Para sempre te pertencerei
13 Capítulo 12
Notas iniciais
Capítulo 12
Dunscaith Castle
Quando ela entrou no salão, ele estava olhando para seu prato, por isso, ao ouvir o burburinho, ele subiu o olhar lentamente, como se estivesse com preguiça de olhar. Ele a viu por partes. Primeiro foi a ponta de seu sapato branco, depois foi a saia igualmente branca, leve e esvoaçante, depois foi o corpete externo preto fosco, que contrastava com o branco neve, e então seus cabelos rosados que estavam soltos e lisos sobre seus ombros. Sobressaindo-se ao tom branco demais e ao preto sem brilho.
Para então parar em seus olhos.
Sasuke descobriu, naquele momento, o que sempre o atraia a olhar para ela.
Não eram seus cabelos de tom estonteante, não eram suas curvas discretas, não era sua personalidade forte. Eram seus olhos.
Não importava onde estivesse...
O que estivesse fazendo...
Ou com quem estivesse...
Ele sempre enxergaria aqueles olhos e se perderia neles. Eles falavam tudo o que ele precisava saber. E naquele momento, eles o olharam com raiva. Sabia que havia feito besteira com ela, demorou horas para enfim perceber. Precisava se desculpar.
***
Depois da refeição matinal, os criados saíram do grande salão para seus afazeres, as criadas da cozinha recolheram a louça, os guerreiros solteiros começaram a recolher suas camas no canto mais afastado do salão, próximo a gigante lareira, e elas se separaram.
Ino caminhou para o jardim traseiro, Hinata para o pátio da frente, Tenten para seu quarto e Sakura para o pátio próximo as cozinhas.
Sakura sentou-se no toco de madeira onde elas sempre sentavam durante o treinamento e observou o pátio úmido de neve derretida e chuva. O dia estava nublado e frio, mas a sensação de alívio em ver a neve derreter foi o suficiente para animá-la.
Agora que as estradas estavam ficando desimpedidas aos poucos, elas finalmente conseguiram sair de lá. Por bem ou por mal.
Antes de seus pensamentos começarem a se findar nos planos da fuga, uma sombra caiu sobre ela e uma rosa, branca e brilhante com as gotas d’água, apareceu a sua frente.
Sakura ficou confusa por alguns segundos, estudando aquele pequeno milagre que sobreviveu ao inverno rigoroso e a chuva tempestiva.
Ela olhou para o corpo da rosa e então seguiu a trilha dos dedos cobertos por uma luva de couro, pelo braço forte coberto por um casaco de lã preto e parou em um rosto belo o suficiente para fazer qualquer mulher sã prender a respiração.
— Dizem que a rosa branca é uma maravilhosa maneira de pedir perdão a uma dama.
Sakura piscou sem entender. Sasuke estava mesmo pedindo desculpas? A ela?
— O que?
Ele abriu um sorriso, pegou a mão direita dela, que estava apoiada em sua perna, botou o caule cuidadosamente limpo de espinhos em sua palma e fechou seus dedos em torno dele, apertando-os de leve enquanto dizia novamente, olhando-a nos olhos a apenas alguns centímetros de distância.
— Dizem que a rosa branca é uma maravilhosa maneira de pedir perdão a uma dama. Vós me perdoais?
Sakura assentiu, hipnotizada com a curta distância entre os dois. Os olhos dele eram realmente negros como o carvão. E de perto a boca dele era tão bonita… Carnuda e vermelha pelo frio.
Sasuke começou a falar algo e a abrir um sorriso imenso, porém ela não conseguia desviar o olhar dos lábios macios e dos dentes brancos… O sorriso dele era realmente lindo.
Sem perceber, Sakura começou a levantar sua mão esquerda, que estava livre. Porém Sasuke parecia não perceber seu movimento.
— ...que bom que me perdoas, Sakura. Prometo jamais fazer algo tão indigno convosco novamente, às vezes parece que esqueço que és uma dama e...
Ela passou os dedos pelo cabelo negro como a pena de um corvo, absorvendo a sensação dos fios grossos e macios. A voz dele foi sumindo aos poucos, mas findou-se de vez quando ela aproximou o rosto os centímetros que faltavam. Sasuke observou seus olhos esmeralda ficarem mais escuros e próximos, até que ela colou os lábios aos dele. Foi um roçar apenas, algo simples e inocente.
Algo que ele nunca esperou dela.
Sakura era uma mulher forte que não se importava com a opinião alheia, que lhe ameaçava de morte (de verdade, não de brincadeira como a maioria das mulheres) e que não se deixou levar pela beleza que ja deixou tantas mulheres sem fala.
