Para sempre, primeiro amor

15 Capítulo 15 - Quebrados


Notas iniciais
Antes de tarde do que nunca, né? Hehe boa leitura!

Por sorte, conseguiu pegar um voo de última hora e chegar em pouco tempo à cidade. Suas mãos tremiam de nervosismo, com medo do que encontraria no hospital. A viagem havia sido torturante, não conseguia parar de pensar de que forma Hinata tinha ido parar no hospital de Konoha. Talvez tivesse tentado fugir com o menino e pensar nisso fazia um arrepio passar por ele.

Não passou em casa, foi da forma que estava ao hospital. Parou na recepção tão conhecida, onde a tinha visto pela primeira vez em anos e sentiu-se ainda pior por pensar nas circunstâncias que o levaram até ali novamente.

ㅡ Naruto! ㅡ Konohamaru o chamou, surgindo de dentro do hospital. ㅡ Ele está comigo ㅡ avisou a recepcionista que lhe entregou um cartão de visitante.

ㅡ O que aconteceu? ㅡ perguntou ao amigo que já o guiava hospital adentro.

ㅡ Ela sofreu um acidente de carro na estrada principal de Suna, tudo indica que estava vindo para cá… e que tinha pressa para chegar.

Naruto engoliu em seco, sentindo-se de alguma forma culpado.

ㅡ Como soube?

ㅡ A polícia me ligou. Você sabe… já chamaram a família e eu vim defender os interesses dela. Estamos aguardando alguma informação sobre o estado clínico. Meu receio é que o pai tente algo para se beneficiar no processo.

ㅡ Pai? ㅡ Naruto parou assim que chegaram à sala de espera e avistou Hiashi em pé. ㅡ O que esse desgraçado está fazendo aqui?

ㅡ Naruto! ㅡ Konohamaru disse, em tom de aviso.

ㅡ Se ela está aqui a culpa é dele!

ㅡ E você, qual o grau de parentesco que tem com ela? Se tem alguém que não deveria estar aqui, é você!

Naruto pulou no pescoço do homem e o agarrou pela camisa.

ㅡ Eu vou fazer você pagar por tudo que nos fez! ㅡ gritou.

Konohamaru tentou apartar os dois, mas o loiro segurava o homem com um aperto de ferro. Logo um motim se fez na sala de espera, agitando os demais.

ㅡ Naruto! ㅡ uma voz feminina disse firmemente. ㅡ Venha comigo!

Naruto mandou um olhar de aviso para Hiashi e o soltou, seguindo a mulher pelo corredor.

ㅡ O que foi aquilo? ㅡ ralhou, furiosa. ㅡ Isso aqui é um hospital!

Ele suspirou, por onde começaria?

ㅡ É uma longa história ㅡ disse, esgotado. Suas emoções estavam no limite.

ㅡ Acalme-se. Precisamos ter o máximo de cautela, o quadro dela é delicado.

ㅡ Onde ela está, tia? Preciso vê-la.

Tsunade bufou a contragosto.

ㅡ Procure a Sakura. Ela ficou responsável pelo tratamento.

Naruto assentiu e já foi procurá-la.

ㅡ Filho ㅡ chamou a tia. ㅡ Seja cauteloso. Estamos tentando conter o Hiashi, mas sabe que ele é astuto e é capaz de conseguir proibir qualquer um de vê-la.

Ele assentiu antes de ir procurar Sakura. Não foi muito difícil encontrá-la, já que procurou imediatamente em sua sala e na sala de descanso. Conhecendo-a, sabia que ela não descansaria antes de analisar todo o quadro clínico de Hinata. Sakura é uma exímia médica de conduta exemplar, dava seu sangue por qualquer paciente.

Não a encontrou em sua sala e foi procurar na outra. Ela poderia estar até mesmo observando Hinata.

Bateu na porta levemente, para depois abri-la. Encontrou a prima sentada, com uma fotografia nas mãos.

Seu rosto totalmente inchado pelo choro.

ㅡ Envolvendo-se emocionalmente, doutora? ㅡ brincou, atraindo seu olhar. Sakura apertou os lábios para conter os soluços e virou a foto para ele.

