Notas iniciais
Oi meninas! Demorei mas cá estou! Muitas emoções nesse capítulo! ;)

Aquela semana passara rápido demais na opinião de Gustavo. Com todos os compromissos da Rey Café, ainda não tivera a chance de se encontrar com Cecilia e dizer tudo aquilo que estava entalado em seu coração. Queria estar a sós com ela num lugar onde pudessem ter privacidade para conversarem. Era fim de tarde de sexta-feira e ainda não tinha saído do escritório. Encontraria Estefânia mais tarde com Dulce Maria, no LePF para jantarem. Terminava de enviar um e-mail quando Cristovão entrou em sua sala.

— Ainda aqui Gustavo? – perguntou o advogado.

— Acabei me distraindo durante essa tarde e agora estou finalizando tudo na correria para encontrar minha filhota... – explicou o empresário.

— Essa distração por acaso é uma mulher?

— É sim...mas não é a Veronica! – explicou.

— Quem disse que eu estava pensando na Veronica. Acho que até ela já percebeu que uma relação entre vocês não chegaria a lugar nenhum...

— Eu sei...Ainda sim quero explicar tudo, para não ficar nenhum clima esquisito entre a gente...ela é uma ótima profissional e...

— A Cecilia não ficaria com ciúmes?

— Claro que não...a Cecilia tem um coração enorme, ela não vai querer que a Veronica seja demitida simplesmente porque...espera...você acha que ela ficaria chateada ? — preocupou-se.

— Ah então as fofocas que ouvi são verdadeiras! – riu o amigo – Se já está todo preocupado com o ciúme dela é porque finalmente assumiu que sente alguma coisa pela ex-noviça!

— Apesar de não ser obrigado a dar satisfações da minha vida e nem a alimentar conversinhas de corredor, sim...é verdade...e só te digo porque é meu amigo! – sorriu Gustavo – Sim o que eu sinto pela Cecilia é muito forte...

— Que bom que percebeu...fico feliz por vocês! A Dulce deve estar muito feliz...

— Ela ainda não sabe...aliás, nem a Cecilia sabe disso...Não tive a oportunidade de conversar sozinho com ela...acho que o clima entre a gente ainda não é dos melhores...

— Não vá começar mais uma novela mexicana para se declarar...Lembre-se do que eu disse sobre a Estefânia...

— Eu sei...mas e você hein? Quando se acerta com a Silvana?

— Ah Gustavo! Nem vem! Sabe que é impossível acontecer algo entre a gente. Não temos nada em comum...

— Hum...você fala de mim, mas é outro encalhado... – brincou o empresário – Por que não investe na Fátima? Ela é uma pessoa incrível e está solteira...

— Poxa...Não sabia que você me considerava tanto...Já quer até que eu entre para família...- provocou o advogado.

— Ah chega de besteira! Eu tenho que ir, a Estefânia deve estar me esperando...Vá almoçar lá em casa no domingo...- convidou Gustavo, pegando o casaco e saindo.

Ao chegar ao LePF, encontrou o lugar lotado. Apesar do frio, a noite estava agradável e Victor resolvera fazer um festival de sopas. De sua altura observou todo o ambiente, procurando pela peruca colorida da prima. O amarelo chamativo se destacou entre a multidão e a estilista acenou, chamando-o. Estava acompanhada de Rosana e Peixoto, que dividiam a mesa com ela.

— Oi primo! – cumprimentou tia perucas, abraçando-o – Vem sente-se...Acabei de encontrar com a Rosana e o delegado...

— Boa noite...- cumprimentou Gustavo, sentando-se – Nossa está cheio aqui né?

— Essa noite aparentemente está sendo um sucesso...e eu adoro sopa, principalmente com esse friozinho... – disse Peixoto.

— E a Dulce? — perguntou o empresário, sentindo falta da filha.

— Foi brincar com as crianças... – explicou Estefania.

— Estou faminto, vamos pedir? — sugeriu Gustavo, esfregando as mãos.

— Papi! – exclamou Dulce, pulando de repente no colo do pai, que riu.

— Oi minha filha linda! Ué, sua tia disse que estava brincando!

— Sim pirilim, de pega pega, mas quando eu te vi eu vim correndo com a Ceci! – explicou a menina, apontando a jovem que vinha correndo atrás dela, com o rosto meio abafado.

