Para nós, todo o amor do mundo...
16 O Plano
Notas iniciais
Quando Vitor chegou em casa naquela noite, teve uma surpresa. Estefânia o esperava na sala, sorridente, enquanto assistia televisão. O chef largou sua mochila no chão e correu para perto da amada...
— Uau! Por essa eu não esperava! — exclamou, dando-lhe um beijo — Você não falou nada, não sabia que viria. Teria chegado mais cedo...
— Quis fazer uma surpresa...- comentou a estilista — E distrair a cabeça...
— Algum problema?
— Comigo nenhum...mas meu primo...
— Ih já sei! Ele está de namorada nova? — sugeriu Vitor.
— Como sabe?!
— Primeiro porque sou amigo dele...segundo porque eu vi...
— Viu? Viu o que?! — perguntou Estefânia, curiosa.
— Meu amor, você sabe que não gosto de fofocas...
— Ah Vitor! Agora fala! O que você viu? Foi hoje lá no foodtruck?
— Isso...não foi muito legal na verdade. O Gustavo chegou lá com a Verônica e até ai tudo bem...eu acho que a coisa está ficando séria...eles se beijaram e tudo...
— É isso? Ué amor...as pessoas se beijam e...
— Se fosse só isso, não teria porque te contar...- continuou Vitor, rindo — Adivinha quem chegou no exato momento e viu os dois?
— Ai meu Deus...a Cecilia? — perguntou. O chef balançou a cabeça positivamente — Tadinha... — lamentou-se tia Perucas — E o que o Gustavo fez?
— Nada...ele não viu, estava beijando a Verônica esqueceu? Vem cá Estefânia...a Cecilia gosta mesmo do Gustavo?
— Claro que gosta! É óbvio, não?
— Ela já te disse isso?
— Não com todas as palavras...mas tem que ser muito cego para não perceber! Por que você acha que ela colocou em cheque sua vocação religiosa? Mas meu primo é tão cabeça dura...- lamentou-se.
— Meu amor...você não pode forçar a barra para que duas pessoas se gostem...- começou Vitor.
— Ai que está! Não estou forçando nada...O Gustavo em algum momento se apaixonou pela Cecilia...Ele se abriu comigo uma vez, dizendo que sentia algo a mais por ela...Só resolveu lutar contra isso!
— Esse algo pode não ser amor...
— Mas é Vitor! Eu conheço meu primo...mas infelizmente não há nada que eu possa fazer para ele ver que agora não há nada que impeça o caminho dele com a Cecilia...
— Talvez possa...- começou Vitor.
— Possa o que? — estranhou Estefânia.
— Olha só meu amor...talvez o que impeça o Gustavo de se aproximar da Cecilia, seja o jeito dela, entende?
— Não!
— A Cecilia, apesar de ter largado o hábito, ainda se comporta como se o estivesse usando...Ela é tímida, pouco vaidosa...Não que ela não seja bonita, ela é muito...com todo respeito! Mas, talvez se ela fosse mais digamos...segura de si...o Gustavo passaria a reparar...Eu acho que o que o impede, é algum tipo de...sei lá...medo de machucar alguém que ele não deveria...ou uma imagem muito forte que ele ainda mantém sobre ela, e talvez por esteriótipos entende que seus sentimentos são errados diante da sociedade...sei lá! Imagine o tanto de coisas que não se passa pela cabeça do cara...
— Entendi aonde quer chegar...e acho que tive uma idéia também! Meu amor você é um gênio! — concluiu Estefânia.
...
Na manhã seguinte, Estefânia chegou no apartamento, quando Gustavo terminava de tomar o café da manhã. Apesar do que Vitor contara, o primo não parecia tão sorridente, como se esperava se um homem que tirará a noite para se divertir. Parecia abatido, e não percebera sua chegada...
— Bom dia! — cumprimentou, propositalmente alegre.
— Ah...oi prima...nem sabia que tinha passado a noite fora...Toma café comigo? — perguntou o empresário.
— Já tomei, mas aceito um golinho...- respondeu a estilista, sentando-se — E ai? Divertiu-se ontem a noite?
— Sim...- respondeu Gustavo, monossilábico.
— Hum...- simplificou Estefânia, tomando seu café — Já tem planos para Dulce Maria esse fim de semana?
— Não...não pensei em nada...ainda é segunda...por que?
— Posso sair com ela no sábado? Um dia de mulheres femininas...- brincou — Comigo e com a Cecilia...
— A Cecilia? — estranhou O empresário.
— Sim ué...ela também é uma mulher feminina...- afirmou a estilista.
— Tudo bem...Ahn...Estefânia?
— Sim?
— Nada...nada, esquece...- desistiu Gustavo.
Aquela semana passou voando para todos. O sábado amanheceu ensolarado, com um céu livre de nuvens. Dulce acordou cedo e tomou o café da manhã correndo, pois estava ansiosa para sair com sua tia Perucas. A menina adorava os momentos reservados apenas para as duas. Ficava feliz em passar o maior tempo do mundo com seu pai, mas era diferente.
— Pronta bonequinha? — perguntou Estefânia, quando viu a menina descer as escadas.
— Que peruca bonita titia...- observou Dulce. Estefânia um conjunto todo cor de rosa.
— Obrigada Dulce. E ai? Vamos?
— Sim pirilim! E a Ceci?
— Eu já liguei para ela. Deve estar chegando aqui. Mas meu amorzinho...é surpresa, a Cecilia não sabe onde vamos...
— Ta bom titia...Prometo que juro não falar nadinha!- concordou Dulce, cúmplice.
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