Para sempre te pertencerei
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Capítulo 6
Dunscaith Castle
Terras altas, Highlands
1319
Quando o crepúsculo se iniciou as nuvens deram uma pausa e a neve parou de cair, possibilitando que o Samhain pudesse ser comemorado no pátio. Tochas foram espalhadas pelo local e uma bela e grande fogueira acesa no centro, porém, naquele momento, tudo ainda estava vazio.
Os aldeões que moravam além da plantação, migraram para o castelo. Por essa razão, o grande salão estava lotado, as mesas e cadeiras ocupadas por homens, mulheres, crianças e hospedes. Tenten encontrava-se sentada a mesa ao lado da central, onde o Laird, seus primos e os hóspedes de honra se encontravam, havia somente uma cadeira vaga, lugar onde Karin deveria estar, contudo, a mesma ainda não havia descido.
A morena estava especialmente deslocada, sentada naquela mesa cujas cadeiras a sua direita e esquerda estavam vazias. Ela tinha plena consciência de que assim seria, até por que ela era uma MacLeod, porem a demora de suas amigas estava fazendo com que a mesma não pudesse parar de apertar as mãos com nervosismo.
— Eu devia ter confirmado se elas haviam descido antes de sair do quarto... — Sussurrou para si mesma, olhando para a escada pela milésima vez e, naquele momento, ela sentiu três coisas: a alegria e o alívio por ver Karin aparecer no portal junto das outras três e o espanto com a aparência das mesmas.
As jovens Campbells que estavam agora sentadas à mesa principal haviam sido as mais belas do salão até aquele momento, a loira, que, Tenten ouvira por alto, chamava-se Shion, usava um vestido rosa claro belíssimo com mangas tão longas que arrastavam-se ao chão, seus cabelos loiros estavam presos em um penteado complicado com alguns cachos emoldurando sua face em forma de coração, seus olhos grandes e seus lábios pequenos, ela era pequena e delicada. A morena ouvira um rapaz atrás dela suspirar e dizer que Shion era a mulher mais angelical que já vira.
Logo atrás dela havia entrado uma jovem ruiva, cujo nome era Sara, como Tenten também descobriu. Ela era diferente da outra, era alta e magra, porem com curvas acentuadas e um rosto mais fino, seus olhos eram castanho avermelhado e seus cabelos da cor do fogo, naquela noite ela usava algo um vestido com o mesmo corte que a prima, só que branco com detalhes dourados. Sua boca era mais larga, porém não menos bonita, e seus olhos não eram tão grandes como os da loira, porém as pestanas eram maiores e mais expeças.
Quando Tenten entrara ela própria havia chamado a atenção, já que usava um belíssimo vestido dourado, feito magicamente de última hora por umas criadas de Karin, porém, por estar sozinha e por ser uma intrusa, fora logo ignorada. E pior, ao sentar à mesa as pessoas a sua volta simplesmente se levantaram e saíram! Ela estava indignadíssima.
Por isso, antes que todos olhassem naquela direção, a morena se ergueu às pressas e caminhou até elas.
— Finalmente! — Ofegou, parando ao lado das quatro. — Achei que jamais chegariam!
Karin riu e apoiou uma mão em seu ombro.
— Desculpe nossa demora, querida, Hinata não queria sair do quarto!
Tenten olhou confusa para Hinata, que revirou os olhos.
— Não queria ter de olhar para a cara daquele intragável nem tão cedo!
Todas riram alto, o que fez algumas cabeças virarem em sua direção e, como se o som de suas risadas ultrapassasse o volume das vozes, todo o salão logo começou a silenciar enquanto mais e mais cabeças viravam. Elas? Elas nada perceberam, somente seguiram Tenten em direção à mesa enquanto a morena resmungava mil e umas coisas sobre como ela estava se sentindo mal por ter aguentado bons minutos ali sozinha.
