Para nós, todo o amor do mundo...
34 Recomeço
Notas iniciais
— O-onde...o que está a-acontecendo? — perguntou Cecilia, confusa.
— Calma...- pediu Gustavo carinhoso — Você sofreu um acidente...está no hospital, mas vai ficar bem, estamos aqui com você...
— Cadê a Dulce?! — perguntou aflita, recordando-se do último momento acordada — E-ela está bem?! Está machucada?
— Eu estou aqui Ceci! Nadinha machucada! Só um arranhãozinho beeem pequenininho! — sorriu a menina, aproximando-se da cama.
— E-eu pensei que...- começou a ex-noviça, enchendo os olhos de lágrimas.
— Está tudo bem agora...- confortou o empresário, apertando-lhe a mão — Todos estamos bem...a nossa filha está bem...- declarou, enfatizou o "nossa" fazendo Cecilia sorrir e se emocionar — Graças a você...obrigado por protege-la com a sua própria vida...
— O papi disse que vocês vão se casar e você vai ficar para sempre com a gente! — exclamou a menina, feliz.
— Ei calma Dulce! N-não foi bem assim...- riu Gustavo, sem graça, arrancando um risada leve de Cecilia — Eu...eu vou chamar o médico e avisar que você já acordou...eu já volto, tudo bem?
— Pode ir que eu cuido dela papi!
Quando o médico entrou para examinar Cecilia, pediu que o empresário e a menina se retirasse. Gustavo voltou para sala de espera, feliz por trazer uma boa notícia.
— Ela acordou! — informou, sorrindo.
— Graças a Deus! — Fátima exclamou, olhando para cima e unindo as mãos.
— Ela está fora de perigo? — perguntou Estefânia, no sofá, com a sobrinha no colo.
— Ainda não sei...o médico a está examinando...mas ela me pareceu melhor, até trocamos algumas palavras! — explicou Gustavo.
— Primo, por que então não aproveita esse tempinho e vai até em casa, tomar um banho e descansar um pouco? — sugeriu a estilista.
— Quero ficar aqui...quero ficar o tempo todo ao lado da Cecilia...
— Eu sei Gustavo, mas não pode ficar aqui assim...olha sua camisa como está manchada...- apontou Estefânia para as mangas sujas de sangue — Fico aqui e vou te mandando notícias...provavelmente a Cecilia deve ir para outro quarto agora...Você precisa estar bem para ficar com ela...Além disso a Dulce quase não pregou os olhos essa noite...é melhor que ela vá e descanse também...
— Ok...mas você me liga se acontecer QUALQUER coisa...Vamos filha, vamos para casa que sua cara de soninho não engana ninguém...
— Por que papai? Quero ficar pertinho da Ceci...- disse a pequena, manhosa.
— Eu sei minha princesa, mas você precisa descansar...depois pode voltar e ficar com ela...- afirmou o empresário.
Gustavo seguiu os conselhos da prima e passou a tarde na cobertura. Tomou uma ducha e foi se deitar. Teve uma sonho estranho do qual Tereza saia de uma casa de bonecas para encontra-lo. Já sonhara com a falecida esposa antes, mas nunca naquele cenário. Era um bosque verdejante, cheio de árvores e pássaros. Tereza sorria e ao se aproximar dizia que estava feliz porque ele finalmente enxergara o caminho que lhe traria felicidade e também à Dulce Maria.
Ao acordar, percebeu olhando pela janela que o dia já escurecera. Verificou o relógio, dezenove horas. Levantou-se rapidamente, vestiu uma roupa confortável e desceu as escadas correndo.
— Senhor Lários, vai jantar? — perguntou Silvestre.
— Não Silvestre, desculpe. Estou indo para o hospital! — informou, apressado — A Estefânia ligou?
— Sim senhor...disse que o médico examinou a senhorita Cecilia e que ela foi transferida para o quarto...
— Que notícia boa! Estou indo para lá, não me espere para jantar, pois passarei a noite no hospital. Quando a Dulce acordar, diga que amanhã cedo eu a levo para ver a Cecilia...
— Sem problemas senhor...Se precisar de algo não hesite em nos chamar...- declarou o mordomo, sempre prestativo.
Ao chegar no hospital, Gustavo encontrou somente a prima na sala de espera. Ela lia uma revista, concentrada e não o viu.
— Ei! O que faz sozinha aqui? — perguntou.
— Ai Gustavo que susto! — exclamou Estefânia com a mão no peito.
— Desculpe...
— Respondendo sua pergunta, o Vitor foi para casa descansar, não sem antes me ajudar a convencer a Fátima a fazer o mesmo. Eu disse para ela que você ficaria essa noite com a Cecilia no hospital...
