Notas iniciais
Oi meninas! Nem consegui postar ontem. Super correria no trabalho. Vou postar um capítulo agora, mas hoje posto mais tarde também :)

No dia seguinte, Cecilia partiu cedo para o colégio Doce Horizonte. Ao chegar, ouviu o som das crianças correndo e brincando no pátio e sorriu. Aquele era o lugar que considerara seu lar por muito tempo e sentia falta da companhia de suas alunas e das colegas de vocação. Aproximou-se devagar, não queria causar nenhum tumulto, mas Fabiana a avistou de longe e gritou seu nome.

— Cecilia! — Fabiana correu até Cecilia, empolgada, chamando a atenção das meninas — É você?! Uou! — exclamou a Irmã — Que saudades! — completou, agarrando a amiga num abraço forte — Você está tão linda! Agora não a nada que a impeça de agarrar o pai bonitão!

— Fabiana! — riu Cecilia. Também sentia falta de Fabiana. Estiveram juntas desde o inicio, e ela era sua melhor amiga — Também senti saudades e...- Não conseguiu completar a frase, pois as alunas a rodearam, felizes em ver a ex-professora.

— Irmãzinha! Você voltou! — exclamou Adriana — abraçando Cecilia pela perna.

— Não é mais irmãzinha sua burra! — respondeu Barbara.

— Ela não é burra! — defendeu Dulce.

— Meninas, meninas não briguem...- pediu Cecilia, abaixando-se — Quero um abraço de todas vocês! — pediu alegre. As meninas abraçaram Cecilia todas ao mesmo tempo.

— Você está bonita irmãzinha...- disse Adriana — De cabelo novo...

— A Ceci voltou para sempre! — afirmou Dulce.

— Cecilia? — chamou uma voz masculina as suas costas. Quando virou-se, Cecilia viu o dono da voz que estava parado, de jaleco branco, fazendo sombra em cima dela. — Dr. André...- disse, levantando-se. O médico sorria, impressionado.

— Você...você está...- gaguejou André.

— Diferente? Eu sei...decidi abandonar a vida religiosa e...

— Linda eu ia dizer...- completou o médico — Não esperava vê-la aqui...Digo...Fico feliz em vê-la aqui! — exclamou contente.

— Obrigada...- respondeu a ex-noviça.

— Veio falar com a Madre, Cecilia? — Fabiana perguntou, interrompendo os galanteios do médico.

— Isso...e ver as meninas claro...

— Fica aqui com a gente irmãzinha...- pediu Lúcia.

— Eu gostaria meu anjo, mas vocês precisam ir para aula agora...- explicou Cecilia — Depois venho vê-las novamente.

— A Cecilia tem razão meninas, o doutor já chegou...então todas para sala! — pediu Fabiana, animada — Nos falamos depois amiga...Vamos Dr.André? Dr. André? — repetiu Fabiana para o médico que ainda observava Cecilia.

— Ah..claro...Só um minuto...- pediu André — Gostaria de trocar uma palavrinha com a Cecilia...- Fabiana piscou para a amiga e saiu com as alunas — Então...é...Como eu dizia...é bom vê-la Cecilia...- sorriu, coçando a cabeça, sem jeito — Eu vim para dar aula de primeiros socorros para as meninas...

— Eu sei, a Dulce me contou...- disse Cecilia, sorrindo — É muito generoso de sua parte largar suas tarefas no hospital para vir até aqui...

— Que isso! É um prazer ensinar, ainda que o básico, para as meninas...Mesmo com o dia a dia no hospital, eu procuro sempre tirar um tempinho dos plantões para realizar alguma ação voluntária...- contou André.

— Viu! Muito generoso! Médicos sempre são tão ocupados...

— Eu sei...mas eu também arrumo tempo para outras coisas...- continuou o médico.

— Que outras coisas? — perguntou Cecilia, ingênua.

— Por exemplo...te levar para jantar...- completou, dando um passo à frente — Você aceita?

— J-jantar? Com você? — perguntou a ex-noviça, enrubescendo — Não sei...eu...

— Vamos lá Cecilia...será legal!

— É que...é que eu acabei de voltar e me instalei agora na casa da minha irmã, e eu estou me habituando ainda a essa nova vida e...- começou a tagarelar, confusa.

— Tudo bem...- disse André, encantado com o jeito da moça — Façamos o seguinte...eu te dou o meu número e você me dá o seu, e quando estiver mais integrada na casa da sua irmã marcamos, o que acha? — sugeriu, sem querer forçar a barra. Sabia que Cecilia estava iniciando um novo ciclo.

— Tudo bem...mas eu não tenho telefone, só o da minha irmã...quer anotar esse mesmo? — perguntou.

— Claro! — André anotou o número em seu celular e em seguida abriu a maleta, tirando papel e caneta para anotar o seu para Cecilia — Prontinho...bom...agora eu tenho que ir para aula...Foi um prazer imenso te ver Cecilia...Tchau...- completou, dando um beijo espontâneo no rosto da jovem e saindo.

Cecilia colocou a mão no rosto, onde André havia beijado e ficou observando o médico se afastar. Aquela era uma sensação nova para ela. Nunca fora beijada por um homem antes, nem no rosto. Ficou desconcertada, mas sorriu, virando-se e caminhando para sala da Madre.