O primeiro a reparar na quietude do salão foi Gaara que, confuso, olhou para onde todos pareciam olhar. Naquele momento um par de olhos azuis esverdeados encontrou o seu e sua respiração ficou suspensa por um segundo. Aquela mulher em nada parecia com a mesma que ele prendera e nem com a mesma a qual ele lutou ao lado.
Ino estava... Deslumbrante. Mesmo com o vestido mais simples do que os que as convidadas Campbell usavam, ela estava tão linda que pareceria injusto se usasse algo mais sofisticado.
Seus cabelos longos e loiros estavam metade presos e a parte solta cobria seus ombros, ela não havia feito nada para tentar enrola-los como ditava a moda, não... Eles jaziam maravilhosamente lisos e limpos, brilhavam como fios de ouro, suas bochechas estavam levemente rosadas por estarem se encarando com tanta entrega e isso o encantou ainda mais. Ele desceu os olhos lentamente por seu vestido de veludo cor de vinho que tinha um tecido tão fino que marcava suas curvas voluptuosas. Por um momento ela parecia tão delicada quanto uma mulher da realeza, mas então ele se lembrou que ela era mais forte do que todas aquelas mulheres juntas. E foi nesse momento que ela desviou o olhar para seguir seu caminho.
Ao perceber que Gaara parara de lhe dar atenção, Sasuke seguiu seu olhar e seus olhos esbarraram com os da mulher de cabelos róseos. Sakura o olhava nos olhos sem medo, e mesmo que estivessem longe um do outro o ar pareceu se solidificar e o tempo parar, da mesma forma que aconteceu no campo de batalha. Confuso com aquele ataque, o Uchiha desviou o olhar para sua boca e, ao reparar naqueles lábios pequenos e volumosos ele resolveu que não iria se fixar em mais nada, e foi quando que ele a viu por completo e amaldiçoou aquela decisão.
Sakura usava os cabelos soltos em ondas macias, aquele tom rosado brilhava a luz das velas e tochas, contrastando com seu vestido de veludo verde claro, que marcava sua cintura, onde um cinto de esmeraldas, com certeza emprestado por Karin, emoldurava seus quadris levemente largos. Sasuke resolveu que era melhor olhar para outro lugar, antes que ela achasse que ele estava interessado. Por que ele não estava. É claro que não estava, não é? Ela era totalmente normal, seus cabelos não eram lindos e muito menos exóticos. E sua boca? Não havia nada demais em seus lábios. Nada demais.
Porém, enquanto pensava nisso, esbarrou na taça de Naruto, que por puro reflexo a impediu de cair, o que o fez parar de falar sobre sei lá o que com Shion e olhasse para o primo, porém ao reparar que o moreno não tinha os olhos nele, resolveu estudar o que o distraíra tanto.
Primeiro ele viu Karin e sentiu que seus lábios se repuxavam em um sorriso que se tornaria largo, porém eles ficam congelados no ato quando seus olhos deslizam pelo grupo e param na integrante que estava ao final, o olhando.
O olhando diretamente nos olhos com uma raiva contida que fazia aqueles grandes olhos da cor da lua brilhar tempestuosos, brilhar de tal forma que ele conseguia enxergar de longe.
Naquele momento Naruto finalmente entendeu porque se empenhava tanto em deixá-la com raiva: ele estava encantado com aquele brilho desde o primeiro momento em que o viu, quando ela estava olhando para o Sai, assim que chegara ao Castelo.
Seus cabelos negros como azeviche brilhavam em tons azulados quando a luz das velas batia neles, caindo lisos por seus ombros até a cintura, como o das suas parentes, emoldurando seu rosto delicado, um diadema prateado se destacava em sua cabeça. Suas bochechas estavam rosadas e levemente infladas de raiva, sua boca carnuda estava apertada de uma forma que ele achou convidativa demais para alguém que ele não deveria se quer gostar.
