Para onde eles foram?
2 Capítulo 1
Notas iniciais
E mais uma vez Aaron estava andando sozinho pelas ruas de Perdido Beach.
Checou seu relógio, três da tarde. A última vez que checara eram três da manhã, a hora que saiu de casa por conta de mais uma briga com seu padrasto. Como ele odiava aquele cara!
O motivo? O mesmo de quase sempre, Aaron recebera a quarta suspensão no mês por começar uma briga na aula de biologia e por isso seu padrasto, Kevin, queria o matricular para o segundo semestre na Coates Academy, uma escola particular para crianças socialmente "perigosas", ou seja, mini-psicopatas, e Aaron não era um. Ele era só um menino distante e anti-social que gostava de bater em certas pessoas e atear fogo em certas coisas, ele não era um psicopata, certo?
O menino passou a mão pelo cabelos negros despenteados e suspirou frustrado.
No final da rua duas meninas vinham caminhando, uma delas estava pulando um tanto inquieta e a outra estava tentando a acalmar. Uma delas era Zoey, sua ex-namorada, e a outra era aquele garota chata que vivia pendurada nela, a Melanie.
– Zoey! — ele chamou. Ela acenou e andou mais rápido. Sua amiga arregalou os olhos, mas seguiu apressada. Uma das únicas pessoas que não temiam Aaron era Zoey — Por que você está de pijama? — disse quando se aproximaram.
A menina olhou para baixo e arregalou os olhos ao perceber que ainda estava com a camisa que trazia os números 22 e o nome da cidade e um short um tanto curto demais. Ele não pode deixar de admirar o corpo da menina que sempre usava casacos largos e calça jeans.
Ela ficou vermelha como um pimentão.
– Não me olha assim, cara. — disse ela olhando para baixo, envergonhada.
– Desculpa. — mas mesmo assim o menino não parou de olhar-la. — Mas enfim, o que houve? — perguntou curioso.
Melanie abriu a boca para falar alguma coisa, mas Zoey a tapou com uma das mãos.
– Os adultos sumiram. — disse Zoey séria.
– Como assim, cara? — Aaron indagou confuso.
– Desapareceram, escafederam-se, puf! — disse mexendo as mãos.
– Mas que merda é essa, Zoey? — ele ficou irritado — O Mark te ofereceu maconha de novo?
– NÃO! — disse a menina irritada.
– Cara, seus pais podem só ter saído sem avisar. Fiquem calmas.
– Não, todos os adultos sumiram. O Sr. Whitmore "pufiou" no meio da aula. — disse Melanie quase berrando.
– Então talvez tenha sido para o melhor, garota! — ele pensou se seu padrasto havia desaparecido também. Tomara que sim.
– O MELHOR!? — Agora a garota estava mesmo berrando. Ela encarou no fundo dos olhos azuis e frios do menino. — VOCÊ É MESMO UM BABACA, NÃO ME ADMIRA MUITO QUE A ZOEY TENHA TERMINADO COM VOCÊ!
Ele arqueou as sobrancelhas arregalando os olhos e olhou para sua ex.
– Então é isso que você tem dito para as pessoas? — ele indagou.
– Esse não é o ponto, o ponto é que mais de 50% da população dessa cidade desapareceu.
– Não me importo. — ele deu de ombros. Quando ele estava prestes a fazer alguma piada sádica, um menino apareceu correndo.
– TÁ PEGANDO FOGO, BICHO! — ele berrou.
O pequeno grupo se entre-olhou e os três saíram correndo na direção do menino.
Ao chegarem lá viram um menino loiro entrar num prédio em chamas.
Era o Sam do ônibus escolar. Por que esse era seu apelido? Porque uma vez em uma excursão, o motorista do ônibus sofreu um ataque cardíaco e o tal do Sam Temple tomou o volante e estacionou o veículo. Desde então ele foi considerado uma espécie de heroi. Uma vez ele e o Aaron conversaram um pouco durante uma festa e o pouco que Aaron conheceu do menino, já dava para perceber que a pessoa menos apta a estar no comando era Sam.
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