"O para sempre é composto de agoras"

John Green

Bakugou Katsuki costumava odiar seus dias de folga, assim como os dias frios e nublados. E as razões eram extremamente simples. Os dias de folga eram tediosos demais, ele não achava graça nenhuma em, como Kirishima lhe recomendava, aproveitar o ócio; já que o descanso necessário para manter-se produtivo, podia ser resolvido apenas com uma boa noite de sono. Folgas não lhe davam garantia de um futuro heróico brilhante. Por esse motivo, preferia a adrenalina de um dia de ação, vestir o uniforme e patrulhar durante uma noite inteira. Salvar pessoas e vencer batalhas, era para isso que Katsuki havia nascido.

Quanto às manhãs frias e nubladas, para Bakugou, eram insuportáveis. Atrapalhavam consideravelmente seu desempenho em longas missões, pois sua individualidade parecia funcionar em uma maldita marcha lenta. Claro que sua manopla o auxiliava nessa pequena ineficiência, mas o esforço em tais dias, em especial no inverno, muitas vezes era insustentável e fazia com que ele fosse obrigado a tirar mais folgas do que gostaria. Era ridículo se imaginar como um herói do top três dessa maneira, mais ridículo ainda era considerar isso uma de suas fraquezas.

Folgas e dias frios, seus maiores desafetos e desafios para o futuro. Bom… Isso até começar a compartilhá-los com Ochako.

De repente as folgas passaram a ser sempre coloridas e animadas. Por mais que a vida heroica não os permitisse passar tanto tempo juntos, Katsuki constantemente pensava em formas de surpreender a companheira. Desde jantares caseiros a encontros exuberantes sob a luz do luar, ou mesmo obrigá-la a malhar e logo em seguida recompensá-la com seu mochi favorito. O odiado ócio, ao lado de Ochako, tornou-se seu lazer. Obviamente não era tudo flores e amores, mas a verdade é que até suas terríveis brigas mantinham-no ocupado. Agora as folgas não eram mais tão entediantes.

E os dias frios e nublados? Bem… Enquanto Ochako ocupasse o lado direito da sua cama não reclamaria. O corpo pequeno e cheio de curvas atraentes de sua heroína era sua fonte mais preciosa de calor. Além de despertar seu desejo, aquecia sua alma ao preencher todas as lacunas do seu coração. As baixas temperaturas eram rapidamente esquecidas quanto, ao acordar, Ochako o fitava apaixonadamente e sussurrava docemente em seu ouvido que o amava. Ele nunca hesitava ao ser encarado com tanta ternura, sempre a possuía e a fazia sentir a mesma chama que o inflamava. Agora, com o encaixe perfeito de seus corpos, o frio não era mais tão insuportável.

Katsuki nunca imaginou que encontraria tanta satisfação fora dos planos heroicos que fizera para si, mas a verdade é que ele amava todos seus agoras com Ochako. Amava até as particularidades irritantes que a intimidade o permitia conhecer. Amava odiar, por exemplo, o excesso de cabelo feminino em seu banheiro; bem como os perfumes doces que empesteavam seus lençóis; amava odiar vê-la roubando suas camisas favoritas e enchendo sua geladeira de porcarias. Amava a combinação ridícula de seus nomes profissionais: Dynavity; bem como ser o assunto do momento no twitter. Amava demais sua vida de agora, por isso o porvir apenas contemplaria majestosamente o agora acontecer.

E o agora era só mais uma manhã nublada e ordinária em que ele estava de folga, e ela se arrumava para uma patrulha matutina. Haviam passado a noite juntos, entre pipocas e abraços apertados, entretanto, Katsuki não conseguia abandonar a ideia de que precisava de mais tempo, de mais instantes pequenos e infinitos que só ela podia lhe proporcionar.

— Não me olhe com essa cara, Katsuki, eu não posso me atrasar — disse Ochako, encarando-o pelo espelho do quarto.

— Cacete, eu não posso nem te olhar?!

— Não, não pode — respondeu divertida, vestindo um moletom masculino da linha Dynamight. — Tenho que ir…

— Não quer que eu te prepare um café? — Perguntou provocativo, sentando-se na beirada da cama e cobrindo parte da nudez com um lençol.

— Não ouse levantar dessa cama, Bakugou! — Exclamou, autoritária.

— Mas que porra, Bochechas, não dá nem pra ser legal com você — falou falsamente chateado.

Ela revirou os olhos. Katsuki amava provocá-la. Amava ver as reações exageradas causadas pelo senso de responsabilidade que ela possuía, mas também adorava como a privacidade a deixava lindamente audaciosa e igualmente provocativa.

— Quando eu voltar, aceito com prazer seu café.

— Tsk, quando você voltar o café já vai ter esfriado.

