Para o meu Romeu, com amor, Julieta

1 Para o meu Romeu, com amor Julieta


Notas iniciais
Olá! Tudo bem? Essa é uma continuação para a história de um poema que eu escrevi. Tentei imaginar um desfecho para a história onde os personagens do poema ficassem juntos aqui.

"Você pode beijar a noiva" , é o que dizem nos casamentos.

E esse dia finalmente chegara.

O dia do meu casamento.

O dia do meu "E foram felizes para sempre". O fim do meu conto de fadas.

Meus pais e uma porção de convidados estavam lá, incluindo o meu noivo, aquele que eu desposaria. Aquele que se tornaria meu futuro marido.

Entrei na igreja com meu vestido de noiva, véu e grinalda. E eu segurava o meu buquê de flores.

Nervosa eu estava. Tomada pelo medo de não desapontar nenhuma daquelas pessoas. Insegura de tudo.

Caminhei até meu noivo com a barra do meu vestido se arrastando pelo chão.

Me aproximei dele no altar.

Comecei a me lembrar, do tempo que eu era criança e estava em um acampamento com meus pais enquanto o padre lia algumas páginas da Bíblia.

Lembrei daquele garotinho com quem eu tentara fugir do acampamento e passara os momentos mais felizes da minha vida.

Fui tomada por uma forte melancolia ao lembrar de quando nós fomos separados pelos nossos pais, tão injusto...

Depois daquele dia, aquele garotinho havia desaparecido de minha vida, e de minhas lembranças.

No entanto, seu nome ficara gravado em minha mente. Lucas.

Todas as noites eu suspirava esse nome durante o meu sono. Eu não conseguia deixar de pensar naquele garotinho que parecia só aparecer em meus sonhos. Eu queria encontrá-lo e me casar com ele um dia.

Eu queria que o destino nos unisse de novo. Desta vez, para sempre.

Minha vida seguiu, apesar de eu não me desapegar daquela lembrança.

Uma cicatriz profunda estava cravada em meu peito.

Em meu trabalho como atendente de telemarketing, eu pensava naquele garoto que eu visitava em meus sonhos.

Algum tempo depois eu comecei a namorar com um colega do meu trabalho, até o dia em que ele resolveu me pedir em casamento com uma aliança muito bonita que ele havia comprado para mim. Eu fiquei um pouco nervosa no começo. Eu não sabia o que dizer.

Então ele me fez a pergunta: "Você quer se casar comigo?" e eu sem pestanejar, aceitei.

Depois começaram os planos para o casamento...

E quando esse dia chegou, eu comprei um vestido de noiva, e eu e o meu noivo acertamos todos os pormenores da festa do meu casamento. Fizemos os convites para os convidados que estavam na lista do casamento, e eu confesso que eu queria convidar aquele garoto dos meus sonhos, mas eu não tinha mais nada dele, a não ser as memórias em meus sonhos.

Voltei daquele devaneio meu.

O padre havia terminado de ler o trecho da Bíblia, e me perguntou se eu aceitava o meu então noivo como meu futuro marido para amá-lo na doença e na saúde, e blá,blá,blá...

"Eu aceito" eu disse olhando para ele.

Meu noivo me olhou e então foi a vez dele jurar.

"Eu aceito" ele disse olhando para mim.

"Então você pode beijar a noiva" o padre disse a ele.

Ele me beijou, mas eu senti que aquilo estava errado. Contestei.

"Não! Eu não o amo!" eu exclamei.

Atirei o meu buquê no chão.

Todos se apavoraram diante da minha contestação.

"Amor, o que está acontecendo?" meu noivo inquiriu.

"Eu não o amo!" minha negação.

"Como assim?" ele insistiu.

"Não é você que eu amo! Eu estou apaixonada por outra pessoa" revelei.

"E quem é essa pessoa, Maria?" ele quis saber.

"Tudo o que eu sei é o nome dele, Lucas" eu contei para ele.

"Lucas? Quem é esse tal de Lucas?" meu noivo contestou.

"Eu não sei. Só sei que eu vou atrás dele. Eu vou encontrá-lo, custe o que custar"

O padre então resolveu fazer uma pausa antes de cancelar o casamento devido ao meu escândalo.

"Eu não me importo mais com esse casamento, com nada, só aquele com o nome de Lucas"

Minha mãe se levantou e revelou a minha lenda para todos antes de dizer que eu devia esquecer aquele garoto que eu dizia amar, pois ele agora era passado, e que meu noivo estava ali no altar esperando para me transformar em sua mulher.

Corri aos prantos da igreja, peguei o carro do casamento e o dirigi com as lágrimas rolando do meu rosto até o meu apartamento.

Lá eu despi de minha roupa e me joguei na cama. Eu estava nua.

Sentia que eu não merecia aquele roupa.

Murmurei e depois de um tempo tentei dormi.

Algum tempo depois fui encontrada pela minha mãe e o meu pai em meu apartamento.

Eles ficaram devastados ao me ver naquele estado.

Minha mãe pediu ao meu pai para deixá-la à sós comigo.

Conversamos sobre aquilo. Ela havia achado que eu estava bancando a rebelde sem causa. Que aquilo era só...frescura minha.

Eu falei para ela o quanto eu estava decidida a encontrar aquele garoto chamado Lucas.

Depois de horas relutando. Muito bate boca que parecia não ter mais fim, minha mãe resolveu deixar eu seguir o meu coração.