Sentindo-se sair de um transe ele desceu os olhos pelo vestido de veludo azul turquesa com mangas longas que iam até o chão (como o das outras), em seu quadril um laço verde musgo estava amarrado de lado, emoldurando-o.
Porém antes de pensar na combinação estranha das cores, que ele deveria ter percebido se tratar das cores do tartan dos Campbell de Inverary, Shion apoiou a mão delicadamente sobre a dele, trazendo sua atenção de volta para si e voltando a falar sobre sei lá o que, mas com certeza era algo importante para ela, por isso ele apenas assentia concordando com tudo o que ela falava.
Assim que elas se sentaram e Karin ocupou seu lugar na mesa principal o jantar começou a ser servido, fazendo a conversa voltar e todos conseguirem, finalmente, desviar o olhar da mesa próxima a principal.
Criadas corriam pelo salão enchendo canecas de Cuirm, homens comiam coxas de frangos com as mãos, enquanto as mulheres comiam de garfo e faca, crianças comiam rápido para acabar logo e aguardavam ansiosas que os pais acabassem e o Laird anunciasse o início da festança que duraria a noite toda.
Sasuke comia com vontade, porém com muito mais educação que os primos, quando sentiu uma mão tocar seu braço. Bebeu um gole grande de sua caneca enquanto olhava para o lado e encontrava os olhos calorosos de Sarah.
— Sim?
A ruiva corou enquanto olhava para seu belo rosto.
— Perguntei se algo de emocionante aconteceu desde a última vez que nos vimos
Sasuke limpou a boca com as costas da mão e sorriu.
— Peço desculpas por não tê-la escutado.
Ela corou tanto pelo pedido de desculpas quanto pelo sorriso. Não importava quantas vezes falassem para ele o quão bonito era, Sasuke nunca teria noção do quanto realmente era.
— Não tem ocorrido nada além do normal: plantamos, colhemos, acompanhei Naruto nos julgamentos do clã e como sabe, tivemos um pequeno acerto de contas com os MacLeod.
Ela assentiu e indicou Tenten com a cabeça.
— Soube que ela é um deles, não acha que pode ser perigoso para o clã?
Sasuke olhou para a morena enquanto respondia a Sarah.
— Não aquela mulher.
A ruiva ergueu uma sobrancelha e sentiu uma pontada de ciúmes na boca do estômago.
— Não tem como saber! Ela não deveria estar aqui!
Sasuke voltou os olhos para a ruiva, sua testa franzindo levemente.
— Não sei a que isso te importa.
Ela corou mais, porém agora de vergonha e desviou o olhar. O Uchiha MacDonald suspirou e falou mais mansamente.
— Não vistes os olhos dela quando pediu para vir conosco. Esta mulher só quer uma nova vida, longe do lugar onde devia ser seu lar. Tu não entenderias como ela se sente.
Sarah resolveu que era o momento certo para calar-se e voltou a comer, deixando Sasuke com os próprios pensamentos.
Naruto conseguiu continuar o assunto que ele ainda não fazia a mínima ideia do que se tratava, quando Shion finalmente falou sobre algo que chamou sua atenção.
— Elas são mesmo Sassenach, Naruto?
O loiro parou de comer e olhou para a mesa onde as forasteiras estavam.
— Elas falam com sotaque Inglês, Shion, não tem como serem outra coisa.
A loira estudou uma a uma e então voltou a falar.
— E vai deixa-las aqui? Sabes que podem ser espiãs para a Inglaterra, já que falam como os ingleses.
Naruto olhou-a nos olhos com tanta intensidade e seriedade que a loira sentiu um arrepio passar por todo o seu corpo.
— Jamais botarei três mulheres para fora de meu castelo durante esse tempo! E seria como entregar a mensagem na mão dos inimigos, caso elas sejam realmente espiãs.
Shion suspirou.
— Eu entendo, Naruto, só estava preocupada. — Ela apoiou uma mão sobre a dele, que estava pousada na mesa. — Não quero que nada de ruim aconteça aos MacDonald de Sleat.