ㅡ Ele é seu ㅡ afirmou. Em suas mãos estava a imagem do pequeno Boruto, talvez mais novo. Os traços congelados agora mais evidentes. ㅡ Estava nos pertences dela. Como eu fui burra. Estava diante dos meus olhos.

Naruto engoliu em seco.

ㅡ Ele estava junto? ㅡ perguntou, com medo da resposta. Ela apenas balançou a cabeça, negando. Ele sentiu um alívio, mas seu coração parecia estar sufocado. ㅡ Como ela está? ㅡ Sua voz saiu tão baixa que se não estivessem mergulhados no silêncio, Sakura não teria ouvido.

ㅡ Eu fiz o possível, Naruto ㅡ disse antes de cair no choro novamente, dessa vez não conteve os soluços. O homem sentou ao seu lado e a abraçou pelos ombros.

ㅡ Eu sei ㅡ respondeu, tentando frear a angústia que lhe subia o peito. Lágrimas silenciosas macularam sua face.

Ambos ficaram por alguns minutos na mesma posição. Sakura enxugou o rosto com as mãos e se levantou.

ㅡ Meu plantão já terminou, preciso ir para casa descansar. Ino deve dobrar para acompanhar o quadro dela.

Sakura apertou os olhos. O cansaço e a fraqueza abatendo-a novamente. Sentiu suas vistas escurecerem. Não queria dizer para o primo sobre a suspeita de gravidez, sabia que ele faria um escândalo.

Mas não teve tempo de disfarçar, desmaiou logo em seguida.

Após correr com ela nos braços, Naruto chamou a tia para vê-la, que logo assimilou o que seria. Solicitou um exame de sangue.

Naruto ficou aguardando sua prima acordar, em parte, pela preocupação e em parte, para adiar ver o estado de Hinata.

Sakura não demorou a voltar a si. Seus olhos verdes logo miraram a figura severa da mãe. Ela sabe, pensou.

ㅡ Mãe… ㅡ tentou se justificar.

ㅡ Não me interessa o que tem a dizer. Nada justifica se manter dessa forma nessas condições. Acha que ainda é uma garota e pode se dar ao luxo de ser irresponsável?

ㅡ Não foi… intencional.

ㅡ Já basta de situações extremas aqui. Você vai diretamente para sua casa, eu já liguei para o Sasuke.

ㅡ Não pode fazer isso! ㅡ agitou-se.

ㅡ Eu já fiz. E agradeça por não ter contado nada.

Sakura bufou, era difícil argumentar com sua mãe. Naruto olhou de uma para a outra sem entender nada.

ㅡ E você, venha comigo! ㅡ ordenou a Naruto.

Saiu sem esperar qualquer resposta. Ele a seguiu, lançando um olhar de desculpas à Sakura.

Ambos pararam no corredor, longe de olhares e ouvidos curiosos.

ㅡ Naruto, o quadro da Hinata é gravíssimo. Não sabemos se ela sairá dessa. ㅡ despejou, sem qualquer preparação. Não era conhecida por sua delicadeza. Ele engoliu em seco, já sentindo os olhos marejarem. ㅡ Você deve vê-la logo, ela está totalmente sedada e deve continuar em coma induzido pelas próximas vinte e quatro horas. As primeiras horas são importantíssimas… o Hyuuga ㅡ seus dentes trincaram ao mencioná-lo ㅡ deve tentar dificultar as visitas. Inclusive, se nega a contatar a irmã sobre o acidente. Então, recomendo que haja rápido com Konohamaru. O Hiashi não pode ser o responsável por ela. Ele pode tomar decisões ruins para ela.

Ele assentiu rapidamente.

ㅡ Vá vê-la agora mesmo!

Ele assentiu mais uma vez e foi para o quarto indicado por sua tia.

Aparentemente ela estava em uma área isolada, pois não havia ninguém além de funcionários por lá.

Colocou a mão na maçaneta e confirmou o número do quarto. Estava nervoso. Podia ouvir o barulho das máquinas trabalhando dentro do quarto. Tomou coragem e abriu a porta.