Ela demonstrava ser tudo… Menos delicada como a rosa branca que ela apertava com força em sua mão direita.
Sasuke segurou seu rosto com a mão direita e brincou com seus lábios de forma calma e romântica. Sakura soltou um leve suspiro com a sensação do toque dele. Ela esperava que ele a afastasse, que risse da atitude descontrolada dela… Mas ele acariciou sua bochecha e fez o corpo inteiro dela se arrepiar. Ela sabia o que poderia vir de um beijo, não era boba e já fora beijada antes, Hinata e Ino sempre foram mais tímidas que ela. Sakura é a curiosa extremamente inteligente, que planeja antes de agir e tem sucesso. Mas se somente naquilo ela estava sentindo-se daquele jeito… Imaginou o que aconteceria se o beijasse de verdade.
Por isso ela aproximou o corpo ao dele e pediu passagem com a língua. Sasuke, mesmo surpreso com a investida, permitiu que ela conduzisse o beijo por enquanto. Foi a melhor coisa que fez em sua vida.
Sasuke ficou de joelhos enquanto ela se debruçava para ele, sua rosa foi largada em seu colo e sua outra mão enfiou-se em seus cabelos negros ao mesmo tempo em que ela invadia sua boca e suspirava de prazer. Ele desceu a mão de sua bochecha para seu quadril e a outra parou em sua lombar. Nenhum deles poderia calcular o tempo em que se perderam um noutro, somente sentiam seus corpos se atraindo e constataram que não estava unidos o suficiente. Precisavam de mais…
Mais…
Em algum momento um dos dois se separou, suas testas se tocaram e suas respirações se mesclaram. Ela expirava e ele inspirava. Um respirando o ar do outro.
— Acredito que a rosa branca seja realmente uma ótima forma de pedir perdão…
Sasuke sussurrou enquanto abriu um sorriso.
Sakura permaneceu com os olhos fechados.
— Não posso discordar, mas rogo-lhe que não fale mais nada. Tens o péssimo hábito de estragar tudo quando falas demais.
Sasuke soltou uma risada baixa e concordou com a cabeça. Os dois continuaram naquela posição por um longo espaço de tempo, até Sakura se afastar e olhar em seus olhos. As mãos dele continuavam no mesmo lugar, assim como as dela.
— Isso não quer dizer nada, bem sabes, não é?
Sasuke ergueu uma sobrancelha.
— Nasci sabendo, milady. Só espero que não confundas o que nos levou a isso.
Sakura ergueu as duas sobrancelhas.
— Jamais confundiria nada, o que me preocupa és tu.
Sasuke revirou os olhos.
— Melhor pararmos por aqui antes que isto vire uma guerra.
Sakura riu e concordou.
— Vá fazer o que tens de fazer, ficarei aqui mesmo.
Sasuke olhou-a por um longo tempo, como se estivesse estudando o que faria a seguir. Quando Sakura estava prestes a enxotá-lo de lá, ele roubou-lhe um beijo rápido e saiu a passos largos, deixando-a embasbacada para trás.
***
Hinata estava atravessando o pátio quando ele apareceu na sua frente. Por um momento seu coração parou e sua respiração falhou, ela olhou para ele e teve que erguer a mão para proteger os olhos da luz solar, que estava exatamente atrás dele.
Ela só conseguia enxergar o contorno de seu corpo, porém seu coração e mente sabiam quem era…
Uma sensação de já ter vivido aquilo a fez estreitar os olhos, e, consequentemente, cenas do sonho daquela madrugada passaram por sua cabeça. Por algum motivo, o menino do sonho e Naruto pareciam extremamente parecidos. A forma que andavam com confiança, o sorriso brincalhão nos lábios que poderia ser visto se fizesse muito esforço, os cabelos bagunçados para todos os lados que pareciam quase brancos… Mas o que a assustou de verdade foi o movimento que ele fez ao levantar as mãos e cruzar os dedos atrás da nuca exatamente como o menino do sonho fez enquanto a pedia em casamento.
Ele estava nervoso.
— Hinata, gostaria de falar contigo. Tem um momento?
Ela assentiu, ainda o estudando minuciosamente. Naruto a levou até um banco de madeira que havia no canto do pátio, encostado no castelo e ao lado de um canteiro seco por conta do inverno.
— O que desejas falar comigo? — Ela perguntou.
Naruto a estudou de volta por alguns segundos, estranhando a intensidade dela ao estudá-lo.