Eu tomei um banho, pus uma roupa limpa e levei minha carteira que estava sobre o criado — mudo perto da minha cama para o caso de eu precisar pagar um táxi.

A primeira coisa que me veio foi a imagem de nós dois quando éramos apenas crianças,logo, pensei em tentar procurá-lo em um parque, o lugar mais comum de se encontrar crianças.

Embora o Lucas talvez não se lembrasse mais de mim, ou mesmo pudesse não ser o mesmo que eu conhecia, eu estava confiante e não iria desistir tão facilmente.

Olhei ao meu redor. Vi mães e pais brincando com seus filhos. Eu estava só em um banco do parque.

Fiquei algum tempo ali e quando me vi frustrada por não encontrar aquele que eu procurava, resolvi ir embora dali.

Andando por uma área do parque, eu acabei esbarrando em um homem com um sorvete na mão, e cai no chão, junto com minha carteira e o sorvete dele. Minha bunda doía pois eu a tinha batido no chão durante minha queda.

O homem pegou a minha carteira e a colocou no bolso da calça dele e depois me ofereceu a mão para me puxar.

Eu apertei a mão dele e ele me puxou.

Eu olhei para ele e o agradeci.

"Muito obrigada"

"De nada. Espera um minuto!" ele disse fazendo uma pausa.

Ele então retirou a minha carteira do bolso da calça dele e foi me entregar, mas de repente ele ficou curioso e abriu a minha carteira.

"Por favor, você pode me devolver a carteira?" eu pedi.

"Só um minuto..." ele disse vasculhando a minha carteira.

Dentro da minha carteira ele encontrou o meu RG, e então se surpreendeu ao ver a minha foto e o meu nome escrito nele.

"Maria?" ele inquiriu."Esse nome me soa familiar..."

Foi então que ele achou em um dos bolsos da minha carteira a foto de um garotinho.

Eu havia encontrado aquela foto junto com um poema em um envelope que depois de algum tempo a minha mãe encontrara na caixa do correio e dissera que havia pensado em jogar fora, mas a havia guardado com ela para que eu não procurasse por aquele garoto do acampamento.

Como aquela carta chegou até mim é uma coisa que eu quis saber depois de que eu a peguei com a minha mãe.

Então o homem olhou para mim e ficou curioso com aquela foto.

"Quem é esse garoto?" ele me interrogou.

"O meu primeiro amor, um garoto chamado Lucas" eu esclareci.

Ele guardou a foto na carteira e me devolveu.

"Muito prazer, Maria. O meu nome é Lucas" ele revelou.

Então eu surtei ao ouvir aquela confissão e depois olhar para aquele homem que parecia ter uns 30-40 anos, cabelos pretos e olhos castanhos, vestindo uma jaqueta jeans preta, uma camiseta branca, uma calça jeans, e tênis branco. O corpo dele parecia bem formado.

"Espera, quê? Você é o Lucas?" eu exclamei.

"Sim, Maria" ele me disse com um sorriso carismático no rosto.

Eu guardei a minha carteira no bolso e olhei para o sorvete dele caído no chão.

"Desculpa, eu derrubei o seu sorvete" eu me desculpei.

"Está tudo bem. Eu posso comprar outro depois" ele replicou.

"Tá. Mas, como você sabe o meu nome?" eu quis saber.

"Eu olhei no seu RG." Lucas devolveu.

"Verdade. Que cabeça a minha" eu fiquei boba "Depois de todo esse tempo..."

"Pois é. Quem diria, não é mesmo?" Lucas retrucou.

"Eu estive procurando por você. Eu até deixei o meu noivo no altar" eu confessei.

"Por que você fez isso, Maria?" Lucas estranhou.

"Porque eu simplesmente não amava de verdade o meu noivo. Eu amava...amo você, Lucas" eu disse a ele.

"E você? É casado?" eu fiquei curiosa para ouvir a resposta dele.

"Não, sou divorciado. Eu já estive em alguns relacionamentos, mas nenhum deu certo. Acho que não era meu destino ficar em nenhum deles." Lucas comentou.

Após ouvir aquilo eu sorri para ele, e depois olhei para a minha aliança no dedo e a tirei. Eu a atirei numa lata de lixo.

"Mesmo depois de todo esse tempo, eu ainda quero ficar com você Lucas. Nós podemos casar quando você quiser. Escolha um dia, qualquer dia, e eu aceitarei me casar com você" eu retruquei.

"Bem, eu te amei muito, e ainda a amo. E depois daquele dia, eu desejei muito que o destino nos unisse um dia" Lucas contou.

"Eu também. Eu acho que você é a única pessoa com quem eu quero ficar" eu declarei.

"Eu também" Lucas atestou.

Então nós nos abraçamos e depois nos separamos.

"Eu estou muito feliz de ter te encontrado depois de todo esse tempo que estivemos separados" eu confessei.

"Eu digo o mesmo" Lucas replicou.

Depois disso, nós fomos para um banco do parque e nos sentamos para conversar. Nós nos beijamos, e...aquele foi o dia mais memorável da minha vida.

Eu sinceramente não esperava que depois de tanto tempo eu fosse encontrá-lo. E desde então nós acabamos nos casando e estamos juntos até hoje.

Maria

Notas finais
Espero que tenham gostado^^

Até mais!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!