Notas iniciais
E lá vem...rsrs

O grupo curtiu a sobremesa. Uma torta de morangos com chocolate, escolhida por Dulce Maria. O clima era de descontração e muitas risadas. Quando terminaram, Gustavo logo pediu um café e a conta. Sabia que o local era abastecido com os grãos selecionados da Rey Café. Esperavam o carro na saída do restaurante, quando dois rapazes de aproximaram. Um deles, conhecido pelos presentes.

— Cecilia, que coincidência boa! Não sabia que também estavam aqui...- André, o pediatra de Dulce, abriu um sorriso de orelha a orelha ao ver a moça. Aproximou-se encantado, com o amigo ao lado.

— Ah você é a famosa Cecilia! — exclamou o colega do médico.

— Famosa? — indagou a jovem.

— O André fala o tempo todo de você...- explicou o homem.

— Esse é o Leandro, ele trabalha comigo no hospital...- explicou o médico.

Dulce brincava com sua boneca, alheia à cena. Diferente do pai, que observava tudo com atenção.

— Então...como anda a vida fora do colégio? Acostumando-se? — continuou André.

— Aos poucos sim...tudo é novidade sabe...- explicou Cecilia.

— Uma coisa eu devo dizer...cada dia que passa você está mais linda...- afirmou o pediatra.

— Aham...- pigarreou Gustavo, fazendo-se presente.

O empresário se sentiu desconfortável ao ver como o médico olhava para Cecilia. Um sentimento de posse incontrolável lhe tomou conta, e ele se aproximou involuntariamente da moça. Que liberdade era aquela que André achava que tinha para flertar a ex-noviça tão descaradamente? Respeitava o médico de sua filha, mas não estava gostando nada daquele enredo.

— Ah oi Gustavo! Como vai? Desculpe, acabei me distraindo...Como vai Estefânia? — disse, olhando para tia Perucas.

— Bem André! E você? — a estilista se animou ao captar o olhar do médico em Cecilia. Aquilo seria mais divertido do que imaginara.

— Bem melhor agora...- respondeu André, sem tirar os olhos da ex-noviça — Na última vez que nos encontramos, você disse que estava procurando um emprego...já arrumou alguma coisa?

— Ainda não...é bem difícil sabe...Alguns lugares tem um certo preconceito pelo meu passado recente então ...- começou a explicar Cecilia.

— Eu posso te ajudar com isso! — disse Leandro, o amigo de André — Minha irmã e meu cunhado são donos de uma escola aqui no centro, É bem grande e estão sempre contratando, posso te apresentar a eles se quiser...- sugeriu.

— Pronto! Resolvido! — alegrou-se André, agradecendo mentalmente ao amigo.

— Poxa obrigada mesmo! Agradeço pela ajuda...

— Não! — exclamou Gustavo, pegando todos de surpresa pelo alto tom de voz.

— Não o que primo? — perguntou Estefânia, percebendo um certo descontrole no empresário.

— Eu...eu...eu estava pensando, não sei, em empregar a Cecilia lá na empresa...- explicou Gustavo. Colocando uma das mãos no ombro da moça, como se tivessem alguma intimidade — O que acha Cecilia?

— Eu? Trabalhar com você? Não sei...não tenho experiência com essas coisas...- estranhou, ingênua à disputa silenciosa que se desenrolava entre os homens.

— Acho que será mais fácil para Cecilia se adaptar, trabalhando em uma área que ela tem experiência...- afirmou André. Era impressão, ou poderia considerar o pai de Dulce Maria um rival?

— O André tem razão...- provocou Estefânia.

— O carro já chegou...- interrompeu Gustavo, sisudo — Vamos?

— Obrigada Gustavo...mas eu vou chamar um táxi, não quero incomodar, acho que já abusei demais de vocês...- explicou Cecilia.

— Eu posso te dar uma carona! — ofereceu o médico.

— De jeito nenhum! A Cecilia veio conosco e volta conosco! — reclamou o rei do café.

— Eu levo a Cecilia...- interrompeu Estefânia — Eu acho que vou para casa do Vitor — mentiu — E é caminho...Você leva a Dulce para casa primo, ela tem dever da escola para fazer e tenho certeza que toda essa agitação vai deixa-la com um soninho daqueles!

— Tudo bem...- rendeu-se o empresário.

— Bom, eu vou indo então, tenho plantão mais tarde...Foi bom te ver Cecilia...- disse André — Posso te ligar para marcarmos aquele jantar? — pediu.

— Hum...tudo bem...será divertido...- concordou Cecilia, fazendo Gustavo arregalar os olhos, meio indignado.

— Ótimo! — empolgou-se o médico — Tenho folga na próxima segunda...mas eu te ligo ainda hoje para marcar...Até breve Cecilia...conte comigo para o que precisar...- concluiu, dando um beijo no rosto da ex-noviça.

— Foi um prazer...- disse Leandro, saindo com o amigo.

— Bom eu já vou indo com a Dulce...- anunciou Gustavo.

— Tchau Ceci...- disse a menina, abraçando a protetora — Não esquece de me visitar no colégio...e visitar a irmãzinha Fabiana também...e a Madre...e a Adriana...o Pascoalzinho...e todo mundo! — pediu Dulce.

— Pode deixar minha pequena...eu te amo muito viu...- concordou a jovem rindo, enchendo o rosto da garotinha de beijos — Não se esqueça de obedecer e estudar direitinho...

— Prometo que juro! — sorriu Dulce, entrando no carro.

— Cecilia...- aproximou-se Gustavo, segurando as mãos dela, fazendo-a enrubescer com a proximidade do corpo alto e grande. A ex-noviça olhou para cima, encarando-o com os olhos azuis — Obrigada pela companhia...- sorriu o empresário, levando uma das mãos ao rosto de Cecilia que estremeceu ao sentir o toque dele, que segurou uma das madeixas soltas de seu cabelo, colocando-a atrás de sua orelha. Um arrepio percorreu o corpo da jovem, que não se preparou para o beijo quente que o empresário depositou em seu rosto logo na sequência — Até mais...- completou Gustavo, meio embriagado pelo cheiro dela. Entrou no carro, balançando a cabeça, confuso, e saiu.

— A-até...- respondeu a moça, num sussurro. Seguiu Estefânia, que sorria.

Aquela fora uma tarde interessante para tia Perucas.