— E todas as que forem necessárias...eu não sairei do lado dela...- afirmou o empresário.
— Me comove te ouvir falar assim...- sorriu a estilista — Vocês chegaram a conversar?
— Sim...antes de tudo acontecer eu disse que estou apaixonado por ela e que ela é a primeira mulher por quem sinto um amor tão verdadeiro depois de tanto tempo...
— Ai primo! — exclamou tia Perucas, emocionada — E o que ela disse? — perguntou curiosa.
— Disse que também me ama...que sempre me amou...
— Viu! Eu te falei! Vocês nunca me enganaram! — riu Estefânia — E agora o que farão?
— Eu não sei...depois de tudo o que aconteceu, nem sei se ela se lembra da nossa conversa...- lamentou o rei do café.
— Gustavo deixa de ser bobo...claro que ela deve se lembrar! Vocês finalmente vão ficar juntos?
— Se depender de mim, sim...- sorriu o empresário, radiante.
— Você sabe que esse amor tem meu total apoio! — afirmou a mulher, se levantando e abraçando o primo.
— Pode me fazer um favor? — pediu Gustavo — Fica com a Dulce essa noite de novo? Pode leva-la para sua casa se quiser...Não queria que ela viesse para cá agora...
— Claro...eu durmo na cobertura com ela...A Cecilia já foi para o quarto, é o 312. Me liga se precisar, ok? — pediu, beijando o primo no rosto.
— Ok...
Ao entrar no quarto, Gustavo encontrou uma enfermeira ajustando o soro ligado à Cecilia. Pediu licença em silêncio, aproximando-se da cama e extendendo a mão para acariciar o rosto da ex-noviça. Sentiu a pele dela quente e levemente suada.
— Ela está quente...está com febre? — perguntou preocupado.
— Um pouco, mas é normal...uma reação aos medicamentos que estamos lhe dando...- respondeu a enfermeira.
— Eu vou passar essa noite com ela...- disse o empresário. A mulher apenas acenou com a cabeça e se retirou.
Gustavo puxou uma poltrona no canto do quarto, colocando-a ao lado da cama. Sentou-se, segurando uma das mãos de Cecilia, que abriu os olhos no mesmo instante...
— Oi...- disse Gustavo, sorrindo — Como se sente?
— Bem...- respondeu a jovem, os olhos brilhando com carinho ao ver o homem que amava ao seu lado — Minha cabeça dói um pouco...
— Descanse...eu ficarei aqui com você o tempo todo...
— N-não precisa...
— Precisa sim...- afirmou o empresário.
— E a minha menina?
— Está bem...Está em casa com a Estefânia...- respondeu Gustavo — Não se preocupe...
— Ta...- suspirou Cecilia, apertando a mão forte.
— Fiquei com muito medo de te perder...- revelou o empresário — Eu não sei o que faria se não pudesse mais ver esses olhos lindos todos os dias...graças a Deus você está bem...eu prometo que nunca mais deixarei nada de ruim acontecer a você e nem a Dulce...nunca... nem que para isso eu tenha que sacrificar minha própria vida...- declarou.
— Eu te amo...- disse Cecilia, sorrindo.
— Eu também amo você...- respondeu o rei do café, o coração disparando no peito — Agora descanse...Você precisa sair logo desse lugar...- riu.
...
Duas semanas se passaram. Gustavo não deixara o hospital por um só momento, a não ser para tomar banho e comer. O amigo Cristovão levara todos os dias os documentos que precisavam de sua assinatura na Rey Café. Agradecia pela recuperação rápida que Cecilia tivera. Ela receberia alta naquela tarde de sexta-feira. O empresário foi para cobertura mais cedo, tomou um banho e passou em uma floricultura onde comprou um buque de tulipas amarelas e vermelhas. Estefânia buscaria Dulce no colégio e eles se encontrariam no hospital.
Quando chegou, Fátima ajudava Cecilia, que terminava de arrumar suas coisas. A ex-noviça parecia totalmente recuperada, usava uma saia florida até os joelhos e um suéter azul. Gustavo sorriu, não se cansava de suspirar com a beleza clássica e radiante da jovem. As irmãs riam de algo e não perceberam sua chegada...
— Qual a piada? Quero rir também...- comentou, assustando-as.
— Acho melhor guardarmos segredo à respeito disso...- riu Fátima.
— Aaaah! Agora que quero mesmo saber! — exclamou — Você está bem? — perguntou, aproximando-se de Cecilia, acariciou-lhe o braço com carinho. A jovem afirmou com a cabeça, sorrindo. O silêncio tomou conta dos dois, que olhavam um para o outro apaixonados.