Naruto sorriu e viu naquela mulher a esperança de que encontrou alguém que realmente se importa com seu clã. Mesmo que ele não a amasse.
***
7 de novembro de 1319
Samhuinn
Quando todos na mesa principal acabaram de comer, Naruto ergueu-se de sua cadeira, fazendo os outros pararem de comer e beber no mesmo segundo.
— Esta noite é uma noite especial para nós, verdadeiros escoceses! — Todos gritaram em acordo. — Comemoramos o dia em que o Outro mundo e o nosso estão conectados! Uma noite mágica onde, antes da aurora, iremos para nossas casas, ascenderemos nossas fogueiras e prepararemos a casa para aconchegar nossos antepassados que viveram e morreram por nós! Mas antes disso, festejaremos muito! — A gritaria aumentou enquanto Naruto erguia a caneca no ar. — O Samhuinn (Samhain em Gaélico) se inicia!
Todos ergueram suas canecas e viraram o conteúdo rapidamente, para logo baterem com a mesma na mesa e gritarem de alegria. Naruto saiu de trás da mesa, atravessou o salão e sentou-se em um trono que havia perto da porta. Logo os aldeões e habitantes do castelo fizeram uma longa fila e foram entregando oferendas ao laird, Sasuke e Gaara estavam ao seu lado, recolhendo os presentes e guardando-os em uma saleta ao lado.
As quatro foram as últimas, não tinham muito, isso era certo, porém era uma festividade importante para o povo Escocês e fazia tantos anos que elas não participavam...
Tenten foi a primeira, a morena havia trago pouco consigo, porém entregou um cordão de couro com um leão esculpido como pingente. Naruto ergueu uma sobrancelha, porém a morena somente piscou um olho, curvou-se e saiu. Ele entregou o cordão a Sasuke, que riu baixinho e o guardou.
Ino foi a próxima, ela entregou uma presilha belíssima e delicada, feita de prata com uma safira na ponta. Naruto olhou para o objeto e depois olhou para a loira, que sussurrou para que só ele ouvisse.
— Peço que permita que fiquemos, Laird, precisamos de ajuda. — Ela olhou no fundo dos olhos azuis de Naruto e falou ainda mais baixo. — E aconselho que entregue-a para a mulher que realmente amar, milord, ninguém menos que ela.
Ele piscou confuso e observou a loira passar por Gaara e o ruivo olhá-la.
A próxima foi Sakura, a rosada entregou uma pulseira de ouro, fina e delicada, porém Naruto sabia o quão valiosa era. Ela curvou-se e sussurrou o mesmo pedido que a prima.
— Peço que permita que fiquemos, Laird, precisamos de ajuda.
E então ela passou por Sasuke e seguiu seu caminho.
A última foi Hinata, que mesmo que estivesse com uma expressão de raiva, curvou-se levemente e entregou para ele uma adaga de prata com um rubi no punhal, e repetiu o mesmo pedido.
— Peço que permita que fiquemos, Laird, precisamos de ajuda.
Ela olhou para ele, virou-se e saiu. Nenhuma delas esperou uma resposta, porém a resposta veio quando a última pessoa da fila chegou.
— Tsunade!
A senhora mais velha, que não aparentava em nada a idade que tinha, sorriu traquina e abertamente.
— Ora, ora se não são os rapazes que me visitaram há alguns anos! — Ela riu alto e entregou um maço de ervas para Naruto. — Espero que não tenham esquecido o que falei naquele dia.
A loira piscou um olho dourado e ajeitou o decote do vestido.
— O que falou...? — Sasuke perguntou enquanto pegava as ervas da mão de Naruto.