— Queria desculpar-me pela acusação que lhe fiz no meu escritório, não tinha o direito de tratar-te daquela maneira, ainda mais sem razão.
Hinata suspirou e desviou o olhar, estudando o pátio vazio.
— Na hora fiquei extremamente raivosa, senti vontade de matá-lo, na verdade… — Se ela o estivesse olhando, teria reparado que ele engoliu em seco.— Mas depois estudei a situação com mais calma e cheguei a conclusão de que te entendo. És o Laird, sou uma sassenach, e estava em seu escritório particular. Lendo, se não fosse o suficiente. Também chegaria à mesma conclusão que chegas-te.
Naruto assentiu e segurou sua mão, que estava apoiada no banco.
— Mesmo assim peço-lhe desculpas. Já me provaste que não deseja nada de mal para meu clã, inclusive o ajuda. Não ficarei satisfeito enquanto não me desculpar.
Hinata suspirou e o olhou com um sorriso nos lábios.
— Às vezes até mesmo o mais duro e mortífero Highlander pode ser gentil, não é mesmo?— Naruto deu de ombros e desviou o olhar. Achando graça, Hinata apoiou a outra mão na dele e continuou. — Suas desculpas foram aceitas, Laird.
Naruto sorriu e apoiou a outra mão por cima da dela, apertando-a e enviando um arrepio pelo corpo de Hinata.
— Fico imensamente feliz.
E então ele sorriu. Um sorriso largo, brilhante e tão belo que ela sentiu que poderia cair ao chão de tão forte que foi atingida pelas sensações. Aquele homem se mostrava cada dia mais perigoso para o seu coração.
***
Tenten estava em seu quarto quando viu a cena entre Sakura e Sasuke no jardim. Sentiu-se constrangida e resolveu caminhar pelo corredor, onde lembrou da troca de olhares entre Ino e Gaara no salão. Resolveu ir ao final do corredor e olhou pela janela que havia ali. Presenciou a cena entre Naruto e Hinata.
Ao ver todos esses momentos, a morena começou a sentir algo que não se orgulhava: inveja.
Depois de tudo o que passou na vida, Tenten queria ser feliz. Não que não o estivesse agora, longe disso, mas ela queria ter uma felicidade completa. Algo que nunca pensou que teria durante toda a sua vida… Ela queria amar. Amar e ser amada incondicionalmente. De forma avassaladora. Queria encontrar alguém que a olhasse e visse algo além. Não só a mulher que quase foi estuprada e por isso foi levada para o clã MacDonald por pena, e nem ser a filha do Laird que todos teriam a chance de usar.Ela queria ser vista como ela era.
Queria ser amada por ser ela mesma.
Queria construir sua família, coordenar o seu próprio lar e lutar ao lado das amigas.
***
Ao cair da noite, Hanabi resolveu caminhar pelo jardim. Estava frio e chuvoso, mas a Hyuuga Campbell mais nova sempre foi uma jovem que amava a natureza. Colecionava todos os tipos de animais e valorizava qualquer forma de vida. Por isso ela estava ali, procurando algum inseto as escondidas.
Quando chegou a uma roseira seca, ela viu um movimento suspeito. Uma sombra pequena que parecia se mover. Levou seu candelabro até ali e viu um gatinho pequeno, tremendo de frio e enrolado em uma bola.
— Ó meu Deus, pobrezinho de vós, pequeno… — Botou o candelabro no chão e pegou o animal, levando-o ao peito. Ele estava com tanto frio que nem mesmo se defendeu, apenas enroscou-se contra ela em busca de calor.
Ela apanhou o candelabro de volta e caminhou até a porta da cozinha, abriu-a e sentiu a baforada de ar quente bater contra seu rosto. Botou o animalzinho no chão, do lado de dentro.
— Fique aqui, querido, vou procurar mais bichinhos como vós e já volto. Aqui se aquecerá bem.
Logo ela saiu e fechou a porta. Infiltrou-se mais ainda no jardim e estudou cada cantinho que achou importante. Até que escutou um estalo de madeira se quebrando.
— Quem está aí? — Perguntou, olhando envolta.
Depois de longos segundos de silêncio, ela escutou um miado baixo e sofrido.
— Gatinho?— Perguntou enquanto seguia até onde havia escutado o som, porém estava ficando escuro demais para enxergar. Quando estava prestes a voltar para o castelo, convicta de que enlouquecera, alguém a agarrou por trás e uma mão com tecido tapou-lhe a boca.
Hanabi gritou tão forte quanto achou possível, mas um cheiro forte exalava do pano e antes que pudesse fazer mais esforço para soltar-se, tudo ficou escuro.
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