pelúcia no bolso e me coloquei a correr, correr para o mais longe possível dali, e daquele homem, aquele a quem eu me recusava a ser.
Ouvi gritarem meu nome enquanto eu corria e alguns policiais tentaram me segurar mas consegui me desvencilhar deles, pude ouvir passos rápidos atrás de mim e me esforcei ainda mais.
— Pare Ayato! — a voz de Sasuke se fez ser ouvida. "Então é você" pensei rindo com escárnio em meio as lágrimas que nublavam minha visão, enquanto corria pelas ruas já desertas a aquela hora.
De repente senti meu braço ser puxado para trás em um agarro forte.
— Me solta — gritei enquanto tentava me soltar,
— Fique quieto — ele tentava me segurar e sua mão ainda firme em meu braço — pare — ele ordenou.
Eu me debatia e resistia contra ele.
— Se afaste de mim — comecei a empurrá-lo e lhe dar socos com a minha mão livre, mas nada parecia fazer efeito, era como se nada o estivesse atingindo,
— Mandei que ficasse quie... — eu o interrompi.
— A culpa é sua — gritei a plenos pulmões e o vi vacilar.
— O que disse? — ele questionou em um fio de voz.
Fiz um movimento brusco com o braço e consegui que ele me soltasse. Devido a força cai no chão, e ele ficou parado ali me olhando com uma expressão enigmática. Levantei-me e o olhei com um olhar acusador.
— Isso mesmo — falei com a voz pesada — o que aconteceu foi culpa sua — o acusei sem desviar o olhar.
— Como você ousa dizer... — seus olhos faiscavam ao me olhar, pareciam adagas que queriam me perfurar.
— Monstro! — gritei — Como pode tratá-la daquela forma? — questionei-o.
— Você é só uma criança e não tem ideia do que está dizendo garoto — ele disse sombrio.
— Eu sei muito bem — afirmei — por que você é tão ruim? — as lágrimas voltaram aos meu olhos.
Ele permaneceu calado apenas me olhava com um olhar intenso, que eu não soube identificar.
— Ela te amava tanto — eu chorava enquanto dizia — mas em troca o que você a deu? — eu já soluçava — por que você não podia amá-la também? — eu gritei agudo em meio ao choro.
Fez-se um longo e profundo silêncio antes que ele pudesse me responder.
— E você acha que eu não amava? — ele me olhava intensamente enquanto me perguntou e pela primeira vez desde que conheci este Sasuke eu vi sentimento em seu olhar — era impossível não amá-la — ele disse me surpreendendo.
— Então por que... — comecei a falar confuso.
— Por que eu nunca mostrei amor? — ele riu escarnecido — porque eu não sei o que é isso — ele afirmou.
— E se afastar e beber era o seu jeito de demonstrar que gostava dela? — perguntei firme.
— Isso é tudo o que eu aprendi a ser — ele disse — eu sabia que jamais poderia ser alguém que ela merecia — afirmou — não cresci no meio de casamentos felizes então como eu poderia ter um? Assim prende-la a alguém como eu, mesmo por causa de nossa filha seria muito cruel de minha parte não acha? — ele disse — eu não queria passar por todo aquele problema.
— Então a sua desculpa era não mostrar amor a ela com medo de se machucar? — perguntei indignado.
— Era o melhor para todos — ele disse.
— Melhor para todos? — perguntei não acreditando no absurdo que estava ouvindo — ou o melhor para você? — o olhei desprezando aquele ser que estava a minha frente — Sakura está melhor agora? E Sarada? Será feliz sem a mãe dela? O que alguém como você poderia oferecer a ela?
Ele permaneceu calado apenas me olhando com todos os sentimentos sufocados.
— Eu estava errado você não é um monstro — afirmei — é apenas um covarde patético — praticamente joguei essas palavras em cima dele — alguém que nunca soube valorizar o amor que lhe foi dado — me aproximei dele.
Tive vontade de socá-lo, chutá-lo de faze-lo mostrar que também era humano, que ali dentro tinha uma alma. Mas não perderia tempo com um ser tão covarde como ele. Parei ao seu lado e sem olhar para ele murmurei.
— Eu nunca serei você — e esta era uma promessa.
Continuei andando, deixando-o sem entender minhas palavras, apenas segui em frente dando as costas para ele, para aquele alguém que eu jamais queria ser.
Andei pelas ruas sem um destino certo, queria somente continuar andando e acalmar aquela raiva que ainda estava queimando em mim como as chamas de uma fogueira.
De repente enquanto caminhava sinto como se estivesse sendo observado. Olho para trás e não há ninguém, já era madrugada e não havia nenhuma pessoa na rua a esta hora. Mas eu podia sentir olhos cravados em mim. Mas quem poderia ser?
— Sasuke Uchiha — ouvi dizerem meu nome.
Olhei ao redor a procura de quem havia me chamado e a voz vinha de um canto pouco iluminado. Mas pude facilmente reconhecer aqueles pontos violetas que brilhavam no escuro.
— Ren! — exclamei.
— Chegou a hora — ele disse com uma voz tão calma que destoava de sua expressão tão séria.
— Por que não me disse? — eu o questionei — por que você não impediu que aquilo acontecesse? — gritei — poderia te-la salvo.
— Eu não posso interferir nos acontecimentos — ele disse, e seus olhos pareciam mais intensos que o habitual.
De repente ele se aproximou de mim e começou a subir uma escada imaginária ficando a altura dos meus olhos.
— A curva do destino na qual você se encontra esta se fechando e seu tempo esta no fim — ele disse.
E levei meus olhos em direção ao colar com pingente de ampulheta que se encontrava em seu pescoço. A areia já estava quase toda na parte baixo da ampulheta.
— A partir de agora Sasuke o futuro está em suas mãos — ele me dizia sério — os destinos alterados estão em suas mãos e deve repará-los.
— Mas como posso fazer isso? — perguntei desesperado — como posso ajudar? Me diga — eu insisti.
— Apenas escute a voz criança — ele diz serenamente.
— Qual voz? — eu indaguei.
— Aquela que está em seu coração — dito isso ele estendeu a pata e tocou em minha testa e depois tudo se tornou escuridão.
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