— Sinto falta daquele moreno inteligente. — A loira suspirou. — Ele sempre percebe tudo, mas não se preocupem, ele deve chegar daqui a algumas horas e vai lembra-los sobre isso. — Ela passou por eles e começou a caminhar em direção ao pátio, porém parou no meio do ato e rosnou, sem virar-se. — E não as jogue fora, Sasuke! — O moreno parou no ato e olhou para as costas da mulher com os olhos arregalados. — Garoto insolente... Se não sabe como usá-las dê a mulher de cabelos rosados, ela sabe o que fazer.
E então ela seguiu seu caminho, deixando-os para trás, ainda confusos e surpresos. Haviam esquecido que Tsunade realmente via tudo e previa tudo.
***
Elas estavam juntas no canto, observando as pessoas rindo e dançando, as crianças correndo e brincando. Todos ali eram uma família, menos elas. Elas eram excluídas, elas eram as forasteiras, eram as intrusas.
— Será difícil a nossa estadia, não é?
Ino questionou enquanto observava desejosa o grupo que dançava envolta da fogueira.
— Muito, querida prima... — Sakura suspirou e olhou para onde Sasuke dançava com a mulher ruiva. — Só espero que consigamos aguentar.
Tenten olhou envolta com as mãos na cintura, depois estudou cada uma das três. O desejo no olhar delas era palpável, elas queriam muito dançar entre todos, fazer parte daquela festança tão escocesa. E isso fez a morena chegar a uma conclusão.
— Não moravam aqui na Escócia, não é mesmo?
A três encararam-na com os olhos arregalados de surpresa. Tenten riu.
— Ora por favor, tens sotaque inglês e claramente não conhecem os caminhos de nossa terra.
Hinata suspirou e olhou para Ino e Sakura.
— Estas certa, porém não podemos dizer mais nada além disso.
Tenten fez um sinal de descaso com a mão.
— Entendi isto assim que nos conhecemos, agora... — Ela agarrou a mão de Sakura e Hinata. — Vamos fazer com que se sintam de volta a seu país! Vamos dançar.
Tenten falou com tamanha euforia que foi impossível que as outras não decidissem segui-la, por isso quando a morena chutou os sapatos para o canto da muralha, elas fizeram o mesmo. No momento seguinte elas agarraram suas saias, ergueram-nas até que os tornozelos estivessem a mostra e correram por entre as pessoas até próximo a fogueira. As pessoas se afastaram delas, porem elas não se importaram, ainda mais quando o som da gaita de fole, da flauta e do alaúde encheu o pátio, iniciando uma dança circular.
Elas deram as mãos e fizeram uma roda, olhando umas para as outras risonhas. Elas abriram o círculo e então começaram a dançar, fechando o círculo ainda de mãos dadas duas vezes, na terceira Hinata e Sakura (que estavam de frente uma para a outra) deram correram uma para a outra, bateram palmas e então se afastaram, para que Ino e Tenten fizessem o mesmo. Mas ao voltarem Ino agarrou o antebraço de Sakura e vice versa, Tenten fez o mesmo com Hinata. Elas rodaram no próprio eixo trocando de braço ao completar o giro, depois deram as mãos, correram uma atrás da outra, para então darem as mãos e repetirem tudo.
Só que algo estranho aconteceu na segunda repetição dos passos, porque quando foram formar a próxima roda mais e mais pessoas se uniram a elas. Formando uma enorme roda envolta da fogueira onde todos dançavam juntos.
Naruto e Sasuke não participavam da roda, eles não conseguiam desviar o olhar das duas irmãs.
— Ao que parece, elas realmente são tão sassenach quanto nós somos. — Naruto sussurrou para o primo e melhor amigo, sem desviar o olhar do lindo sorriso que se abria no rosto de Hinata.
Sentia-se mal por ter causado tanta raiva na pequena mulher... Queria que ela sorrisse assim mais vezes.
— Sim... — Sasuke concordou enquanto encarava Sakura. — Elas realmente são escocesas.
Mas, mesmo que elas fossem bonitas e nascidas em terra escocesa, ainda eram uma incógnita que precisava ser solucionada. E os dois sabiam muito bem disso, tão bem que, mesmo que estivessem sentindo que eram arrastados por suas belezas, eles ainda assim desconfiavam.