— Não tem problema, amor — retrucou, aproximando-se e lhe beijando na ponta do nariz —, mais tarde a gente faz outro bem gostoso.

Ele não pode evitar o sorriso que surgiu em seu rosto, já que claramente não estavam falando de café. Bakugou devia ter superado o frio e as malditas borboletas dançantes na barriga, afinal havia um ano que estavam em um relacionamento sério, dividindo o mesmo apartamento. Também devia ter superado a embriaguez da paixão, até porque não era sempre fácil amar um ao outro, eram personalidades totalmente diferentes e nem todas as noites eram boas; no entanto, a cada dia que se passava, Katsuki via-se continuamente ancorado em momentos como o de agora. Estupidamente preso àqueles olhos castanhos, às bochechas rosadas e à cara redonda de Ochako. Era um imbecil apaixonado e não havia nada que pudesse fazer a respeito.

— Sabia que a nossa agência dá quinze dias de recesso para heróis recém casados? — perguntou, abraçando-a pela cintura.

— Hum… — resmungou, franzindo a testa. — A maioria das agências só dá uma semana. Mas por que tá falando isso? Vai precisar substituir alguém?

— Não, Bochechas. — Sorriu da cara de interrogação que ela fez ao ouvir a negativa. — Tô pensando em te pedir em casamento.

Ochako arregalou os olhos, abriu e fechou a boca algumas vezes antes de conseguir formular uma frase coerente. Ela estava visivelmente chocada, e ele sentia as detestáveis borboletas mais uma vez atazanando seu estômago. Mesmo que não tivesse muita paciência para romantismos, talvez dessa vez poderia ter pensado numa outra maneira de fazer a proposta… Uma mais meiga, que ela pudesse contar orgulhosamente para todas as amigas. Mas como era um perfeito idiota, estava falando de casamento sem nem ter ao menos um anel de merda para que ela pudesse exibir.

— Katsuki… — chamou-o séria, repousando suas mãos nos ombros do homem à sua frente. — Você tá falando sério?

— Tsk, por que eu brincaria com essa porra, Ochako?!

— Não sei! — Deu de ombros, rindo de nervoso.

— Cacete, Ochako, eu tô falando sério — afirmou convicto, levantando-se para encará-la melhor.

— Tem certeza? — Perguntou ainda atordoada enquanto era abraçada firmemente.

— Mas que porra... — reclamou impaciente. Não tinha esse direito, mas não conseguia esconder a irritação por não ouvir uma resposta clara. — Você aceita ou não se casar comigo, Bochechas?

Ochako mordeu os lábios e olhou-o nos olhos. Katsuki sentiu o mundo girar ao perceber a intensidade do olhar de sua garota, era como Ochako estivesse lendo sua alma. Analisando suas verdadeiras intenções e a sinceridade do seu pedido. Puta merda! Era sexy vê-la assim e, sem dúvidas, eternizaria esse momento dentro dos seus dias finitos. E mesmo que suas mãos suassem exageradamente, seu coração estivesse na iminência da explosão e que o pequeno diabo, que morava em sua consciência, gritasse fervorosamente: ela não vai aceitar esse pedido escroto! Bakugou só esperava o instante em que ela pronunciaria a resposta que mudaria o rumo de seus próximos anos. O agora que determinaria tudo!

— Hum… — ela resmungou mais uma vez, fazendo mistério e retribuindo o abraço que recebia. — Bakugou Ochako soa muito bem.

Ele não esperou nem mais um segundo para apertá-la ainda mais em seus braços, e jogá-los eufóricamente na cama. Katsuki parecia uma dinamite detonando de tanta felicidade. E ouvindo a risada dela, soube que havia feito a coisa certa ao permitir que Ochako entrasse em sua vida. O futuro parecia incerto? Com certeza! Ela bagunçara todos os seus planos, quebrara todas as suas expectativas e reestruturara a dinâmica regrada dos seus dias. Contudo, também transformara os seus maiores desafetos em dádivas, permitindo que uma página em branco surgisse no horizonte dos seus dias, com linhas prontas a receber as diversas canetas e sentenças que a vida lhes daria. Não podia mais imaginar sua vida sem Ochako e sem sua aura cor-de-rosa. E enquanto se deliciava nos lábios de sua futura esposa, em uma comemoração íntima e afrodisíaca, Katsuki teve certeza que poderia viver para sempre no agora.

Notas finais
Então, o que acharam?

Fanfic feita para o evento “frases marcantes” do @KacchakoProject, e eu sei que ficou bem água com açúcar, mas eu não resisto às frases do John Green e nem à ideia de um Katsuki super apaixonado. Espero que vocês tenham gostado! ♥️

Agradecimentos especiais à @uwu_queen pela capa super fofa, e a @ivych4n pela betagem. Vocês são maravilhosas! ♥️
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!