— Oi Cecilia...- disse o empresário, levantando-se rapidamente e se aproximando.

— Boa noite Gustavo...

— Não esperava te ver aqui hoje...- continuou o rei do café, com os olhos vidrados nela.

— Minha irmã me falou do festival e eu quis vir...- explicou a ex-noviça — Mas agora essa pequena aqui me fez correr um bocado! — sorriu.

— Faz bem correr Ceci...o papi corre sempre! — afirmou Dulce.

— Fico feliz que esteja aqui...- afirmou Gustavo. Ambos se olhavam, nervosos, esquecendo de todos que estavam ali presentes.

— Aham...- pigarrerou Estefania, percebendo o clima se formando – Ei Dulce...porque você não vem com a titia ver se o tio Victor precisa de alguma coisa?

— Vai sozinha titia...eu vou brincar com o Emilio e o Zé... – disse a menina, correndo em direção ao local.

— Ah olha lá! – exclamou Rosana – A Diana e o Inácio estão nos chamando para sentarmos com eles!

— Não estou vendo minha rainha... – disse o delegado, tomando um pontapé da motoqueira por baixo da mesa – Ah..sim...vamos! – concordou.

Gustavo e Cecilia ficaram sozinhos. Os olhos azuis se estreitaram quando Cecilia ergue-os para encarar o homem que fazia seu coração bater com força. Gustavo deu um passo à frente, deixando-a ligeiramente nervosa pela proximidade do corpo alto e másculo. Podia sentir o calor que dele emanava, a fragrância da colônia pós-barba que ele sempre usava, perturbando seus sentidos.

— Eu...- começou o empresário – Eu queria muito te ver...

— M-me ver? — indagou, ansiosa.

— É...Quer se sentar? — perguntou Gustavo, puxando uma cadeira, cavalheiro.

— Aqui?

— Você tem razão! Aqui está muito cheio! – apressou-se o empresário, empurrando a cadeira de volta – O que acha de nos afastarmos um pouco dessa multidão? — sugeriu. Gustavo inspirou fundo. Precisava resolver tudo naquele instante. Cristovão tinha razão. Ele não queria mais esperar. Lera em algum lugar que quem esperava as grandes ocasiões para demonstrar sua ternura, não sabia amar. A vida também já lhe demonstrara isso – Venha comigo... — completou, segurando-a pela mão. Caminhou depressa, calado, passando pelo parquinho onde as crianças brincavam e parando quando estava há alguns passos dali, escondidos pela sombra da noite logo atrás – Desculpe...Mais uma vez eu me pego te arrastando para algum lugar...

— Tudo bem...- riu Cecilia – Sobre o que quer conversar? Sobre a Dulce?

— Não...Eu quero falar sobre nós...

— Nós...v-você quer falar sobre nós? — estranhou a ex-noviça, gaguejando.

— Isso...sobre eu e você, e o que sentimos...Acho que já é hora de sermos honestos um com o outro, não acha?

— T-tudo bem...- respondeu Cecilia tremendo. Passou as mãos nos braços numa tentativa de se aquecer.

— Está com frio ? — perguntou Gustavo, tirando o casaco – Aqui...vista isso... – pediu, colocando seu terno em cima dos ombros dela.

— O-obrigada...- respondeu simplesmente – Mas e você?

— Estou bem... – sorriu, desviando os olhos para a boca dela. Ela estava nervosa, pensou. Como seria beijá-la naquele momento, fazendo-a relaxar? Ele sempre dera mais atenção as mulheres extravagantes e espontâneas, que sabiam como rir e amar sem restrições. Mas com Cecilia era diferente. Sentia-se tão tentado em provar-lhe a boca, satisfazer sua curiosidade. Mas não queria assusta-la. Não sabia se a resposta da jovem a sua frente seria sair correndo ou lhe corresponder. Essa incerteza e frio na barriga tornava tudo mais difícil de resistir.

O silêncio novamente recaiu entre eles. A mente de Cecilia trabalhava rápido, numa mistura de sentimentos. Aquilo estava mesmo acontecendo? O que ele queria falar era o que ela sonhava a tanto tempo? Ele era tão alto, confiante, bem sucedido, pensou enquanto o observava. Em que planeta ela lhe despertaria toda aquela atenção? Desejou durante muito tempo, com toda alma, que ele dissesse um dia que a amava, mas Não queria sofrer mais desilusões e alimentar aqueles sonhos.