— O que fazem aqui parados? — Karin perguntou, aparecendo de um nada atrás deles e enlaçando os braços em um de cada. Ela seguiu o olhar deles e sorriu. — Ah...
Naruto estreitou os olhos.
— Como podemos traduzir esse “ah...”?
A ruiva sorriu sapeca.
— Podem traduzir da maneira que bem entendem.
Sasuke bufou, revirando os olhos.
— Agora me respondam, o que fazem aqui sozinhos?
— Estamos observando a dança enquanto bebemos. — Naruto respondeu, erguendo sua caneca, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. E era mesmo.
— Pois não deviam estar dançando com as convidadas?
Karin perguntou astutamente.
— Já dançamos com as convidadas. — Sasuke respondeu olhando-a confuso.
— Ah, pare de ser tão obtuso, meu irmão está afetando sua inteligência primo?
— Ei! — Exclamou Naruto, indignado, porém ele foi prontamente ignorado pela irmã.
— Estou falando das lindas mulheres que estavam observando segundos atrás. — E enquanto dizia isso, Karin começou a puxá-los em direção a elas, que já não dançavam mais. — Veem que estão largadas no canto por não terem um par para esta dança?
Naruto e Sasuke tentaram se desvencilhar, porém a ruiva era mais forte do que aparentavam e eles não queriam machuca-la.
— Sakura, Hinata, minhas queridas, podem dançar com meus parentes? — Perguntou assim que chegou a frente delas.
Hinata lançou um olhar irritada para Naruto, que teve a decência de desviar.
— Acredito que Ten-
Porém a morena foi cortada no meio da frase quando Karin gritou.
— Gaara! Sai! Venham aqui.
E quando Hinata tentou falar a mesma fase de novo, Karin a cortou mais uma vez por que os outros dois chegaram.
— Sai, querido, poderia dançar com Tenten? Não quero pares sozinhos hoje à noite!
O moreno assentiu e ofereceu a mão para Tenten, que corou e agarrou a dele.
Hinata olhou para os dois como se tivesse acabado de ser traída.
— Gaara, poderia-
— Me concede a honra? — O ruivo a cortou enquanto oferecia a mão para Ino, que sorriu radiante e enlaçou seus dedos.
Quando Hinata terminou de olhar acusadora para Ino ela olhou para o lado onde Sakura estava e descobriu que a irmã já não estava mais ali, o mesmo se dizia de Karin e Sasuke.
— Mas quando...
Sussurrou assustada.
Naruto ofereceu a mão para ela enquanto gracejava.
— Acho que seria melhor aceitar de uma vez, minha irmã não aceita não como resposta. Jamais.
A morena suspirou e apoiou a mão na dele, enquanto resmungava cansada.
— É, eu sei...
Porém o resmungo parou no meio da garganta quando deram as mãos. Dessa vez foi diferente de todas as outras. Eles estavam encarando os olhos um do outro e, quando suas mãos se tocaram, uma corrente elétrica passou por seus corpos, o ar ficou denso e seus olhos não se desviavam nem quando queriam.
Sem falar nada, Naruto guiou-a até os outros casais, segurou sua mão direita mais firmemente e apoiou a outra em sua cintura, ao mesmo tempo em que Hinata apoiava a livre em seu ombro. Eles começaram a seguir os passos em silencio, até que Naruto não aguentou e soltou.
— Peço que me desculpe pela forma com a qual tratei-te.
Hinata deixou a cabeça cair levemente para o lado, ainda sem desviar os olhos, estudando sua sinceridade, e, ao constatar que ele falava a sério, ela abriu um leve sorriso enquanto assentia.
— Desculpas aceitas, Laird.
Ele sorriu para ela, sentindo-se aliviado pela tensão estar se esvaindo.
— E eu digo que sim, ajudaremos a ti e a sua família.
