Notas iniciais
Estão gostando?

Quase um mês se passou, era meados de Abril e as alunas se reuniam no quarto, arrumando as mochilas para o feriado com suas famílias. Dulce estava sentada na cama, em silêncio, aguardando irmã Bene autorizar a saída para o pátio. Adriana se aproximou, sorridente, tentando animar a amiguinha...

— Dulce! Vai ter festa de Páscoa na sua casa? — perguntou. Dulce balançou a cabeça negativamente.

— Claro que não! Páscoa tem almoço em família e a Dulce não tem família direito! — interrompeu Barbara, provocando ao lado de Frida.

— Vai embora! Deixa a Dulce em paz! — defendeu Adriana.

— A pirralha não se conforma que não é mais a queridinha das freiras! — riu Frida.

Dulce foi a primeira a sair quando as freiras autorizaram. Tia Perucas esperava a menina.

— Bonequinha! — sorriu a estilista, abrindo os braços para abraçar a sobrinha — Ué...não está feliz em me ver?

— To sim titia...- respondeu baixinho.

Estefânia sabia que a menina sofria com a ausência de Cecilia. Não tiveram notícias desde que a noviça resolvera deixar o colégio. Conversava esporadicamente com Fátima, mas não ousava se aprofundar no assunto. A única coisa que sabia é que a noviça saíra alguns dias da cidade.

— Adivinhe?! O tio Victor vai dar um festa de Páscoa bem legal para toda nossa família e nossos amigos lá na casa dele! E sabe o que ele me falou? Que o Coelhinho deixou alguns ovos de chocolate para uma menina muito linda!

Dulce não trocou muitas palavras até chegarem ao condomínio e foi direto para seu quarto. Gustavo chegou poucos minutos depois, tirando a gravata e largando a pasta no sofá.

— Oi prima! — cumprimentou.

— Oi Gustavo...como foi o dia?

— Bem...sabe que a nova secretária, Verônica está indo muito bem?! — contou sorridente — Ela é muito eficiente! Até tomamos um drinque depois do expediente...

— Drinque? — surpreendeu-se Estefânia.

— É...o que tem de mal? Ela é uma mulher bonita, agradável e parece ser boa pessoa...- justificou-se o empresário.

— Pelo menos alguém está de bom humor nessa casa...

— O que aconteceu? A Dulce já chegou?

— Sim, não comeu o lanche que a Franciele preparou e foi direto para o quarto...

— Estou tão preocupado com ela...acha que faz sentido a levarmos num psicólogo?

— Gustavo! Sabemos exatamente o que está acontecendo e qual o remédio para isso...

— É eu sei! Mas uma hora a Dulce terá que superar...a Cecilia é livre para fazer o que quiser da vida...- declarou Gustavo, fechando o semblante.

— Não seria, se você quisesse...- cutucou a prima.

— De novo essa história?! Eu vou subir para ver a Dulce...- desconversou Gustavo, saindo.

Dulce estava na cama, tentando ler uma revista em quadrinhos.

— Oi minha princesinha! — Gustavo aproximou-se, abraçando e beijando a menina.

— Oi papi...

— Filha...por que você não escolhe um vestido bem bonito e saímos para tomar um sorvete? — sugeriu.

— Não quero...

— Então o que você quer? Pode falar que o papai faz...- tentou despertar o interesse da filha,

— Quero que você traga a irmãzinha Cecilia de volta...

Enquanto isso na sala, Estefânia cuidava de algumas flores quando seu celular tocou.

— Alo? Ah! Oi Fátima! Tudo bem? Claro! Podemos nos encontrar sim. Estou indo para o foodtruck do meu namorado, acho que você ainda não o conheceu. Quer anotar o endereço? Legal, nos vemos daqui uma meia hora...tchau.

Após alguns minutos Gustavo voltou para sala, enquanto Estefânia procurava as chaves do carro.

— Então? — perguntou referindo-se a sobrinha.

— Na mesma...Não sei mais o que faço...

— Talvez não precise fazer mais nada...

— Por que está dizendo isso?

— Sabe quem vou encontar? A Fátima, irmã da Cecilia! Ela me ligou, dizendo que queria falar comigo e me entregar algo que a Cecilia enviou para Dulce! — revelou animada.

— É sério?! Poxa, talvez ela diga que a Cecilia está de volta a cidade e vem ver a Dulce. Eu ficaria tão feliz em vê-la! — entregou.

— Ah é? — provocou a prima.

— Pela Dulce, é claro!

— Entendi...bom, vou nessa! Beijinhos!