— Cecilia...- começou Gustavo. Ele se aproximou novamente, estudando-lhe o rosto. Queria tocá-la, mas não sabia como. – O que você sente por mim? Verdadeiramente...

— Eu...o que eu sinto...eu sinto...eu...- Cecilia estava tão nervosa que não conseguia formar frases coerentes.

— Não espere...eu estou fazendo isso errado...Estou aqui todo nervoso te pressionando , quando o correto é que eu dê o primeiro passo. Cecilia eu tenho pensado muito em você...na verdade eu sempre pensei...porque...

— Eu era professora da sua filha e...

— Não espere! Deixe-me falar...por favor...Não tem nada a ver com isso...Eu sempre pensei em você de todas as maneiras, menos como professora da minha filha, mas isso era tão errado...pelo menos eu achava que era. Eu tentei abafar tudo o que eu sentia Cecilia, eu queria te respeitar, respeitar suas escolhas...Você não deve estar entendo nada do que eu estou dizendo...talvez eu devesse ser mais claro...- tagarelou o empresário – Você é a mulher mais linda e doce que eu conheço...sua vulnerabilidade tocou meu coração desde o primeiro momento e eu nunca consegui tirar os olhos de você quando estava por perto...mesmo sendo proibido, isso tudo foi crescendo e crescendo...Pode parecer egoísta da minha parte, mas eu fiquei tão feliz quando resolveu abandonar a vida religiosa porque...porque eu comecei a achar que talvez eu pudesse ter uma chance...uma chance de ter uma família feliz novamente com você e a Dulce Maria, mas eu tive medo...eu sei que te magoei algumas vezes e eu peço perdão por isso...

— Gustavo...- murmurou Cecilia. O coração estava tão descompassado. Precisava de um beliscão! Com certeza era tudo um sonho!

— O que eu quero dizer Cecilia, é que eu sou apaixonado por você...- declarou, emocionado, com um sorriso nos olhos, traçando o rosto dela com o polegar – Eu quero você ao meu lado e ao lado da Dulce, para sempre...mas para isso eu preciso saber se...se você sente o mesmo por mim...

— Eu...- começou Cecilia, sem conseguir falar, fechou os olhos.

— Fale...- pediu Gustavo, gentil.

Cecilia abriu os olhos e o encarou. Uma vez que aquelas palavras fossem ditas, não haveria mais retorno. Pelo menos para ela, seria comprometimento completo. Ele também percebeu, e seus olhos verdes pareciam precisar disso. Por que havia sido tão tola de achar que era a única que tinha medo?

— Gustavo eu...eu amo você... – sussurrou, exalando o ar com o qual o medo imediatamente se foi — Amo muito...Eu não queria...eu lutei tanto...- começou a dizer, os olhos se enchendo de lágrimas — Mas eu pensei que...eu pensava que você jamais sentiria o mesmo por mim...mesmo assim eu continuei te amando, sempre...

Um sorriso iluminado estampou o rosto de Gustavo que se aproximou mais, segurando-a firmemente pelos ombros.

— Era isso que eu precisava ouvir...Eu também te amo...- declarou num sussurro, arrancando-lhe um sorriso tão bonito que o desequilibrou. Sentiu uma lágrima quente dela tocar seus dedos que ainda a acariciavam no rosto. Entreolhavam-se hipnotizados, ansiando por diminuir o pequeno espaço que os separavam.

Gustavo fechou os olhos, aguardando o contato com ela. Um calor dominou seu corpo, prendendo-lhe o ar. Porém, sentiu-a se afastar quando de esguelha viu um vulto passar ao seu lado. Terminou de abrir os olhos e Cecilia já estava há alguns metros de distância. Não podia mais alcança-la.

— DULCE! – a ouviu gritar.

Foi tudo tão rápido que ele não saberia explicar o que aconteceu a ninguém. Uma minivan se aproximou veloz, enquanto sua filha ria, correndo do coleguinha que a perseguia. A menina trocou a calçada pela rua numa fração de segundos, quando os pneus do automóvel chiaram em atrito com o chão. No momento seguinte Dulce caiu sentada na guia, quando Cecilia a empurrou com força, trocando de lugar com a pequena.