O sorriso de Hinata aumentou ainda mais, aquela atmosfera conseguia fazer com que seu coração perdoasse com mais facilidade, assim como o sorriso nos lábios dele.
Era, realmente, uma noite mágica.
Da mesma forma que os antepassados poderiam aparecer para se aquecer a lareira, que os elfos poderiam sair do seu esconderijo dentre as árvores para prestigiá-los com sua beleza ou que os antigos druidas celtas entrariam montados em seus belos cavalos, era possível que eles finalmente convivessem entre si de uma forma quase mágica.
— Pois então espero que comecemos do início, mais uma vez.
Ele riu baixo e assentiu.
— Sim, sim... Pois bem, sou Naruto Uzumaki Namikaze MacDonald, mas pode me chamar somente de Naruto.
Ela ergueu uma sobrancelha.
— Não eras o Laird, senhor Naruto?
Ele cochichou para ela, traquina.
— Esta noite, senhorita, não sou nada além do Naruto. E espero que me trate como tal. Agora, não se apresentou ainda, senhorita...?
Ela soltou uma risada, o que fez o fez se sentir estranhamente bem.
— Sou Hinata, Naruto, e queria lhe dizer que esta noite está saindo realmente formidável.
— Só Hinata? — Ele tentou mais uma vez.
Ela cochichou para ele, imitando-o no tom traquina.
— Esta noite, Naruto, não sou nada além de Hinata. E espero que me trate como tal.
Ele riu e assentiu.
— Eu mereci isso.
— Sim, mereceu. — Mas ela sorria como nunca imaginou que sorriria junto dele.
Por isso, quando Hinata girou e trocou de par durante a dança, ela se sentia um pouquinho mais como parte do próprio lar: ela sentia que estava mais próxima da verdadeira Escócia, do seu povo, da sua cultura, da música e da dança. E, talvez, do amor também.
***
Sakura estava nervosa. Muito nervosa. Desde o primeiro momento em que seus dedos tocaram os dedos dele, ela sentia-se tão... Jovem. Não que fosse velha, mas ela já vira muito da vida para sentir aquela sensação estranha na boca do estômago, as pernas tremerem levemente e.... Minha nossa, seu coração parecia que ia saltar pela boca de tão forte que batia
Aquele era o homem mais bonito que já pisara na terra, pelo menos para ela. Seus olhos negros, suas mãos fortes e seus sorrisos de lado faziam com que ela esquecesse até mesmo de respirar.
— Até que danças bem, curandeira. — Ele puxou assunto, fazendo-a balançar levemente a cabeça e sorrir de leve.
— Claro eu danço bem... — Ela aproximou o rosto só um pouquinho do dele e falou mais baixo. —Até por que, se não dançasse não conseguiria guiar uma espada de forma descente.
Sasuke ergueu a sobrancelha, intrigado com a resposta nada costumeira da rosada.
— Ah, não?
Ela sorriu traquina e assentiu.
— Como o senhor bem sabe, milord-
— Sasuke. — Ele a cortou, fazendo-a corar.
— Sasuke... — Disse, hesitante, para então continuar, ignorando a sensação família de falar aquele nome. — Para ser bom manejando uma espada é necessário não só perceber que a lâmina é como uma extensão do nosso corpo, mas que a arte de lutar é como uma dança.
Ele sorriu interessado.
— E como seria isso?
Ele sabia a resposta, mas queria que ela o mostrasse.
— Imagine que a música é o som das espadas se chocando ao nosso redor.... Não, feche os olhos. — Ele sorriu e fechou os olhos junto com ela, porém ele os abriu novamente, enquanto ela permaneceu com os próprios fechados. — E a cada passo que damos, é como se eu fosse a lâmina e o senhor fosse o guerreiro. Sou guiada pelo senhor de acordo com a sua vontade, sigo seus passos para onde quer que vá, assim como sua lâmina. — Sasuke a observava com interesse, ele a girou comprovando o que ela acabou de dizer. — É como se fôssemos um.