— Aham...- pigarreou Fátima — Acho que estou sobrando aqui...- brincou- Vou colocar as coisas no carro irmãzinha...- disse piscando para mais nova e saindo.
— Trouxe isso para você...- começou o empresário, entregando as flores.
— São lindas! — sorriu Cecilia. Era a segunda vez que ele lhe dava flores. Emocionou-se com a lembrança distante de seu último aniversário. Virou-se e colocou o vasinho delicadamente em cima da cama.
— Você é linda...- declarou quando ela retornou a posição anterior. Aproximou-se mais, fazendo-a-a enrubescer — O que foi? — perguntou, divertido, ao perceber a timidez dela.
— N-nada...é só que...que você está muito perto e...- começou Cecilia, sem graça.
— Você quer que eu me afaste? — sugeriu. Sabia que a ex-noviça era inexperiente e não queria força-la a nada.
— Não! É q-que...eu...- exclamou, segurando a lapela do blazer que ele usava. Gustavo colocou sua mão sobre a dela.
— Vem cá...vem...- o empresário a puxou, envolvendo-a num abraço aconchegante. Ficaram abraçados por alguns minutos, em silêncio — Sabe...tem uma coisa que eu desejo há muito tempo...- disse gentilmente, quase como um sussurro. A mão segurando o queixo dela — Queria que fosse num dia especial, com jantar a luz de velas e música...mas...mas tudo o que aconteceu me fez perceber que todos os dias são valiosos quando estamos com quem amamos...com você...
— Gustavo...
— Shhhhh...não fale nada...eu sei...- sorriu, colocando um dedo sobre os lábios dela.
Cecilia achou que seu coração sairia pela boca. Seu ritmo cardíaco disparou em expectativa. Sabia o que aconteceria, mas não tinha se preparado para aquele momento. Ficou nervosa, as mãos começaram a suar. Sentiu o empresário cada vez mais próximo. Não havia nada entre eles, somente a respiração, quente e entrecortada, um do outro
— Cecilia...- Uma das mãos de Gustavo deslizou pelas costas dela, e a outra pela nuca, acariciando-lhe o lóbulo da orelha no caminho. Cecilia arrepiou-se e seus olhos se fecharam automaticamente.
O empresário inclinou a cabeça e capturou-lhe os lábios. Seria inumano resistir a ela. Era uma mulher tão bonita. Era tão diferente de qualquer outra do mundo. Leve e sexy, seus cabelos escuros eram tão lindos e brilhantes que pareciam flutuar. Os olhos eram fabulosos em seu rosto jovem. Um homem poderia se afogar naqueles olhos. Aquele fora seu primeiro pensamento na primeira vez em que a viu. Quantas vezes havia sonhado secretamente com aquilo? E seus lábios eram tão desejáveis! O que fazia os lábios de Cecilia mais desejáveis do que os das outras mulheres? Ela era doce, suave. Tentou ser extremamente gentil. Mas a ouviu gemer baixinho, retribuindo. Surpreendentemente, ela o estava puxando em sua direção e não havia como resistir àquela boca, àquela mulher. Gustavo a prendeu em seus braços e a beijou com toda a ternura. A ex-noviça se derreteu.O desejo o massacrou. Já tinha beijado muitas mulheres, mas não desta forma. Cecilia era quente e macia, e mesmo tímida, era corajosa e estava entregue em seus braços, como se pertencesse a ele. Os lábios dela eram exigentes, os desejava e o engolia assim como ele a engolia. Foi um beijo longo, profundo, maravilhoso, ardente e forte. Ele se sentiu bem, em casa. Estava completamente apaixonado por ela e aquele momento não poderia ser melhor.
Separaram-se quando faltou fôlego e olharam um para o outro encantados pelas descobertas do primeiro beijo deles. Não estavam só apaixonados, como desejavam um ao outro com fervor. Suas testas se encostaram, e ele roçou o nariz no dela, sorrindo sob seus lábios e a beijando novamente.
Quando entraram no quarto, Estefânia se surpreendeu, unindo as mãos radiante diante daquela cena. Dulce Maria arregalou os olhos, colocando as mãos na boca antes de gritar. Olharam uma para a outra sorridentes. A estilista puxou a sobrinha para foram dando meia volta e deixando o casal aproveitar o momento.
Os dois não perceberam nada, tão entretidos estavam em seu próprio mundo. Aquele momento selava o começo de um novo capítulo na vida da família Lários.
Fale com o autor