Todo o seu autocontrole ruiu diante da cena que viu. Hinata completamente pálida, com vários tubos conectados a ela, além das ataduras em seu corpo.

Chegou perto da cama, sem acreditar que era ela ali. Tão minúscula e frágil.

As lágrimas vieram como em uma enxurrada e ele colocou a mão na boca para abafar um soluço.

Não entendia o motivo de estar passando por aquilo. Toda a mágoa e frustração que sentira por ela deu lugar a um sentimento pior: o de impotência.

ㅡ O que vou fazer se você não abrir mais os olhos? ㅡ sussurrou em meio a sua dor. Seu coração estava em frangalhos, cansado de apanhar da vida.

Queria tirá-la dali.

Pegou sua mão delicadamente e a apertou suavemente. Não poderia negar a si mesmo, amava-a profundamente, mesmo com seus erros.

ㅡ Não, Hinata… não pode ir ㅡ foi tudo que passou por sua garganta. Soluços e mais soluços escapavam de sua boca.

Naruto pensava em tudo que lhe foi tomado, seu primeiro amor, seu filho, a família que não teve a oportunidade de conviver. Tudo por capricho e maldade de algumas pessoas.

ㅡ Se você voltar… Não vou permitir que ninguém mais faça mal a nós, eu prometo ㅡ disse em uma tentativa de se consolar. Levou a mão dela até seu coração como se para provar a sinceridade de suas palavras e selar a promessa. ㅡ Eu prometo.

Olhava pela janela enquanto as ruas passavam como um borrão. Estava em estado reflexivo, ainda achando a situação surreal. Teve que voltar para casa com Konohamaru. Ainda que sua tia fosse diretora do hospital, ele não tinha privilégios. O horário de visitas havia excedido.

ㅡ Qual a sua relação com ela?

ㅡ falou depois de um tempo em silêncio. Queria ter perguntado de início, mas pareceu indelicado. ㅡ Parecem velhos conhecidos.

ㅡ Fomos namorados ㅡ limitou-se a responder.

ㅡ Uau ㅡ ele disse. ㅡ Por essa eu não esperava.

Naruto virou-se para encará-lo com a sobrancelha erguida.

ㅡ Qual é cara! Não consigo imaginar uma mulher como ela dando bola para você. Ela é... ㅡ Ele tirou uma mão do volante colocando o mais alto que podia. ㅡ E você é… ㅡ ele colocou sua mão embaixo. E seu histórico de namoro é péssimo.

ㅡ Eu nem tenho um histórico de namoro ㅡ protestou, irritado.

ㅡ Shion… ㅡ falou como se justificasse tudo.

Naruto bufou. Ele tinha certa razão.

ㅡ Não sabe como me arrependo disso. Mas agora não importa. Precisamos discutir o que vamos fazer agora que ela está hospitalizada.

ㅡ Temos um problemão. Amanhã deve chegar uma notificação, solicitando a guarda integral do filho dela e de tudo que é dela.

Naruto sorriu. Tinha uma carta na manga e o velho deveria saber.

ㅡ Ele deve ser mais cauteloso. Não vai tentar algo tão agressivo.

ㅡ Como assim?

ㅡ Eu sou o pai do menino… ele é meu filho ㅡ Konohamaru freou bruscamente, se não estivessem de cinto teriam batido a cabeça no painel.

Sua expressão de choque continha todas as palavras não ditas.

ㅡ Eu também não sabia ㅡ tratou de se explicar. ㅡ Isso deve mudar bastante as coisas. Amanhã mesmo vou solicitar a guarda e tudo mais.

ㅡ Sabe que ele vai usar isso contra você. Quer dizer… o menino já tem quatro anos e você nunca participou da vida dele.

Naruto apertou os olhos. Odiava lembrar desse detalhe.

ㅡ Não importa. Ele tampouco tem algum vínculo com o menino. E eu sou o pai.

A resposta foi suficiente para Konohamaru assentir. Mas ele sabia que Hiashi Hyuuga tinha motivações maiores que aquela para querer controlar a vida da filha.

Notas finais
A previsão é de sofrimento t.t Inclusive do casal secundário kkkk até mais!