Ela abriu os olhos e encontrou os dele em si, mas, diferente das outras mulheres, Sakura não desviou o olhar. Seu rosto corou e ele sentiu sua mão tremer levemente na sua própria. Mas ela não desviou o olhar.
O contato só foi quebrado quando ele teve que girá-la e ela deslizou para o próximo cavaleiro, fazendo com que uma sensação estranha de perda se apoderasse de Sasuke. Porém logo ele tratou de esquecer isso e sorriu para a próxima dama que apareceu em seus braços.
Mas ele chegou a uma conclusão: Sakura era diferente e intrigante, de uma forma que chamava a atenção dele.
***
Ino dançou com Gaara somente uma vez, porém não conseguiu falar com ele como queria, já que estava nervosa demais se quer para erguer os olhos. Porém, ao final daquela dança, a loira viu-se cercada de crianças e dançou com todas elas.
E enquanto a madrugada seguia, mais o povo as acolhia. Tenten já bebia com as mulheres do castelo contando histórias sobre sua infância divertida; Ino continuava a se divertir com as crianças, dançando e comandando as brincadeiras; Sakura conversava com a curandeira sobre medicamentos e procedimentos, porém somente elas se entendiam, já que depois de muitas canecas de Cuirm, elas já não sabiam mais se falavam os nomes das ervas de forma certa; e Hinata havia bebido o mesmo que todos os festeiros e conversava sobre arco e flecha com um grupo de guerreiros que a viram em ação.
Sasuke estava sentado em uma cadeira ao lado dos primos, bebendo mais uma caneca que ele não sabia se estava cheia ou vazia, enquanto observava as chamas da fogueira e batia o pé no chão ao som da música; Naruto, que também bebia de uma caneca que não sabia se estava cheia ou vazia, olhava para Shion e Sara (que conversavam com ele) com um olhar perdido, somente escutando a música e balançando a cabeça no ritmo, fazendo com que as duas achassem que ele estava respondendo suas perguntas todas as que o olhavam quando perguntavam algo; enquanto Gaara estava conversando com Lee animadamente sobre o treinamento de guerra que ele planejava dar aos homens durante esse inverno.
E assim continuou por alguns segundos, quando uma música em especial começou a tocar, anunciando que faltava pouco para o amanhecer.
Era uma música que todos cantavam como uma despedida. Quando a melodia começou a tocar todos se ergueram de onde estavam, Karin foi quem puxou o coro.
Oh all the money that e'er I spent
I spent it in good company
And all the harm that e'er I've done
Alas, it was to none but me
And all I've done for want of wit
To memory now I can't recall
So fill to me the parting glass
Good night and joy be with you all
Todos ergueram suas canecas e cantaram juntos, depois que a ruiva cantou a primeira estrofe. As crianças pararam de correr para se unir ao coro, e então eles foram caminhando lentamente em direção aos portões, que já estavam sendo abertos pelos guardas do castelo, que cantavam junto ao coro.
Oh all the comrades that e'er I've had
Are sorry for my going away
And all the sweethearts that e'er I've had
Would wish me one more day to stay
But since it falls unto my lot
That I should rise and you should not
I'll gently rise and I'll softly call
Good night and joy be with you all
Good night and joy be with you all
As pessoas do castelo levaram os aldeões até os portões e cantaram junto deles, enquanto iam se afastando e sumindo da mesma forma que suas vozes ficavam mais baixas e o som dos instrumentos iam com eles. Logo, somente suas vozes cantando a música de despedida foram ouvidas e quando acabaram, entraram no castelo e foram para os seus quartos.
Onde acenderam lareiras para receber seus entes queridos que partiram, ora de velhice, ora na guerra ou por uma doença, porém isso não diminuía o valor que tinham para si.
E, quando o céu nasceu de vez, todos estavam deitados em suas camas.
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